O preço do iPhone nunca subiu tanto no Brasil como em 2018


31/10/18 às 15h12

A Apple aproveitou os anúncios dos novos MacBook Air, Mac mini e iPad Pro nesta terça (30) para revelar os preços dos novos iPhone no Brasil. O mais barato, o iPhone XR, custa a partir de R$ 5.199. Nunca o iPhone encareceu tanto entre uma geração e outra no país.

Há anos o Manual do Usuário acompanha a variação de preços do iPhone no mercado local. Descobrimos, por exemplo, que o iPhone 7 foi o primeiro (e único) que teve redução de preço e que convertendo os valores em dólares, o iPhone 4S foi o mais barato que já tivemos (US$ 1.026,49), entre outras coisas.

(Antes, alguns “poréns”: os preços em dólar são referentes à cotação no dia do anúncio ou lançamento dos produtos no país. Em todos os cálculos não foram levados em conta essa variação cambial nem a da inflação, mas em alguns essas diferenças são informadas.)

Em 2018, a Apple colocou o preço dos iPhones no país em um novo patamar. O iPhone XR, o sucesso direto do iPhone 8 (uns dizem que poderia ser chamado “iPhone 9”), ficou 30% mais caro que seu antecessor.

Gráfico mostrando evolução de preços do iPhone no Brasil, 2010 a 2018.
Variação de preços do iPhone 4 ao XR. Gráfico: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

No acumulado dos últimos 12 meses contados a partir de setembro de 2018, a inflação no Brasil foi de 4,52% (IPCA). O dólar entre o lançamento do iPhone 8 (3/11/2017) e o anúncio do preço brasileiro do iPhone XR (30/10/2018), subiu 11,81%.

Antes disso, o maior aumento percentual tinha sido o do iPhone 6s, em 2015, no auge da crise brasileira e com o dólar batendo R$ 3,81 no dia do lançamento do produto — o maior da série histórica — e o IPCA acumulado dos últimos 12 meses em 10,47% — o terceiro maior desde o início da medição do índice. O preço de lançamento do iPhone 6s era 25% maior que o do seu antecessor, o iPhone 6.

Considerando o preço do dólar nas datas de anúncio dos preços brasileiros do 8 e XR (R$ 3,30 e R$ 3,69, respectivamente), o aumento percentual foi de 16,27%. Convertido em dólar, o preço brasileiro do iPhone XR também é o mais caro de todos os tempos: US$ 1.408,94. Do iPhone 4 de 2010 até o iPhone 7, último a manter o preço-base de US$ 649 nos Estados Unidos, o iPhone brasileiro custava em média US$ 1.266,62.

Tabela com vários detalhes do preço do iPhone no Brasil e em dólar.
Tabela com detalhes do preço do iPhone no Brasil. Tabela: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

O iPhone encareceu nos Estados Unidos também, mas a um ritmo muito mais ameno que no Brasil. Lá, o iPhone 8 teve um salto de 7,7% em relação ao 7 (de US$ 649 para US$ 699) e o iPhone XR, de 7,15% (US$ 749). Aqui, esses aumentos foram de 14,3% e o já citado recorde de 30% para o iPhone XR.

Não há mais dúvida de que a Apple encareceu toda a sua linha e, com isso, pretende afunilar o seu público-alvo. Os novos MacBook Air e iPad Pro também são mais caros que seus antecessores. E nem falemos do iPhone XS…

Ou melhor, falemos sim. Concentrei-me no iPhone XR porque, para efeitos práticos, ele é o sucessor direto do iPhone 8. Uns dizem até que ele deveria ser chamado “iPhone 9”, dada a similaridade com o antecessor. O iPhone X não entra na nossa planilha de acompanhamento porque, na visão da Apple, de analistas e minha, ele inaugurou uma nova categoria, não tendo paralelo nos modelos anteriores a 2017. Talvez valha acompanharmos isso também: o iPhone XS custará a partir de R$ 7.299 no Brasil, ou seja, R$ 300 ou 4,28% mais caro que o iPhone X.

Foto do topo: Apple/Divulgação.

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12 comentários

  1. A maioria dos brasileiros atrela seu valor como pessoa à posse de um Iphone ou outro produto da Apple… É gente que ganha mil Reais por mês e paga quatro mil em um celular, em parcelas a perder de vista… Pronto! De repente a pessoa julga que “virou gente”. Agora ela é rica, cheirosa, descolada, e melhor que você.
    Consigo comprar na China celulares com especificações (processador, memória RAM, etc) que não ficam nada a dever a esses celulares da Apple, além de serem mais resistentes. Mas são celulares que nunca me darão esse “status”. E tudo bem, porque não condiciono meu valor como pessoa a um equipamento telefônico superfaturado.
    Já conheci gente rica de verdade… fazendeiros que só se deslocam de helicóptero e moram nos condomínios mais caros do país. Os ricos de verdade MESMO não ligam pra essas coisas. Em casa, usam chinela havaiana e camiseta puída. Escolhem seus bens de consumo pela FUNCIONALIDADE, e não pela marca ou pelo status.
    Ninguém fica rico de verdade topando pagar um preço absurdo em um telefone simplesmente porque tem uma maçã atrás…
    A maioria dos “ricos” que você vê por aí é de gente que está pagando o Iphone em 36 vezes, cheio de dívidas, carro financiado e pagando aluguel. Verdadeiros castelos construídos na areia.
    Creio que a Apple tenha aumentado seus preços justamente para afastar esse público. Pois são a verdadeira “gentinha” que nenhuma marca de luxo quer se associar… Faz muito bem!

  2. Quem tem um iPhone por questões que vão além do status (privacidade ou quem possui um ecossistema da Apple) está cada vez mais difícil manter ou atualizar seus Gadgets da maçã. A tendência é de ficar com seus queridos aparelhos velhos e desatualizados até serem obrigados a mudar para o Android.

      1. Não é a pessoa que tem que rever os conceitos, mas a sociedade. Se ele comprou por status é pq a sociedade vê aquilo como status

        1. então é bom cair fora dessa sociedade que ve um celular como status e consegue colocar isso na cabeça de quem participa dela, ainda bem que sobre isso eu estou livre, não corro risco de comprar um celular colocando na balança o status que terei na sociedade, minhas métricas para um celular são outras

          1. Você não consegue “cair fora dessa sociedade” a menos que vá viver no meio do mato. E mesmo lá muito provavelmente a sociedade te afetará de alguma forma.

          2. Verdade o sonho de consumo e status lá é mostrar que consigo me comunicar com meu aparelho por satélite rsrsrsrs mas comento mais por forma de aceitar essa necessidade que muitos tem em comprar apenas por esse status e a Apple consegue vender isso muito bem.

    1. É o meu caso (privacidade, segurança). Como falei num outro post, este meu iPhone 6S vai ser o último (é o primeiro tb).. Sigo com ele até onde der. Depois, voltarei pro Android. Com esses preços praticados, sem condição!

  3. Sou usuário de iPhone já há anos, porém confesso que literalmente a Apple passou de todos os limites em um produto a partir de 5.000 em uma tela que não é nem Full HD…

  4. Se a Apple cobra esses preços mais que absurdo, é porque com certeza ela sabe que existe um número expressivo de pessoas dispostas a comprar os seus produtos, pelo menos é o que eu imagino.
    Acredito que se menos pessoas comprassem esses iPhones superfaturados, a Apple iria preferir abandonar o mercado brasileiro, ao invés de baixar os preços para atrair mais clientes.