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Um rolê no primeiro carro elétrico autônomo do Brasil

O e.coTech4 visto de lado.

Longe dos holofotes que empresas como Google, Tesla e Uber ganham da mídia especializada com suas iniciativas autônomas, a startup brasileira Hitech Electric anunciou, nesta quinta-feira (30), o primeiro carro elétrico autônomo do Brasil. Estive na sede da Positivo, uma das parcerias da startup, para dar um rolê na variante autônoma do e.coTech4.

O e.coTech4 autônomo é um simpático carrinho, como todos da Hitech, startup paranaense especializada em veículos elétricos para empresas e de passeio. (É a mesma base dos modelos elétricos que a 99 usou em um teste na capital paranaense em 2019.) Ele tem velocidade máxima de 50 km/h, autonomia de 100 km e sua bateria leva cinco horas para ser recarregada em qualquer tomada de três pinos de 110 ou 220 volts. O custo-benefício é exaltado pela Hitech: o custo para rodar 100 km é de apenas R$ 4,50, 10% do que um carro convencional com motor a combustão gastaria para percorrer a mesma distância.

Dei uma volta no veículo e, como imagino acontece com todos que experimentam a tecnologia pela primeira vez, é inquietante e fascinante ver o volante se mexendo sozinho, fazendo curvas e chegando ao destino desejado. Veja no vídeo (se preferir, veja no YouTube):

Livros recomendados pelo Manual do Usuárioo

Só para empresas e longe das ruas

O e.coTech4 autônomo só está disponível para o segmento corporativo e, ao contrário dos outros modelos da Hitech, não é vendido, mas sim alugado em contratos de 24 ou 36 meses. A startup não informou o valor do aluguel porque ele depende da configuração feita, mas disse que o modelo não autônomo, que também é comercializado em contratos de aluguel, custa de R$ 2,8 a R$ 4 mil por mês. O objetivo, no momento, é fazer uma negociação especial com cinco clientes potenciais que estejam dispostos a adotar a nova tecnologia.

O sistema autônomo do e.coTech4 foi desenvolvido em parceria com a Lume, outra startup criada por pesquisadores do Laboratório de Computação de Alto Desempenho da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e que tenta criar pontes entre a pesquisa acadêmica em inteligência artificial e aplicações comerciais. Em 2019, um sistema desenvolvido por ela guiou o primeiro taxiamento de avião autônomo do mundo, feito em parceria com a Embraer.

Visão de dentro do e.coTech4, mostrando o painel do carro, o volante que se mexe sozinho e o notebook do pesquisador que acompanha a direção autônoma.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Voltando ao e.coTech4, o veículo tem nível de automação 4 (de um total de 5) e não depende de GPS, porque só opera em áreas previamente mapeadas. As áreas são mapeadas pelos próprios sensores do carro e o sistema opera totalmente offline. Apesar disso, o sistema de chamamento e logística dos veículos pode ser feito via internet, inclusive sendo comandado direto por um celular.

O módulo de sensores (foto abaixo) conta com um LIDAR de 16 ou 32 canais, câmera Full HD, unidade de medição inercial 9DOF e um GPS RTK. Esse emaranhado de sensores permite que o veículo detecte obstáculos a até 50 metros de distância e garante um tempo de resposta “quase instantâneo”, de 100 milissegundos. Um botão amarelo entre os bancos frontais faz com que a direção do e.coTech4 seja manual, uma alternativa para quando for preciso ir às ruas.

Detalhe do módulo de sensores do e.coTech4.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Devido à falta de legislação no Brasil, o e.coTech4 não pode rodar em vias públicas. Segundo Alberto Ferreira de Souza, sócio-fundador da Lume e professor emérito da UFES, não fosse o impeditivo legal, o e.coTech4 teria condições de ser testado nas ruas. Ele atua junto ao poder público e outros entes do ecossistema de tecnologia para promover esse arcabouço legal que viabilize o início dos testes nas ruas. O e.coTech4, diz a Hitech, é indicado “para transporte de passageiros ou cargas em ambientes internos como pátios fabris, campi universitários, resorts ou clubes”.

Mais fotos:

e.coTech4 de lado, em um estacionamento grande.
Foto: Rodrigo Ghedin.
Visão frontal do e.coTech4.
Foto: Rodrigo Ghedin.

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11 comentários

  1. Interessante a proposta de limitar a circulação somente a ambientes mais controlados e previamente mapeados. Não sei se é a realidade, mas lendo a matéria, fiquei com a sensação de “pés no chão” dessa startup, sem grandes promessas.

    Muitas empresas, com seus campi gigantes, podem fazer um bom uso desse carrinho para deslocamento interno enquanto a startup ganha fôlego para continuar a desenvolver o seu software.

    A tecnologia deve evoluir até que seja possível e principalmente seguro, introduzí-la em outros ambientes. Por conta da disrupção e inovação vemos muitos riscos e acidentes nessa áera dos carros autônomos.

    Excelente matéria e traga mais conteúdos sobre carros elétricos!!

  2. Parabéns pelo conteúdo, Ghedin

    O vídeo ficou bem legal, e é o tipo de materia que enriquece muito o conteúdo do MdU. 👊

    1. Curioso! Antes da demonstração, o CEO da Hitech havia dito que a tecnologia do carro é desenvolvida no Brasil, mas montada “lá fora”. Pelo menos o sistema de direção autônoma é daqui.

      1. Eu acredito que as tecnologias de direção assistida são feitas aqui. Isso sem dúvida.

        Só questionei a questão do visual “moderno”. :3

        (PS: divirta-se um pouco buscando carros elétricos no Alibaba!)

  3. Essa engenhoca no teto (que imagino ser o conjunto de sensores responsável por mapear as rotas possíveis para o veículo) é a prova d’água, certo? No sentido de ser resistente a chuvas e tudo o mais. Sempre fico com receio dessas iniciativas não levarem a sério as condições ambientais às quais um carro autônomo poderia ser submetido, ainda que fora das ruas convencionais/dentro de um ambiente controlado na medida do possível.

    1. Salvo engano é o Light Detection And Ranging (LIDAR). Se notar, é o mesmo usado em outras empresas para uso em IA automotiva.

      1. Agora me veio a dúvida? Se a chuva embaçar as câmeras do sensor, isso não afetaria a dirigibilidade do carrinho?

        1. A câmera é só um dos componentes daquele módulo. Os principais não dependem de lentes ou qualquer coisa afetada pela chuva. O principal engenheiro da Lume estava comentando que o maior desafio foi vedar a caixa; aparentemente, fizeram um bom trabalho.

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