Foto da janela do avião ao entardecer.

Migração 2.0: Os profissionais que mudam de cidade para trabalhar nas empresas mais modernas do país


1/7/19 às 13h13

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Logo da Bcredi.

Não está fácil conseguir um emprego no Brasil. O último dado do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao trimestre encerrado em abril, apontou 13,2 milhões de desempregados no país. A economia não engrena e, com isso, novos postos não são criados. Alguns setores, porém, remam contra a maré e sofrem para preencherem vagas.

Esses bolsões, onde sobra emprego, se encontram em setores em franca expansão e onde boa qualificação é pré-requisito — embora este nem sempre seja o fator mais importante para a contratação. O de tecnologia, por exemplo: em 2018, as empresas do setor fizeram 28 mil contratações e, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia (Brasscom), esse número só não dobrará este ano por falta de pessoal qualificado.

Nas startups, que formam outro recorte que passa ao largo da crise empregatícia brasileira, o crescimento acelerado explica o déficit de funcionários. Em muitos casos, a necessidade de contratação acompanha e é imprescindível para sustentar o aumento do negócio.

A Bcredi, fintech sediada em Curitiba com pouco mais de um ano de mercado, exemplifica bem esse cenário atípico. Ela tem aberto vagas em lotes. Para o trimestre iniciado agora em julho, serão abertas 50 novas vagas, número que aumentará em quase 50% o quadro de funcionários.

Além dos modelos de negócio mais agressivos, startups — incluindo fintechs — rompem com algumas práticas quase dogmáticas do processo de contratação tradicional. Qualificação ainda tem peso, mas a adaptação é um fator tão relevante quanto. “A gente busca pessoas com a nossa cara, que estejam ligadas ao propósito e que não venham só pelo dinheiro. Queremos crescer trazendo gente boa”, diz Fabiana Zandroski, gerente de pessoas da Bcredi.

Flexibilidade, mente aberta, foco em resultado, aceitação da diversidade — a CEO e a CTO da Bcredi são mulheres — e vontade de fazer diferente são algumas características desejadas pela fintech e que dão forma à cultura corporativa que se tenta criar ali. “Precisa ser uma pessoa que está em constante mudança, entender que a gente troca conhecimento”, prossegue Fabiana. “As áreas se envolvem muito. Tem que estar disposta a entrar em um ambiente em eterna evolução”.

Um dos fatores cruciais na seleção de candidatos é o apreço pela missão da Bcredi. “Não precisa dominar o mercado financeiro”, explica a gerente, “queremos uma pessoa que entenda o quanto o nosso produto impacta na economia brasileira. Aquela pessoa que quer mudar o mundo, aqui, pelo menos, um pedacinho ela conseguirá”. A Bcredi oferece crédito com garantia de imóvel, modalidade de crédito comum em países mais desenvolvidos e que começa a despontar no Brasil como alternativa a produtos mais tradicionais (e caros) oferecidos por bancos e financeiras.

Além dos limites e divisas

A necessidade de contratar muita gente em períodos curtos faz com que startups expandam seus horizontes e busquem profissionais em outras cidades e estados. Embora as barreiras sejam menores para a abertura de startups, grandes centros ainda concentram o maior número delas. No caso das fintechs, pesquisa feita pelo Distrito com apoio da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), revelou que elas estão majoritariamente nas regiões Sudeste (74,5%) e Sul (17,9%).

Mapa da distribuição de fintechs no Brasil por região.
Infográfico: Distrito e ABFintechs/Divulgação.

Na Bcredi, 30 dos 103 funcionários vieram de outros lugares diferentes dos dois escritórios da empresa, em Curitiba e na cidade de São Paulo. Desses, 11 se mudaram especificamente após conseguirem um emprego na fintech. É o caso de Tauany Assunção da Silva, que há pouco mais de um mês mudou-se de Florianópolis (SC) para atuar como coordenadora de treinamento, e do engenheiro de software Diego Santos, que também veio da capital catarinense, mas antes estava em Ilhéus (BA), onde nasceu e morou até maio de 2018. Ambos trabalham no escritório de Curitiba.

Identificação com a missão e valores da empresa e a alardeada qualidade de vida de Curitiba foram fatores decisivos para Tauany se decidir por esta vaga — além da Bcredi, ela tinha propostas de empresas de Porto Alegre (RS), Florianópolis e Blumenau (SC). “Quando decidi sair da minha antiga empresa, tinha algumas opções em aberto para analisar. Entendi que, para o meu desenvolvimento profissional, era interessante dar um salto maior”, relembra.

Motivações similares fizeram com que Diego abandonasse o conforto da casa dos seus pais no litoral baiano para tentar novos desafios no Sul do país. Ilhéus tem um curso de referência em Ciência da Computação, que Diego cursou, e por ter começado desde cedo a trabalhar na área — ainda no segundo semestre da graduação —, não demorou muito para ele ter uma visão plena das oportunidades da região. “Já tinha chegado há algum tempo ao meu limite de aprendizado. Não estava evoluindo fazia muito tempo. ‘Se eu ficar aqui será essa mesmice’, pensei. Queria um desafio maior”, relembra. Quando tomou a decisão de sair, mirou em centros que tivessem uma cultura forte de inovação e startups. Acabou em Florianópolis, trabalhando em uma startup de marketing. Meses após a mudança, foi abordado por um head hunter que o convidou para se juntar à Bcredi. “Vim mais pelo modelo de negócio da empresa, que é mais agressivo do que onde eu estava e há uma grande possibilidade de crescimento”, justifica.

Diego trabalhando no escritório da Bcredi.
Diego Santos em seu computador. Foto: Bcredi/Divulgação.

O “salto maior” a que Tauany se refere pode ser intimidador quando envolve uma mudança geográfica. Fincar raízes em uma cidade e as redes de apoio junto a familiares e amigos que decorrem dessa presença prolongada representam segurança valiosa, mas que eventualmente podem restringir a um raio curto a procura por novas oportunidades de trabalho. Outro fator considerável são os gastos, porque mudar-se, mesmo para um local próximo, sempre acarreta gastos; não raro, gastos elevados.

A empresa contratante pode desempenhar um papel crucial na atração de profissionais de fora e no processo de adaptação dos que compram o desafio. A começar pela parte que pesa no bolso: nas grandes e médias empresas e em algumas startups, há incentivos financeiros para quem se dispõe a vir de longe para se juntar à equipe. Custos como fretamento da mudança, o vai e volta entre a antiga e a nova cidade e o de hospedagem provisória em hotel durante a busca por um apartamento para alugar podem ser bancados pelo empregador.

Já dentro da empresa, o RH pode criar processos do tipo “onboarding”, espécie de tour da rotina do profissional, para ajudá-lo na adaptação ao novo ambiente e aos novos colegas. Na Bcredi, há processos de onboarding estruturados para cada área, que se somam a outras iniciativas como almoços promovidos pelos líderes das equipes. “Tentamos fazer com que a pessoa seja acolhida”, resume Fabiana.

Vantagens vão além do aspecto profissional

Tauany reconhece que mudar-se por conta de um novo emprego não é uma decisão fácil, mas vê muitas vantagens não só no campo profissional: “Quando você muda de cidade, precisa aprender a ser mais resiliente, empático pela cultura dos outros, aprender a lidar com situações adversas que você talvez não passaria na sua cidade. Você se vê em uma situação que te leva a um crescimento importante”.

Para Diego, que morou a vida toda com os pais antes de vir para o Sul, em maio de 2018, as mudanças no campo pessoal foram profundas: “Apesar de eu ter 28 anos, morei a vida toda com meus pais. Aproveitei bastante do resguardo de ter uma casa, não ter custos com isso, e quando resolvi mudar era tudo novo. Nessa parte já foi impactante pela responsabilidade — morar sozinho, ter contas para pagar. Com isso vem certa maturidade também”. O contato com uma nova cultura se fez sentir para valer quando ele chegou a Curitiba: “É uma cidade muito maior. A oferta de serviços é maior, a qualidade de vida é boa. Aqui foi quanto tive a sensação de que estava em um lugar desconhecido. Tem sido legal”.

A Bcredi confia em Curitiba para atrair profissionais de outros lugares e tem isso como um objetivo declarado. Fabiana reconhece que cidades menores muitas vezes também oferecem boa qualidade de vida, mas capitais têm mais oportunidades e, no caso de Curitiba, incentivos da prefeitura ajudam a fomentar um ecossistema de inovação que envolve eventos e articulações a fim de facilitar a vida das startups e fintechs, o que direta e indiretamente ajuda o profissional a não estagnar. “Adoramos trazer pessoas de fora, fazer uma mistura cultural na empresa é muito bom. De norte a sul do país, faz muito bem ao time ter pessoas diferentes. Estamos super abertos, adoramos trazer gente de todos os cantos do país”, conclui Fabiana.

E mudar para outro país?

Antes de entrar para a empresa de logística DHL no setor de tecnologia da informação, em 2014, o paulistano Gustavo Bim já acumulava algumas mudanças de cidade por conta de emprego em sua vida, mas sempre dentro do estado de São Paulo — fora um trainee de um ano nos Estados Unidos.

Em 2018, um colega que já trabalhava na sede da DHL, na Alemanha, viu uma vaga que abriu por lá e a repassou a Gustavo. (A DHL, embora tenha nascido nos Estados Unidos, foi comprada pela Deutsche Post no final de 2002.) Depois de uma boa conversa com a esposa (“sempre foi mais corajosa e estava aberta a isso”, conta ele), a família toda embarcou para a Alemanha.

“É muito bom sair da bolha”, diz Gustavo. “Aprender outro idioma de ouvir, ter essa abertura cultural foi muito positivo para eles”. Os “eles” da frase anterior são seus dois filhos, na época da mudança com 4 e 6 anos. Os maiores impactos foram falta de Sol (em alguns períodos, o Sol nasce às 9h e se põe às 16h) e a adaptação das crianças, para quem grandes mudanças do tipo são mais impactantes. No processo de mudança, a família contou com o auxílio da DHL e antecipou-se no contato com outros brasileiros que já residiam no país europeu. “Ajudou muito entrar em contato com brasileiros [antes de viajar]”, explica. “Os primeiros com quem falei eram casais sem filhos, então eles indicaram outros com filhos pequenos e esses conseguiram de passar uma ideia de como é a vida por lá, as escolas, etc.”.

Há nove meses morando na Alemanha com toda a família, Gustavo classifica a experiência como positiva: “Tem prós e contras. Aqui estamos perto de outros países, consegue-se viver em outra cultura, é tudo muito rico. Mas tem a saudade da família. Hoje, com Skype e WhatsApp, atenua um pouco. Não é mesma coisa, mas não é como antigamente, quando ficávamos isolados”, diz.

Oferecimento: Bcredi

Logo da Bcredi.A Bcredi é a fintech que quer impactar a economia do país. Com o desafio de quadriplicar o tamanho da operação em 2019, a fintech tem a meta de aumentar o quadro de colaboradores em 50% até o final do ano. Se você tem o sonho de causar impacto positivo na vida das pessoas com o seu trabalho, confira as diversas vagas abertas. Você pode ocupar a sua no time de B-Heroes, seja em Curitiba ou em São Paulo. Confira todas nossas as oportunidades no Gupy.

Esta reportagem foi financiada pela Bcredi. Profissionais da Bcredi colaboraram na definição da pauta e na seleção das fontes ouvidas, e revisaram o texto antes da publicação.

Foto do topo: Good Free Photos.

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3 comentários

  1. parabéns pela excelente matéria. feliz em ver seu trabalho impactando positivamente. []s livr3s,

  2. Texto excelente! Parabéns pelo conteúdo.
    Eu acredito que Fintechs é um complemento sensacional para a proposta do manual do usuário. O Tecnocracia já abordou a parte de pagamentos uma vez, que foi Ótimo! E tem toda a discussão do sigilo bancario, privacidade e modelos de negócio alternativos.
    Eu por exemplo fico ressabiado de entregar meus dados bancários para um guia bolso da vida, e ainda controlo minhas finanças domésticas com uma planilha excel rodando local e tabelas dinâmicas.

    Abraço

  3. Como fã (e enche-saco dos comentários) daqui, agradeço a Bcredi por ajudar o Manual. Não vejo como má essa ideia de matérias pagas, dado a idoneidade do Ghedin :)

    Mudanças de cidade sempre serão legais para quem tem a cabeça aberta para isso. No entanto, como bem colocado na matéria, N fatores interferem, principalmente custo e qualidade de vida.

    Eventualmente visito Florianópolis devido a família paterna, e noto a questão de transporte público como um fator sobre o custo e qualidade de vida. Apesar de ter uma rede razoável de transportes, ela é um pouco cara e não existe sistemas de tratamento exclusivo aos modais públicos (parando de falar bonito: corredores e faixas exclusivas), assim tendo um sistema lento de transportes.

    Curitiba, diferente, tem um sistema bom (os famosos “Ligeiros”), mas que pede atualizações.

    Em compensação, ambas as cidades tem uma qualidade de vida legal, dado ter suas peculiaridades que auxiliam as pessoas a se sentirem bem nas capitais e cidades da região (Curitiba com boa quantidade de produtos culturais, Florianópolis dado a questão da natureza [praias e parques naturais])

    Sem hipocrisias: bom trabalho é aquele que remunera de forma justa e também faz a pessoa se sentir bem. Isso é um bom caminho para as profissões futuras. :)