Nem todas as coisas “inteligentes” são digitais: a história do Caderno Inteligente

Foto do caderno inteligente fechado.

Empresas e assessorias inundam redações de jornais com bloquinhos de papel. É um mimo relativamente barato e que continua útil a jornalistas mesmo após a profunda digitalização das redações. São tantos que muitas vezes eles sobram, mas vez ou outra um do tipo se destaca. Recentemente chegou a mim um desses especiais: o Caderno Inteligente.

O Caderno Inteligente foi enviado ao Manual do Usuário pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) por ocasião dos 30 anos do domínio .br, no último dia 18 de abril, sem qualquer contrapartida, ou seja, este texto é uma iniciativa exclusivamente minha.

A edição que recebi tem tamanho médio (190 x 255 mm), capa dura contendo os dizeres “NIC.br” e “CGI.br” em baixo relevo e detalhes em verde limão. É uma edição personalizada para clientes corporativos, uma das linhas de negócio da Caderno Inteligente. Dentro, ela veio com quatro separados plásticos, muitas folhas pautadas e algumas lisas e quadriculadas.


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O que torna este caderno diferente é o espiral, ou a falta dele. Em seu lugar, são usados discos de plásticos cheios (sem furos) e independentes uns dos outros. Nas folhas, os furinhos na margem esquerda em vez de serem fechados, mantêm uma abertura próxima à borda — ela fica invisível no caderno — que permite a remoção e recolocação das folhas sem qualquer dano ao papel. Em vídeo fica mais fácil entender:

A “inteligência” do caderno é, na realidade, sua versatilidade: é possível remover, acrescentar e reordenar as folhas sem qualquer dano a elas ou à estrutura do caderno. Tipo um fichário, mas muito mais fácil. Com os materiais extras que a Caderno Inteligente vende à parte, dá para refazer um caderno por completo. É um caderno modular.

Paixão no exterior

Detalhe dos discos do caderno inteligente.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

A ideia do caderno modular não é nova. Ela foi importada. Lá fora, ele é chamado de caderno “disc bound”. Em 2010, um discreto arquiteto brasileiro1 viu o tal caderno diferentão durante uma viagem internacional e apaixonou-se pelo conceito. Ele já tinha uma fábrica de cadernos comuns no Brasil; quando retornou, o entusiasmo era tamanho que lançou a sua própria marca de cadernos “disc bound”.

O Caderno Inteligente™ — sim, é uma marca registrada — começou sua trajetória com o nome Magic Note. A dificuldade das pessoas em pronunciá-lo motivou a mudança2, mas, de acordo com Cristiane Ribeiro, diretora de marketing da Caderno Inteligente que me contou a história acima, mesmo na época do nome difícil o caderninho modular já despertava o fascínio de parceiros e clientes. “A receptividade sempre foi maravilhosa. Todo mundo tem uma reação do tipo ‘uau, se eu tivesse isso na faculdade, mudaria minha vida’”, disse.

A expertise em arquitetura do fundador da marca auxiliou na criação dos diferenciais da Caderno Inteligente. Na loja oficial e em papelarias parceiras, impressiona a vastidão dos complementos ao caderno: refis dos mais diversos tipos de folhas, acessórios, organizadores, itens de personalização. Até capas e os discos da lateral são vendidas separadamente, o que permite personalizá-lo ao extremo.

Dos estudos aos prontuários do consultório

Todos os cadernos inteligentes da Thaynnara espalhados sobre uma mesa.
Os cadernos inteligentes da Thaynnara. Foto: Arquivo pessoal.

A psicóloga e concurseira Thaynnara Kristinna Torres Amorim, 29 anos e moradora de Brasília, é uma das clientes mais assíduas da Caderno Inteligente. “Conheci o caderno no Instagram. Já tem muitos anos que o uso”, recordou.

Amorim diz usar o caderno para tudo: “Uso o caderno universitário [maior] para os estudos das matérias mais básicas de concurso; o médio para matérias específicas dos concursos; e uso também o tamanho A5 — tanto a agenda quanto o normal — para prontuário no consultório de psicologia”. Ela também conta que influenciou colegas de profissão a adotarem o caderno devido às suas vantagens, que, diz, são muitas. Ribeiro usa um cenário para exemplificá-las: “Quem usa agenda de papel não precisa levar os 12 meses [de folhas], leva só dois ou três e outros tipos de folhas. Você pode usar um corpo só para levar diversos tipos de folhas”.

Seu perfil no Instagram evidencia a quase obsessão que a psicóloga de Brasília tem por itens de papelaria. São dezenas de canetas coloridas, marcadores, folhas de papel e, claro, cadernos inteligentes, os favoritos dela: “Uso outros tipos de cadernos, mas o caderno inteligente é o que mais eu uso”. A relação é tão profunda que Amorim virou uma espécie de embaixadora da marca, recebendo produtos novos da Caderno Inteligente para mostrar a seus seguidores nas redes sociais.

Mão segurando um caderno inteligente médio.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

E o digital? O que poderia ser uma ameaça a um negócio que vende papel, item que a digitalização há tempos promete reduzir e até exterminar, é visto pela diretora de marketing da empresa como um aliado, na verdade. Sem abrir números, Ribeiro conta que o marketing online ajuda bastante na divulgação, pois embora seja “um produto maravilhoso, é preciso mostrá-lo e explicá-lo ao consumidor”. (De fato: quando o recebi, tive que recorrer à internet para entender melhor o lance das folhas destacáveis.)

Outra frente que se beneficia em vez de conflitar com o digital é a dos acessórios. Há capas para os cadernos com espaços para celulares, e-readers e até tablets. Via internet, a empresa também oferece “templates” sazonais para serem impressos pelos clientes — no momento, há um com a programação dos jogos da Copa do Mundo de futebol feminino.

A Caderno Inteligente oferece pouco mais de uma dezenas de tipos diferentes de refis de folhas, 10 acessórios, 25 discos e 40 capas. E está sempre lançando novidades. A última foi um marcador adesivo inteligente, que já vem com a furação especial do caderno. Mesmo àqueles já seduzidos pelos incontáveis apps de anotações, muitos deles gratuitos e uns poucos muito bons, chama a atenção a versatilidade dos cadernos inteligentes — no mínimo por mostrar que é possível levar inovação até mesmo a categorias de produtos tidas como arcaicas.

Você pode ganhar um!

Um dos benefícios de ser assinante pago do Manual do Usuário é concorrer a produtos que o site recebe de empresas e assessorias, como o Caderno Inteligente — os famosos “recebidos”. Para ter a chance de levar esta edição personalizada do NIC.br/CGI.br, basta ser assinante do Manual via Catarse e estar em dia com os pagamentos no próximo dia 18 de junho. Fácil, né?

Algumas considerações:

  • O envio é gratuito, desde que o vencedor resida no Brasil. Se morar fora, a gente debate o assunto caso a caso.
  • Este sorteio é uma iniciativa exclusiva do Manual do Usuário. Nem a Caderno Inteligente, nem o CGI.br/NIC.br têm qualquer participação desta ação nem a endossam.
  • O sorteio não é auditado. Para aumentar a transparência, no próximo dia 18 farei o sorteio exatamente às 15h e o gravarei. Para provar, postarei uma foto no Twitter segurando um calendário da Caixa acessarei o Horário de Brasília durante a gravação. É o que tem para hoje — você precisa confiar em mim!
  • O vencedor fica inelegível para os próximos seis sorteios de “recebidos”.

Boa sorte a todos e, caso você ainda não assine o Manual e queira se tornar um, siga este link. O valor mínimo da assinatura para concorrer é R$ 9/mês.


  1. Tão discreto que pediu para que seu nome não fosse citado. Estranhei, mas não custa nada respeitar a vontade do cara, certo?
  2. Pontos extras por não terem usado “smart notebook”!

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7 comentários

  1. Parece ser bacana, mas me preocupa a durabilidade da furação (encaixe) das folhas. Será que aguenta trocas constantes?

  2. Eu vim incrédulo achando que era mais um fichário qualquer, porém me enganei e gostei bastante do produto (não comprarei pois tenho um fichário mal utilizado rs).

  3. ainda que valha menos que o conteúdo, a forma é sempre relevante.

    por outro lado, cadernos “burros” que custam 25% do preço desse atendem minhas necessidades

    mas se fosse barato, migrava na hora. lindos.

    abs!

  4. Curti e vou comprar, caso não seja sorteado,rs, pois meu fichário está desgastado.

    tem algum link com comissão, ghedin?

  5. Tenho um fascínio por produtos de papelaria, mas acabei migrando muito do que eu poderia fazer no papel pro digital. E olha, não é fácil encontrar um app que seja tão bom quanto o que o papel faz.

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