Foto do caderno inteligente fechado.

Nem todas as coisas “inteligentes” são digitais: a história do Caderno Inteligente


12/6/19 às 9h25

Empresas e assessorias inundam redações de jornais com bloquinhos de papel. É um mimo relativamente barato e que continua útil a jornalistas mesmo após a profunda digitalização das redações. São tantos que muitas vezes eles sobram, mas vez ou outra um do tipo se destaca. Recentemente chegou a mim um desses especiais: o Caderno Inteligente.

O Caderno Inteligente foi enviado ao Manual do Usuário pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) por ocasião dos 30 anos do domínio .br, no último dia 18 de abril, sem qualquer contrapartida, ou seja, este texto é uma iniciativa exclusivamente minha.

A edição que recebi tem tamanho médio (190 x 255 mm), capa dura contendo os dizeres “NIC.br” e “CGI.br” em baixo relevo e detalhes em verde limão. É uma edição personalizada para clientes corporativos, uma das linhas de negócio da Caderno Inteligente. Dentro, ela veio com quatro separados plásticos, muitas folhas pautadas e algumas lisas e quadriculadas.


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O que torna este caderno diferente é o espiral, ou a falta dele. Em seu lugar, são usados discos de plásticos cheios (sem furos) e independentes uns dos outros. Nas folhas, os furinhos na margem esquerda em vez de serem fechados, mantêm uma abertura próxima à borda — ela fica invisível no caderno — que permite a remoção e recolocação das folhas sem qualquer dano ao papel. Em vídeo fica mais fácil entender:

A “inteligência” do caderno é, na realidade, sua versatilidade: é possível remover, acrescentar e reordenar as folhas sem qualquer dano a elas ou à estrutura do caderno. Tipo um fichário, mas muito mais fácil. Com os materiais extras que a Caderno Inteligente vende à parte, dá para refazer um caderno por completo. É um caderno modular.

Paixão no exterior

Detalhe dos discos do caderno inteligente.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

A ideia do caderno modular não é nova. Ela foi importada. Lá fora, ele é chamado de caderno “disc bound”. Em 2010, um discreto arquiteto brasileiro1 viu o tal caderno diferentão durante uma viagem internacional e apaixonou-se pelo conceito. Ele já tinha uma fábrica de cadernos comuns no Brasil; quando retornou, o entusiasmo era tamanho que lançou a sua própria marca de cadernos “disc bound”.

O Caderno Inteligente™ — sim, é uma marca registrada — começou sua trajetória com o nome Magic Note. A dificuldade das pessoas em pronunciá-lo motivou a mudança2, mas, de acordo com Cristiane Ribeiro, diretora de marketing da Caderno Inteligente que me contou a história acima, mesmo na época do nome difícil o caderninho modular já despertava o fascínio de parceiros e clientes. “A receptividade sempre foi maravilhosa. Todo mundo tem uma reação do tipo ‘uau, se eu tivesse isso na faculdade, mudaria minha vida’”, disse.

A expertise em arquitetura do fundador da marca auxiliou na criação dos diferenciais da Caderno Inteligente. Na loja oficial e em papelarias parceiras, impressiona a vastidão dos complementos ao caderno: refis dos mais diversos tipos de folhas, acessórios, organizadores, itens de personalização. Até capas e os discos da lateral são vendidas separadamente, o que permite personalizá-lo ao extremo.

Dos estudos aos prontuários do consultório

Todos os cadernos inteligentes da Thaynnara espalhados sobre uma mesa.
Os cadernos inteligentes da Thaynnara. Foto: Arquivo pessoal.

A psicóloga e concurseira Thaynnara Kristinna Torres Amorim, 29 anos e moradora de Brasília, é uma das clientes mais assíduas da Caderno Inteligente. “Conheci o caderno no Instagram. Já tem muitos anos que o uso”, recordou.

Amorim diz usar o caderno para tudo: “Uso o caderno universitário [maior] para os estudos das matérias mais básicas de concurso; o médio para matérias específicas dos concursos; e uso também o tamanho A5 — tanto a agenda quanto o normal — para prontuário no consultório de psicologia”. Ela também conta que influenciou colegas de profissão a adotarem o caderno devido às suas vantagens, que, diz, são muitas. Ribeiro usa um cenário para exemplificá-las: “Quem usa agenda de papel não precisa levar os 12 meses [de folhas], leva só dois ou três e outros tipos de folhas. Você pode usar um corpo só para levar diversos tipos de folhas”.

Seu perfil no Instagram evidencia a quase obsessão que a psicóloga de Brasília tem por itens de papelaria. São dezenas de canetas coloridas, marcadores, folhas de papel e, claro, cadernos inteligentes, os favoritos dela: “Uso outros tipos de cadernos, mas o caderno inteligente é o que mais eu uso”. A relação é tão profunda que Amorim virou uma espécie de embaixadora da marca, recebendo produtos novos da Caderno Inteligente para mostrar a seus seguidores nas redes sociais.

Mão segurando um caderno inteligente médio.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

E o digital? O que poderia ser uma ameaça a um negócio que vende papel, item que a digitalização há tempos promete reduzir e até exterminar, é visto pela diretora de marketing da empresa como um aliado, na verdade. Sem abrir números, Ribeiro conta que o marketing online ajuda bastante na divulgação, pois embora seja “um produto maravilhoso, é preciso mostrá-lo e explicá-lo ao consumidor”. (De fato: quando o recebi, tive que recorrer à internet para entender melhor o lance das folhas destacáveis.)

Outra frente que se beneficia em vez de conflitar com o digital é a dos acessórios. Há capas para os cadernos com espaços para celulares, e-readers e até tablets. Via internet, a empresa também oferece “templates” sazonais para serem impressos pelos clientes — no momento, há um com a programação dos jogos da Copa do Mundo de futebol feminino.

A Caderno Inteligente oferece pouco mais de uma dezenas de tipos diferentes de refis de folhas, 10 acessórios, 25 discos e 40 capas. E está sempre lançando novidades. A última foi um marcador adesivo inteligente, que já vem com a furação especial do caderno. Mesmo àqueles já seduzidos pelos incontáveis apps de anotações, muitos deles gratuitos e uns poucos muito bons, chama a atenção a versatilidade dos cadernos inteligentes — no mínimo por mostrar que é possível levar inovação até mesmo a categorias de produtos tidas como arcaicas.

Você pode ganhar um!

Um dos benefícios de ser assinante pago do Manual do Usuário é concorrer a produtos que o site recebe de empresas e assessorias, como o Caderno Inteligente — os famosos “recebidos”. Para ter a chance de levar esta edição personalizada do NIC.br/CGI.br, basta ser assinante do Manual via Catarse e estar em dia com os pagamentos no próximo dia 18 de junho. Fácil, né?

Algumas considerações:

  • O envio é gratuito, desde que o vencedor resida no Brasil. Se morar fora, a gente debate o assunto caso a caso.
  • Este sorteio é uma iniciativa exclusiva do Manual do Usuário. Nem a Caderno Inteligente, nem o CGI.br/NIC.br têm qualquer participação desta ação nem a endossam.
  • O sorteio não é auditado. Para aumentar a transparência, no próximo dia 18 farei o sorteio exatamente às 15h e o gravarei. Para provar, postarei uma foto no Twitter segurando um calendário da Caixa acessarei o Horário de Brasília durante a gravação. É o que tem para hoje — você precisa confiar em mim!
  • O vencedor fica inelegível para os próximos seis sorteios de “recebidos”.

Boa sorte a todos e, caso você ainda não assine o Manual e queira se tornar um, siga este link. O valor mínimo da assinatura para concorrer é R$ 9/mês.


  1. Tão discreto que pediu para que seu nome não fosse citado. Estranhei, mas não custa nada respeitar a vontade do cara, certo?
  2. Pontos extras por não terem usado “smart notebook”!

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