Ganhei acesso aos canais do WhatsApp e, para minha surpresa, a criação já está liberada. Subi o canal do Manual no WhatsApp e… bem, vamos ver como isso funciona. (Se flopar, nunca aconteceu.)
A Apple liberou a versão final do iOS 17 nesta segunda (18). Entre os recursos, há uma nova imagem em tela cheia para ligações (espero que o pessoal do telemarketing curta a minha) e um modo “Em Espera” que transforma o celular em um monitor bonitão que não verei, pois estarei dormindo quando (se?) ele for ativado. De todos os recursos, o que mais gostei é dos mais simples: finalmente é possível ativar dois ou mais timers ao mesmo tempo. Via Apple.
Revelações no julgamento que acusa o Google de monopolizar o mercado de buscas
Começou, nos Estados Unidos, o julgamento antitruste mais importante desde o da Microsoft, no final dos anos 1990.
O Departamento de Justiça (DoJ) acusa o Google de práticas abusivas para estabelecer e manter o monopólio do seu buscador web. (Um bom resumo no The Verge, em inglês.) O julgamento deve durar 10 semanas.
O foco do DoJ está nos acordos que o Google mantém, desde pelo menos 2010, com empresas como Apple, Mozilla e fabricantes de celulares Android, a fim de garantir que seu buscador seja a opção padrão em navegadores web.
É um caso difícil. A lei antitruste norte-americana prioriza o não prejuízo ao consumidor, em especial o financeiro. E o Google é, para esse público, gratuito.
Além disso, em pendengas recentes que chegaram aos tribunais norte-americanos envolvendo big techs, como o caso Apple vs. Epic Games (de Fortnite) e a compra da Activision Blizzard pela Microsoft, as grandes saíram vitoriosas.
Ainda que não dê em nada, o caso importa por colocar o Google sob os holofotes e na defensiva, o que ajuda a desnudar detalhes suculentos de como a empresa age de má-fé.
O DoJ trouxe conversas internas do Google em que executivos orientam e são orientados a evitarem termos que sugiram o monopólio nas buscas online. Em outra conversa, foi solicitado que o histórico de mensagens fosse desativado para tratarem do assunto.
Atitudes normais de negócios, nada suspeito… né.
Por coincidência, o Wall Street Journal divulgou, na mesma semana em que teve início o julgamento do Google, documentos internos da ExxonMobil, a petroleira norte-americana que descobriu e negou, por décadas, a emergência climática decorrente, em grande parte, da queima de combustíveis fósseis.
Neles, Rex Tillerson, ex-CEO que em 2006 que reconheceu o papel da empresa e das petroleiras no aquecimento, parece outra pessoa, muito diferente da sua persona pública. Ele conspira para desacreditar e atrasar pesquisas contrárias aos interesses da Exxon.
E ainda tem gente que acha que corrupção é uma mazela exclusiva do setor público…
A guerra dos chips
No final de agosto, a Huawei apresentou um novo celular para o mercado chinês, o Mate 60 Pro.
Seria só mais um típico topo de linha chinês para o mercado interno, com números enormes e uma versão do Android sem coisas do Google, não fosse por um detalhe: o Mate 60 Pro tem conectividade 5G.
Melhorias e novo visual do Órbita
O Órbita ganhou diversas melhorias, resultado do trabalho do Renan Altendorf:
- Agora, links publicados de sites que adotam paywall ganham, automaticamente, um link à parte que remove o paywall (exemplo).
- Conversas com links “puxam” a imagem de compartilhamento do link original, salvam ela no servidor do Manual e usam-na no link do Órbita (exemplo no Mastodon).
- Links de conversas agora exibem uma imagem de compartilhamento própria, com a marca do Órbita.
- Além dos comentários, agora é possível usar Markdown para criar posts/conversas no Órbita.
O visual da listagem de posts passou por um refinamento. Trocamos o emoji de votar (seta para cima) por um ícone decente, puxamos o contador de votos para baixo do ícone e simplificamos a exibição dos meta dados (autor, data e comentários). Código e várias ideias do Renan também.

Por fim, aumentei o peso dos votos na listagem de conversas populares.
O poder de votar é um dos poucos recursos exclusivos para leitores cadastrados. O cadastro é rápido e gratuito, ou seja, não tem desculpa para não fazer o seu. O caminho é por aqui
Canais do WhatsApp impõem novo desafio no combate à desinformação online
A Meta lançou os “canais” do WhatsApp no mundo inteiro (+150 países), incluindo o Brasil.
O recurso é muito similar a um homônimo do Telegram. Trata-se de uma área, dentro do app, para distribuir conteúdo em formato de mensagens em larga escala (de uma para muitas pessoas).
Não há limites para o número de seguidores que um canal pode ter. As mensagens veiculadas somem depois de 30 dias. E, ao contrário de listas de transmissão e grupos, ninguém pode ver o número de telefone de ninguém, nem seguidores, nem administradores.
As similaridades com os canais do Telegram poderiam ter ligado o alerta da Meta à instrumentalização da novidade para fins… menos nobres, um problema que acomete o Telegram e, arrisco dizer, será inevitável no WhatsApp.
A princípio, apenas canais chancelados pela Meta estão disponíveis, de “organizações, equipes esportivas, artistas e formadores de opinião” — entre os destacados estão Luciano Huck, CONMEBOL Libertadores e Ministério da Fazenda.
A restrição à criação de canais nesta fase torna trivial manter a plataforma livre de polêmicas, mas é algo com os dias contados. No comunicado oficial, a Meta informou que “nos próximos meses, também permitiremos que qualquer pessoa crie um canal”.
iPhone 15 chega mais barato e mais caro no Brasil
A Apple anunciou nesta terça (12) o iPhone 15 com uma “revolucionária” porta USB-C, cortesia da União Europeia. Como faz desde 2021, a loja virtual da Apple já mostra os preços dos novos produtos para o mercado brasileiro. Vamos ver quão mais caro (ou mais barato) o novo iPhone ficou por aqui, na terra do iPhone ostentação?
Em termos absolutos, o iPhone 15 (128 GB, modelo básico) ficou 3,9% mais barato, com preço de R$ 7.299.
Os dois modelos anteriores custavam R$ 7.599 no lançamento, seguidos do iPhone mais caro da história, o iPhone 12 de 2020, que chegou custando R$ 7.999.

Esses preços são os sugeridos pela Apple e não levam em conta descontos, promoções ou variações em outras lojas do varejo, onde costuma ser mais barato adquirir iPhones.
A inflação oficial medida pelo IBGE, o IPCA acumulado dos últimos 12 meses até agosto, foi de 4,61%.
A análise que faço leva em conta, também, o preço em dólar, que costumava ser estável até 2022, mas que ainda assim ajuda a colocar os preços brasileiros em perspectiva.
No intervalo de um ano, considerando a cotação fechada de 12 de setembro, o dólar comercial desvalorizou 5,4% em relação ao real, de R$ 5,238 para R$ 4,953.
O preço do iPhone brasileiro, convertido pelas respectivas cotações nos dias de lançamento, aumentou 1,6%, para US$ 1.473,65. É, pelo terceiro ano consecutivo, o iPhone “dolarizado” mais caro que já desembarcou por aqui.
Nos Estados Unidos, o iPhone 15 desvinculado de operadoras manteve o mesmo preço de 2020, US$ 829. Naquele ano, porém, o então lançamento iPhone 12 disparou 18,6%. No mesmo período, entre 2019 e agora, o iPhone brasileiro “dolarizado” aumentou 20,3%.

Para quem não se importa em adquirir o último modelo, os das linhas iPhone 13 e 14 tiveram reduções de preços significativas com o anúncio do iPhone 15, de até 24,4%. O único contra é que apenas os modelos padrões e Plus sobreviveram, ou seja, a versão mini já era…
Anos anteriores: iPhone 5S (2013), iPhone 6 (2014), iPhone 6S (2015), iPhone 7 (2016), iPhone XR (2018), iPhone 11 (2019), iPhone 12 (2020) e iPhone 13 (2021). Não teve post em 2017 porque estava fora do site na época e em 2022 porque… sei lá, acho que esqueci?
Google adota “novilíngua” para continuar espionando usuários do Chrome
A empresa de publicidade Google começou a liberar um novo método de monitoramento/espionagem dos usuários do seu navegador, o Chrome.
Ao abrir a última versão do Chrome, os usuários serão, em algum momento, impactados por uma mensagem intitulada “Ative um recurso de privacidade de anúncios” (veja o print, em inglês, no Ars Technica).
O Google diz que está “lançando novos recursos de privacidade que lhe dão mais escolhas para os anúncios que você vê”. Na prática, o Google está incorporando, direto no navegador (Chrome), um sistema de espionagem massiva dos usuários.
Na novilíngua do Google, a violação da sua privacidade não é uma escolha. O que está em jogo é o modo como você deseja ceder todos os dados possíveis para segmentar anúncios.
Essa falsa escolha é uma resposta desesperada de um Google acuado pela concorrência.
Desde 2020, outros navegadores, como Safari da Apple e Firefox da Mozilla, baniram os cookies de terceiros, método preferido há anos por empresas de publicidade — como o Google — para espionar as pessoas para fins publicitários.
O Google, a fim de manter seu verniz de “privacidade”, prometeu que também aposentaria os cookies de terceiros, mas só fará isso depois que estabelecer outro método eficaz de espionagem.
Já tentou duas vezes, com o FLoC e a API de tópicos. Ambas fracassaram por falta de apoio — exceto anunciantes e empresas de publicidade, ninguém achou boa ideia. Por isso, a aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome já foi adiada incontáveis vezes.
O novo “recurso de privacidade” do Chrome é a mais nova tentativa do Google de impor um sistema alternativo de vigilância corporativa. Sem surpresa, somente o Chrome pretendo adotá-lo entre os principais navegadores – o único de uma empresa de publicidade.
Por ora, é possível ignorar essa nova investida. Em algum momento, não será mais. A melhor maneira de evitar os avanços do Google na deterioração da privacidade online é não usando o Chrome. Existem alternativas.
O robô do Google Meet
No final de agosto, o Google organizou o Cloud Next, uma conferência para clientes corporativos. Lá, lançou (mais) alguns recursos de inteligência artificial, dessa vez voltados ao trabalho.
Um deles é o Duet AI, uma espécie de assistente para o Google Meet.
O Duet toma notas em tempo real da reunião em curso e faz resumos para atualizar quem chega atrasado. Mais que isso: ele pode “participar” de uma reunião em seu nome. Um botão no Google Agenda, ao ser clicado, manda o robô no seu lugar.
Dá até para dar instruções à IA do que você gostaria de debater nessa reunião que… sabe como é… emergência aqui… foi mal, não posso ir… e ela passará seu recado aos colegas.
A primeira coisa que me ocorreu foi um cenário em que todos os participantes de uma reunião (que provavelmente poderia ter sido um e-mail) enviam seus robôs para participarem.
O Google também. Se isso acontecer, o Google Meet detecta a presença unânime de seres etéreos (ou a falta de gente de carne e osso) e encerra a chamada, poupando o mundo de mais uma reunião.
Bom demais, não? Ou não? Pensando melhor, o mais provável de acontecer é o chefe marcar a reunião para sexta-feira, às 17h, exigir a presença personalíssima de todos os ~colaboradores, mas mandar seu robô Duet AI. “Resolvam esse pepinão aí e depois a IA me atualiza”, dirá ele, com outros termos, por seu emissário virtual.
Talvez o Duet possa ajudar a modular o tom da mensagem do chefe: “Precisamos entregar esse job ainda hoje para bater o target do mês. Meu digital assistant vai dar um help.” Bem melhor!
Viver no futuro é uma droga.
Google, Meta e X decidem que usarão nossos dados e conteúdo para treinar IAs
O acordo entre pessoas e empresas da chamada web 2.0 já não era dos melhores: em troca de espaço para publicar na internet, conexão e alcance, cedemos nossos dados mais íntimos para que elas lucrassem horrores direcionado anúncios invasivos.
A explosão da inteligência artificial gerativa, liberada pela OpenAI e seu grande sugador de dados da internet, piorou os termos para o nosso lado.
De maneira unilateral, as big techs que veiculam conteúdo gerado pelos usuários alteraram seus termos de uso, garantido a elas o direito de usar os nossos dados para treinar IAs.
Google, Meta e, em breve, X (antigo Twitter). Não houve grandes anúncios nem nada do tipo. Coube à imprensa e aos ativistas pró-privacidade jogar luz nessas alterações faustianas.
A Meta disponibilizou um formulário que (supostamente) permite às pessoas excluírem dados pessoais de fontes/conjuntos de terceiros obtidas ou comprados pela empresa para treinar IAs.
Note a engenhosidade do texto: em momento algum a Meta diz que os dados em suas plataformas abertas (Facebook e Instagram) estão no pacote. Você usa Facebook? Instagram? Parabéns, você está treinando as IAs da Meta.
Esse “trabalho forçado” invisível não é novidade. Há mais de uma década, o Google treina seus algoritmos de computação visual com CAPTCHAs — aqueles desafios que nos pedem para identificar pontes, faixas de pedestres e carros em pequenas imagens borradas.
Quando muito, essas empresas pagam uma mixaria a trabalhadores precarizados em países do Sul Global.
A diferença desta nova fase de exploração generalizada com a IA gerativa, é a (falta de) transparência, abrangência e escala.
Até então, as big techs “apenas“ lucravam com os nossos dados. Agora elas querem mais que isso; querem nos usar para criar novos produtos que, depois, pagaremos para usar.
Aviso pró-bloqueador de anúncios, BeFake e outros links legais
Uma estação de trabalho ergonômica “gravidade zero”. Não, você não vai flutuar, e embora pareça um trambolho, deve ser… confortável?
A piada óbvia com a rede social BeReal tornou-se realidade e, pasme, o BeFake já levantou um investimento de US$ 3 milhões (em inglês). “Is this real life?? 🥴”
Diga não ao streaming, ouça MP3…?
Spotify , Apple Music , até Amazon Music . Todos esses serviços de streaming de músicas ficaram mais caros no último ano.
Não que a mensalidade seja uma fortuna, mas a cada aumento, por óbvio, o serviço pesa mais no bolso.
Existe alternativa? Peguei-me pensando nisso, dia desses.
Sem rupturas entre China e EUA
Dando sequência às visitas de autoridades estadunidenses a Pequim, esta foi a vez de Gina Raimondo, a secretária de Comércio dos EUA. Ela se encontrou com o primeiro-ministro Li Qiang na terça (29) e o vice He Lifang.
Entre os destaques dos encontros está a afirmação de Raimondo de que seu país não quer romper com a China, porém acrescentou que preocupa Washington a forma como empresas estrangeiras são recebidas em solo chinês, passando por questões de segurança. Ela afirmou ainda que os empresários estadunidenses se queixam de que a China é um país “ininvestível”.
Apesar de durante a visita a secretária ter tratado as relações comerciais dos dois países em tom mais amistoso, há menos de um mês a administração Biden anunciou restrições de investimentos no país asiático em áreas estratégicas.
Por falar em questões estratégicas, o mandarim parece ter deixado de ser visto como uma língua prioritária para estudantes estadunidenses, como mostra a The Economist. A língua oficial da segunda maior economia global chegou a ser apontada por líderes como algo que deveria ser estudado, caso do ex-presidente Barack Obama.
Quem tem uma conta gratuita no Manual do Usuário (crie a sua) ganhou duas novas áreas no site: uma que lista todos os comentários feitos e outra com todas as conversas publicadas no Órbita. Elas estão no novíssimo menu principal, que foi consolidado e simplificado.

Agradecimentos à Clarissa Mendes, que desenhou e programou o novo menu, e ao Renan Altendorf, que desenvolveu as páginas de comentários e posts. Todo o código das novidades é aberto e já está nos nossos repositórios (Órbita, tema Dez)
Hackers apagam dados de ~76 mil celulares infectados por “app espião”
Hackers que não se identificaram disseram ao site TechCrunch terem invadido os sistemas da empresa por trás do aplicativo WebDetetive e apagado os dados de ~76 mil celulares Android comprometidos — a maioria deles, brasileiros.
O WebDetetive é (ou era) um “stalkerware”, também conhecido por “spouseware” ou “app espião”: um software que, ao ser instalado no celular da vítima, passa a enviar a um servidor remoto (e ao perseguidor que instalou o app) dados que vão de fotos e mensagens a gravações do microfone e a localização exata do celular.
A reportagem do TechCrunch conseguiu confirmar, com a ajuda do coletivo DDoSecrets, a veracidade da invasão a partir de arquivos vazados pelos hackers, mas não se eles de fato apagaram os dados coletados sem autorização dos celulares das vítimas do WebDetetive. Esses dados, obviamente, não constam no conjunto de dados vazados.
O foco no Brasil da desenvolvedora do WebDetetive, sediada na Espanha, não é por acaso.
Uma pesquisa da Kaspersky, do início de 2022, descobriu que aplicativos espiões são a forma mais comum de perseguição digital no país. Para piorar, é um risco oculto à maioria: 70% dos respondentes disse desconhecer a existência de apps do tipo.
Apps espiões também têm a capacidade de se esconderem dentro do celular, o que dificulta sua detenção pela vítima. Seu uso está diretamente ligado a abusos que, em alguns casos, podem levar ao feminicídio.
A Kaspersky tem um bom material sobre o assunto.
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