É, sim, você já sabe: o iPhone 13 custa caro no Brasil

Dois iPhone 13, inclinados e na cor rosa, mostrando o novo jogo de câmeras traseiras e o entalhe menor na tela.

Se existisse um gerador de apresentações de iPhone baseado nas anteriores, ele provavelmente cuspiria algo muito similar ao que a Apple fez nesta terça-feira (14), na apresentação do iPhone 13 e mais um punhado de quinquilharias. Mas para nós, brasileiros, o comercialzão da Apple teve algo de diferente este ano: soubemos, no mesmo dia, os preços locais dos produtos, detalhe que a empresa costumava soltar meses depois. (Quanto às datas de lançamento, só deus sabe.)

Desde 2013, o Manual do Usuário analisa a evolução do preço do iPhone à luz da sempre dura — às vezes mais que a média, como agora — realidade brasileira. Em 2021, não faríamos diferente, mesmo com o iPhone do ano se tornando, versão após versão, produto (ainda) mais distante da realidade de… bem, da maioria. Se em algum momento esse levantamento teve um caráter de serviço, hoje o faço quase que por esporte, tipo os acalorados debates do que alguém faria com o prêmio da Mega-Sena. (Comprar um iPhone, talvez?) Claro, numa dessas, de repente isto ainda pode ser útil a algum(a) leitor(a) mais abastado(a). (Se for o seu caso, apoie o Manual!)

Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Em valores absolutos, o iPhone 13 ficou mais barato: seu preço sugerido é de R$ 7.599, ou 5% a menos que os R$ 7.999 do iPhone 12 de um ano atrás. O corte está longe de devolver o iPhone “padrão”1 ao patamar pré-2020, quando o mais caro que a Apple ousara cobrar havia sido R$ 5.199 pelo iPhone XR, em 2018. Há que se considerar, também, que a memória do iPhone 13 “básico” dobrou e agora é de 128 GB, contra os 64 GB do iPhone 12. Típico da Apple: num ano você perde o carregador de parede e os fones de ouvido na caixa, no outro ganha mais espaço e, talvez, consegue diminuir o plano do iCloud para um menor/mais barato.

Gráfico em barras da variação de preços do iPhone 4S até o iPhone 13.
Gráfico: Manual do Usuário.

Valores absolutos não explicam muita coisa. Para ter um retrato mais completo do preço do iPhone 13 no nosso contexto, vamos compará-lo aos combalidos indicadores econômicos. Nos últimos 12 meses, a inflação (IPCA) acumula alta de 9,7%. O dólar, por outro lado, diminuiu 8,4%, de R$ 5,73 para R$ 5,25 no fechamento desta terça. (Se alguém me dissesse que o dólar estava mais caro em novembro do ano passado do que agora, eu duvidaria horrores.)

Evidentemente, não é como se alguém no escritório brasileiro da Apple tenha aberto o jornal na terça de manhã e decidido o valor do iPhone 13 no Brasil com base na cotação do dia. Essas decisões são tomadas com muita antecedência. Mesmo assim, o exercício de analisar preços à luz do dólar não fica invalidado.

Sob esse parâmetro, o do dólar, o iPhone 13 encareceu e conquistou o título de mais caro que o Brasil já viu. Em conversão direta, considerando a moeda norte-americana cotada a R$ 5,25, o iPhone 13 custa, aqui, US$ 1.447,43. Isso é 3,7% mais caro que o iPhone 12 dolarizado (US$ 1.395,99) e 2,7% acima do até então modelo mais caro em dólar, o iPhone XR de 2018, na época vendido no Brasil pelo equivalente a US$ 1.408,94 — quando a moeda norte-americana era cotada a módicos R$ 3,69.

Tabela de preços do iPhone (4S ao 13), com valores e variações em real e dólar.
Clique para ampliar. Tabela: Manual do Usuário.

Nos Estados Unidos, o iPhone 13 não teve variação de preço. Ele será vendido por US$ 829 sem vínculo com a operadora, o mesmo preço de lançamento do iPhone 12.

O iPhone 12 e o 12 mini, aliás, continuam à venda, juntamente com o iPhone 11 e o iPhone SE. Tirando esse último, o único iPhone com bom custo-benefício, o mais barato dos modelos antigos (iPhone 11, de 2019) começa em R$ 4.999. Barateou comparado ao que custava até a manhã desta terça, mas está no mesmo valor de lançamento porque, em outubro de 2020, a Apple aumentou seu preço em R$ 700 (~14%).

O Galaxy S10 da Samsung, também lançado em 2019 pelos mesmos R$ 4.999 do seu rival direto, hoje é encontrado no varejo por R$ 2.999, um desconto de 40%. A Apple tirará o iPhone 11 de circulação antes de sequer cogitar um desconto tão agressivo.

Anos anteriores: iPhone 5S (2013), iPhone 6 (2014), iPhone 6S (2015), iPhone 7 (2016), iPhone XR (2018), iPhone 11 (2019) e iPhone 12 (2020). Não teve post em 2017 porque estava fora do site na época.

Alguns links deste post apontam para o comparador de preços Zoom. O Manual do Usuário pode receber uma comissão por cliques e compras realizadas após cliques nesses links.

Foto do topo: Apple/Divulgação.

  1. No início, havia apenas um iPhone e isso era bom. Nos últimos anos, a Apple criou uma nova faixa ainda mais premium, uma versão menor/mais barata e, hoje, são quatro iPhones por ano. Para manter a consistência da análise histórica, pauto este levantamento pelo modelo mais “padrão”, ou seja, aquele que parece, por características e preço, o descendente direto dos primeiros iPhones. Este ano, no caso, o iPhone padrão é o iPhone 13 (o modelo sem “sobrenome”).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 comentários

  1. Eu to completando meu segundo ano de XS, e não consigo pensar em trocar no momento. Funciona tão bem, comparado com meu S8, que com a mesma idade a bateria já tava bem caótica, e o desempenho tava sofrendo com algumas travadas bem irritantes.

    Como já foi falado, provavelmente em algum momento vou fazer a troca da bateria, e vai ser isso. Quem sabe lá pelo iPhone 16 eu troco.

  2. Estou cada vez mais convencido de que meu próximo telefone vai ser uma troca de bateria do iPhone 8.

    Falando sério, ainda sinto que o iPhone 8 pode durar algum tempo a mais. O meu já tem 2,5 anos de vida e a percepção é que ele continua tão ágil quanto no início (abrir apps, ligar a câmera etc) coisa que com meus Android anteriores (Moto X e Moto Z2 play, em 1 ano e meio de uso já apresentavam engasgos).

    Pode ser uma análise enviesada, mas lembro-me claramente do meu Moto Z2 play dar umas travadas fortes e me dar mta raiva, o que me fez trocar por um iPhone 8 num impulso ao visitar uma Apple Store em uma viagem aos EUA.

    Hoje a única coisa que realmente sinto falta seria de uma câmera ultra angular. Não sinto falta de um processador mais rápido, tampouco armazenamento (ainda tem cerca de 30% livres). Ao ler a lista das especificações até da aquela vontade de pegar um processador 50% mais rápido. Mas na prática esses 50% não são sentidos no dia a dia por mim, pois não sou um usuário assíduo do telefone, não faço edições de vídeo ou fotos com frequência no telefone, por exemplo.

    “Politicamente” o Android seria meu telefone favorito. Mas nem Google nem as fabricantes fazem por merecer, então pra mim acaba ficando a mesma coisa entre decidir IPhone ou Android.

      1. Não tenho sentido não, até porque em boa parte do dia estou perto de uma tomada e, quando não, acabo levando um power Bank. Já passei um ou dois “apuros”, mas nada que me faça querer trocar o telefone, no máximo como comentei, a bateria (está em 85%).

        Provavelmente sentirei mais falta de autonomia quando fizer alguma viagem, pois gosto de pegar simcards locais e acabo usando muito o telefone como gps, consultar transporte público etc.

        Mas ainda assim acho o formato menor melhor, já tive o Z2 play nas mãos e achava enorme. Minha companheira tem o XR e já acho grande. Tanto que considero, em um momento futuro, pegar a versão mini do iPhone, caso ainda sejam fabricadas.

O site recebe uma comissão quando você clica nos links abaixo antes de fazer suas compras. Você não paga nada a mais por isso.

Nossas indicações literárias »

Manual do Usuário