Por que o iPhone 6 custa tão caro no Brasil?


7/11/14 às 8h08

Me vê dois, por favor.
O iPhone 6 brasileiro começa em R$ 3.199.

Sabe aqueles assuntos sazonais que aparecem na mídia? Cobertura do Carnaval, atrasados dando de cara com portões fechados no ENEM, gente indo às lojas trocar presentes dia 26 de dezembro… Você pegou a ideia. Acho que já é seguro colocarmos uma nova aí: os preços absurdos do iPhone no Brasil.

Ano passado, no lançamento do iPhone 5s, escrevi:

O lançamento oficial dos novos iPhones no Brasil será na sexta-feira, mas os preços do iPhone 5s e 5c já foram revelados. Prepare-se: eles são assustadoramente caros.

Pois bem, prepare-se para se assustar novamente. A pré-venda dos iPhone 6 e iPhone 6 Plus começou à meia-noite e quem quiser um dos novos smartphones da Apple pagando preço cheio não conseguirá um sem deixar no mínimo R$ 3.200 na loja. A crescente dos preços do iPhone ao longo dos anos/versões é interessante:

Preços de lançamento dos últimos quatro iPhones.
Preços das versões entrada (16 GB) na data do lançamento.

O aumento no preço do iPhone 6 de entrada em relação ao modelo similar de 2013 (iPhone 5s) foi de 14,2%. Nesse mesmo período o dólar subiu 12,7% (de R$ 2,28 para R$ 2,57) e a inflação, de acordo com o IPCA, 6,14%.

Eu não sou economista (alguém?), mas embora talvez esses números todos expliquem objetivamente o motivo do aumento, é difícil encarar quatro anos de aumentos sucessivos. Mais ainda porque nos EUA o preço continua o mesmo: US$ 649. E nem é preciso ir lá fora para encontrar essa estratégia. A segunda geração do Moto X e do Moto G mantiveram os preços do ano passado no Brasil.

Para a maioria que encara fila ou faz reserva para o dia do lançamento, é uma grana que não deve fazer diferença no fim do mês. O problema é quando colocamos o iPhone 6 nos seu lugar: é um smartphone. Tem toda uma expertise e experiência única no mercado, para mim é o melhor à venda, mas ainda assim: é só um smartphone. Esse valor é surreal, tanto quanto o PlayStation 4 de R$ 4 mil que todo mundo reclamou e fez brincadeira no começo do ano.

Quando a Apple anunciou os novos modelos, brinquei que apostava em uma edição do iPhone 6 Plus por mais de R$ 5 mil:

Se considerarmos o parcelamento em 24 vezes (!) que a Apple faz, o modelo de 128 GB sai por R$ 5.014. Era brincadeira, gente!

Que preço surreal
Juros de 1,9% ao mês.

Não consigo entender, só…. sentir. Mas se você, leitor abastado do Manual do Usuário, está em outra vibe e já com o cartão na mão para comprar o novo iPhone, peço pelo menos que compre deste link, no Submarino (ou da Americanas). A comissão deve ser gorda e, olha… não compra um iPhone, mas paga uns meses de hospedagem do blog :-)

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29 comentários

  1. E caro porque brasileiro e trouxa aceita pagar esse absurdo.Porque apple nao vende iphone s6 a 1550 dolares nos estados unidos porque americano nao e trouxa que nem brasileiro.

  2. O preço do iPhone ser elevado eu não estranho. O que é realmente curioso é esse aumento
    sistemático de 300/400 reais todo ano, enquanto o valor dele permanece
    inalterado lá fora.

    1. Esse é o ponto mais interessante… e mesmo assim vende, e como vende.

      Eu como empresário não sei o que faria, ou deixo caro, para um público X e vendo X ou deixo mais barato para um público Y e vendo X+X, mas assim baixando o ‘status’ do aparelho já que mais pessoas iriam ter.

      Cara deve ser algo bem complicado pensar nisso, vender mais ou ser o telefone de status?

      1. Aqui no Brasil você diz né?

        Lá fora já vi acontecer e a empresa mudar de preço/atitude no mercado…

  3. Custa esse valor porque tem quem pague. À vista ou em parcelas a perder de vista.
    Enquanto o povo não boicotar será assim.

  4. Minha opinião é o seguinte: é inegável que os produtos da Apple são de qualidade, e em alguns casos muito superior aos da concorrência, como o Macbook Pro. Resumindo: paga-se mais para ter mais. Mas será que esse “a mais” na qualidade é proporcional ao “a mais” no preço ?? Considerando os preços BR, pra mim o único em que a resposta é não é o iPad Mini segunda geração.

  5. Olhando pelo grande aumento da cotação do dólar até faz algum sentido, mas como o próprio gráfico mostra, são 4 anos seguidos de aumentos já, e aumentos bem consideráveis em todos eles.

    Por mais que os produtos da Apple no geral sejam ótimos, os preços que ela pratica no Brasil para a maioria deles são surreais. Que me vem à cabeça agora, acho que só o iPad tem um preço bem razoável por aqui.

  6. Justamente por ser importado que ele fica mais suscetível ao dólar. E como a Apple não gosta de aumentar o preço depois que o anuncia, geralmente leva em conta possíveis subidas do dólar
    Acaba sendo o pior cenário possível pro consumidor. Se o dólar está alto sai caro e se tem perspectiva de aumentar fica ainda pior..

    É curioso que apesar da Apple estar dando atenção sem precedentes pro Brasil em vários pontos, os preços não ajudam em nada.

    1. Minha opinião é igual à sua. Como o preço não aumentará em um ano, está embutido nele a expectativa da variação cambial. Eles devem ter considerado um dólar acima de 3 (e por isso esperaram o desfecho da eleição para anunciar o preço.)

        1. Concordo compra que pode e quer simples assim.
          É caro mesmo e vende bastante porque tem pessoas com o poder aquisitivo para comprar.

  7. Se o aparelho for importado pronto, só podemos considerar o dólar, a inflação no máximo atingiria transporte e margens de revenda, mas pouco relevante. Se for importado em peças pra ser montado aqui, parte é o dólar que encareceu essas peças, parte é a “inflação” que encareceu a mão de obra,, custos da fábrica nacional, transporte, etc.

    Então sim, você tem razão e é possível explicar a alta do iPhone, ao mesmo tempo em que se olhando pra concorrência você percebe que ninguém mais tá seguindo esse ritmo, fica difícil aceitar que não era possível trabalhar de forma a manter os preços e quem tende a se dar mal é a própria Apple. Curva de demanda por preço, por mais elástico que um cliente fiel à marca seja, ele vai desanimar nesse ritmo, e os não tão aficionados já estão olhando pras opções.

    1. O problema, na verdade, é que os fabricantes estão sim seguindo a escalada de preços da Apple. Ninguém ultrapassa os preços dela, mas sempre aumentam no próximo ano…a diferença é que Samsung e Sony se desvalorizam bastante rápido.

      Isso me parece errado, já que a Apple é o único dos grandes fabricantes que importa seus produtos. Acho que só a Motorola e LG que estão mantendo os preços mais baixos.

      1. A Samsung ficou esperta e não baixou o preço do Note 3 de jeito nenhum. Não fez promoção nem perto do preço que fez com o Note 2. Então está tentando ficar mais parecida com a Apple.

  8. com estes preços,
    vou esperar uma viagem que pretendo fazer em março aos EUA,
    pra pegar o meu.
    Decepcionante.

    1. Vem pro android!!! Agora com esse android 5.0 bem bonito e moderno acho que não tem motivos para continuar nessa, sai dessa furada!