De longe, o iPhone mais caro já vendido no Brasil

Seis iPhones 12, em cores variadas, enfileirados em modo "leque", de modo que o do meio apareça por completo.

Reza a lenda que a calmaria precede a tormenta. Essa declaração se encaixa bem com o que aconteceu com o preço do iPhone no Brasil: após uma atípica queda em 2019, o iPhone 12 chega ao país este ano custando muito caro.

Já é uma tradição no Manual do Usuário analisar o preço brasileiro do iPhone do ano assim que ele é anunciado. A linha iPhone 12, deste 2020, chega às lojas nacionais no dia 20 de novembro, custando a partir de R$ 6.999 — preço do novo iPhone 12 Mini. Para manter a consistência da nossa análise, usarei o preço do iPhone 12 na comparação, afinal é o sucessor direto do iPhone 11 e XR, e se desde 2017 ignoramos a linha X/Pro (que está em uma faixa de preço superior à dos iPhones clássicos), faz sentido agora deixarmos de lado o iPhone 12 Mini (que custa menos e reinaugura a categoria de iPhones que cabem na palma da mão, nas palavras da Apple).

O iPhone 12, pois, custa R$ 7.999 no Brasil. Em relação ao preço de lançamento do iPhone 11, que foi de R$ 4.999 um ano atrás, houve um aumento de 60%, o dobro do maior percentual registrado até então (30% no iPhone XR, de 2018). O gráfico abaixo mostra a evolução desde o iPhone 4S, de 2011, bem como a do valor do dólar em relação ao real, um fator importante nessa matemática:

Gráfico de barras e linhas, com a evolução dos preços do iPhone no Brasil, variação percentual, e variação percentual do dólar em relação ao real.
Gráfico: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

(O gráfico é quase uma representação visual da década de 2010 no Brasil em termos político-econômicos! Aliás, notei que nos últimos sete anos estava usando o preço errado do iPhone 4S, o que gerou uma chamada equivocada em 2016. Peço desculpas, em retrospecto, pelo erro.)

Há que se considerar, ainda, que o iPhone 12 não traz mais na caixa o carregador de parede de 5W (R$ 199) e os fones de ouvido EarPods (R$ 219), que comprados à parte custam ao consumidor, somados, R$ 418. Incluindo esses valores ao preço final, o aumento do iPhone 12 em relação ao iPhone 11 de 2019 salta para 68,4%. Salvem o meio ambiente, yay…

É verdade que o dólar encareceu um bocado no último ano. Entre setembro de 2019 e outubro de 2020, a moeda norte-americana valorizou 40,4% sobre o real (de R$ 4,08 para R$ 5,731), um aumento também recorde. E há que se considerar, ainda, que o iPhone 12 encareceu bastante nos Estados Unidos, passando de US$ 699 (preço de lançamento do iPhone 11) para US$ 829, aumento de 18,6%, mais um recorde quebrado pela Apple em 2020.

Com ou sem turbulência, é sempre uma boa analisar o preço do nosso2 iPhone dolarizado. Se dividirmos R$ 7.999 por R$ 5,73, chegamos a US$ 1.395,99. Nessa conversão, o iPhone 12 surpreendentemente não é o mais caro que já tivemos no Brasil. O iPhone XR, de 2018, começou a ser vendido por aqui pelo equivalente a US$ 1.408,94. Na ocasião, o dólar valia R$ 3,69.

Tabela de preços do iPhone no Brasil, em real e dolarizado, de 2011 a 2020.
Clique para ampliar. Tabela: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

O iPhone XR parecia ser um ponto fora da curva, mas, à luz do iPhone 12, talvez ele tenha sido o marco inicial de uma nova fase do celular da Apple no Brasil, uma ainda mais inacessível, que se consolida este ano.

Digo isso porque o aumento do iPhone 12 está condicionado a um fator doméstico (à Apple, ou seja, nos Estados Unidos), ainda que discricionário: a Apple simplesmente resolveu cobrar mais caro pelo seu celular. Pode ser o custo do 5G, algo que seria amortizado com o passar do tempo? Sim, mas por ora todo mundo que resolver comprar um iPhone novo bancará esse recurso ainda questionável — e, no Brasil, totalmente inútil, já que o nosso 5G ainda não saiu do papel.

É bom colocar o aumento do iPhone 12 em contexto. Praticamente todos os produtos da Apple vendidos no Brasil subiram bastante nas últimas semanas, alguns a preços inexplicáveis, caso do teclado Magic Keyboard que encareceu 77% esta semana e agora custa R$ 1.149.

Convenhamos: a Apple nunca foi uma marca popular no sentido de acessível. Nos últimos anos, salvo exceções como o simpático iPhone SE, a política de preços para o Brasil tem ajudado a grudar a pecha de elitista da qual é acusada com frequência, não sem razão.

A título de curiosidade, mesmo quem estiver cogitando comprar um iPhone 12 de passagem pelos Estados Unidos sairá com um rombo no bolso. Considerando o dólar a R$ 5,73, imposto local em 10% e IOF (6,38%), o aparelho sairia, lá, por ~R$ 5,5 mil.

Anos anteriores: iPhone 5S (2013), iPhone 6 (2014), iPhone 6S (2015), iPhone 7 (2016), iPhone XR (2018) e iPhone 11 (2019). Não teve post em 2017 porque estava fora do site na época.

Foto do topo: Apple/Divulgação.

Atualização (12h20): Inclusão do parágrafo a respeito dos acessórios que não vêm mais na caixa do iPhone (carregador de 5W e fones de ouvido EarPods.

  1. Para este exercício anual, sempre pego a cotação do último dia útil do mês imediatamente anterior ao do lançamento do iPhone no Brasil. Em 2020, pois, a cotação de 30 de outubro.
  2. Nosso enquanto “iPhone à venda no Brasil”, não do meme do Pernalonga comunista. Sem condições de comprar qualquer iPhone 12. 

Edição 20#42

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18 comentários

  1. Bobagem imaginar um telefone com tal preço. Não adiantam mil resoluções e outros, desnecessários para o usuário comum e mesmo mediano. 90% dos usuários não precisam de tantos detalhes. Ademais, das grandes marcas, a Apple é a única que não responde a questionamentos no site Reclame Aqui.

  2. Bateria podre, não consegue segurar 1 dia de carga sequer,nada de inovação (a empresa me deu ele substituindo o 11) tirando os cantos que não são mais arredondados não mudou nada.

    Sem biometria nique não me incomoda mas pelo preço deveria no mínimo vir sob a tela como tem Android de 1500,00.

    A verdade que iPhone é caro porque compram e ponto é grife e só.

    Como disse só tenho porque a empresa me dá ( na verdade nem meu é pois é da empresa RS)

    Mas nunca que pago isso em um celular

  3. O Iphone X foi o primeiro a passar das casas dos 1000U$ nao entendi a tabela esta totalmente errada , so se aplicaram alguma inflação em cima .

  4. Além de subir o preço, tiraram carregador e fone de ouvido da caixa, e não deram nem um voucher, nem 50% de desconto na 1ª compra, nada.
    O iphone não deixou de ser um ótimo aparelho por causa disso, só se torna cada vez mais inacessível, mais distante da realidade de muitas pessoas (eu incluso).

    Aproveitando, vale a pena comprar um iphone 8 64gb por 1900 reais? Vem com carregador e cabo originais, só não tem garantia. Quero experimentar o ecossistema da empresa, sem pagar uma fortuna. Se bem que 1900 reais é um baita dinheiro. No momento não preciso de um celular novo, o que eu tenho me atende tranquilo, então seria uma compra 100% supérflua. Agradeço a quem opinar.

    1. Eita, como isso me escapou!? Acrescentei um parágrafo sobre os acessórios. Obrigado pela lembrança, Gabriel!

      Esse iPhone 8 é novo? Eu tenho um e, embora ele ainda funcione bem e não me incomode, alguns sinais de cansaço, como um pequeno atraso para abrir alguns apps, já começaram a aparecer. Se o seu celular te atende e essa grana for fazer falta, acho que é uma boa segurar. Mais pra frente, com um pouco mais de dinheiro, dá para pegar uma promoção do iPhone SE de 64 GB — segundo comparadores de preços, ele já esteve à venda por R$ 2,7 mil, o que é ~40% mais caro, mas durará (ágil, funcionando bem) muito mais tempo que um iPhone 8 comprado hoje.

      1. Oi Ghedin, nem percebi haha. Acho que é o costume de falar com as pessoas, e todas já saberem da falta do carregador. Fone nem faz tanta falta, a maioria compra fone bluetooth, ou parte pro adaptador P2.

        Sobre o iphone, ele não é novo, já tem 1 ano e meio de vida. Eu considerei a compra porque o dono é um amigo meu, e ele está precisando de dinheiro (porém descobri que ele comprou um XR recentemente, sem precisar, então fiquei em dúvida se deveria comprar).
        Meu celular me atende perfeitamente, por enquanto, e pensando no financeiro, esse dinheiro pode fazer falta no futuro. Vou seguir seu conselho, esperarei por uma boa oferta do SE mesmo. Obrigado!

        1. Reforço o comentário do Ghedin. Também possuo um iphone 8, comprado num momento de raiva de celulares android intermediários que eu vinha usando que tinham boas especificações no papel, mas na prática davam uns bugs esquisitos. Enfim, a mim ainda não percebi que demoram a abrir alguns apps, mas tb é bom deixar claro que não é porque é Apple que não aparecerão bugs. O que sinto é que a memória de acesso aleatório (RAM) é pouca, pois o aparelho fecha agressivamente apps em segundo plano.

          Mas como comentei no início, reforço a opinião do Ghedin, acho 2 mil reais caro para um telefone de 2017, usado. Mesmo se fosse novo, zero, na caixa, com o plástico da caixa, ainda acharia caro. Usado então, sem chance. Guarda esse dinheiro para trocar quando você precisar trocar mesmo (celular dar pau, quebrar etc.), ou caso apareça uma promoção do novo SE.

          1. Obrigado por falar da sua experiência com o iphone 8, Rodrigo! Sempre bom ouvir outras opiniões. Cara, valeu por ter avisado, eu achei o preço alto, mas ao olhar nos vendedores de instagram, estão cobrando 2300 reais pelo mesmo aparelho. Então me pareceu menos pagar 1900.
            Ele só tem 2GB de RAM, certo? No meu caso seria limitante, chego no limite de uso bem rápido. Tive a sorte de pagar menos de 1500 reais num android com 6GB de RAM e um processador snapdragon da série 800, o bicho voa baixo.
            Enfim, muito obrigado. Vou guardar o dinheiro mesmo. Tá difícil conseguir estágio. Até adiei a troca do notebook.

          2. @ Gabriel Rocha

            Imagina! Ah, uma última coisa: não dá para comparar diretamente RAM entre iPhone e Android. Acho o gerenciamento do iOS um tanto melhor; se, hoje, um Android com 2 GB é praticamente inutilizável, um iPhone com 2 GB de RAM funciona tranquilamente. Sim, vez ou outra o Safari recarrega uma aba em segundo plano, mas no dia a dia não sinto grandes problemas com isso.

      2. Ghedin, você já trocou a bateria do iphone 8 em algum momento? A minha está com 80 e poucos por cento, sinto que ela realmente se esvai mais rápido.

        Ando pensando em fazer isso ano que vem, a dúvida é entre fazer em uma autorizada ou em uma qualquer.

        Sinto que o telefone ainda tem poder de fogo, não pretendia trocar no próximo ano não.

        1. Ainda não! Ele está prestes a completar 3 anos de uso, e a capacidade da bateria está em 82% — sinto que está drenando mais rapidamente.

          Eu também cogito trocar a bateria ano que vem, se ao voltar a sair eu achar que ela não está segurando carga suficiente para eu ficar tranquilo. Pelo preço que um celular novo está custando, vale a pena.

    2. Não, não vale.

      É bem antigo (2017), tela pequena, tudo pequeno. Tecnologias do iPhone todas ultrapassadas. Não vale

      Recomendo no mínimo um X ou XR

      1. O iPhone X é do mesmo ano (2017) e tem rigorosamente o mesmo SoC usado no iPhone 8 🤔 Tem mais RAM (3 GB contra 2 GB), mas, sinceramente, para o meu uso esses 1 GB extra ajudaria, mas não é indispensável.

      2. Eu diria do XR pra cima, e menos de 3 mil no XR.

        É irreal o que o pessoal que vende usados quer nesses aparelhos Apple de 3 anos atrás.

        Eu também recomendaria a partir do XR, porém os novos estão pedindo 3,5K.

        Por esse preço se compra um Galaxy S20. A desvantagem é a jogada mequetrefe da Samsung de não usar os Snapdragon aqui no Brasil.

        Salvo engano, os Galaxy são uns dos poucos, vendidos oficialmente no Brasil, que competem com os iPhone no quesito fotografia hoje em dia, considerando o ranking do dxomark. Um ou outro zenfone aparece na lista também. Fora isso, os oneplus, huawei, vivo, xiaomi até podem ser encontrados, mas não de forma oficial.

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