Para voltar a ter lucro, Sony vende divisão de PCs, remaneja a de TVs e anuncia demissões e cortes

Vaio Fit 11A, um dos últimos Vaio sob as asas da Sony.
Foto: Sony/Reprodução.

Admirada por Steve Jobs e sinônimo de computadores e notebooks de qualidade para muita gente, a linha Vaio1, da Sony, com quase 20 anos de tradição, foi vendida. O anúncio, que já era esperado, foi feito pelo CEO Kaz Hirai durante a apresentação dos resultados financeiros do último trimestre do ano fiscal de 2013.

A divisão de PCs da Sony foi vendida para o Japan Industrial Partners (JIP), um grupo de investimentos japonês. O comunicado à imprensa informa que a conclusão do negócio ocorrerá em março próximo, que a Sony terá 5% de participação na nova empresa e dá outros detalhes da transição.

Segundo o documento, com a transferência da Vaio para o JIP a Sony “deixará de planejar, projetar e desenvolver produtos PC. Fabricação e vendas também serão encerradas depois que a linha [de equipamentos] da primavera de 2014 [incluindo o Fit 11A, da imagem acima] for lançada globalmente”. As garantias dos equipamentos vendidos recentemente serão honradas.

De 250 a 300 funcionários da Sony serão movidos para a nova empresa que nascerá da venda para a JIP. Ela terá sua sede em Nagano, mesmo local onde fica, atualmente, o quartel-general da Vaio. Inicialmente, a nova companhia se dedicará ao mercado japonês, com a possibilidade de expansão, no futuro, para outros países.

Por que a Sony se desfez da linha Vaio?

A Sony resolveu vender a divisão de PCs por uma questão de foco e rentabilidade. No comunicado, a empresa diz que passará a concentrar seus esforços no desenvolvimento de produtos Pós-PC, nominalmente tablets e smartphones, que apresentaram “melhorias significativas na lucratividade”, além das elogiadas câmeras fotográficas e no PlayStation.

Vender computadores, hoje, é uma tarefa quase ingrata. Não foi por capricho que a Dell voltou a ser uma empresa privada, ou que a HP flertou seriamente com a descontinuação da sua divisão de PCs. Além da estagnação na demanda, a lucratividade tem caído nos últimos anos. Estima-se, hoje, que cada notebook vendido gere algo entre 2% e 3% de lucro.

Para piorar, diferentemente de tablets e smartphones, computadores tradicionais caem no que Charles Arthur chama de “armadilha de valor”: é difícil fazer dinheiro com esses equipamentos depois que eles são saem das lojas. Ao longo dos anos as fabricantes têm tentado, sem sucesso, explorar essa via com a oferta de software pré-instalado e serviços — por isso a maioria dos computadores Windows vir atulhada de bloatware. Como qualquer um que já teve que lidar com esses computadores sabe, não é uma estratégia agradável e, do ponto de vista comercial, é uma de resultados pífios.

Demissões e mudanças também na divisão de TVs

Outra marca conhecida da Sony passará por profundas mudanças: a linha de TVs Bravia. Em julho, a operação será separada da empresa principal e transformada em uma subsidiária — totalmente controlada pela Sony. Ao longo do ano a Sony aumentará a proporção de TVs 4K em seu portifólio e, em mercados emergentes, lançará mais modelos adequados às condições locais — medo do que pode sobrar para nós.

O comunicado à imprensa revela ainda que, no ano fiscal de 2013 (que termina em março de 2014), a previsão é de que a Sony tenha prejuízo de US$ 1,1 bilhão. Há cerca de um mês as previsões eram bem mais otimistas: lucro de cerca de US$ 300 milhões.

Além da venda da linha Vaio e da separação da Bravia, outras medidas da Sony para voltar a lucrar incluem corte de custos fixos no valor aproximado de US$ 988 milhões e a demissão de 5000 funcionários — 1500 deles no Japão.

  1. Vaio era, originalmente, um acrônimo para Video Audio Integrated Operation. Em 2008 o significado mudou para Visual Audio Intelligent Organizer.

[Review Rápido] Galaxy S 4 Zoom, câmera e smartphone em um só aparelho

Na busca pela melhor câmera em um smartphone, diversas abordagens, técnicas e soluções criativas são colocadas em prática visando obter os melhores resultados possíveis no apertado espaço que os finíssimos aparelhos atuais trazem. Com o Galaxy S 4 Zoom, a Samsung teve uma sacada pouco usual: ela ignorou essa limitação física, chutou o pau da barraca e em vez de espremer uma câmera em um smartphone, colocou um smartphone no corpo de uma câmera.

Mais um exemplar da aparentemente infinita linha de smartphones Galaxy, o Galaxy S 4 Zoom, dependendo (literalmente) do ponto de vista, parece mais uma câmera do que um celular. Ele é grosso, tem 2,5 cm de espessura com a lente retraída, detalhe que o deixa estranho e desconfortável em inúmeras situações. A perda em ergonomia é compensada por fotos incríveis? É o que veremos neste review rápido. Continue lendo “[Review Rápido] Galaxy S 4 Zoom, câmera e smartphone em um só aparelho”

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Quem é Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft?

Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft.
Foto: Microsoft/Reprodução.

Em agosto do ano passado a Microsoft abriu a temporada de caça a um novo CEO. Steve Ballmer, no posto havia quase 13 anos, sairia do cargo em algum ponto dos 12 meses seguintes. Hoje cedo, bem antes do que todos imaginavam, a Microsoft anunciou seu novo líder: Satya Nadella.

Nadella não é muito conhecido junto ao grande público. Até entre acionistas e outros círculos que acompanham e se preocupam com a Microsoft, seu nome não é (ou não era) facilmente associado à sua pessoa. Quem é, afinal, o novo CEO da Microsoft?

Quem é Satya Nadella?

Nascido na Índia em 1967, casado e pai de três filhos, Nadella é formado em engenharia elétrica e tem mestrado em ciência da computação — alguém da área da tecnologia, e não de vendas, volta a estar à frente da Microsoft.

Fã de poesia e apaixonado por cricket, dizem nos bastidores que ele é um profissional colaborativo, estável e que emana simpatia dos seus comandados, características importantes em ambientes tão competitivo e, consequentemente, estressante como devem ser os corredores da Microsoft, ótimas para reter talentos.

O novo CEO da Microsoft entrou na empresa em 1992 vindo de uma breve passagem pela Sun Microsystems. Nesses mais de 20 anos esteve envolvido em vários projetos lá dentro, a maioria com foco corporativo.

Até ontem Nadella era vice-presidente da divisão de nuvem e empresas da Microsoft. A transição para a nuvem, com produtos como o Windows Azure, ofertas corporativas e a infraestrutura de serviços enormes, como Xbox, Bing e Office, é atribuída a ele. A divisão que lidera não é de ganhar manchetes, mas tem sido uma das mais rentáveis da Microsoft nos últimos anos.

Satya Nadella assume o cargo de CEO da Microsoft em um momento delicado. O Windows tem perdido relevância, puxado pelo declínio nas vendas de computadores tradicionais e a ascensão (em vendas e preferência dos consumidores) de dispositivos móveis. Paralelamente, a empresa luta para ganhar espaço nesses mercados que minam seu produto carro-chefe, segmentos que há cinco anos ainda eram embrionários ou sequer existiam, como nos de smartphones e tablets.

Além de levantar a bola da face voltada ao mercado de consumo, outros desafios do novo CEO, talvez até mais imediatos, são dar continuidade ao grande plano de reestruturação da Microsoft, anunciado por Ballmer em meados do ano passado, e acomodar a Nokia, comprada por US$ 7,2 bilhões em setembro último, na estrutura da empresa.

Não são esperadas mudanças drásticas, pelo menos a princípio, na gestão de Nadella. No e-mail que enviou aos funcionários da Microsoft, ele disse que está ali pelo mesmo motivo que, ele acredita, levou a maioria dos funcionários a entrarem lá: “mudar o mundo através da tecnologia que dê poder às pessoas para que elas façam coisas incríveis”. O e-mail traz alguns insights bons sobre a visão que ele tem da tecnologia e quais caminhos a Microsoft deve seguir a longo prazo.

Gates retorna, Ballmer vai para o conselho

Os homens fortes da Microsoft.
John Thompson e os três CEOs que a Microsoft já teve. Foto: Microsoft/Reprodução.

A dança das cadeiras afetou outras pessoas do alto escalão da Microsoft. Como Nadella assume imediatamente a função, Ballmer cai fora — agora ele é membro do Conselho de Diretores.

Bill Gates, até então membro e chairman do Conselho, ganhou um novo título: Conselheiro de Tecnologia. Ele passará mais tempo na Microsoft, nas palavras do comunicado à imprensa, “ajudando Nadella a moldar a tecnologia e o direcionamento de produtos”. A cadeira de presidente do Conselho fica para John Thompson.

Para se aprofundar no assunto:

O Paper é como o Facebook deveria ser: bonito, direto e informativo

Na véspera de completar 10 anos1 o Facebook liberou um novo app para iPhone chamado Paper. Com uma apresentação de cair o queixo e apostando na mistura do conteúdo gerado pelos seus amigos ao de curadorias especializadas, ele talvez seja um pequeno vislumbre do que será a rede social amanhã.

O melhor jornal personalizado do mundo

Paper, o novo app do Facebook.

O app do Facebook para smartphones nunca foi um exemplo de design, nem a personificação de boas práticas de desenvolvimento. Na tentativa de replicar em telas pequenas tudo o que pode ser visto na web, criou-se um espaço caótico — e a presença de anúncios só piora essa sensação.

O Paper consolida o desejo de Mark Zuckerberg de transformar o Facebook no “melhor jornal personalizado do mundo.” O app, por ora exclusivo para iPhone, lembra muito agregadores de artigos como o Flipboard e o Pulse, e consegue, com animações suaves, gestos espertos e eliminando distrações, botar ordem naquele caos. Ele conserva, além do Feed de Notícias, algumas outras áreas da rede, como notificações e perfis, embora não dê tanta ênfase a elas. Eventos, jogos e algumas outras ficam de fora.

O Feed de Notícias, no Paper, é um dos “cadernos”, ou seções que você pode acrescentar à sua lista de interesses. A semelhança a um jornal não parece ser acidental: ao abrir o app pela primeira vez, depois de passar pela bela introdução guiada (uma voz feminina o ensina a usar o app), pode-se escolher entre vários cadernos, ou editorias, para receber conteúdo.

Com exceção do Feed de Notícias, as demais seções são mantidas por editores profissionais contratados pelo Facebook. Elas são bem variadas e não visam prender o usuário dentro do ecossistema do Facebook, uma abordagem meio estranha dado o histórico claustrofóbico da rede. Não que eu esteja reclamando, longe disso. Outro efeito colateral dessa intereferência humana é o aumento da serendipidade, aquelas descobertas gostosas de textos, fotos e outros conteúdos agradáveis em momentos inesperados.

O design brilhante do Paper aponta para um futuro repleto de apps

Ainda é cedo para dizer se a curadoria, somada ao trabalho dos seus amigos e dos algoritmos do Facebook serão suficientes para fazer o usuário médio recorrer ao Paper como nossos pais abriam o jornal impresso à mesa do café da manhã. Mas uma coisa é segura de dizer: temos aqui um exemplo de app bem feito.

Diferentemente dos outros apps do Facebook, o Paper foi concebido no Creative Labs, um novo grupo restrito criado dentro da empresa para dar flexibilidade e dinamismo a novos projetos. O do Paper foi encabeçado por Chris Cox, VP de Produtos do Facebook, e conduzido por Mike Matas, que coleciona trabalhos magníficos em design e teve sua empresa, a Push Pop Press, comprada pela rede social em 2011.

Existem algumas diferenças pontuais entre o Paper e o que se esperaria de algo com a marca Facebook, começando pela ausência daquela azul característico do site. A estética do Paper é mais refinada.

[insert]Paper: um belo app.[/insert]

O app usa fotos em tela cheia, tipografia acertada e animações suaves para apresentar o conteúdo. Fotos grandes são manuseadas inclinado o iPhone para as laterais. Há menos botões e mais gestos, todos bem intuitivos. A navegação é horizontal, a rolagem vertical é reservada para a exibição de conteúdo. Quando se abre uma página web, aliás, ela ocupa a tela inteira, sem molduras. A tela de edição de “histórias” também ganhou atenção especial, é bem mais atraente que a sua contraparte no app principal do Facebook.

No geral, o Paper se parece com o Facebook Home do Android, só que mais refinado e menos ambicioso — ele não tenta mudar o jeito que você usa o smartphone, apenas oferece um outlet extra mais bonito e com boas fontes para quem deseja se manter informado.

Há muito em gestação, o Paper chega no momento em que o Facebook anseia por diversificar sua presença no espaço móvel2. Na última conferência com investidores Zuckerberg disse que em 2014 veremos mais apps dedicados a funções isoladas do Facebook. O novo e redesenhado Messenger foi o primeiro dessa safra, o Paper, o segundo. Se os próximos apps seguirem esse padrão de qualidade e foco, será cada vez mais difícil se livrar das garras do Facebook.

O Paper é gratuito e está disponível para iPhone (no mínimo iOS 7) apenas na App Store dos EUA.

  1. Pois é, 10 anos! Para celebrar, o Facebook criou um vídeo personalizado de um minuto para cada usuário da rede, mostrando as fotos mais curtidas, as primeiras e algumas aleatórias dos últimos anos. Clique aqui para ver o seu. Eu gostei um bocado do meu!
  2. É na palma da mão que o dinheiro se encontra. No último relatório fiscal referente ao quarto trimestre de 2013, o Facebook anunciou que 53% do faturamento veio de dispositivos móveis. O Paper ainda não exibe anúncios, mas deve ser questão de tempo até eles aparecerem no app.

O que muda com a compra da Motorola pela Lenovo

K900, o smartphone topo de linha da Lenovo.
Foto: Lenovo/Reprodução.

Semana passada tivemos a Campus Party, vimos Rudy Huyn ser convocado pelo Tinder para criar o app oficial da rede para o Windows Phone, o início das vendas do Nexus 5 no Brasil (e que caro!), o novo nome do SkyDrive (OneDrive?), o anúncio do Paper (o do Facebook, não o da FiftyThree)… quanta coisa!

Nada disso superou o susto que foi a compra da Motorola Mobility pela Lenovo. Por US$ 2,91 bilhões os chineses levaram-na do Google e deixaram todos surpresos. Havia indícios de que algo do tipo aconteceria, mas justo a Motorola? Ninguém esperava.

O valor é bem menor que os US$ 12,5 bilhões que o Google, ex-dono da Motorola, pagou há menos de três anos. A diferença se deve ao fato de que apenas uma parte foi vendida, a de dispositivos móveis. Antes disso o Google já havia se desfeito da unidade de set-top boxes por US$ 2 bilhões e na negociação com a Lenovo ficou de fora boa parte do valioso portifólio de patentes da Motorola.

O negócio, aliás, espanta quaisquer dúvidas que porventura existissem sobre os motivos da compra da Motorola pelo Google. Eram as patentes mesmo, uma arma de defesa e ataque contra Apple e Microsoft que, no fim das contas, embora ainda hoje importante, acabou subutilizada pela diminuição da tensão na guerra fria das patentes.

Os bons frutos de uma relação estranha

A Motorola enquanto uma empresa Google conseguiu se reinventar e provar um ponto importante. Moto X e Moto G foram aclamados por público e crítica e mostraram à concorrência como se fazem smartphones bons, bonitos e baratos. Ideias simples, como usar uma variante limpa do Android e apostar em otimização em vez de processamento bruto, são pequenos detalhes que mostraram, na prática, que os anseios dos usuários mais entendidos tinham algum fundamento. E, importante, sem perder em cada venda, como acontece com a linha Nexus — ainda que não tenha lucrado ou vendido o bastante para impedir sucessivos trimestres no vermelho.

Por melhores que sejam, porém, os novos smartphones da Motorola-Google se posicionam de maneira estranha no mercado. Com a aquisição da Motorola, o Google passou a concorrer com seus parceiros. Samsung, LG, Sony, HTC, todos que confiam no Android em seus equipamentos viram com desconfiança esse affair, uma estratégia que não combina com o modelo de negócios do Android e colocava o Google em uma disputa acirrada (e arriscada) num segmento onde as margens de lucro caem cada vez mais e pouca gente faz dinheiro de verdade. Como disse o CEO Larry Page no anúncio oficial, “(…) para prosperar [no mercado de smartphones], ajuda dedicar-se totalmente à fabricação de dispositivos móveis”.

A Lenovo leva, com a aquisição, a marca Motorola e derivadas (Moto X, Moto G, Droid), o CEO Dennis Woodside e todo o pessoal da empresa, 2000 ativos intangíveis e um acordo de licenciamento das patentes, que continuam sob o domínio do Google para defender o sistema de ataques da concorrência. A promessa do Presidente da Lenovo na América do Norte é manter o que quer que esteja em desenvolvimento na Motorola.

Como será a Motorola da Lenovo

Vi muita gente preocupada e até transtornada com a venda. Calma! Acho que não é para tanto. O histórico da Lenovo, pelo menos, é animador: em 2005 comprou a divisão de PCs domésticos da IBM por US$ 1,25 bilhão e, hoje, é a maior fabricante de computadores domésticos do mundo. Há duas semanas adquiriu, também da IBM, sua divisão de servidores de entrada por US$ 2,3 bilhões. E ano passado, levou a brasileira CCE por US$ 300 milhões.

Eles não são conhecidos por aqui, mas os smartphones da Lenovo existem e são populares na China, terra natal da companhia e o maior mercado em potencial do mundo. Lá, eles só ficam atrás dos da Samsung em distribuição.

Dependendo da consultoria a Lenovo já figura, sozinha, em terceiro lugar no ranking de smartphones. Agregar os números da Motorola não ajuda muito a se aproximar de Apple e Samsung (~17% e ~30%, respectivamente, contra ~6% da Lenovo-Motorola), mas permite fincar um pé nos EUA e em regiões menos maduras e mais sensíveis a preços, como América Latina e leste europeu, onde aparelhos como o Moto G se saem muito bem.

No fim, todos ganham. A Lenovo reforça a sua oferta de produtos “PC Plus” e ganha presença nos mercados mais fortes do planeta, e o Google volta a fazer as pazes com as fabricantes-parceiras do Android, a focar no desenvolvimento do sistema e apostar em segmentos inexplorados e futuristas, como termostatos inteligentes, robôs corredores e carros que andam sem condutor.

Para se aprofundar no assunto:

Leia também:

Os melhores apps para Android, iOS e Windows Phone (janeiro/2014)

Quando estava no Gizmodo eu era responsável pela seção Apps da Semana: todo sábado subia três posts com os melhores apps lançados para Android, iOS e Windows Phone. O Giovanni manteve a tradição depois da minha saída e imagino que ele deva lidar com as mesmas dificuldades que eu na minha época.

Sai muito app toda semana (à exceção do Windows Phone, por ora), mas quantos desses são bons o bastante para aparecer em uma lista cujo título inclui a palavra “melhores”? Não muitos. Então aqui, no Manual do Usuário, proponho um prazo mais dilatado. Em vez dos melhores da semana, os melhores do mês. Fica mais fácil para todo mundo, certo? E como são poucos, melhor centralizar tudo em um post só.

Todo fim de mês teremos uma lista do tipo para que você aproveite melhor o seu smartphone, seja ele Android, iPhone ou um Lumia — ainda existem outros Windows Phones sem ser Nokia?


Command-C

Command-C.

Para iPhone e iPad.
O que é? Uma área de transferência compartilhada entre dispositivos iOS e Macs.
Preço? US$ 3,99
DOWNLOAD

O Command-C permite transferir conteúdo entre dispositivos iOS e Macs usando a área de transferência — baixe o app gratuito para Mac aqui. Basta copiar um trecho de texto (plano ou formatado) ou uma imagem (JPEG, JPEG2000, TIFF ou PNG) e mandar para o outro dispositivo. É mais rápido do que usar o email, o Dropbox ou outro serviço similar, ou mesmo o AirDrop.

Em ambos os sistemas o conteúdo transferido aparece como uma notificação e vai para a área de transferência. Há teclas de atalho e bookmarks para agilizar o uso e para usuários avançados, snippets x-callback-url para automatizar as ações.

Command-C, para iOS.


Faded

Faded.

Para iPhone.
O que é? Editor de fotos cheio de filtros e recursos de edição.
Preço? US$ 0,99
DOWNLOAD

Há espaço para mais apps de fotos? O pessoal que desenvolveu o Faded acredita que sim. O app, com um jeitão todo descolado, tem 70 efeitos, sendo 34 gratuitos, dispostos em uma interface bem construída.

Recursos básicos de edição, como controles de contraste e saturação, estão disponíveis, e dá para sobrepôr camadas nas imagens, controlar a exposição em tempo real na hora de fazer a foto, acrescentar efeitos e, claro, compartilhar os resultados em várias redes sociais, incluindo Instagram, Facebook e Flickr.


Google Play Movies & TV

Google Play Movies & TV.

Para iPhone e iPad.
O que é? App que dá acesso via iOS aos filmes e seriados comprados no Google Play.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Agora você, que comprou ou alugou algum vídeo no Google Play, pode assisti-lo usando um iPhone ou iPad.

Fique atento: o app não permite comprar conteúdo, já que isso implicaria ao Google ter que pagar a comissão que apps para iOS devem em qualquer tipo de transação à Apple. Para comprar, só pela web ou usando um smartphone ou tablet Android.

Você pode assistir aos vídeos no próprio dispositivo iOS ou usar um Chromecast para transmitir o conteúdo para uma TV.

Google Play Movies & TV.


Horizon

Horizon.

Para iPhone e iPad.
O que é? App que grava vídeos em formato paisagem mesmo com o celular na vertical.
Preço? US$ 0,99
DOWNLOAD

Mesmo com campanhas anti-vídeos em modo retrato, é difícil convencer algumas pessoas de que existe, sim, uma maneira correta de filmar com o smartphone.

O Horizon propõe outra abordagem para lidar com o problema. Em vez de forçar uma mudança de comportamento, com ele o usuário pode continuar filmando com o celular de pé que, mesmo assim, o vídeo sai em formato paisagem. Graças a um corte na imagem, a proporção mais natural para consumo em telas modernas (widescreen) é preservada e todo mundo sai ganhando. O único problema é a pessoa se lembrar de usar o Horizon em vez do app nativo da câmera.


Jelly

Jelly.

Para Android e iPhone.
O que é? Nova rede social de perguntas e respostas do Biz Stone.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD Android, iPhone

De um dos co-fundadores do Twitter, Biz Stone, o Jelly é um novo app para uma velha atividade online: perguntar e responder questões sobre qualquer coisa.

O fato de ser um app para smartphones dá ao Jelly um aspecto bastante ágil. Perguntas podem ser feitas com o auxílio de fotos e as respostas vêm da sua rede de contatos.

O app tem um punhado de animações bonitas e boas práticas em usabilidade, mas com o Quora e o Yahoo Respostas servindo às perguntas importantes e fundamentais e àquelas sem noção (respectivamente), é de se questionar se a nova aposta de Stone tem futuro.


Loopr

Loopr.

Para Android.
O que é? Menu lateral de acesso rápido a apps em segundo plano.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Launchers que usam as bordas da tela para chamarem menus e outros recursos do Android não são novidade. O Loopr chama a atenção por, em vez de acionar um painel enorme, exibir apenas discretas “bolinhas-ícones” dos apps.

É possível fixar os botões Home e Voltar, ter uma pré-visualização dos apps e personalizar os ícones — essas duas últimas opções apenas mediante pagamento in-app, que custa em torno de R$ 6,30. Nas configurações pode-se delimitar a área em que ele atua em ambas as laterais, a sensibilidade e o atraso do movimento, e personalização as animações.

A abordagem do Loopr é diferente da da multitarefa nativa do Android, aquela lista vertical de miniaturas. Acredito que em smartphones e tablets mais simples o fato de não precisar renderizar todas as telas deva contar pontos em desempenho.


Music Drop

Music Drop.

Para Windows Phone.
O que é? App que transfere músicas do PC para o smartphone sem usar cabos, via Wi-Fi.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Órfãos do Zune HD lembram da praticidade que era a sincronia da biblioteca de músicas via Wi-Fi. Nada de cabos, era tudo sem fio. E era lindo.

O Music Drop traz essa comodidade para o Windows Phone, ainda que de forma um pouco mais complexa. Toda a ação se dá através do navegador, com uma URL criada especialmente no app do smartphone. Estabelecida a conexão, basta arrastar a música desejada para a janela do navegador e a transferência começa.

Um pouco limitado, o conceito pelo menos é bem interessante e para transferir uma ou algumas poucas músicas, definitivamente mais cômodo do que ir atrás de cabos.

Music Drop.


Nokia Storyteller

Nokia Storyteller.

Para Windows Phone (Nokia).
O que é? App que usa a geolocalização das fotos para dispô-las em um mapa e criar narrativas a partir disso.
Preço? Gratuito.
DOWNLOAD

Ainda em estágio beta, este app, mais um exclusivo para a linha Lumia da Nokia, coloca suas fotos no mapa, agrupa elas de acordo com alguns parâmetros e embeleza a forma de mostrá-las aos amigos.

Dá para criar álbuns (além dos automáticos), colocar legendas e com um gesto de pinça, ver num mapa onde cada uma foi tirada. A tela principal permite filtrar as fotos por local, data e definir lugares favoritos, para ter sempre à mão as fotos tiradas lá.

É como se fosse um álbum de fotos mais robusto, que usa os meta dados delas para organizá-las de diferentes formas.


Pasta de Aplicativos

Pasta de Aplicativos.

Para Windows Phone (Nokia).
O que é? App que permite empilhar diversos atalhos em um bloco dinâmico na tela inicial.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

O que Android e iOS já fazem há bastante tempo agora também é possível no Windows Phone — desde que o seu seja fabricado pela Nokia.

A Pasta de Aplicativos, por ser um app à parte, concentra a criação dos atalhos, ou seja, elas não são configuráveis direto da tela inicial do Windows Phone. O visual é bacana, ficam miniaturas dos blocos dentro de um grande, e o acesso é em lista. É uma solução meio gambiarra, mas que pode servir para quem tem muitos blocos na tela inicial ou quer apenas organizá-la melhor.

Pasta de Aplicativos.


Path

Path.

Para Android, iPhone e Windows Phone.
O que é? Rede social intimista, com limite restrito de amigos e diversas opções de compartilhamento.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD Android, iPhone, Windows Phone

Velho conhecido de quem usa Android ou iPhone, o Path desembarcou para Windows Phone nesse mês — ainda em beta.

O visual característico do Path foi bem mesclado com a identidade visual do Windows Phone. Não se trata de um simples port; a versão para o sistema móvel da Microsoft conta com algumas exclusividades, como filtros para fotos baseados no SDK Imaging, da Nokia.

O mais difícil é encontrar amigos e parentes usando o Path. Como seu apelo é pelo compartilhamento de pedaços mais íntimos da sua vida, só com essa galera próxima na rede ela se justifica.

Path.


SkipLock

SkipLock.

Para Android.
O que é? App que desabilita a senha do Android em redes Wi-Fi e Bluetooth.
Preço? ~R$ 11,70
DOWNLOAD

Um dos favoritos da casa, o Unlock With Wi-Fi ganhou um nome melhor, SkipLock, e novos recursos.

Se você preza pela sua privacidade, certamente tem algum tipo de senha habilitada no smartphone — um código alfanumérico ou aquele padrão, bem popular no Android. O que o SkipLock faz é desabilitar essa defesa quando ele está em redes Wi-Fi pré-configuradas ou próximo de dispositivos Bluetooth. Na sua casa, por exemplo, não faz muito sentido deixar a senha. Com o SkipLock, ela é desativada quando está na sua rede sem fio e volta a funcionar, automaticamente, assim que você sai do raio de alcance dela.

Além do suporte a dispositivos Bluetooth, a nova versão do SkipLock permite remover o ícone da barra de notificações e, em dispositivos rooteados, usar um padrão em vez da senha alfanumérica.

O app funciona por quatro dias. Depois disso, só comprando. É um pouco caro, mas pelo tempo que economiza no acumulado do uso, vale a pena. Caso você experimente e resolva removê-lo, muita atenção: por necessitar de privilégios especiais para funcionar, a desinstalação é diferente, se dá através do menu, dentro do próprio app.


Storehouse

Storehouse.

Para iPad.
O que é? Uma forma interativa e linda de contar histórias através de fotos e vídeos.
Preço? Gratuito
DOWNLOAD

Criado por um punhado de ex-funcionários da Apple e sem um modelo de negócios pronto, se existisse um campeonato de apps mais bonitos para iPad o Storehouse seria um sério concorrente.

Com ele, o usuário pode criar histórias para suas fotos e vídeos. A apresentação é linda, o app é fluído e bem arquitetado, e tudo é de muito bom gosto. Terminando suas histórias, elas podem ser visualizadas na web — atingindo, assim, quem não tem um iPad disponível. De dentro dele, porém, aquele esquema digno de redes sociais, o seguir e ser seguido, está disponível.


Talon

Talon.

Para Android.
O que é? Cliente para Twitter moderno e adaptado ao Android 4.4.
Preço? ~R$ 4,70
DOWNLOAD

Não chega a ser um Tweetbot para Android (faz falta!), mas o Talon se junta a outras alternativas ao terrível cliente oficial do Twitter na plataforma do Google.

Ele é pago, mas promete um mundo de opções e o que há de mais moderno em experiência de uso no Android. O layout segue as diretrizes do sistema e até coisas bem recentes, como suporte às barras transparentes do Android 4.4, estão presentes.

A lista de recursos e funções do Talon, na descrição do app no Google Play, é extensa. Apesar do ícone horrível, é um trabalho fenomenal e com potencial para ficar ainda melhor. Agora que os tokens do Carbon acabaram, talvez seja a melhor saída para quem não suporta o último redesign do Twitter.


Mês que vem tem mais!

Podcast #29

É possível aproveitar bem as merecidas férias sem deixar os gadgets de lado e desconectar-se totalmente do mundo? A tecnologia pode tornar as aulas mais agradáveis ou serve apenas para distrair os alunos? Eu (Paulo Higa), Rodrigo Ghedin e Joel Nascimento Jr. nos reunimos para contar nossas experiências e opiniões sobre o uso da tecnologia nas férias e na escola.

Se preferir, baixe o arquivo em MP3.

Música: Change of Coast, do Neon Indian.

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