Pixel 6 virá com o Tensor, chip desenhado pelo Google

Vários modelos do Pixel 6 e Pixel 6 Pro, em diversas cores, espalhados sobre uma superfície cinza.
Foto: Google/Divulgação.

Os celulares Pixel, do Google, nunca foram lançados no Brasil e deverão continuar assim. Nesta segunda (2), o Google anunciou o Pixel 6 e Pixel 6 Pro, e vale a menção aqui porque, corroborando rumores, os novos modelos virão com um chip próprio, chamado Tensor. O Google se junta a outras poucas empresas do setor capazes de desenharem seus próprios chips — Apple, Huawei e Samsung. E que visual legal, o dos Pixel 6, não?

Os aparelhos serão lançados no outono (primavera para nós), sem preço relevado — mas espere por preços salgados. Via Google (em inglês).

Usuários do Facebook viram clientes da Oculus para receberem suporte do Facebook

Se você precisar do suporte de uma grande empresa de redes sociais, como o Facebook, ou do Google, boa sorte. Elas simplesmente não têm pessoas nessa frente. Em vez disso, serviços automatizados são o único canal que usuários com problemas em suas contas têm para tentar resolvê-los.

Até aqui, nada de novo. Nos Estados Unidos, alguns usuários encontraram um “atalho” para serem atendidas dignamente pelo Facebook. Eles estão comprando o Oculus Quest 2, um capacete de realidade virtual do Facebook de US$ 299 (cerca de R$ 1,5 mil), e acionando o suporte do Facebook a partir desse produto. A Oculus é do Facebook.

Em outras palavras, ao deixarem de ser usuários e virarem clientes, o Facebook magicamente passa a lhes dar atenção. Não funciona sempre, mas há relatos positivos em redes sociais. Depois de reaverem a conta do Facebook, obrigatória para o uso do Oculus Quest 2, esses usuários/clientes devolvem o produto à loja e recuperam o gasto. Genial. Via NPR (em inglês).

Punições previstas na LGPD começam a valer

As sanções administrativas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) começaram a valer neste domingo (1º). O rol de punições às empresas infratoras está no artigo 52 da lei, e inclui medidas como advertências, suspensão no tratamento de dados e multa de até 2% do faturamento anual da empresa, limitado ao teto de R$ 50 milhões.

Um levantamento da Fundação Dom Cabral com 207 companhias, sendo 95% de médio e grande porte, constatou que 40% ainda não estão preparadas para a LGPD. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por fiscalizar e aplicar as sanções da LGPD, não descarta punir empresas desde já, mas, a princípio, o órgão fará uma abordagem educativa, de orientação. Via O Globo, Jota (com paywall).

Desmonte do notebook da Framework: nota 10 em reparabilidade

O Framework foi lançado (lá fora) e é tudo o que se esperava dele. O iFixit, publicação/loja que analisa a reparabilidade de eletrônicos comerciais, deu nota 10 ao notebook, algo raro. O mais legal é que ter tais características não fazem o Framework ser feio, grosso ou pesado, argumento comumente usado pela indústria para encher o interior desses produtos de cola e componentes soldados. É só falta de vontade e de priorizar o que realmente importa. Via iFixit/YouTube.

Uma combinação maravilhosa seria o notebook da Framework e o celular da Fairphone. Infelizmente, nenhum dos dois é vendido ou sequer enviado ao Brasil.

Manual de dentro para fora

Prédio baseado no logo do Manual do Usuário, em perspectiva isométrica, com um recorte na lateral e várias pessoinhas nos andares e terraço. No canto superior esquerdo: “Manual de dentro para fora”.

O Manual do Usuário é uma publicação digital aberta, acessível, gratuita e sem paywall. Para continuar no ar, oferecemos um programa de apoios/assinaturas baratinho, mas que nos ajuda muito. Como recompensa, os(as) apoiadores(as) ganham mais formas de interagir e acesso aos bastidores do site. Nos próximos dias, essas vantagens serão temporariamente liberadas a todos.

“Manual de dentro para fora” é a nova campanha de fomento a apoios/assinaturas do Manual. Dentro do possível, abriremos as portas das (poucas) partes restritas do site, tipo um ~open house. O “diário de bordo”, por exemplo, um relato de bastidores com estatísticas e detalhes da operação que envio todo mês a quem nos apoia, em agosto será enviado a todos(as) os(as) inscrito(as) na newsletter. A gravação ao vivo do Guia Prático, que os membros do nosso grupo de apoiadores no Telegram sempre acompanham, semana que vem será transmitida em nosso canal público no app, disponível para qualquer pessoa.

O Manual é e sempre será gratuito — é parte do nosso compromisso — e não há problema algum em acompanhá-lo, participar dos debates nos comentários e interagir sem pagar. De verdade, zero problema. Mas para que ele continue no ar, saudável e independente, precisamos de um mínimo de receita recorrente, um piso que ainda não foi atingido. Se você puder, considere tornar-se um(a) apoiador(a).

Obrigado!

Ilustração do topo: Toia Cruz.

TikTok inaugura nova era da internet em que os Estados Unidos não são protagonistas

Celular em primeiro plano, com a tela escura e o logo do TikTok, e ao fundo a bandeira da China.

por Guilherme Felitti

Milhões de adolescentes dançam diariamente no TikTok. E milhares de adultos mais velhos têm se preocupado muito em não dançar. Você pode dar de ombros para o TikTok como se fosse uma onda passageira, bobeira de jovens sem importância para o mercado de tecnologia. “Ah, Guilherme, eu não sou mais jovem: tenho saudades do MSN, minhas ressacas duram três dias e eu já vacinei”. Ok, eu também, bonitinho e bonitinha — com exceção do MSN. Agora, deixe de ser um velho azedo que acha que as únicas coisas que prestam são aquelas da sua geração — esse é um dos piores caminhos para envelhecer.

No Tecnocracia desta quinzena, eu vou apresentar argumentos para fazer você reconsiderar sua posição e não cair na armadilha de virar o vovô Simpson esbravejando para as nuvens. O TikTok já é um dos principais fenômenos não apenas de tecnologia, mas de cultura jovem no mundo. Esse sucesso todo não tem consequências apenas para quem tem entre 12 e 25 anos. O mercado de tecnologia B2C está passando por um momento inédito, em que não são empresas dos Estados Unidos que dão as cartas. São elas que estão correndo atrás de um fenômeno global gestado longe do Vale do Silício.

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Preço dos combustíveis aperta lucro de motoristas de app e motoboys — que escolhem corridas e pensam em largar a profissão

Desolador o impacto da alta dos combustíveis no trabalho dos motoristas e entregadores de aplicativos. Via G1.

Do gasto diário de um motorista, a gasolina representa entre 40% e 50%. A taxa paga aos aplicativos gira em torno de 25%. Para boa parte dos condutores, há ainda o pagamento de parcelas do veículo ou locação.

A Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) estima que 25% dos motoristas deixaram de dirigir na cidade, em relação ao total do início de 2020.

Nos apps de delivery, a pandemia teve um efeito contrário ao dos motoristas na pandemia, aumentando a demanda e, com isso, o número de entregadores circulando nas ruas, o que fez cair os preços das corridas. O segundo impacto em um ano, o do aumento no preço dos combustíveis, tem feito muitos deles trabalharem mais — e ficarem mais suscetíveis a acidentes:

O aumento de acidentes de moto é flagrante. Os últimos números do Infosiga SP mostram que o número de acidentes com motociclistas na capital paulista saltou de 1.011 em abril de 2020 para 1.584 em junho de 2021 (alta de 56,6%). As mortes subiram 58,8%, de 17 para 27.

TechDirt remove todo o código do Google de seu site

O TechDirt, site de tecnologia norte-americano fundado em 1997, livrou-se do Google Analytics e da plataforma de publicidade programática do Google. Parabéns e bem-vindo ao grupo!

No post em que anuncia o feito, Mike Masnick, fundador do TechDirt, relata algumas das dificuldades que tiveram para remover o Google Analytics. Outras plataformas de publicidade que eles testaram para substituir a do Google traziam seus próprios códigos do Google Analytics, sintoma (um dos vários) do estado de uma indústria moralmente falida e totalmente dependente da Big Tech. Por ora, o TechDirt está sem qualquer tipo de publicidade.

(O código do site ainda carrega um arquivo CSS do Google Fonts, porém. Imagino que alguém dará um toque a eles, porque de todos os recursos que o Google fornece, fontes web são o mais fácil de abdicar.)

O que você leu de bom?

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Big Tech chinesa entra na mira do governo chinês

No final de 2020, Jack Ma, fundador do Alibaba, desapareceu durante três meses depois que o governo chinês melou os planos de IPO do Ant Group, seu mais recente empreendimento. Dias antes, ele havia feito duras críticas à maneira como o país lida com inovação tecnológica. Via BBC Brasil.

No início de julho deste ano, foi a vez da China promover uma “revisão de segurança” e tirar das lojas de aplicativos os da Didi, a “Uber chinesa”, alegando que a empresa estava coletando dados pessoais dos usuários ilegalmente. Dias antes, a Didi havia aberto capital nos Estados Unidos e levantado US$ 4 bilhões. Após a devassa, o valor dos papéis despencou abaixo do do IPO.  Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Nesta segunda (26), as plataformas de delivery entraram na mira do Partido Comunista Chinês, que passou a exigir que elas ofereçam aos entregadores um salário mínimo, seguro e prazos de entrega mais flexíveis, o que fez sumir em dois dias US$ 60 bilhões do valor de mercado do Meituan, o “iFood chinês”. Via Reuters (em inglês), Bloomberg (em inglês).

A exemplo do que acontece no Ocidente, a China também parece preocupada e agindo para conter o poder da sua Big Tech. Enquanto nos Estados Unidos e Europa essas coisas se arrastam por anos e costumam terminar em multa irrisórias, na China a máquina antitruste é mais eficiente. Em pouco mais de seis meses, o governo local colocou rédeas em quase todas as gigantes de tecnologia do país e em outras várias upstarts. É o equivalente regulatório daqueles vídeos acelerados que mostram pontes ou prédios construídos em poucos dias — não por coincidência, também na China.

Barinsta, app alternativo para Instagram, é descontinuado após ameaça do Facebook

Em março, falei do Barinsta aqui, um aplicativo de código aberto para Android que permite acessar o Instagram em uma interface menos tóxica. Nesta segunda (26), o desenvolvedor do Barinsta, Austin Huang, recebeu uma notificação extrajudicial de um escritório de advocacia representando o Facebook exigindo que o projeto fosse descontinuado (leia-a), alegando que o aplicativo infringe os termos de uso do serviço. O sonho acabou. Via @barinsta_updates/Telegram, dica do leitor Tony (valeu!).