A Andreessen Horowitz (a16z), uma das empresas de capital de risco mais badaladas do Vale do Silício, assinou o seu maior cheque da história, de US$ 350 milhões, e deu para Adam Neumann levantar sua nova startup, a Flow, que promete revolucionar o mercado de aluguéis residenciais.

Caso não tenha ligado o nome à pessoa, Neumann é o infame fundador da WeWork, o megalomaníaco que consumiu bilhões de dólares investidos pelo SoftBank para “revolucionar o mercado de aluguéis corporativos” e foi escorraçado após causar um prejuízo de US$ 8,9 bilhões — ou de US$ 18,9 bilhões, se considerar a injeção extra de US$ 10 bilhões feita para salvar o negócio.

Em maio, Neumann havia levantado US$ 70 milhões de alguns investidores, a a16z entre eles, para a Flowcarbon, “uma plataforma de comércio de créditos de carbono baseada em blockchain”. Em julho, o negócio foi “suspenso por tempo indeterminado”.

Marc Andreessen, um dos cofundadores da a16z, tem um assento no conselho da Meta, é um dos grandes entusiastas da web3 e de startups baseadas em criptoativos e gosta de postar tiradas no Twitter que ecoam entre extremistas, tipo Elon Musk.

No início da pandemia, Andreessen publicou um popular ensaio clamando que os Estados Unidos deveriam voltar a construir coisas, incluindo prédios residenciais, mas se opôs enfaticamente contra um plano municipal para aumentar as zonas residenciais no entorno da sua casa porque isso desvalorizaria as propriedades do local.

Nem alguém muito criativo costuraria uma trama tão surreal e repleta de hipocrisia quanto a desses dois sujeitos. Via a16z, ForbesFortune, BusinessCloud (todos em inglês).

Fundador da Ricardo Eletro vira “coach” de vendas após deixar negócio à beira da falência

Fundador da Ricardo Eletro vira “coach” de vendas após deixar negócio à beira da falência, por Fernanda Guimarães e Lucas Agrela no Estadão:

No mês passado, mais de 6 mil pessoas aguardavam o início do evento “Explosão de Vendas”, que seria conduzido no YouTube por Ricardo Nunes, 52 anos, o fundador da Máquina de Vendas, a dona da Ricardo Eletro, varejista que dribla hoje repetidos pedidos de falência. Com um público inflamado no chat da plataforma, o curso, de três dias em modelo híbrido, começou com Nunes dizendo que seu objetivo era passar o melhor de sua experiência em 30 anos para “construir a segunda maior empresa de varejo desse País”.

Segundo fontes, o novo negócio de cursos e mentoria vem garantindo um bom dinheiro ao empresário. Procurado em múltiplas ocasiões pela reportagem, o empresário não deu entrevista.

Com 182 mil seguidores no Instagram, rede social que também utiliza para vender seus cursos, Nunes foi denunciado, em junho, por suspeita de sonegação da ordem de R$ 86 milhões. O empresário também já foi alvo de denúncias de lavagem de dinheiro e chegou a ser preso. “Ele mora nos Jardins, leva uma vida luxuosa e fica postando fotos em avião particular. Enquanto isso, mente sobre o que fez na empresa. Se ele hoje é bilionário, tirou esse dinheiro de algum lugar”, diz outra fonte ligada à Ricardo Eletro.

Os ~sinais no Instagram de Jeff Bezos se fizeram entender nesta sexta (5): a Amazon anunciou a compra da iRobot, fabricante dos robôs aspiradores de pó Roomba, por US$ 1,7 bilhão em dinheiro. Ótima maneira da Amazon “conhecer” as casas dos consumidores e ainda mais dos seus hábitos. O negócio ainda depende da aprovação dos acionistas da iRobot e de órgãos reguladores. Via iRobot, CNBC, The Verge (todos em inglês).

Luta contra sindicatos expõe o lado retrógrado da Big Tech

por Guilherme Felitti

Terminado o primeiro semestre, 2022 já trouxe algumas novidades técnicas bastante relevantes em tecnologia: o chip M2 solidificou a Apple como um player cada vez mais poderoso no setor de chips, o DeepMind decifrou a estrutura de quase todas as proteínas conhecidas e o telescópio espacial James Webb produziu as imagens mais detalhadas do Universo, enquanto o metaverso, tal qual um carro a álcool numa manhã gelada de julho na década de 1990, dá várias partidas em falso com a esperança de pegar no tranco.

Como a gente já falou aqui, nos últimos anos os assuntos mais interessantes que acontecem no mercado de tecnologia não têm relação necessariamente com chips, códigos e placas de silício. São notícias que mostram como a tecnologia saiu do caderno de informática dos jornais1 para adentrar nas coberturas política e policial. É desse certame que, ao meu ver, vem um dos assuntos mais interessantes em tecnologia em 2022. Envolve um tipo de organização inventada não na última década e nem mesmo no último século. A Mesopotâmia e a Babilônia já experimentavam essa tecnologia 2 mil anos antes de Cristo. Após a Revolução Industrial, com o fim do vassalagem e a emergência de uma economia baseada na indústria, o movimento ganhou ainda mais força e os traços que observamos até hoje. Essa “tecnologia” não envolve necessariamente cálculos. É mais uma forma de mobilização e interação humana do que uma tecnologia naquele sentido clássico da acepção de tecnologia como uma ferramenta externa que lhe permite melhorar algo já possível ou executar algo impossível.

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Os papéis da Roku na Nasdaq deram um novo mergulho na última sexta-feira (29/7), desvalorizando ~23% após a empresa apresentar números ruins referentes ao segundo trimestre de 2022. O prejuízo operacional foi 260% pior que no ano anterior, chegando a US$ 110,5 milhões, e a empresa alertou os acionistas de que o próximo também não será nada bom.

Um dado curioso da operação da Roku: a empresa fatura muito mais com publicidade do que com a venda dos aparelhos em si. É por isso que seus controles remotos contam com aqueles quatro botões de serviços de streaming. As empresas que aparecem ali pagam pelo privilégio, como lembra o The Verge.

Nesse último trimestre, a Roku faturou US$ 91,2 milhões com a venda das suas caixinhas e outros produtos físicos.

Já com a “plataforma”, que engloba publicidade, taxas de parceiros do streaming, acordos de licenciamento e, explícito na documentação da empresa, “a venda de botões patrocinados de canais nos controles remotos”, a receita foi de US$ 673,2 milhões, um valor 638,1% maior. Via The Verge, CNBC, Roku (todos em inglês).

AppJusto e o desafio de um delivery justo, com Rogério Nogueira

Neste Guia Prático, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa recebem Rogério Nogueira, co-fundador do AppJusto, plataforma de delivery e entregas que — como o próprio nome diz — se posiciona como uma alternativa mais justa a todos os envolvidos: restaurantes, entregadores e consumidores. Quais os diferenciais do AppJusto? E para concorrer com o iFood, como faz? Modelos de investimento coletivo, como o adotado pelo AppJusto, podem funcionar em larga escala? Ouça e descubra.

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por Cesar Cardoso

A expansão latino-americana das marcas da BBK Electronics segue um roteiro bem previsível: chega pelo Chile ou pelo México, se expande para países do Pacífico com mercados grandes (Peru ou Colômbia) e, a partir daí, atravessa os Andes para chegar no Brasil. Foi assim com a Realme, está sendo assim com a Oppo, conforme previmos há cinco newsletters atrás (e será assim com a OnePlus e a vivo).

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A queda em receita da Meta no segundo trimestre de 2022 foi de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, o que se traduziu em US$ 28,8 bilhões. Para o terceiro trimestre, alerta a empresa, a expectativa é de nova queda, e maior.

O lucro também desacelerou, em 36%, chegando a US$ 6,7 bilhões.

O Reality Labs, divisão da Meta responsável por materializar o metaverso, que Mark Zuckerberg, CEO e manda-chuva da empresa, encara como a próxima grande plataforma digital, causou prejuízo de US$ 2,8 bilhões no trimestre.

Lembrando que, de acordo com Zuckerberg, o metaverso só comecará a dar lucro perto de 2030. Via The Verge (2) (em inglês).

A Oppo, da China, está desembarcando no Brasil. É a quarta maior fabricante de celulares do mundo, de acordo com a consultoria IDC, atrás de Samsung, Apple e Xiaomi.

Para a estreia por aqui, a Oppo escolheu o celular Reno7, um modelo intermediário com suporte a redes 4G. Ainda não foram divulgados outros detalhes, como preço e data de lançamento.

A Oppo chega ao Brasil num momento de baixa, com projeções indicando uma retração de 12,7% nas vendas de celulares em relação a 2021. Via Valor Econômico.

As redes sociais comerciais querem o seu dinheiro

A BMW está cobrando US$ 18 por mês para desbloquear o aquecimento de assentos em seus carros. O recurso não tem qualquer custo operacional extra pós-fabricação e é apenas um dentre vários que a montadora alemã passou a cobrar à parte, em “microtransações”.

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O homem de negócios Elon Musk vendeu 75% das reservas em bitcoin da Tesla entre março e junho, totalizando US$ 936 milhões. A revelação consta no balanço financeiro do segundo trimestre da Tesla, divulgado nesta quarta (20). Comprar na alta e vender na baixa: é isso o que os grandes traders fazem?

Coincidência ou não, o movimento interrompeu a tímida recuperação do bitcoin, cujo valor vem se deteriorando desde novembro de 2021, quando a máxima chegou próximo a US$ 69 mil. Nas últimas 24 horas, a criptomoeda desvaloriza ~4,4% e é negociada a US$ 22,6 mil, de acordo com o CoinMarketCap. Via Watchers News, Tesla (ambos em inglês).

A Netflix esperava perder 2 milhões de assinantes no segundo trimestre de 2022. Perdeu 970 mil, e o mercado gostou — as ações dispararam ~8% no “after-market”. A previsão dada para o próximo trimestre, de ganhar 1 milhão de assinantes, ajudou a animar os investidores.

Na conversa com acionistas, a Netflix confirmou que lançará o novo plano mais barato e com publicidade no início de 2023 e que já está negociando com estúdios a manutenção dos filmes e séries nele. Via CNBC, Variety (ambos em inglês),

A Netflix anunciou uma expansão dos testes de cobrança extra para compartilhamento de senhas.

A partir de agosto, o streaming cobrará um adicional por “residência” em cinco países latino-americanos: Argentina, El Salvador, Guatemala, Honduras e República Dominicana.

O valor médio é de US$ 2,99 por residência extra. No plano básico, será possível acrescentar uma; no intermediário, duas; e no mais caro, até três. O sistema permitirá o uso em outros locais durante viagens.

Desde março, a Netflix testa outro modelo de cobrança adicional no Chile, Costa Rica e Peru. Segundo o Rest of World, esse teste tem sido confuso no Peru, com cobranças irregulares e sem atingir a maioria dos usuários nesses quatro países.

A Netflix sempre fez vista grossa ao compartilhamento de senhas, mas mudou de postura após um trimestre negativo. Nesta terça (19), a empresa divulgará os resultados financeiros do segundo trimestre de 2022. A julgar por esses movimentos (e pelo “guidance” dado no trimestre passado), as notícias não devem ser boas. Via Netflix, Rest of World (ambos em inglês).

Levantamento da BB Media (via Estadão) revelou que existem 62 plataformas de streaming audiovisual no Brasil. Assinar as dez principais pelo preço cheio custa mais de R$ 300. “Chegamos ao ‘topo do bolso do usuário. As pessoas não conseguem assinar mais nada”, disse Mercedes Mendes, analista da BB Media. Via Estadão.

Sem muita surpresa — dados os últimos acontecimentos —, o advogado de Elon Musk, Mike Ringler, enviou uma carta à SEC (a CVM dos Estados Unidos) nesta sexta (8) demandando o rompimento do acordo de compra do Twitter, um negócio de US$ 44 bilhões.

Musk alega que o Twitter não lhe entregou dados relacionados ao volume de contas falsas/de spam na plataforma, que o Twitter afirma não ser superior a 5% do total, o que Musk contesta.

A desculpa, fajuta, desde o início foi encarada pelo mercado como uma desculpa para o arrependido Musk pular fora do negócio.

No Twitter, Bret Taylor, presidente do conselho do Twitter, disse que a empresa quer levar o negócio a cabo e que recorrerá à Justiça para que Musk cumpra sua palavra. Via SEC, CNBC, @btaylor/Twitter (todos em inglês).