Luta contra sindicatos exp√Ķe o lado retr√≥grado da Big Tech

Dois homens de costas, vestindo camisetas com o logo do sindicato de funcion√°rios da Amazon e o nome dele ‚ÄĒ ‚ÄúAmazon Labor Union‚ÄĚ.

Terminado o primeiro semestre, 2022 já trouxe algumas novidades técnicas bastante relevantes em tecnologia: o chip M2 solidificou a Apple como um player cada vez mais poderoso no setor de chips, o DeepMind decifrou a estrutura de quase todas as proteínas conhecidas e o telescópio espacial James Webb produziu as imagens mais detalhadas do Universo, enquanto o metaverso, tal qual um carro a álcool numa manhã gelada de julho na década de 1990, dá várias partidas em falso com a esperança de pegar no tranco.

Como a gente j√° falou aqui, nos √ļltimos anos os assuntos mais interessantes que acontecem no mercado de tecnologia n√£o t√™m rela√ß√£o necessariamente com chips, c√≥digos e placas de sil√≠cio. S√£o not√≠cias que mostram como a tecnologia saiu do caderno de inform√°tica dos jornais1 para adentrar nas coberturas pol√≠tica e policial. √Č desse certame que, ao meu ver, vem um dos assuntos mais interessantes em tecnologia em 2022. Envolve um tipo de organiza√ß√£o inventada n√£o na √ļltima d√©cada e nem mesmo no √ļltimo s√©culo. A Mesopot√Ęmia e a Babil√īnia j√° experimentavam essa tecnologia 2 mil anos antes de Cristo. Ap√≥s a Revolu√ß√£o Industrial, com o fim do vassalagem e a emerg√™ncia de uma economia baseada na ind√ļstria, o movimento ganhou ainda mais for√ßa e os tra√ßos que observamos at√© hoje. Essa “tecnologia” n√£o envolve necessariamente c√°lculos. √Č mais uma forma de mobiliza√ß√£o e intera√ß√£o humana do que uma tecnologia naquele sentido cl√°ssico da acep√ß√£o de tecnologia como uma ferramenta externa que lhe permite melhorar algo j√° poss√≠vel ou executar algo imposs√≠vel.

Que diabos √©? A Luciana Gimenez chamaria de ‚Äúunion‚ÄĚ. A gente chama de sindicato. As manchetes envolvendo a Big Tech no √ļltimo ano trazem in√ļmeros exemplos de como Amazon, Apple, Google, Facebook, Uber e tantos outros se mobilizam para desmontar movimentos de sindicaliza√ß√£o cada vez mais fortes dentro de suas opera√ß√Ķes. √Č uma onda que come√ßa a ferver nas Big Tech, mas transborda para v√°rios outros neg√≥cios da chamada “nova economia”, como as startups de m√≠dia lan√ßadas na √ļltima d√©cada para explorar vertentes e coberturas que os grandes ve√≠culos n√£o se interessavam ou eram incapazes de fazer engrossaram tamb√©m a onda.

O crescente interesse pela sindicalização afeta, principalmente, os Estados Unidos. Quer um exemplo? Na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo publicada pela revista Time, estavam lá entre Zendaya, Oprah, Nadal e Zelensky dois nomes que você provavelmente nunca tinha ouvido falar: Derrick Palmer e Chris Smalls.

Moradores de Nova York, Palmer e Smalls lideraram a cria√ß√£o do Amazon Labor Union, primeiro grande sindicato de funcion√°rios da Amazon. O feito da dupla √© ainda mais relevante quando se considera que a Amazon, a quinta maior empresa do mundo, utilizou t√°ticas anti-sindicato que a National Labor Relations Board, ag√™ncia federal do governo dos Estados Unidos que regulamenta as rela√ß√Ķes privadas entre empregadores e empregados, considera ilegais. O texto da revista Time explicando a relev√Ęncia de Palmer e Smalls foi escrito pelo senador e ex-presidenci√°vel norte-americano Bernie Sanders: ‚ÄúEm uma √©poca de desigualdade de riqueza e renda extrema e crescendo, os trabalhadores dos EUA est√£o corajosamente lutando de volta e dizendo aos bilion√°rios e √†s empresas mais poderosas do mundo que elas n√£o podem ter tudo‚ÄĚ.

Homem preto de perfil, com bandana, óculos escuros e brinco, vestindo uma camiseta de manga longa vermelha, fala ao microfone. Ao fundo, cartazes verdes levantados e levemente desfocados.
Chris Smalls em protesto de funcion√°rios da Amazon. Foto: Pamela Drew/Flickr.

Parece inevit√°vel, por√©m, que uma hora o movimento que nasceu na sede norte-americana se espalhe para as opera√ß√Ķes globais ‚ÄĒ seja por press√£o dos funcion√°rios ou pela cria√ß√£o de pol√≠ticas globais pelas empresas. Na Europa, sempre mais adiantada na regula√ß√£o do setor de tecnologia, a sindicaliza√ß√£o j√° est√° em curso. No Brasil, o movimento n√£o aparece t√£o quente quanto nos EUA, mas a parte em que as grandes empresas adotam m√©todos longe da honestidade j√° chegou, com a cria√ß√£o de campanhas que falsamente se passam por funcion√°rios contra a sindicaliza√ß√£o.

Al√©m de Palmer e Smalls, a emerg√™ncia de figuras como o tamb√©m a norte-americana Jaz Brisack, por tr√°s do primeiro sindicato do Starbucks; o brit√Ęnico Mick Lynch, respons√°vel por orquestrar as maiores greves ferrovi√°rias dos √ļltimos 30 anos; e o brasileiro Paulo Galo2, voz mais alta do enorme grupo formado por entregadores de aplicativos no Brasil, √© tamb√©m reflexo ineg√°vel das novas rela√ß√Ķes trabalhistas que colocaram centenas de milh√Ķes de pessoas ao redor do mundo em empregos mediados por plataformas tecnol√≥gicas sem nenhum tipo de benef√≠cio e sem poder parar pela necessidade ‚ÄĒ empregos precarizados. As consequ√™ncias do trabalho precarizado, coberto pelas plataformas por aquele el√£ delirante de “empreendedorismo”, sobre o qual j√° falamos no Tecnocracia #12, s√£o o cora√ß√£o dessa ascens√£o fulminante da sindicaliza√ß√£o na tecnologia.

Nos √ļltimos 30 anos, as grandes empresas de tecnologia contaram com crescimentos explosivos, a boa vontade do p√ļblico e centenas de milh√Ķes de d√≥lares gastos em estrat√©gias anti-sindicato para minarem a mobiliza√ß√£o dos seus funcion√°rios que buscam melhores condi√ß√Ķes de trabalho. No √ļltimo ano, essa estrat√©gia foi exposta e come√ßou a falhar. ‚ÄúSindicato‚ÄĚ deixou de ser um termo associado apenas √† velha economia, das ind√ļstrias e dos metal√ļrgicos. Com uma nova roupagem, atualizada para os problemas introduzidos pela nova economia, os sindicatos est√£o de volta. √Č sobre isso que o s√©timo epis√≥dio da quarta temporada do Tecnocracia vai falar.

A cada quinze dias, um pouco ou bastante mais, o Tecnocracia faz uma pesquisa profunda para a gente entender como alguns dos maiores impactos da tecnologia nas nossas vidas n√£o t√™m rela√ß√£o alguma com algoritmos de deep learning ou computa√ß√£o qu√Ęntica. √Č coisa antiga, de s√©culos, maquiada s√≥ para parecer mais aceit√°vel. Eu sou o Guilherme Felitti. O Tecnocracia est√° na campanha de financiamento coletivo do Manual do Usu√°rio. Por R$ 179 ao ano via Pix (ou R$ 16 por m√™s), voc√™ tem direito a um adesivo do podcast e a me ouvir ao vivo no Balc√£o, que costuma acontecer uma vez por m√™s no grupo do Telegram.

Vamos come√ßar com o b√°sico: que diabos √© um sindicato? Existem v√°rias defini√ß√Ķes, mas vamos falar de tr√™s.

A primeira √© do livro The history of trade unionism, de Sidney e Beatrice Webb, publicado em 1920. Segundo eles, o sindicato ‚Äú√© uma associa√ß√£o cont√≠nua de recebedores de sal√°rios com o objetivo de manter ou melhorar as condi√ß√Ķes de suas vidas profissionais‚ÄĚ3. A segunda √© de um livro sobre o qual voc√™ j√° ouviu falar: O Capital, do alem√£o Karl Marx, para quem ‚Äúos sindicatos desejam nada mais que prevenir a redu√ß√£o dos sal√°rios abaixo do n√≠vel em que s√£o tradicionalmente mantidos por v√°rios ramos da ind√ļstria. Isso quer dizer, eles pretendem prevenir que o pre√ßo do poder de trabalho caia abaixo do seu valor‚Äú. Por fim, uma terceira defini√ß√£o vem do fil√≥sofo e economista ingl√™s John Stuart Mill: ‚ÄúSe fosse poss√≠vel para a classe trabalhadora, ao se aliar consigo mesma, aumentar ou manter o valor geral dos sal√°rios, √© dif√≠cil dizer que isso seria algo n√£o s√≥ a n√£o ser punido, mas a ser saudado e encarado com alegria.‚ÄĚ

No geral, todos passam a mesma ideia: funcionários que, unidos, adquirem maior capacidade de negociar a obtenção de novos ou a manutenção de salários e benefícios trabalhistas.

√Č ineg√°vel que os sindicatos t√™m uma rela√ß√£o hist√≥rica e pr√≥xima com a pol√≠tica, principalmente movimentos associados com a esquerda e a centro-esquerda. Isso √© um fato para, como o Tecnocracia se esfor√ßa muito pelos √ļltimos quatro anos, entender o mundo como ele de fato √©. Para fazer jus √† tentativa, abordaremos o assunto com fatos.

Primeira coisa: organiza√ß√£o de trabalhadores para negociar com os patr√Ķes precede Karl Marx. D√©cadas antes do rec√©m trint√£o sentar sua bundinha para escrever “O Manifesto Comunista”, greves de trabalhadores com o √ļnico objetivo de negociar melhores sal√°rios ou condi√ß√Ķes de trabalho j√° ocorriam na Europa e nos Estados Unidos. Abre aspas para o livro A history of trade unionism in the United States, publicado pelo ent√£o professor-assistente da Universidade de Wisconsin Selig Perlman em 1922:

A primeira greve de trabalho genu√≠na nos EUA aconteceu em 1786, quando os impressores da Filad√©lfia pararam para exigir um sal√°rio m√≠nimo de seis d√≥lares por semana. A segunda greve, registrada em 1791 tamb√©m na Filad√©lfia, foi de carpinteiros exigindo uma jornada di√°ria de 10 horas. Os marinheiros de Baltimore tiveram sucesso em aumentar seus sal√°rios por meio de greves nos anos de 1795, 1805 e 1807, mas seus esfor√ßos eram recorrentes, n√£o permanentes. Ainda mais ef√™meras eram as greves de marinheiros e construtores de navios em 1817 em Medford, Massachusetts. Sem d√ļvida muitos outros esfor√ßos ocorreram durante os 1820, mas n√£o restou nenhum registro.

Marx nasceu em 1818, quando dezenas de greves no sindicalismo moderno j√° tinham sido realizadas, e publicou seu livro apenas em 1848. Bom lembrar que estamos falando do sindicalismo moderno. Muito antes, l√° na Mesopot√Ęmia e na Babil√īnia, de 2,3 mil a 1,7 mil antes de Cristo, j√° existiam leis que determinavam pagamentos m√≠nimos e horas m√°ximas de trabalho para determinadas fun√ß√Ķes. O C√≥digo de Hamurabi, inclusive, √© lembrado pelo ‚Äúolho por olho, dente por dente‚ÄĚ, mas um dos seus c√≥digos instituia um sal√°rio m√≠nimo que um dono de navio deveria pagar aos funcion√°rios contratados para constru√≠-lo.

N√£o √† toa, essa sucess√£o de greves que listei aconteceram quando a Revolu√ß√£o Industrial j√° estava a pleno vapor. A transi√ß√£o dos pequenos est√ļdios artesanais liderados por pequenos empres√°rios para grandes conglomerados que dividiam fun√ß√Ķes espec√≠ficas em enormes f√°bricas introduziu uma mudan√ßa importante no cen√°rio do trabalho: voc√™ tinha um contingente cada vez maior de trabalhadores, n√£o de gente que trabalhava para si mesma. √Č a√≠ que come√ßa um movimento c√≠clico no qual estamos: em momentos de grande concentra√ß√£o de mercado e/ou grandes transi√ß√Ķes econ√īmicas em que conglomerados ganham poder, existe uma resposta: trabalhadores passam a ver os sindicatos com bons olhos, a organiza√ß√£o sindical se torna maior e, por meio de negocia√ß√Ķes ou greves, algumas condi√ß√Ķes de trabalho melhoram. √Č aquela s√≠stole e di√°stole sobre a qual j√° falamos no Tecnocracia #10. Talvez a principal novidade que a Revolu√ß√£o Industrial trouxe em m√©dio prazo foi a oficializa√ß√£o do movimento sindical ‚ÄĒ na Inglaterra de 1832, seis trabalhadores rurais que criaram um sindicato foram presos, julgados e, considerados culpados, deportados para a Austr√°lia.

S√≠stole ‚ÄĒ o maior sindicato norte-americano, o American Federation of Labor, nasce em 1886 como resposta n√£o apenas √†s condi√ß√Ķes de trabalho trazidas pela Revolu√ß√£o Industrial como tamb√©m pelo caos ‚ÄĒ econ√īmico, inclusive ‚ÄĒ deixado pela Guerra Civil dos EUA.

S√≠stole de novo ‚ÄĒ ap√≥s a crise de 1929 o mercado passa por um momento de populariza√ß√£o dos sindicatos. Abre aspas para reportagem da revista Time: ‚ÄúSindicatos se tornaram populares nos EUA a partir dos anos 1930, com a porcentagem de membros subindo de apenas 10% da for√ßa de trabalho total em 1936 para cerca de um ter√ßo no meio dos anos 1950, segundo pesquisa publicada em 2021 no Quarterly Journal of Economics.‚ÄĚ

Di√°stole, de novo a reportagem da Time: ‚ÄúEm 1970, os membros de sindicatos chegaram ao seu √°pice com 17 milh√Ķes nacionalmente, mais de 30% dos funcion√°rios do setor privado. Em 2022, o n√ļmero tinha ca√≠do pela metade.‚ÄĚ

Em todo episódio do Tecnocracia, antes de sentar minha bundinha para escrever eu fecho algumas perguntas básicas que vão ajudar eu e você a pensarmos sobre o assunto. Para esse tema, duas pareciam óbvias, mas fundamentais. Façamos a primeira: por que as empresas lutam contra a organização sindical dos seus funcionários?

De novo, a reportagem da Time: a queda do sindicalismo a partir da d√©cada de 1980 acontece ‚Äúgra√ßas √† cultura pela qual empresas se focaram em maximizar valor para acionistas e minimizar benef√≠cios aos trabalhadores, assim como uma √™nfase jur√≠dica no valor da propriedade privada e do lucro privado‚ÄĚ. Estudo do National Bureau of Economic Research publicado em 2009 sugere que cada voto de funcion√°rios pela sindicaliza√ß√£o resulta em uma perda de valor de mercado de US$ 40 mil, muito embora o pr√≥prio estudo sugira que, ao investigar valor de mercado, a sindicaliza√ß√£o pode alterar processos internos sem, no entanto, impactar a lucratividade.

‚ÄúO efeito real da sindicaliza√ß√£o no sucesso de neg√≥cios √© dif√≠cil de cravar, outros estudos alegam, j√° que o processo √© espec√≠fico por natureza. De acordo um amplo estudo de 2003 que revisou quase 30 mil empresas durante duas d√©cadas, existem dois tipos principais de empresas onde a sindicaliza√ß√£o ocorre: funcion√°rios se organizam em ‚Äėempresas altamente lucrativas‚Äô que certamente sobreviver√£o √† coletiviza√ß√£o, enquanto outros se organizam em empresas que s√£o ‚Äėpobremente geridas ou enfrentam dificuldades recentes‚Äô, o que d√° apelo √† sindicaliza√ß√£o entre os funcion√°rios. A conclus√£o deste estudo, por√©m, √© clara: ‚Äėsindicatos provavelmente n√£o afetam os neg√≥cios os fazendo se tornarem mais suscet√≠veis a fracasso ou mudan√ßa f√≠sica, mesmo com o medo de muitos empregadores e empregados‚Äô.‚ÄĚ

Em termos pr√°ticos: a uni√£o de funcion√°rios torna a negocia√ß√£o entre empregado e empregador mais dura para os √ļltimos por sair da individualidade e ir para o coletivo. Dados do US Bureau of Labor Statistics referentes a mar√ßo de 2022 (p√°gina 13) apontavam que funcion√°rios sindicalizados custavam ao empregador uma m√©dia de US$ 15 por hora a mais na compensa√ß√£o total.

Tabela comparativa do custo total de funcion√°rios sindicalizados e n√£o sindicalizados.
Imagem: US Bureau of Labor Statistics.

N√£o √† toa, quase todos os alertas corporativos frente √† nova onda de sindicaliza√ß√£o defendem que acha mais vantajoso aos funcion√°rios ter ‚Äúa liberdade‚ÄĚ de negociar direto com o patr√£o. Qualquer um que tenha tido um emprego na pr√°tica sabe o quanto h√° de fic√ß√£o nesta frase, aquele el√£ lapidado por rela√ß√Ķes p√ļblicas para sugerir que falta de poder √©, ao contr√°rio, pot√™ncia.

Embalados por esse discurso e com todo o hist√≥rico de empresas que lutaram (e falharam ou tiveram sucesso) contra sindicatos, a Big Tech montou uma estrat√©gia dura para evitar que seus funcion√°rios se organizassem. Os m√©todos para tanto s√£o os mais variados. N√£o tem hist√≥ria melhor para come√ßar essa parte do epis√≥dio do que a que descreve como Smalls, j√° citado desde o come√ßo, foi demitido da Amazon. Abre aspas para a reportagem do New York Times: ‚ÄúNos primeiros dias da pandemia, enquanto um trabalhador da Amazon chamado Christian Smalls planejava um pequeno protesto sobre condi√ß√Ķes de seguran√ßa no centro de distribui√ß√£o em Nova York, a empresa rapidamente se mobilizou. A Amazon formou um time de rea√ß√£o envolvendo dez departamentos, incluindo seu Programa Global de Intelig√™ncia, um grupo de seguran√ßa que emprega muitos veteranos de guerra. A companhia indicou um ‚Äėcomandantes de incidentes‚Äô e criou um ‚ÄėLivro de resposta a protestos‚Äô e um ‚ÄėLivro de atividade de trabalho‚Äô para evitar ‚Äėdisrup√ß√Ķes de neg√≥cios‚Äô, segundo documentos revelados √† Justi√ßa. No fim das contas, existiam mais executivos ‚ÄĒ incluindo 11 vice-presidentes ‚ÄĒ que foram alertados sobre os protestos do que funcion√°rios que apareceram. O conselheiro chefe da Amazon, ao descrever Smalls como ‚Äėn√£o esperto ou articulado‚Äô em um e-mail erroneamente enviado a mais de mil pessoas, recomendou torn√°-lo o ‚Äėrosto‚Äô dos esfor√ßos para organizar trabalhadores. A empresa demitiu Smalls, dizendo que ele violou regras de quarentena ao participar do protesto.‚ÄĚ

Segundo a legisla√ß√£o norte-americana, √© ilegal demitir funcion√°rios que est√£o tentando se organizar. ‚ÄúMas a empresa vai achar um motivo para demitir o organizador. Eles sabem que √© ilegal. Quando o caso √© finalmente julgado, a empresa vai ser obrigada a recontrat√°-lo com multa retroativa, mas a rea√ß√£o ser√° ‚Äėbom, √© o custo de fazer neg√≥cios‚Äô. E o benef√≠cio em m√©dio prazo √© que n√£o existe sindicato‚ÄĚ, explica Catherine Fisk, professora de direito trabalhista na Universidade de Berkley, em entrevista √† CNBC. Smalls n√£o foi o √ļnico funcion√°rio se organizando que foi demitido pela Amazon, como mostra o jornal Washington Post.

A estrat√©gia de ‚Äúunion-busting‚ÄĚ (oi, Lu) da Amazon ficou expl√≠cita ap√≥s a patetice de um consultor contratado pela empresa que enviou uma comunica√ß√£o interna para jornalistas por acidente. No e-mail, funcion√°rios da Amazon pedem que a consultoria crie uma narrativa segundo a qual a forma√ß√£o de sindicatos prejudicaria funcion√°rios negros.

√Č comum que gigantes de tecnologia, como a j√° citada Amazon, Google e Apple, contratem consultorias especializadas em se infiltrar em sindicatos em forma√ß√£o para implodi-los. A Amazon contratou uma consultoria chamada Pinkerton para impedir a sindicaliza√ß√£o da rede Whole Foods, que comprou em 2017 por US$ 13,7 bilh√Ķes, em 2020. Funcionou. O Google contratou uma consultoria anti-union chamada IRI Consultants e demitiu funcion√°rios que chamaram aten√ß√£o publicamente para o objetivo da contrata√ß√£o. Funcion√°rios de uma opera√ß√£o do Google Fiber em Kansas City que anunciaram inten√ß√£o de se organizarem foram obrigados a participar de reuni√Ķes com consultorias semelhantes onde amea√ßas de demiss√£o eram repetidas. J√° funcion√°rios de lojas da Apple insatisfeitos com os aumentos de sal√°rios propostos pela empresa ouviram um serm√£o semelhante: ‚ÄúNas reuni√Ķes, gerentes alertaram que sindicaliza√ß√£o significa a perda de benef√≠cios.‚ÄĚ

No Brasil, o iFood contratou uma ag√™ncia respons√°vel por forjar uma campanha em que falsos entregadores atacavam novas lideran√ßas sindicais. A excelente reportagem da jornalista Clarissa Levy na Ag√™ncia P√ļblica, em abril de 2022, traz prints medonhos demonstrando a tentativa da ag√™ncia contratada pelo iFood de influenciar o debate p√ļblico de forma a torn√°-lo mais favor√°vel √† gigante (praticamente um monop√≥lio) de entregas de comida no Brasil. Um dos alvos da campanha foi Paulo Galo, a voz mais alta a se erguer como representante de entregadores que recebem trabalho por aplicativos. Preparado para a n√°usea? Diz um dos documentos: ‚ÄúComentamos em publica√ß√Ķes que falam do assunto, vamos em perfis que abordam o assunto e comentamos de forma indireta [‚Ķ], mas NUNCA assinado como iFood para que ningu√©m desconfie.‚ÄĚ Em uma reuni√£o para comentar os resultados da a√ß√£o, uma das envolvidas crava e a Ag√™ncia P√ļblica tem o v√≠deo: ‚ÄúA gente matou o Galo.‚ÄĚ Fact checking: Galo segue vivo tanto na vida como na relev√Ęncia dentro do debate sobre entregadores.

A roupagem da Big Tech √© moderna, mas n√£o tem nada de inovador nas t√°ticas descritas. √Č ‚Äúunion-busting‚ÄĚ cl√°ssica, praticada h√° d√©cadas com trucul√™ncia, amea√ßas nem sempre veladas e muitas vezes numa zona legal cinzenta. √Č tudo que existe de mais velho nas rela√ß√Ķes trabalhistas. O ponto √© que n√£o basta gastar milh√Ķes de d√≥lares para implodir esfor√ßos de sindicaliza√ß√£o se a opini√£o p√ļblica n√£o acompanha. Mas o discurso do empreendedorismo que permeou a ascens√£o da Big Tech e de plataformas de empregos precarizados tem v√°rias manifesta√ß√Ķes, n√£o apenas no del√≠rio nuclear das hist√≥rias do LinkedIn. Junto ao esfor√ßo de trucul√™ncia nos bastidores, campanhas de rela√ß√Ķes p√ļblicas ajudaram a transformar a sindicaliza√ß√£o em algo indigno.

Tudo parecia ir bem. O plano estava funcionando. Até que um vírus, muito provavelmente saído de um mercado de Wuhan5, desengatilhou a maior pandemia do século.

Lembra que eu falei em duas perguntas fundamentais para este episódio? Vamos à segunda: por que funcionários se interessariam em se aliar a um sindicato? A gente já respondeu indiretamente aí em cima com os dados sobre os ganhos maiores de funcionários sindicalizados, mas aprofundemos.

De novo, reportagem da revista Time: ‚ÄúDurante o √°pice de popularidade dos sindicatos nos EUA, a diferen√ßa de renda entre os mais ricos e os mais pobres diminuiu consideravelmente. ‚ÄėA √ļnica vez que os 10% mais pobres da popula√ß√£o e os 10% mais ricos se aproximaram foi durante estes anos, em que os sindicatos operavam nas maiores empresas do mundo‚Äô, afirma Ileen DeVault, professora de hist√≥ria do trabalho da Universidade de Cornell. Conforme o movimento come√ßou a cair nos anos 1980, a diferen√ßa na renda voltou a crescer. Hoje, ela est√° no seu √°pice desde que o levantamento come√ßou h√° mais de 50 anos, segundo dados do Census Bureau. Pesquisas mostram que US$ 50 trilh√Ķes migraram para os bolsos do 1% mais rico dos EUA, uma redistribui√ß√£o de renda que apertou a classe m√©dia.‚ÄĚ

Enquanto o mundo tentava se isolar em quarentena e milh√Ķes eram demitidos, quem teve uma melhor prote√ß√£o de trabalho e renda? Reportagem do jornal brit√Ęnico The Guardian, de abril de 2021, responde: ‚ÄúEvid√™ncias da pandemia sugerem que funcion√°rios sindicalizados tiveram ambientes e condi√ß√Ķes de trabalho mais seguras que os n√£o sindicalizados e o risco da covid-19 aumentou tanto o interesse em sindicaliza√ß√£o como a propens√£o de se engajar em a√ß√Ķes coletivas no trabalho, como participar de um protesto ou de uma greve.‚ÄĚ

Gr√°fico comparativo da opini√£o p√ļblica dos Estados Unidos a respeito de grandes empresas e sindicatos.
Imagem: @aaronsojourner/Twitter.

Para voltar √† met√°fora anterior, s√≠stole ‚ÄĒ agora, tudo indica que estamos passando por um novo ciclo gra√ßas √† pandemia.

‚ÄúA pandemia mudou fundamentalmente o cen√°rio do trabalho ao dar aos empregados mais poderes frente a seus empregadores. √Č s√≥ uma quest√£o se os sindicatos aproveitar√£o esse potencial de transforma√ß√£o que se abriu‚ÄĚ, afirmou ao New York Times John Logan, professor de estudos sobre trabalho da Universidade Estadual de San Francisco. Porque muito dessa onda recente tem rela√ß√£o com a mudan√ßa da percep√ß√£o do p√ļblico. O sentimento p√ļblico sobre sindicatos √© o mais positivo e o sentimento p√ļblico sobre grandes corpora√ß√Ķes √© o mais negativo dos √ļltimos 50 anos, segundo Aaron Sojouner, economista do trabalho do Upjohn Institute for Employment Research. Essa percep√ß√£o se reflete na propens√£o a querer se filiar: ‚Äúmais de metade dos norte-americanos agora diz que quer se unir a um sindicato, enquanto apenas 11% dos trabalhadores atualmente pertencem a um ‚ÄĒ majoritariamente porque as leis trabalhistas se mant√™m favor√°veis aos grandes neg√≥cios‚ÄĚ, diz reportagem do Guardian. Segundo o Gallup, 68% dos norte-americanos aprovam sindicatos, o maior n√ļmero desde o come√ßo da d√©cada de 1980.

Gr√°fico de 1985 a 2020 da aprova√ß√£o de sindicatos pela opini√£o p√ļblica dos norte-americanos.
Gráfico: Gallup/Reprodução.

Smalls, o ‚Äún√£o esperto ou articulado‚ÄĚ segundo um executivo da Amazon, foi capaz de liderar junto com o amigo Palmer a forma√ß√£o do primeiro sindicato dentro da gigante de e-commerce. Apple, Google, Activision, Uber e neg√≥cios n√£o originalmente de tecnologia, como Starbucks, seguem o caminho. H√° um ponto em comum entre todos estes: essas iniciativas de sucesso foram lideradas por pessoas independentes (ou seja, n√£o ligadas aos sindicatos tradicionais) e que t√™m uma percep√ß√£o mais ampla de ‚Äútrabalhador‚ÄĚ como todo e qualquer pessoa a ter trabalho pela empresa, n√£o apenas quem trabalha no ch√£o de f√°brica ou na administra√ß√£o. H√° outro detalhe a se observar: Jaz Brisack, respons√°vel pelo primeiro sindicato do Starbucks, frequentou Oxford com uma bolsa American Rhodes. O N aqui √© 1, mas mostra uma poss√≠vel senda.

No caso da Amazon, meses antes da formação do primeiro sindicato, outro, no Alabama, foi rejeitado pelos trabalhadores de um centro de distribuição. Lá, quem liderou a tentativa foram sindicalistas profissionais, gente ligada aos sindicatos já estabelecidos. No centro de distribuição de Smalls e Palmer, a maioria da liderança era composta por funcionários. Os US$ 120 mil usados na coordenação foram obtidos em um financiamento coletivo. Em 2021, a Amazon gastou quase 40 vez mais só em consultorias anti-sindicatos nos EUA, segundo documentos obtidos pelo New York Times.

Gráfico mostrando a concentração de valor de mercado e receita das cinco maiores empresas dos Estados Unidos em relação ao S&P 500.
Gráfico: Bloomberg/Reprodução.

Por fim, o mercado global est√° passando por uma concentra√ß√£o alt√≠ssima, a maior dos √ļltimos 30 anos, e a Big Tech √© a grande respons√°vel. Juntas, Microsoft, Apple, Amazon, Google e Facebook respondem por 21% da capitaliza√ß√£o do S&P 500, que agrupa o valor de mercado das 500 maiores empresas dos Estados Unidos. Em 2000, auge da bolha da internet, as cinco maiores n√£o chegaram a 19% do mercado total, segundo dados compilados pela Goldman Sachs e publicados pela Bloomberg.

Nenhuma sociedade passa inc√≥lume por esse n√≠vel de concentra√ß√£o. √Č de se esperar que repercuss√Ķes aconte√ßam. Uma concentra√ß√£o t√£o grande motiva rea√ß√Ķes. Achar que tanta riqueza v√° se concentrar em poucos players sem que o resto da sociedade reaja √© um del√≠rio. √Č sob esse prisma que deve ser entendido esse aumento no interesse pela sindicaliza√ß√£o. N√£o h√° campanha de rela√ß√Ķes p√ļblicas e discursinho meritocr√°tico lapidado no LinkedIn que seja capaz de maquiar as dificuldades pr√°ticas dessa concentra√ß√£o. Dito isso, estamos no come√ßo de um movimento. Como bem lembra John Logan, pesquisador da Universidade Estadual de San Francisco, potencial √© diferente de realiza√ß√£o. A tend√™ncia de interesse e ades√£o √© de crescimento tanto da opini√£o p√ļblica como dos funcion√°rios. Se isso vai resultar em mais sindicatos e empregados sindicalizados √© algo que acompanharemos.

Algumas empresas de tecnologia, por√©m, come√ßaram a encarar o fen√īmeno como uma onda inevit√°vel e vestiram suas boias de bra√ßo para n√£o se afogarem. Em junho de 2022, a Microsoft anunciou que manteria sua neutralidade frente aos esfor√ßos dos funcion√°rios da Activision para se organizarem 6. A barra √© baix√≠ssima, eu sei, mas o an√ļncio p√ļblico, o primeiro do seu tipo, recebeu elogios at√© de organizadores sindicais. ‚ÄúA lei n√£o exige que empregadores sejam neutros. Empregadores n√£o apenas colocam o ded√£o na balan√ßa, mas pisam com um p√© de chumbo‚ÄĚ, disse √† Fast Company Tom Smith, diretor de organiza√ß√£o do sindicato Communications Workers of America. A ver ainda se Microsoft cumprir√° a neutralidade e se encarar a a√ß√£o como poss√≠vel caminho √© mais torcida que previs√£o. Se a coisa engrossar no mercado, outras empresas podem, tal qual a Microsoft, encarar como inevit√°vel e poupar seus esfor√ßos.

Como isso influencia o Brasil mais diretamente? √ďtima pergunta. J√° falamos no Tecnocracia #59: no Brasil, Big Tech √© sin√īnimo de filial que segue as regras locais para manter a opera√ß√£o, mas cujos nortes s√£o definidos pelas sedes nos EUA ou Europa. H√° um tra√ßo aqui que impacta o debate local: no Brasil, o sindicalismo se tornou muito associado a ind√ļstrias de transforma√ß√£o, principalmente metalurgia, depois que as greves do ABC nos anos 1980 introduziram √† pol√≠tica nacional o ex-presidente Luiz In√°cio Lula da Silva. Mencione o termo “sindicato” em qualquer churrasco e respire fundo para ser tragado a uma discuss√£o pol√≠tica. O formular esse epis√≥dio me trouxe √† cabe√ßa algumas figuras nefastas que se apossaram do assunto para a pol√≠tica mais mesquinha. Todo movimento social tem figuras nefastas no meio, que se aproveitam da abertura para ganhos pessoais. Rejeitar a ideia ou mesmo colocar por√©ns √© ‚ÄĒ como dizem por a√≠ ‚ÄĒ jogar o beb√™ fora junto √† √°gua suja.

Polariza√ß√£o no escanteio, √© fato que os sindicatos tiveram um papel fundamental pelos √ļltimos s√©culos e continuam a ter na prote√ß√£o de trabalhadores. Talvez voc√™ nunca tenha pensado nesse assunto que n√£o sob o manto da polariza√ß√£o pol√≠tica. Tudo bem, √© normal, estamos vivendo num per√≠odo insuport√°vel em que qualquer quest√£o descamba para a pol√≠tica mais t√≥xica poss√≠vel. S√≥ que o assunto envolve voc√™ e, por isso, √© preciso entend√™-lo fora dessa polariza√ß√£o, talvez at√©, como mostra essa nova onda, pensando em novas formas de mobiliza√ß√£o que n√£o as cooptadas. Um bom ponto de partida √© o texto que o jornalista German Lopez, do New York Times, escreveu na Vox sua jornada pessoal frente √† sindicaliza√ß√£o. Em tr√™s anos, ele partiu de fechar a cara para o assunto para defender que toda classe de trabalho precisa de um. ‚ÄúConforme eu me aprofundava na pesquisa e me engajava em processos de organiza√ß√£o e negocia√ß√£o, eu fui repetidamente sendo contradito, muito por que eu estava inicialmente focado nos exemplos ruins de sindicatos em vez dos bons. Quando voc√™ organiza a pesquisa e olha para o cen√°rio completo, o efeito final dos sindicatos ‚ÄĒ exemplos ruins inclu√≠dos ‚ÄĒ √© bom para o trabalho comum.‚ÄĚ

Talvez esta nova onda seja fogo de palha. Com bolsos fundos, n√£o parece dif√≠cil para a Big Tech explorar maneiras de desarticular as organiza√ß√Ķes. Mas talvez tamb√©m o grande fiel da balan√ßa n√£o seja medido apenas pelos novos sindicatos criados em empresas blindadas, as rachaduras na brilhante armadura trabalhista da Big Tech, mas na quantidade de gente comum, fora do mundo do sindicalismo, que come√ßa a pensar sobre o assunto, sobre seus pr√≥prios interesses, sobre como arranjos de d√©cadas n√£o funcionam e como seria poss√≠vel fazer novos. Isso se chama inova√ß√£o. E, neste cen√°rio, quem adotou a postura de manter tudo como sempre foi em nome do benef√≠cio pr√≥prio, √© o mesmo grupo que h√° 20 anos se orgulha de ousar fazer o novo: a Big Tech.

Foto do topo: Pamela Drew/Flickr.

  1. Eu sei, essa ainda é uma visão anos 2000 do jornalismo, quando jornais: 1) ainda tinham caderno de informática; e 2) ainda fazia sentido separar jornais de papel em cadernos. Eu sou velho, me dá licença… ↩
  2. Aliás, material complementar do episódio: ouça a entrevista que o Galo deu ao Podpah. ↩
  3. O livro está disponível na íntegra no Gutenberg Project. ↩
  4. O livro também está disponível na íntegra no Gutenberg Project. ↩
  5. Vamos ferver esse morcego antes de dar uma mordida, galera! ‚Ü©
  6. A Microsoft comprou a Activision em janeiro de 2022 por US$ 68,7 bilh√Ķes. ‚Ü©

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1 coment√°rio

  1. Mais um excelente Tecnocracia Felliti. Enviei seu texto ao meu pai, que durante 15 ou 20 anos foi o respons√°vel pelo departamento de pessoal, e por tabela, o relacionamento com o sindicado em uma grande estatal. Inclusive, as rela√ß√Ķes sindicais foram o tema do mestrado dele na d√©cada de 90. Ele gostou muito de seu artigo e o considera uma leitura essencial, em especial para os atuais dirigentes sindicais.