por Shūmiàn 书面

Uma das maiores empresas de telefonia celular tailandesas, a AIS, assinou um acordo de cooperação com a chinesa ZTE para criar um hub de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia 5G em Bangcoc, capital da Tailândia. As duas pretendem lançar tablets e smartphones conjuntamente, além de oferecer soluções para negócios e construir infraestrutura digital para a tecnologia 5G no país do sudeste asiático.

Pouco antes do anúncio do acordo, o The Japan Times publicou uma matéria sobre como as tecnologias disponibilizadas pela China na Rota da Seda Digital, sobretudo as de monitoramento com inteligência artificial, são temidas por ativistas e sindicalistas em países asiáticos: sob o argumento de aumentar a segurança pública, esse aparato seria usado para controle social, como é feito em locais politicamente sensíveis como Xinjiang e Tibete.

O Camboja, por exemplo, instalou aproximadamente 1.000 câmeras de vigilância fornecidas pela China na capital Phnom Penh, constrangendo a realização de manifestações na cidade e levantando debates sobre privacidade e transparência sobre os dados coletados.


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WeHashed: como a fintech Hash foi dos milhões às demissões

WeHashed: como a fintech Hash foi dos milhões às demissões, por Leandro Miguel Souza no Startups:

A história da Hash, fintech que surfou a onda de empolgação que tomou o cenário startupeiro do país nos últimos anos, causou impacto. A pergunta que ficou foi como uma startup que parecia tão promissora, que anunciou ter levantado portentosas rodadas de investimento (perto de US$ 60 milhões), chegou ao ponto de deixar de atender clientes, demitir sua força de trabalho e encerrar abruptamente suas operações? Como ela gastou tanto dinheiro?

Para tentar encontrar respostas, o Startups conversou com alguns ex-funcionários e fontes do mercado. E o que encontramos foi uma espécie de “cautionary tale” – um termo em inglês que não tem uma tradução específica em português, mas que indica uma história que serve de aviso para quem estiver interessado em ler e tirar suas conclusões.

A DappRadar, consultoria especializada em aplicações de blockchain, levantou alguns números intrigantes de duas startups de metaverso, a Decentraland e a The Sandbox: os picos de audiência diária nelas foram de 675 e 4.503 usuários, respectivamente. Elas são avaliadas em US$ 1,3 bilhão cada.

A contagem da DappRadar é meio estranha, só leva em conta usuários que transacionaram nas blockchains desses ambientes — a maioria não quer/não faz negócios, só está ali para interagir e socializar.

Ao Coinbase, porém, Sam Hamilton, diretor criativo da Decentraland, disse que a média de audiência diária do metaverso da startup é de 8 mil usuários. Pouco, né?

Sim, pouco, e talvez o cenário seja o mesmo em todos esses universos supostamente “revolucionários” de realidade virtual. O Horizon Worlds, metaverso líder da Meta (aquele do gráfico feião que nem os funcionários da Meta querem usar) tinha, em fevereiro, 300 mil usuários mensais. Via Coinbase (em inglês).

Acreditamos que acrescentar armas a robôs operados à distância ou autônomos, amplamente disponíveis ao público e capazes de chegar a locais antes inacessíveis onde pessoas vivem e trabalham, traz novos riscos de danos e sérias questões éticas. O armamento desses robôs também abalará a confiança do público na tecnologia de forma a prejudicar os enormes benefícios que eles trarão à sociedade. Por esses motivos, não apoiamos o armamento de nossos robôs móveis de uso geral.

— Boston Dynamics e outras empresas do setor, em carta aberta.

As empresas estão preocupadas com pessoas que têm modificado robôs de prateleira, à venda para o grande público, a fim de transformá-los em armas. O que poderia dar errado, né? Via Axios (em inglês).

A Americanas S.A. integrou 2 milhões de resenhas de livros da plataforma Skoob, que adquiriu no final de 2021, às lojas Americanas, Submarino e Shoptime.

O objetivo da Americanas é alavancar as resenhas do Skoob para aumentar as vendas de livros nas lojas do grupo. Segundo a empresa, a expectativa é de que o movimento aumente a conversão de vendas de livros em até 40%.

Tudo muito legal, mas faltou combinar com os 9 milhões de usuários do Skoob, que da noite para o dia viraram promotores de vendas ao terem suas resenhas instrumentalizadas por uma loja para fomentar a venda de livros.

Nem a Amazon ousou ir tão longe. Em 2013, a gigante norte-americana comprou o Goodreads, rede social literária similar ao Skoob, e jamais misturou as resenhas de lá com as da sua loja virtual. Via PublishNews.

Elon Musk deu um tempo na tentativa de acabar com a guerra da Ucrânia postando enquetes no Twitter para resolver outra briga feia: a sua com o Twitter, empresa que, em abril, ele quis comprar por US$ 44 bilhões para, logo depois, desistir e se ver como parte de uma disputa judicial em que tinha tudo para perder.

De acordo com a agência de notícias Bloomberg, o bilionário sul-africano enviou uma carta ao Twitter propondo honrar a compra da empresa pelo preço original, de US$ 54,20 por ação.

As informações ainda são escassas, mas o mercado reagiu prontamente: logo após a divulgação da notícia pela Bloomberg, os papéis do Twitter na Bolsa de Nova York dispararam. Via Bloomberg (em inglês).

Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música

Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música (em inglês), por James Tapper no The Guardian:

Os fãs de ruídos dizem que estudar, dormir e meditar são realçados ao ouvir esses sons em volume baixo. A matemática da economia de música por streaming significa que criadores de ruídos podem ganhar dinheiro com isso. Alguém que adormece na faixa de 90 segundos Clean White Noise – Loopable With No Fade, do artista White Noise Baby Sleep, repetida por sete horas, fará 280 reproduções. Na última sexta-feira, ela já havia sido tocada 837 milhões vezes, gerando um valor estimado de US$ 2,5 milhões em royalties. A faixa principal na playlist Rain Sounds, do próprio Spotify, dois minutos de chuva, tem mais de 100 milhões de reproduções.

Por outro lado, Laura Mvula tem apenas 541 reproduções no Spotify da faixa-título do álbum vencedor do Ivor Novello deste ano, Pink Noise — nada sonolenta, mas sim um lírico e sonoro dance-pop dos anos 1980 que levou três anos para ser criado.

“Sempre fui muito crítico ao fato de que todas as reproduções [no streaming] são tratadas da mesma forma”, disse Tom Gray, guitarrista de Gomez e fundador da BrokenRecord, uma campanha para que artistas recebam mais receita dos streamings. “[A economia dos streamings] Parece democrática em algum nível, mas não leva em conta o valor real que o ouvinte recebe.”

A Oppo, quinta maior fabricante de celulares do mundo, estreia no mercado brasileiro na próxima segunda (26). (Quando anunciou a chegada ao país, em julho, era a quarta.) O modelo escolhido para o desembarque no país é o Reno7, com preço sugerido de R$ 3 mil.

Em entrevista ao G1, Jim Zhang, presidente-executivo da operação brasileira da Oppo, foi bastante cauteloso. Disse que quer entender bem o mercado local antes de alçar voos maiores por aqui, como iniciar a fabricação local. (O discurso padrão de todas as marcas que chegaram ao Brasil após o fiasco da primeira vinda da Xiaomi, em 2014.)

O Reno7 será vendido via Amazon e lojas físicas da operadora Vivo. A distribuição ficará por conta da Usina de Vendas. Por ora, o escritório local da Oppo se dedicará ao marketing dos produtos. Via G1.

Comentários no mercado e o sentimento dos usuários em relação aos GIFs em redes sociais demonstram que eles caíram em desuso enquanto formato de conteúdo, com usuários jovens em especial descrevendo GIFs como “para boomers” e “cringe”.

— Giphy, startup norte-americana especializada em GIFs animados.

A Giphy foi comprada pela Meta em 2020, por US$ 400 milhões, mas o negócio foi bloqueado pelo órgão antitruste do Reino Unido. A frase acima é de um documento enviado ao órgão na tentativa de liberar a aquisição. Via The Guardian (em inglês).

A Adobe anunciou a compra do Figma por US$ 20 bilhões, em dinheiro e ações. O negócio depende da aprovação de órgãos reguladores e deve ser finalizado em 2023.

A compra é vista como um movimento para neutralizar um concorrente promissor — A Adobe já tem um aplicativo similar, o Adobe XD — e com grande potencial de receita. O valor pago pela Adobe é 100% maior que o do último “valuation” do Figma, de US$ 10 bilhões, anunciado em junho de 2021, quando a startup havia levantado US$ 200 milhões junto a investidores. Via Adobe, TechCrunch (ambos em inglês).

por Shūmiàn 书面

Em mais um capítulo da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, Washington mandou a AMD parar de vender seu chip de inteligência artificial mais avançado para a China, medida que se estendeu também à Nvidia.

Pequim considerou o banimento um ato de “hegemonismo tecnológico”, mas representantes do setor na China consideram que, apesar das dificuldades iniciais, a decisão dos EUA deve impulsionar a indústria chinesa de chips. Mas, em contraste, as restrições ao compartilhamento de tecnologia com a Huawei foram aliviadas para conter o avanço chinês na padronização tecnológica global, segundo apurou a Bloomberg.

De todo modo, os EUA estudam ainda limitar os investimentos feitos por empresas do país em companhias de tecnologia da China: o governo Biden estaria negociando com o Congresso a formulação de uma lei que exija a divulgação antecipada de investimentos em determinados setores industriais chineses e que dê ao governo o poder de vetá-los.

Ainda no campo da tecnologia, autoridades chinesas acusaram os EUA, especificamente a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), de tentarem hackear a Universidade Politécnica do Noroeste em Xi’an. A instituição participa ativamente em pesquisas envolvendo os programas aeronáutico e espacial chinês. Será que o jogo virou?

Falando de relações China-EUA, a pesquisadora Yuen Yuen Ang publicou um excelente texto na revista Noema sobre o que está em jogo na competição das grandes potências. Segundo a autora, longe de um “confronto civilizacional” ou de uma “nova guerra fria”, Pequim e Washington estão em uma corrida para domar os excessos do capitalismo, cada um a seu modo. Vale um cafezinho.


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O marketing terrorista e o novo consumidor aspiracional da Apple

Depois do terrorismo clínico, mais uma vez reforçado na apresentação de novos produtos nesta quarta (7), com outra leva de relatos de usuários do Apple Watch salvos por seus relógios de ataques cardíacos e de ursos, o marketing da Apple ampliou os tipos de terrorismo a que sujeita o consumidor na ânsia de vender mais telefones e relógios.

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O Bitwarden, aclamado gerenciador de senhas, anunciou o recebimento de uma rodada de investimentos de US$ 100 milhões (~R$ 520 milhões) nesta terça (6).

A empresa foi bastante cautelosa no comunicado, reforçando em vários momentos que nada deverá mudar para os usuários finais. “Este investimento representa uma forte afirmação do modelo de negócio existente do Bitwarden e um compromisso em dar continuidade aos nossos valores principais”, diz o texto assinado por Michael Crandell, CEO do Bitwarden.

O Bitwarden é bem quisto pela comunidade por ter o código aberto e oferecer uma versão gratuita bastante generosa, a ponto de tornar dispensável a paga — e mesmo essa custa pouco, US$ 10 por ano. É, de fato, uma ótima solução para gerenciamento de senhas.

O dinheiro será “investido sabiamente” em áreas adjacentes, como gerenciamento de autenticação e tecnologias sem senha, com foco em clientes corporativos. A empresa também pretende gastar na expansão internacional, incluindo a América Latina.

Não é à toa o cuidado na comunicação. Muita gente correu para o Bitwarden depois que o 1Password levantou US$ 620 milhões e iniciou uma série de alterações hostis aos usuários finais, como acabar com a versão “self-hosted”, mudar o modelo de negócio de venda única para assinatura, e converter o aplicativo nativo do macOS para um baseado em Electron. Via Bitwarden (em inglês).

O mercado de tecnologia chinês, com Júlia Rosa e Mariana Marcondes

Neste Guia Prático, Jacqueline Lafloufa e Rodrigo Ghedin recebem Júlia Rosa e Mariana Marcondes, da newsletter Shūmiàn (inscreva-se, é gratuita!), para uma conversa a respeito do mercado de tecnologia da China — as diferenças, as coisas boas e as não tão boas, o domínio do TikTok e outros assuntos entraram na pauta. Ouça no seu aplicativo de podcasts favorito.

Aviso: Na próxima sexta (9/9), não teremos Guia Prático. O podcast volta na semana seguinte, no dia 16/9.

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por Shūmiàn 书面

A Xiaomi anunciou na sexta-feira (19) que, nos três meses anteriores, demitiu 900 pessoas, ou quase 3% de sua força de trabalho, como reportou o South China Morning Post.

O período foi marcado por uma queda de 83,5% no lucro líquido da empresa, que ficou em ¥ 1,4 bilhão (cerca de R$ 1 bilhão) — no mesmo período no ano anterior, o lucro tinha sido de ¥ 8,3 bilhões (cerca de R$ 6 bilhões).

Em declaração a analistas, o presidente da companhia explicou que os resultados negativos podem ser atribuídos aos impactos da covid-19 no mercado chinês e à inflação global, além de um ambiente político “complexo” — a empresa vem tendo problemas na Índia, seu maior mercado fora da China.

Como comentamos na semana passada, no mesmo trimestre a Alibaba realizou 10 mil demissões. Reforçando o pessimismo, no começo da semana passada o fundador da Huawei circulou um memorandointerno para funcionários pedindo foco na lucratividade da empresa para aguentar a recessão global dos próximos três anos.


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