O jornal inglês The Guardian mudou os critérios na atribuição de pontos de sustentabilidade na análise de produtos de tecnologia, como celulares e fones de ouvido. Em vez de dar pontos extras àqueles exemplares (que usam materiais reciclados, são fáceis de serem consertados etc.), passará a tirar pontos dos que dão mau exemplo ou que não fornecem informações do tipo. É uma mudança importante e bem-vinda, que, se adotada por toda a indústria, pode forçar as empresas a serem mais transparentes e a reforçarem medidas pró-meio ambiente em seus planejamentos e linhas de produção. The Guardian (em inglês) via @manifesteiro/Twitter.

Burlesco derruba os paywalls dos maiores jornais do Brasil

Homem de boné, barba e óculos, de lado, olha jornais pendurados na parede de uma banca.

Paywall é um desses termos em inglês que acabaram incorporados ao debate público brasileiro do jeito que veio de fora, sem tradução, nesse caso talvez pela falta de uma já que se trata de neologismo. Ele designa restrições artificiais ao acesso gratuito a conteúdo publicado por jornais na internet. Ao se deparar com a barreira, em tese o leitor se sentiria impelido a botar a mão no bolso e pagar pela assinatura pedida para continuar. “Pay” significa pagamento e “wall”, parede. Na prática, é como se fosse um pedágio da informação.

O termo foi criado no início dos anos 2010. Até hoje, o assunto é controverso e, fora uma ou outra iniciativa, a maior e mais usada em discussões sendo o do jornal norte-americano New York Times, os resultados da sua aplicação são mistos. Inúmeros fatores contestam a lógica simplista do paywall, sendo um deles a facilidade em burlá-lo.

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Um voto de confiança ao Facebook

Mapa global de conexões a partir do Facebook.

Existe uma teoria que diz que o Facebook só se transformou em uma força na distribuição de conteúdo para conter o crescimento do Twitter. No início da década, a rede social de Mark Zuckerberg entrou em choque direto com o microblog dos (então) 140 caracteres, que era (e ainda é) bastante popular entre jornalistas e gente que costuma ser notícia.

O Facebook ganhou. Os jornalistas e as pessoas que são notícia continuam usando o Twitter (e somente eles, ou é a impressão que se tem), mas a repercussão, a viralização das notícias e o tráfego que toda publicação busca estão no Facebook1.

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Smartphones e o futuro do jornalismo de tecnologia em alto-mar

Horizonte em alto-mar.

Em alto-mar, a bordo do MSC Preziosa, a Asus reuniu imprensa e influenciadores digitais por um fim de semana para anunciar e promover seus produtos do primeiro semestre para o mercado brasileiro. Foram três smartphones, um em cada dia do cruzeiro. E foi um evento bastante… peculiar. Mais do que os promissores celulares, o que realmente chamou a atenção foram as circunstâncias. O que é o Asus Onboard? O que fomos fazer lá, afinal?

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Discutindo o noticiário, “o mais influente meio de educar populações”

Homem lê jornal sentado em trem do metrô de Nova York.

Existe um tipo de formação continuada que nos arrebata na juventude e, raríssimas exceções, atendemos até a morte. É o noticiário. Alain de Botton, em seu livro Notícias: Manual do Usuário, diz que ele é “de longe o mais influente meio de educar as populações”. Há indagações e sugestões interessantes ali, todas pautadas por uma questão maior: a finalidade das notícias. (mais…)

Sobre um site que (não) deu certo

Logo do Gemind.

Há cinco anos, lancei um site sobre tecnologia. Estava cheio de expectativas, com gente muito boa ao meu lado e aquela empolgação em querer fazer diferente, de querer somar. O site não deu certo, seis meses mais tarde ele acabou. Mas nem tudo foi fracasso. As lições e os encaminhamentos que partiram dele foram muito valiosos e reverberam até hoje. Inclusive aqui, no Manual do Usuário. (mais…)

Emergent acompanha e verifica rumores na Internet

Três seios? Mentira.

Semana passada a história de uma mulher que implantou o terceiro seio, com fotos e uma justificativa de fundo minimamente convincente, viralizou. Outra, de um estudante paranaense que morreu após estudar 12 horas seguidas, também foi compartilhada à exaustão. No fim, descobriu-se que ambas eram mentira.

A tentação de compartilhar algo inusitado, engraçado, revoltante ou que de qualquer forma mexe conosco faz com que compartilhemos coisas sem verificar sua autenticidade. Essa responsabilidade é maior para quem se propõe a informar (jornais, portais, blogs), mas em menor grau todos, mesmo aquele perfil com dois seguidores no Twitter é importante. É o bolo de referências que cria um viral, afinal. (mais…)

O iPhone 5c de menos de US$ 1 d’O Globo

*Suspira*

Vez ou outra alguém levanta o argumento do iPhone barato nos EUA para criticar os preços (caros, de fato) brasileiros. Ontem foi a vez d’O Globo soltar a matéria acima.

Ela não está errada. O Walmart realmente baixou o preço do iPhone 5c, de US$ 29 para US$ 0,97. É quase uma tradição por lá essa queima em agosto, já que tradicionalmente a Apple lança um novo iPhone no mês seguinte.

Se você está ligado, notou que o preço anterior era de US$ 29, o que ainda assim é muito barato. Smartphone em geral, nos EUA, passa essa impressão — lançamentos custam US$ 199, no máximo US$ 299. A pegadinha para quem leu e se impressionou e compartilhou o post d’O Globo ou outros que citam o mítico “iPhone barato” norte-americano são as letras (não tão) miúdas: esses preços são atrelados a um plano de operadora de dois anos. Você leva um iPhone quase de graça, mas se compromete a pagar 24 mensalidades a uma AT&T da vida. E isso não sai barato.

O iPhone 5c desbloqueado, como o que é vendido por aqui, custa US$ 549 na loja oficial da Apple dos EUA. Convertendo para a nossa moeda e somando o imposto de… digamos… Nova York (8,875%), o preço final fica em R$ 1.357. Repito: é mais barato do que aqui, mas está longe de ser de graça.

A título comparativo, o mesmo modelo de iPhone custa R$ 1.999 na loja oficial da Apple brasileira e, no momento, está em promoção na Saraiva, saindo por R$ 1.444 — salvo engano, o valor mais baixo que ele já atingiu aqui.

US$ 0,97? Experimente US$ 549.

A respeito da promoção do Walmart, O Globo faz apenas uma tímida menção ao GRANDE asterisco da questão do contrato:

A oferta começou nesta quinta-feira em todas as lojas da rede nos EUA e vale para todas as opções de cores, mas precisam de contrato de dois anos com alguma operadora local.

Na Quartz, uma publicação norte-americana, o título do post diz: “Não compre o iPhone de US$ 0,97” e traz, no final, uma explicação que lá todo mundo meio que sabe e que eu esperaria de qualquer site brasileiro ao se referir ao “iPhone de um dólar”:

De qualquer forma, é importante lembrar que US$ 0,97 — ou mesmo US$ 29 — não é o custo real do iPhone. Ambos os preços exigem a assinatura de um contrato com operadora móvel de dois anos, que normalmente varia de US$ 60 a US$ 100 por mês — facilmente mais de US$ 1.000 ao longo do contrato, quase sempre acima dos US$ 2.000. Nesse contexto, economizar US$ 28,03 não é um negócio tão bom assim.

Buffer lança Daily, um “Tinder para notícias” 

E é tão ruim quanto a descrição soa. Além de reduzir o nosso trabalho a uma curtida ou um descarte e fazer de tudo para tornar essa ação a mais trivial possível, ele nem mostra o conteúdo dos artigos por padrão; só aparecem título e uma imagem.

Essa descrição, aliás, é uma tendência no Vale do Silício. Apps que são “Tinder de [insira algum filão]” têm se proliferado: de cabeça, me recordo do Tinder para vagas de emprego e do Tinder para idosos. Pesquisando, a primeira página de resultados do Google traz coisas ainda mais bizarras, como Tinder para cachorros (!) e o Tinder para comprar roupas.

No Daily (o Tinder de notícias, não se perca!), as curtidas se convertem em compartilhamentos. O app é do Buffer, um sistema que facilita a publicação de conteúdo em redes sociais e dá estatísticas e dicas para otimizar seu alcance. O foco que muitos sites têm dado a manchetes e imagens de abertura apelativas ganha mais uma justificativa com o Daily — como se faltasse incentivos a esse comportamento.