Sobre um site que (não) deu certo

Logo do Gemind.

Há cinco anos, lancei um site sobre tecnologia. Estava cheio de expectativas, com gente muito boa ao meu lado e aquela empolgação em querer fazer diferente, de querer somar. O site não deu certo, seis meses mais tarde ele acabou. Mas nem tudo foi fracasso. As lições e os encaminhamentos que partiram dele foram muito valiosos e reverberam até hoje. Inclusive aqui, no Manual do Usuário.

O site em questão se chamava Gemind. Escolhemos esse nome porque, segundo o Google Tradutor da época, “comunidade” em alemão é algo parecido com isso. O nome foi o resultado de um brainstorm coletivo que, diferente do que qualquer um imaginaria (e não te culpo por isso), não aconteceu sob a influência de substâncias psicotrópicas. Só muito depois me toquei da similaridade do nome com o meu próprio sobrenome, graças a apontamentos de alguns leitores. Nisso, eu, que já no começo da operação não estava lá muito satisfeito com “Gemind”, passei a detestá-lo.

Antes dessa aventura, escrevia para o Meio Bit e para o WinAjuda (descontinuado). Eram sites onde tinha certa autonomia, mas não total. Podia sugerir mudanças, até implementar algumas (tinha bastante liberdade nesse sentido no Meio Bit), mas há coisas que estão além do seu poder se você não é o dono, se você não tem a palavra final, e outras que nem nessa condição são possíveis — mexer na cultura de um ambiente já construído é extremamente difícil. Calma que piora. Naquela altura eu era perfeccionista num nível que chegava a ser contraproducente, ou seja, inviável na prática. Nada parecia impossível e com essa perspectiva arrogante me pareceu óbvio que ter o meu próprio site era o único caminho a ser considerado, a única forma de fazer bem o que eu queria fazer.

Layout da versão beta do Gemind, agosto de 2011.
Prévia da versão beta do Gemind.

Juntei uma boa equipe, torrei um valor considerável em desenvolvimento e design e no dia 23 de agosto de 2011 o Gemind foi ao ar. Em beta. Um de verdade, com layout temporário, mas já com algumas funcionalidades ativadas. Além de ser um blog de tecnologia, com quase uma dezena de posts diários, ele ansiava ser, também, uma comunidade. Haveria um fórum de discussão, cadastro de leitores, e esses ganhariam pontos e poderiam comprar itens virtuais em uma lojinha. Daí aquele nome ruim na falta de um melhor.

O dia a dia no Gemind

O site contou com uma equipe desde o começo. Uma equipe grande, uma grande equipe, todos remunerados. O primeiro que chamei foi Paulo Higa. Não sei se ele vasculhou o histórico do GTalk ou se lembrava disso, mas quando lhe pedi uma palavra sobre o Gemind, alguns dias atrás, ele começou assim:

“‘Blog de tecnologia por blog de tecnologia, tem um punhado por aí. Lançar mais um não seria muito interessante’, disse um cara pelo Google Talk em julho de 2011, me convidando para entrar num projeto novo. É por isso que nossa ideia era criar não outro blog, mas uma comunidade: além da parte editorial, pensamos até em recursos de gamificação para fidelizar o leitor.”

Conhecia o Paulo, que na época era editor do Guia do PC, do fórum de discussão do WinAjuda, um site focado em Microsoft que criei na adolescência e havia acabado de vender a uma editora. Ele topou. Chamei o Marcellus Pereira e o Ricardo Bicalho, ex-sócios do Meio Bit, para participarem também. Eles gostaram da ideia e se juntaram a nós, inclusive ajudando bastante a moldá-la. Tínhamos, por fim, um corpo de colunistas: Lucia Freitas, Carlos Aquino, Joel Nascimento Jr., Felipe Zorzo, provavelmente alguns mais de quem estou injustamente esquecendo.

Prévia do layout do Gemind.
Prévia da primeira versão oficial/finalizada do Gemind.

Havia alguns vícios que hoje me são estranhos na nossa linha editorial e na redação das matérias, coisas como usar emojis no meio do texto e algumas piadas manjadas e ruins, mas no geral o conteúdo resistiu bem à passagem do tempo. Publicávamos notícias ao longo do dia, eventualmente algum review (o acesso a produtos era mais difícil) ou dica (o maior pico de acessos foi por uma dessas), sempre dando atenção aos leitores nos espaços para comentários. As colunas abrilhantavam o site. Hoje, as vejo com curiosidade: já naquela época, a ideia de produzir menos em intervalos maiores era presente, ainda que vagamente, na figura dos colunistas, que publicavam a cada quinze dias ou mensalmente. Fizemos algum barulho, demos furos internacionais, coisa do Felipe. Viramos tag no The Verge.

O que mais nos motivou a tentar com o Gemind foi, nas palavras do Marcellus, com quem conversei dia desses pela ocasião do que seria o quinto aniversário do site, “uma tentativa audaciosa de elevar as discussões e análises dos blogs a outro nível”. Havia outros blogs, todos com espaços para comentários, mas não existia um que promovesse tão bem a discussão para além das briguinhas de fanboys — e isso era só o começo; a coisa descia para outros comportamentos que, ainda hoje, infelizmente, são recorrentes em verticais de tecnologia. Pelo menos, assim achávamos.

“Conquistamos uma pequena (e forte) comunidade”, disse o Paulo. No auge, o Gemind chegou a ter quase quatro mil visitas por dia. Mesmo já naquela época nada muito significativo, em termos numéricos, se comparado a outros sites. Porém, o mais bacana, algo que sempre carreguei comigo nos lugares onde escrevi depois daquela fase, era a proximidade com os leitores mais assíduos e o diálogo pé no chão com eles. Apesar das falhas, das promessas que ficaram pelo caminho e do fim precoce, o Gemind de certa forma atingiu o seu objetivo: nós formamos uma comunidade.

O fim

Quando o Gemind pulou o tubarão? Não lembro exatamente, apenas das circunstâncias. Um dos motivos, que se tornava cada vez mais provável na medida em que os primeiros meses passaram e o lado comercial do site não saiu do lugar, foi dinheiro. Ou a falta dele. Do que tinha separado para investir no site, um valor de cinco dígitos, “perdi” praticamente tudo, já que o retorno naqueles seis meses foi ridículo.

Mas não foi só isso. Aliás, diria que nem foi a principal razão para o fim do site. Estava ciente de que seis meses era pouco tempo para atrair anunciantes e a tal lojinha nem tinha saído do papel ainda; sangrar dinheiro era parte do plano. Foi outra coisa, outro combustível, mais importante do que fechar no azul naquele momento, que esgotou: a motivação.

Prévia do último layout usado no Gemind, no começo de 2012.
Último layout usado, no começo de 2012.

Em seis meses, o site mudou de cara e teve alguns ajustes impensados na linha editorial em decorrência desse esgotamento. Vimos que cobrir o noticiário de tecnologia numa equipe tão reduzida, basicamente em dois e nos desdobrando para cuidar das tarefas de bastidores, era uma tarefa insana. Paulo concorda: “Talvez o que tenha dado ‘errado’ no Gemind é que tínhamos uma equipe forte, mas pequena, e tentávamos fazer o mesmo trabalho de sites grandes. Lembro até que, na barra lateral do site, havia um contador de ‘artigos nas últimas 24 horas’.” Houve algum malabarismo para mudar isso sem fugir muito da proposta inicial, mas era um problema fundamental, algo encrostado no site. Nem toda a boa vontade do mundo, somada a uma dedicação integral nada saudável, resolveria.

Depois que o Paulo foi para o Tecnoblog, ficou bem mais difícil. Poderia ter insistido mais? Havia espaço para isso, mas estava bem claro que insistir seria apenas prolongar a existência de algo fadado a morrer. E, na real, eu não queria mais; estava bem desmotivado. O fim, claro, não veio de repente. Foi um processo. Quando chegou, anunciei aos leitores o encerramento da parte escrita e a manutenção do podcast, que gravávamos desde o começo e, rendesse algo ou não, era sempre divertido de fazer, não tomava muito tempo e tinha uma pequena audiência. Meses depois, rebatizamos o programa para “Manual do Usuário” e o resto da história, acho eu, você já conhece.

O Gemind que deu certo

Na época, o Marcellus escreveu um obituário do Gemind no próprio Gemind. Ele foi profético:

E por que, afinal de contas, essa “lavagem de roupa suja”? Esse “mea culpa” tardio? Porque precisamos aprender com os erros. E aprender com os erros alheios é muito mais barato… talvez essa seja a maior lição que o Gemind possa deixar para os novos empreendedores. Esperamos que vocês tenham muito sucesso e, hey, não estamos mortos! Ainda nos encontraremos em algum site por aí!

Cá estamos nós, cinco anos depois, num “site por aí”!

O Gemind foi uma lição muito importante. Para mim, um tapa na cara para a realidade. Fui um tanto pretensioso ao achar que poderia fazer melhor e dar conta de tudo. Talvez até tenha feito um trabalho melhor, no editorial, do que o dos outros sites da época, mas isso é só uma das muitas partes do negócio. A engrenagem que há por trás deste texto que você está lendo aqui, veiculado numa publicação com fim comercial, é muito mais complexa. O Gemind foi uma maquininha que eu pude desmontar e ver como funcionava por dentro. Nisso, acabou quebrando, mas aprendi um bocado vendo as entranhas dela.

Em outro sentido ele foi também um site muito importante: no de ser um trampolim. O Paulo, como disse, foi para o Tecnoblog e essa união fez muito bem aos dois. O Tecnoblog está em sua melhor forma desde que foi criado, com ele à frente da equipe, e saber que contribui de alguma forma, como ele me disse, me deixa bastante contente e satisfeito:

É verdade que a abordagem [do Gemind] era um pouquinho diferente, contextualizando melhor as matérias (acredito que faltava profundidade nos sites da época), escrevendo para um público mais especializado (eram poucos os veículos que pensavam no pessoal que entendia mais do assunto) e opinando quando necessário (sem, no entanto, ser o polêmico da internet). Tenho tudo isso em mente no meu trabalho até hoje, fora do Gemind. (…) O Gemind foi uma escola que me ensinou muito do que sei sobre tecnologia e comunicação.

De lá, eu também fui para outro veículo, o Gizmodo Brasil. Acabou sendo meio que a faculdade de jornalismo que nunca fiz, dois anos de aprendizado intensivo. Se no Gemind aprendi quebrando a cara, no Giz tive quem me ensinasse.

Visto de um ponto mais distante, o Gemind foi o ápice de um tipo de relação que tinha com a notícia, algo que mudou nos últimos anos — por ele e por outras circunstâncias. Víamos o Gemind como um veículo de informações atomizadas, fracamente ligadas entre si por uma tag ou link. O foco era tamanho que por vezes faltavam questionamentos mais importantes, aquela conexão ao Grande Esquema das Coisas. Nem tudo precisa ser assim e, de fato, há um valor enorme no hard news, mas para alguém que larga um emprego exatamente nessa área para arriscar em algo mais engrandecedor, aquilo era pouco.

Sob inúmeros aspectos, o Manual do Usuário é a antítese do que foi o Gemind. É menor, low-profile, tocado num ritmo mais vagaroso, sem compromisso com o relógio ou para publicar o que quer que seja. Não será surpresa se ele jamais ficar maior do que é hoje, e estou bem com essa perspectiva.

Este site aqui não é um fim em si mesmo, nem tem a pretensão de ser o centro de qualquer coisa. É um lugar para eu escrever e para atrair gente que se interessa por temas que nos são caros. Ele não se presta, a princípio, a falar do último gadget lançado ou de como usar um novo app. Aqui, essas coisas são apenas desculpas para falar sobre nós mesmos, sobre como tudo nos afeta, a questionar se isso é bom ou ruim, o que determina algo ser bom ou ruim, se “bom” e “ruim” existem ou precisam existir. O Manual do Usuário tergiversa e subverte o universo que pretende cobrir, a tecnologia de consumo. Essa despretensão misturada com liberdade é valiosíssima e sou muito grato a você, leitor, que também vê valor aí e prestigia esse trabalho.

Meus profundos agradecimentos ao Paulo, ao Marcellus e a toda a equipe do Gemind pela confiança depositada no projeto e pela amizade ao longo de todos esses anos. Para ler o espólio do Gemind, clique aqui.

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55 comentários

  1. Ter motivação para escrever todos os dias é muito, muito complicado. Qualquer um que já tentou manter um site/blog por mais de 6 meses sabe do que estou falando.

    Particularmente, acredito que você “sabotou” seu próprio projeto, ainda que inconscientemente. Gemind era um ótimo nome (até hoje, só vi você mesmo reclamar dele), o podcast era bom, os textos, ótimos a seu tempo. Mas a motivação, como você citou, falhou, e lamento, porque o Gemind tinha potencial para se tornar um dos grandes da cobertura de tecnologia nacional. Faltou perseverar, pois a escrita é uma amante ingrata.

    Acredito que houve uma preocupação demasiada com o design e funcionalidades, que levaram recursos preciosos que poderiam ter sido investidos em uma assessoria comercial ou agência, deixando-o mais livre para fazer o que realmente gosta e entende, que é produzir seu conteúdo.

    1. Hahaha, sim! Sabe que, pensando aqui, agora, o Campo Minado, pelo menos a última encarnação dele, tem muito do que o Manual do Usuário tem hoje? Menos foco em hard news, uma pauta mais vagarosa e humana… nunca tinha me ocorrido isso. Obrigado pela lembrança!

  2. E o que falar do Winajuda? Acho que era esse o nome… Foi neste site que fui capturado pela sua excelente qualidade jornalística ;)

  3. Eu acho que cheguei aqui através do Gizmodo. No início achei meio estranho por ser muito minimalista e sem cores (comparado com o carnaval que se tornou o Giz). Mas assim que comecei a ler os textos, não parei mais. Fora os “quadros” despretensiosos tipo o “o que fulano tem na mochila?” que me conquistaram de vez. Parabéns e muito sucesso!

  4. Agora fui pensar: acompanho o @ghedin:disqus praticamente desde sempre e interessante como nossas opiniões caminharam junto, ou pelo menos, é a sensação que tenho.

    Comecei acompanhando no MeioBit, mas hoje não acompanho mais à medida que passei a ter mais restrições ao sarcasmo. O Gizmodo mudou bastante desde a saída do Burgos, do próprio Ghedin e de outros (Léo?), acabei desistindo também depois que sumiram as análises mais aprofundadas.

  5. A layout da primeira “fase” era bem bacana;ao contrário da do final,em 2012,q foi ficando tão ruim ao ponto de ficar horrível?.A figurinha neste comentário é uma homenagem a “os vícios” q vc/vcs tinham na época;se bem q pelo menos não tinham esse maldito vício de abreviar as plvs (palavras),q temos hj-ed (hoje em dia).
    Felicidades!Este site é bem simples,porém, tão bacana.Sucesso??!(e não tem como não por a figurinha)

  6. Foi no Gemind que eu conheci o trabalho do Ghedin e do Higa. Lembro que era os únicos 1 dos únicos 3 sites tech que eu acessava diariamente. Deu até uma saudade da época.

  7. Eu fico hoje em dia nessa de fazer uma coisa diferente, não ser mais um no meio da multidão. O MdU é o diferentão que eu curto.

  8. O Ghedin havia me chamado pra ser “ombudsman” de um projeto novo e achei fofo a forma que ele reconheceu que eu reclamo demais. Eu escrevia pro Meio Bit ocasionalmente, sem compromisso. Aceitei na hora poder colaborar com um projeto que era bem mais desafiador.

    Escrever não era meu talento, colaborei com pouco material. Mas era legal participar dos debates, que depois viraram o Podcast, que foi um presente pra minha vida.

    O Podcast é minha terapia semanal, além de me dar a honra de poder bater bola com essas feras do jornalismo tech nacional. (Só não entendo como o Ghedin ainda me deixa falar tanta bobagem. Mistério)

    O Gemind foi um Mac Cube dos blogs tech nacionais, um único de seu tipo. Acho que ele continua existindo no Manual do Usuário.

  9. O Ghedin havia me chamado pra ser “ombudsman” de um projeto novo e achei fofo a forma que ele reconheceu que eu reclamo demais. Eu escrevia pro Meio Bit ocasionalmente, sem compromisso. Aceitei na hora poder colaborar com um projeto que era bem mais desafiador.

    Escrever não era meu talento, colaborei com pouco material. Mas era legal participar dos debates, que depois viraram o Podcast, que foi um presente pra minha vida.

    O Podcast é minha terapia semanal, além de me dar a honra de poder bater bola com essas feras do jornalismo tech nacional. (Só não entendo como o Ghedin ainda me deixa falar tanta bobagem. Mistério)

    O Gemind foi um Mac Cube dos blogs tech nacionais, um único de seu tipo. Acho que ele continua existindo no Manual do Usuário.

  10. Ótima forma de começar a quarta-feira, com uma leitura emocionante e estimulante a todos que almejam fazer a diferença em seus mundos e no mundo dos outros. Não lembro ao certo como cheguei aqui mas tenho certeza que daqui não mais sairei, dada a qualidade editorial, a qual prezo por demais!

    Estimulante, motivador e que nos faz refletir sobre nossas relações, tanto com a tecnologia em si, quanto com os que nos cercam. É assim que vejo o MdU. Sucesso sempre! :)

    Uma última observação: falta o botão de compartilhar para o Telegram!

  11. Leitura pra levar com a vida do lado esquerdo do peito.

    Não devemos ser largados a ponto de ver a vida passar e nada fazer.
    Não devemos ser perfeccionistas a ponto de oprimir tudo e todos que nos cerca.
    Devemos ser apenas seres humanos e seres humanos podem ser um meio termo entre querer fazer tudo perfeito ou deixar tudo largado.

    Ser “perfeito” é saber até onde ir na estrada da perfeição e até onde o passo não alcança o abismo da procrastinação.

    Muito obrigado pela boa leitura que tive logo pela manhã.

    Eu fui leitor do Gemind, mas infelizmente por pouco tempo, pois acabou logo em seguida.
    Confesso que amei o Gemind. Era a minha cara.

  12. Sempre acompanhei o Rodrigo em todos os veículos que ele escreveu. Até no Papo de Homem, de vez em quando ele aparece por lá, é uma grata surpresa as vezes que de repente aparece artigo escrito por ele.

    Eu gostava demais do Gemind (inclusive do nome). E eu já disse antes em algum desses questionários que o Ghedin aplica de vez em quando, que odeio o nome “Manual do Usuário”. Isso porque durante muito tempo, utilizei e pesquisei muitos manuais de equipamentos no google, e eu ficava emp&tecido de aparecer esse site, pois me parecia meio que uma arapuca para pegar incautos e ganhar uns cliques extras, numa manobra que o próprio Ghedin é contra, haja visto um de seus dogmas ser justamente a filosofia do minimalismo, e essa tática ser meio depreciativa, em meu modo de ver. Sim, ele já me respondeu sobre isso, e assim, continuo gostando demais do site, e ainda odiando o nome…

    :)

  13. O Gemind foi, depois do Papotech com Bia Kunze, Vinícius e João, o podcast que me fez entrar no mundo da Podosfera. Agradeço demais.
    Infelizmente peguei só restinho do Gemind, mas foi o bastante para já conhecer o Higa, Joel e você Ghedin.
    Sem dúvidas foi um aprendizado e tanto.
    Ah, e esse modelo de blog de experiências profissionais/pessoais é legal. Gostei.

  14. Da minha lista mental de sites de tecnologia, de um número enorme de sites que lia antes, só me restou Manual do Usuário, ZTOP e raramente Tecnoblog.

    Noto que sobre tecnologia, ficou muito “site-nicho”, e poucos fizeram comunidades poderosas como o MdU e Tecnoblog, ambos que de alguma forma se intercomunicam. Ia citar o Gizmodo e MeioBit, mas infelizmente a devassa dos trolls nos comentários não me permite colocar no gabarito.

    Comecei a ver sites de tecnologia como InfoExame, raramente WinAjuda (só sabendo bem anos depois que o responsável original era o Ghedin), o Guia do Hardware e o Clube do Hardware. Baboo sempre achei estranho, então pulava-o (me parecia que sempre copiava os outros). FórumPCs foi legal por um tempo, mas depois parece que o “tecnoego” aflorou em muitos por lá. :

    Sei que existem vários e vários sites e blogs sobre tecnologia, mas em relação a credibilidade + comunidade estável, são bem poucos.

  15. Acessar o Manual durante a semana e ouvir o Guia Prático às segundas são bons hábitos que desenvolvi nos últimos meses. Obrigado, pessoal.

  16. Muito bom, Ghedin! Acompanho seu trabalho desde bem antes do Gemind (acho que era o ghedin.org, algo assim), na época que também tinha blogs (sim, ainda fazíamos parte da “Blogosfera”), e fico muito feliz de você ter encontrado o seu caminho.

    Muito sucesso pra você e para o Manual do Usuário.

    Grande abraço!

  17. Na posição de “um dos Beatles”, eu só tenho EXCELENTES lembranças do Gemind. Se no meu próprio blog eu dou 100% do meu potencial (às vezes, 90%, 80%, tem dia que não vai mais do que isso…), no Gemind eu me sentia compelido a bater a meta, dar 120% de mim ou mais. O meu artigo sobre o SOPA (alguém ainda lembra da polêmica?) foi emblemático nesse sentido: eu sabia por alto sobre o tema, mas corri atrás para me informar e escrever o melhor texto que pudesse a respeito e acho que o resultado ficou muito bom. Foi sempre muito estimulante e ousaria dizer que nunca mais fui desafiado dessa forma. Sinto falta daquela adrenalina e daquele sonho louco de fazer diferente.

    Só posso dizer uma coisa sobre o Gemind: obrigado, Ghedin!

        1. O da Mulher Maçã foi interessante pois “humanizou para geeks” o que ela é.

          Uma parte bacana do Ghedin é que ele consegue deixar os assuntos mais “humanizados” sem ser clichê ou enivesadão. Se o Sakamoto tivesse este toque de escrita que o Ghedin tem, talvez teríamos uma humanidade melhor :)

    1. A parte ruim de só ter lido esse artigo em 2016 é que eu fiquei com vontade de ter um BAK 794

  18. Esse parágrafo final é o exato motivo pelo qual enxergo diferencial no MdU e me faz entrar aqui todo dia. Autoconsciência e qualidade andando de mãos dadas.

  19. E eu cheguei aqui no MdU por acaso, vendo os comentários de um dos posts do Gizfeno, digo, gramodo, não, Gizmodo, do pessoal falando desse site, que era bom, que o “Ghedin” que escrevia, que ele era bom… Era verdade! Ele é bom mesmo!

  20. Caramba, que ótima lembrança do Gemind! Eu acompanhei o projeto como leitor desde o começo até o fim – e confesso que achei a sacada do nome ótima, “inglesando” uma palavra alemã com um significado que refletia (ou pretendia refletir) a proposta do site. Nunca pensei que você odiava o nome, Ghedin! Hahaha

    Foi através do Gemind que conheci o trabalho do Paulo Higa e passei a acompanhá-lo, primeiro lá e depois no Tecnoblog.

    Como leitor, dá pra sentir quando o site não está muito bem, quando começaram as mudanças “frequentes” de layout e abandono de algumas promessas do site, já dava pra imaginar que em algum momento o fim seria anunciado.

    Mas há bastante tempo eu vejo o Gemind como um passo necessário para que o Manual do Usuário fosse sólido como é. Interessante que o exposto no texto confirma isso, de certa forma.

    Ótimo texto! Uma bela reflexão sobre o que foi o Gemind, e que cumpre o papel de não deixar esse site esquecido.

  21. Eu me lembro vagamente dos seus posts no 1/2 bit (na época que eu ainda lia eles) e no Gizmodo. O que me pegou mesmo foi o podcast do Gemind (acho que um sobre Amazon) que era um dos últimos inclusive.

    Pouco depois – ou muito depois, a memória pode me trair aqui – o MdU surgiu e eu passei a acompanhar os posts mais de perto.

    Depois de muitos anos é que eu soube que o WinAjuda era seu – era uma referência minha na época inicial de internet e Windows.

  22. Ah Ghedin, eu não quis acrescentar no outro comentário, mas eu fiz um post que vale uma olhada sua. Vou colocar o link, mas não se sinta obrigado a aprovar se não quiser.

    Título e descrição: ALERTA: Você pode estar viciado e não sabe: A verdade inconveniente sobre a influência perniciosa das redes sociais!

    Revelações chocantes sobre a dependência viciante nas redes sociais e seus nefastos efeitos nos jovens

    link: http://wallysou.com/2016/08/23/alerta-dependente-viciado-nao-sabe/

    acho q vale sua reflexão sobre o assunto, cabe bem dentro de sua linha editorial. e ficaria feliz em receber um feedback do post, ainda que breve.

    abs,

  23. Tem 3 sites que acompanho bem, aqui, tecnoblog e meio bit. O Ghedin nem sei quando comecei a acompanhar de perto, quando fiz algumas perguntas via email e ele me respondeu de boa, ali ganhou minha atenção e virei assinante. Essa leitura é prazerosa, motiva a refletir mais sobre as coisas. O podcast ouço enquanto malho e racho de rir as vezes. Só sei que estou feliz em poder ler e as vezes participar de algo nos comentários.

  24. o Ghedin é um talento raro no mercado hoje. Eu o conheci ainda nos seus primórdios quando estreou no 1/2b e já ali pude perceber o potencial e tentei contribuir, embora de forma muito limitada, com sua evolução que se deu a olhos vistos e linhas cada vez melhor acabadas.

    Migrei para o Gemind, curti o projeto e fiquei triste quando ele acabou. Até me lembro de ver alguém comentando que “o site tinha acabado porque tinha dado certo”, em tom de espanto. Quem ler o post de encerramento deve ver isso lá.

    E coloquei um post do meu blog, intitulado “9 razões para persistir quando as coisas insistem em dar errado”, no sincero desejo que o Ghedin não calasse sua voz nem aposentasse seu teclado.

    Comecei a ler o Gizmodo depois que ele foi pra lá, e lá ele cresceu e se tornou maduro, reflexivo e com opiniões fortes e certeiras.

    Ainda esses dias estava lembrando um de seus melhores posts: Nexus 4 – O Barcelona dos smartphones, mas só no 1º tempo. Um casamento quase perfeito entre título bem sacado e conteúdo bem escrito.

    Ele era, de longe, um dos melhores colunistas e escribas do finado Giz, que deixei de ver, não sei como está hoje, mas sua qualidade decaiu muito depois da saída do Ghedin, ficou comercial demais.. sei lá, talvez esteja até sendo meio injusto.

    Mas, o fato é que saí do Giz – embora não de imediato – e vim pro Gemind, digo pro MdU (essa sigla dá medo, sério, quase no nível de lembrar do Baidú, mas divago).

    Fato é que tempos atrás fiz uma limpa em meu feed para viver mais a vida real do que a virtual e, desde o início, eu queria ficar só com um site de news & techno (foi quando o Giz rodou), e fiquei com outro e o MdU/Baidú (eu perco o amigo, a piada não), justamente pq o site do Ghedin não era nem uma coisa nem outra, mas superior a ambas.

    Enfim, este é um simples comentário que acabou ocupando, talvez, mais espaço do que deveria, mas que homenageou o Ghedin menos do que ele merecia. Até em minha própria história de blogueiro eu reputo a ele um pouco de crédito, porque foi lendo seus artigos que eu pude melhorar nos meus copiando um pouco de seu estilo, até achar o meu.

    Dos que escrevem hoje sobre techo de forma opinativa, considero os 2 melhores, embora diferentes entre si, o Cardoso e o Ghedin, alternando-se numa disputa cabeça a cabeça quando algum deles troca os pés pelas mãos, e vice-versa.

    O Ghedin não é perfeito, mas nunca esperei isso dele. É apenas um cara honesto intelectualmente e bem competente no que se propõe a fazer. É uma joia rara que temos o prazer de acompanhar e, de minha parte, que tive o prazer de vê-lo despontar ainda sem muito polimento e hoje brilhar de forma quase fulgurante.

    Vou parar por aqui, não que ele não mereça ainda mais adjetivos, mas já não estou sendo capaz de traduzir adequadamente em palavras e não quero parecer pedante ou puxa-saco.

    Parabéns, Ghedin.

    Continuamos por aqui, sobrevivendo aos percalços e entreveros, mas sempre tentando manter o tom amigável e a discussão em alto nível, apesar das discordâncias e divergências.

    Aquele abço de admiração lá do seu primeiro post no 1/2b onde eu chamei a atenção dos leitores que ali estava despontando um grande talento. Fico feliz de ter acertado mas, sinceramente? Não foi mérito meu: qualquer um com boa vontade via isso.

    Wallace.

    1. Sabias palavras e bem colocadas. Ghedin é um cara de talento e que gosto muito de ler os textos!

    2. Muito bom texto! Lembro dos primórdios do Ghedin também e acompanhei sua grande evolução!

  25. “Essa despretensão misturada com liberdade é valiosíssima e sou muito grato a você, leitor, que também vê valor aí e prestigia esse trabalho.”

    E é justamente essa despretensão que torna o MdU tão bom.
    Nós é que agradecemos, Ghedin.

  26. Deveras interessante essa reflexão sobre o Gemind. Não cheguei a acessar o site na época; só me lembro da fase do Ghedin no Gizmodo (aliás, muita gente o admirava por lá). Todo esse relato serve de experiência para quem quer se aventurar no campo áspero. Mesmo que tenha (ou não) sido uma experiência amarga, surtiu frutos muito bons. Manual tá aqui firme e forte, tem uma comunidade (pequena, por vezes) de leitores fieis, sempre um bom debate nos comentários, uma extensão na forma de fórum… É bastante diferente do que costumamos ver por essa área.

  27. Que leitura! A discussão dos “porquês” é o porquê da minha admiração pelo MdU.

  28. Adorei a leitura, curti muito, e fiquei pensando aqui agora, você poderia fazer um post sobre a crianção do MdU em si, sobre o dia a dia.

    Desejo muito sucesso para todo mundo daqui, e ao Paulo, que acompanho no Tecnoblog, que na minha humilde opinião, esses dois sites são os melhores sobre tecnologia.

  29. É interessante ler esse texto e comparar com o constante questionamento que vc, Ghedin, faz sobre o objetivo do MdU, sobre “aquilo que ainda falta” no site. Se o Gemind tinha grana investida, metas, tudo projetado – e durou apenas alguns meses – o Manual sobrevive (e bem, acredito eu) com a proposta mais afastada do hard news e mais próxima da reflexão.

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