Mark Zuckerberg deve estar feliz com a atuação desastrosa de Elon Musk à frente do Twitter. Musk roubou todas as atenções e baixou a barra do que pode ser considerado um bom trabalho em redes sociais.

Apesar disso, e mesmo que tardia, é bem-vinda a nova ferramenta que o Instagram liberou nesta quinta (15), o instagram.com/hacked, para ajudar quem teve sua conta invadida ou perdeu o acesso a ela. Se funciona, não sei dizer, mas o fato dela existir é um ótimo sinal. Via Instagram (em inglês).

Golpes online e inteligências artificiais: Assuntos quentes de 2022

Curte o Guia Prático? Então tire um minutinho do seu dia para responder a nossa pesquisa: https://tally.so/r/n0VMN0

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No penúltimo Guia Prático de 2022, Jacqueline Lafloufa e Rodrigo Ghedin revisitam dois dos tópicos mais quentes do ano: a epidemia de golpes online e as inteligências artificiais que produzem conteúdo a partir do nada. Ainda falaremos muito desses assuntos em 2023.

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Em São Paulo, 9 em cada 10 sequestros em 2022 foram originados em aplicativos de relacionamentos — o sugestivo “golpe do Tinder”. Os criminosos escolhem vítimas que ostentam na apresentação e os atraem para lugares isolados. A matéria da BBC News, que trouxe os números da Secretaria de Segurança Pública de SP, tem algumas dicas para mitigar os riscos. Via BBC News.

A InfoMoney foi atrás de investidores que perderam tudo com a quebra da FTX, ex-segunda maior corretora de criptoativos do mundo.

Um engenheiro civil de Passo Fundo (RS) fez dois empréstimos bancários que somou às suas economias para investir no negócio. Perdeu R$ 700 mil. Longe de mim culpar a vítima, mas é difícil pensar em ideia pior que fazer um empréstimo junto ao banco (quiçá dois!) para investir num negócio extremamente volátil.

As chances de recuperar o prejuízo são baixas, como explica o advogado consultado na matéria. Primeiro porque há peixes mais graúdos na fila — a FTX deve US$ 3,1 bilhões aos 50 maiores credores.

Segundo porque a FTX era uma bagunça. John J. Ray III, CEO que assumiu o lugar do fundador Sam Bankman-Fried, classificou a situação da empresa como “sem precedentes”. A fala tem maior peso vindo de quem vem — Ray III esteve à frente da reconstrução de outra empresa envolvida em um mega-escândalo de fraude, o da Enron no início dos anos 2000. Via InfoMoney, Bloomberg, Coindesk (os dois últimos em inglês).

por Shūmiàn 书面

No começo deste mês, o Comitê Permanente do Politburo aprovou uma Lei Contra Fraudes Online e via Telecomunicações. A lei define responsabilidades para empresas de telecomunicação, do setor financeiro e provedores de internet para prevenir e controlar os riscos de fraudes realizadas por meio desses serviços.

Segundo o Ministério de Segurança Pública chinês, nos 15 meses que antecederam julho de 2022, foram resolvidos 594 mil casos desse tipo e, apenas em 2021, foi possível evitar que 1,5 milhão de pessoas transferisse ¥ 329,1 bilhões (US$ 47,5 bilhões) para golpistas.

Um aspecto importante da lei é seu foco em colaboração transfronteiriça. Como comentamos em julho, têm se tornado muito comuns os casos de pessoas na China continental, Taiwan, Tailândia, Vietnam e Hong Kong que são iludidas com promessas de trabalho no Camboja, em Laos e Myanmar e que acabam se tornando vítimas de tráfico humano para praticar golpes em escala industrial.

Na última terça-feira (13), a ProPublica trouxe uma longa reportagem sobre o assunto, detalhando a crueldade e profissionalização desse tipo de crime. Segundo a ONG Global Anti-Scam Organization, pelo menos 1.838 pessoas em 46 países perderam, em média, US$ 169.000 cada uma em golpes do tipo no ano de 2021.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Golpe do trabalho de meio período já causou prejuízo de pelo menos R$ 200 mil

Mensagem de convite para o esquema do golpe do trabalho de meio período, em cores invertidas, aproximada e levemente distorcida.

Mantenho uma listinha com possíveis pautas para o Manual do Usuário. É normal, para o ritmo do site, que algumas fiquem ali por semanas, maturando, até entrarem em produção, outro processo longe de ser imediato — em geral leva alguns dias; às vezes, semanas.

Para o relato em que “caí” no golpe do emprego de meio período que prometia pagar até R$ 5 mil por dia, o intervalo entre a ideia e publicação foi de algumas horas.

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Talvez seja tarde [para dizer isto], mas colocar seu dinheiro em criptomoedas é [como] apostar em jogos de azar.

— Aaron Davis, co-fundador do MetaMask.

A MetaMask é uma “hot wallet” de criptoativos que interage com a blockchain Ethereum, bastante usada por detentores de NFTs para guardar e transacionar seus “ativos”.

A declaração foi dada numa entrevista inédita que ele e seu sócio e co-fundador, Dan Finlay, deram à Vice.

Em outro trecho, Finlay admitiu que “não conseguimos impedir as pessoas de montar esquemas de pirâmide/Ponzi nas blockchains”. Até ontem (ou até antes da quebradeira do setor), a imutabilidade e o caráter “zero confiança” das blockchains e criptomoedas eram virtudes; agora, são uma inevitabilidade que propicia golpes. Que coisa. Via Vice (em inglês).

O golpe do restaurante falso no iFood

Mulher carregando três caixas de pizza, a primeira delas entreaberta. No lugar da pizza, um espaço em branco com borda pontilhada e, ao centro, o logo do iFood e um ponto de interrogação.

Uma das vantagens de plataformas de refeições prontas, como a do iFood, é concentrar numa única tela dezenas, até centenas de restaurantes. Isso facilita a comparação de pratos, preços e promoções. O problema é que, em alguns casos, os preços promocionais são iscas e os pratos não existem.

Leitor que pediu para não ser identificado chamou a atenção para o golpe do restaurante falso no iFood. Ele afirma já ter caído no mesmo golpe três vezes, em restaurantes distintos.

O esquema funciona assim:

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Caí no golpe do trabalho de meio período que rende R$ 5 mil por dia para tentar entendê-lo — e falhei

Print de uma mensagem no iMessage oferecendo remuneração de R$ 5 mil por dia para um trabalho de meio período. Ao lado, um emoji ? bem grande.

Se você caiu neste golpe, leia também esta outra matéria que escrevi. Nela, um especialista e a Stone orientam o que as vítimas devem fazer.

Nos últimos dias, eu, pessoas próximas e leitores do Manual, todos usuários de iPhone, começamos a receber mensagens pelo iMessage com ofertas de trabalho inacreditáveis.

Digo, inacreditáveis no sentido mais preciso do termo. Uma delas promete uma remuneração de R$ 5 mil por dia, ou melhor, por meio dia de trabalho — é uma vaga de meio período.

A cereja do pudim é o “bônus” por inscrever-se, de R$ 12. Isso, doze reais.

Por que alguém iria se sentir instigado por R$ 12 ante a perspectiva de ganhar R$ 5 mil por dia?

Parece legítimo.

Intrigado, resolvi cair no golpe. Que é cascata, acho que é evidente, mas me joguei nele mesmo assim para tentar entender o que está por trás disso.

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O site olav.ooo, uma piada macabra envolvendo a morte do charlatão bolsonarista Olavo de Carvalho e o joguinho de palavras Wordle/Termo, ainda hoje aparece em redes sociais. Ele não é, afinal, um joguinho inocente. Ao abrir o site, um minerador de criptomoedas dispara imediatamente. O alerta foi dado por Eduardo Henrique e confirmado pelo Manual do Usuário.

O olav.ooo carrega um script XMRig, uma solução de código aberto que usa o poder computacional dos dispositivos que acessam sites com seu código para minerar a criptomoeda Monero (XMR). Por padrão, bloqueadores de anúncios como 1Blocker e uBlock Origin não bloqueiam o script, nem as configurações mais rigorosas do Firefox e Safari.

Ao abrir o olav.ooo, o disparo no consumo de processamento é imediato:

Print do terminal com o htop aberto, filtrando processos do Firefox.
Repare no consumo de processamento pelo Firefox enquanto o site olav.ooo está aberto. Imagem: Manual do Usuário.

Ao bloquear o carregamento do script f.xmrminingproxy.com, a mineração não acontece.

O problema de acessar um site com um minerador de criptomoedas é que ele sobrecarrega o processador, deixando outras abas e aplicativos lentos e, no caso de dispositivos movidos à bateria, como celulares e notebooks, descarregando-a mais rapidamente.

O ecossistema de NFTs é um completo desastre 

Para quem lê este Manual do Usuário não há nada novo no artigo de Edward Ongweso Jr., na Vice, a respeito do “completo desastre” que é o ecossistema de NFTs, mas vale pescar alguns eventos recentes que explicitam esse desastre. Dois trechos de lá me chamaram a atenção:

Tomemos a OpenSea, o marketplace de NFTs mais popular. Semana passada, a OpenSea limitou o número de vezes que os usuários poderiam cunhar NFTs gratuitamente em sua plataforma, porque mais de 80% dos que foram criados com a ferramenta “eram obras plagiadas, colecções falsas e spam”. Ela reverteu a decisão em 24 horas, porém, graças à choradeira de criadores de projetos NFT.

Do outro lado do balcão, artistas têm sofrido com a apropriação indevida e ilegal de seus trabalhos para a criação de coleções de NFTs:

Para os artistas do DeviantArt, que hospeda mais de 500 milhões de peças de arte digital, o problema ficou tão grave que a plataforma implementou um sistema de alerta de fraudes que procura por NFTs de cópias de obras na blockchain Ethereum. O DeviantArt emitiu 80 mil alertas desde agosto de 2021, duplicou esse número entre outubro e novembro, e viu um novo aumento de 300% entre novembro e meados de dezembro.

Foi sancionada a Lei 14.155/2021, que altera dispositivos do Código Penal a fim de endurecer as penas para crimes cibernéticos no Brasil que envolvam a invasão não autorizada a sistemas digitais, numa resposta à incidência crescente de golpes envolvendo aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. Via Agência Brasil.

Ronaldo Lemos, em sua análise da nova lei: “Com os agravantes, a pena final por roubo digital pode se tornar similar à punição de crimes contra a vida.” Via Folha de S.Paulo (com paywall).

O grupo de segurança digital Safety Detectives descobriu um esquema gigantesco de reviews falsos na Amazon perpetrado pelas próprias fabricantes. Eles encontraram um banco de dados de 7 GB na China exposto publicamente (por erros de permissão). Dentro dele, havia mais de 13 milhões de registros, cerca de 200 mil endereços de e-mail, supostamente de pessoas envolvidas do esquema, e os nomes das empresas participantes.

Essas pessoas compravam um produto na Amazon e, em seguida, escreviam um review elogioso, de cinco estrelas. Depois, elas enviavam uma mensagem à fabricante do produto com um link do review e eram reembolsadas por elas, via PayPal, no valor gasto na compra. Em outras palavras, trocavam um review positivo pelo produto em si.

Após a divulgação do esquema, os produtos de algumas marcas chinesas populares na Amazon e que constavam no banco de dados, como Aukey, MPow e Tacklife, sumiram do site da Amazon. Nenhuma dessas empresas se manifestou oficialmente sobre o ocorrido. Via Safety Detectives (em inglês), Xataka (em espanhol).

O Tribunal de Justiça de São Paulo isentou o Mercado Livre de culpa em um caso em que o vendedor foi vítima de um golpe a partir de um anúncio publicado em seu marketplace. A relatora do caso, desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, escreveu que “a transação tem altos índices de segurança, pois o pagamento, já feito, só será liberado com a confirmação pelo comprador da idoneidade do produto. É uma via de mão dupla que, contudo, não foi observada pelo autor, que sequer checou se houve pagamento antes de enviar o produto”. Via Migalhas.

Escrevi sobre esse tipo de golpe em fevereiro de 2018, quando quase me tornei vítima também. Até hoje, é um dos posts mais acessados do site e o espaço para comentários está repleto de história similares de gente que caiu no golpe.

O mega vazamento de dados pessoais no Brasil já está sendo explorado por estelionatários, segundo o G1. Eles estariam usando o CPF e outros dados para se cadastrarem no INSS e, informando um e-mail falso, sacarem o FGTS. A dica para evitar transtornos é antecipar-se a eles e fazer o cadastro no Caixa Tem. Via G1.