Em busca do hipotético comprador do iPhone Duo e outros celulares dobráveis
No final de agosto, tive a oportunidade de mexer em um Galaxy Z Fold8, o celular dobrável da Samsung em formato de passaporte. É menor do que eu esperava. Achei um tanto curioso. Meu momento com o aparelho foi breve e acho que vi o suficiente. Não é para mim.
Nesta quarta (9), a Apple estreou no segmento de celulares dobráveis com o anúncio do iPhone Duo. Lembra bastante o Galaxy Z Fold8. O maior destaque das primeiras impressões é a animação nas telas ao abrir e fechá-las. (É realmente legal.)
O celular da Samsung tem o preço sugerido de R$ 12,6 mil no Brasil. O iPhone Duo chegará aqui pela bagatela de R$ 22 mil. Mesmo os preços lá fora assustam — US$ 1,8 mil e US$ 2 mil, respectivamente.
Estive pensando no público desse tipo de aparelho, se ele existe. Digo, além de influenciadores, youtubers de tecnologia e exibidos em geral. Refiro-me a pessoas que se convencem de que um celular que dobra e que custa o dobro dos modelos convencionais mais caros vale a pena.
A grande promessa dos celulares dobráveis é se desdobrarem (!) em um tablet. A tela externa se limita aos usos de um celular comum e a interna, para atividades que se beneficiam de mais área útil, como assistir a vídeos (horizontais), ler documentos e usar dois aplicativos ao mesmo tempo.
Diante dessa proposta, os maiores rivais dos dobráveis são telefones e tablets separados das próprias fabricantes. É possível comprar um iPhone e um iPad com o mesmo valor ou, a depender da combinação, por muito menos do que a Apple pede pelo iPhone Duo. O mesmo vale do lado da Samsung.
Nosso público-alvo encolhe, então, para quem precisa ou quer ter os dois aparelhos — celular e tablet — acessíveis o tempo todo. Qual o perfil desse hipotético consumidor?
Ele existe, disso eu tenho certeza. É bem comum topar com pessoas que têm apenas o celular como dispositivo de acesso à internet. Gente que faz de tudo na telinha: assiste a vídeos, lê livros, até trabalha e redige documentos. Para essa pessoa, a tela grande interna seria bem-vinda. (Ainda acho desengonçado fazer essas coisas em um tablet, mas menos que no celular.)
A peça que não se encaixa, nesse caso, é o preço. Alguém que só tenha um celular para lidar com as demandas digitais da vida moderna, quase por definição, não tem mais de R$ 10 ou 20 mil para dar em um celular, por melhor que ele seja. Se tivesse esse dinheiro, já teria comprado um notebook ou tablet muito antes.
A dúvida permanece: a quem os celulares dobráveis se destinam? O único perfil que sobrou é o dos exibicionistas. O que pode ser uma boa, até, o iPhone Duo como identificador de gente desagradável. Viu um nas mãos de alguém? Fuja que é cilada!
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Dois adendos.
Pessoalmente, acho bizarro que esse tipo de coisa chame tanto a atenção no momento em que a humanidade começa a se dar conta da fadiga de telas. A tentação de uma tela grande na telinha que já carregamos conosco o tempo todo só tende a piorar esse vício (ou compulsão) por telas.
Isso, claro, se as pessoas realmente abrirem o celular dobrável com a frequência que o marketing das fabricantes sugere. Tenho comigo, na base do achismo mesmo, que a tela externa acaba sendo usada na maior parte do tempo, dado o ~atrito que existe em abrir o aparelho. E aí acaba-se com um celular desengonçado e pesado, pois são dois tijolinhos — o Galaxy Z Fold8 pesa 201g e o iPhone Duo, 254g.
É a versão 2.0 dos “Phablets”
Concordo totalmente, tanto que meu comentário cita isso (quando falo do Galaxy Note original). Na época, os críticos tinham a mesma ironia (“existe demanda pra esse meio termo?”), quando fomos ver, praticamente todos os telefones de hoje seriam dessa categoria pra um leitor do passado (só a caneta não vingou).
Do mesmo jeito que os phablets foram melhorados ao longo dos anos, eu vejo os dobráveis tendo essa mesma curva de aprimoramento, sendo que a Apple faz a aposta do mesmo jeito que, há alguns anos, apostou no iPhone de 5,5″ (era XL?) e hoje quem mais vende é o Pro Max, bastante maior.
A versão Pro Max não tem o hardware melhor (tipo, bem melhor) do que as outras também? Me lembro do iPhone 14 (acho que foi esse) que rodava jogos como RE4 apenas na versão Pro Max.
Se for, tem essa variável, não é apenas tamanho. Eu tive um telefone de quase 7′ e era bem ruim no dia-a-dia. O atual tem 6.2′ e parece um tamanho confortável que eu manteria pro resto da vida.
É o mesmo SoC e memória do Pro. Além do tamanho e bateria maiores, algumas versões do Pro Max têm um ou outro recurso de câmera exclusivo.
Sempre tinha que o Pro Max era o melhor em tudo.
Mas busquei a diferença de preço (~1000 reais) e vi que faz sentido.
Você paga por mais bateria e mais camera.
Pensei que era a mesma ideia da linha S com o S26/S26 Plus sendo igual (mudando bateria e tamanho de tela) e o S26 Ultra sendo bem melhor (mais RAM, melhor SoC etc).
Último Pro Max com diferença na câmera foi o 15, que ganhou a lente periscópica
Do 16 em diante, o Pro e Pro Max tem o mesmo módulo de câmeras, diferença mesmo é só tela e bateria
Coincidência danada esse lançamento e esse post. Semana passada mesmo eu quase comprei o Z Fold: tava meio afim de trocar de celular, a tela externa menor me atraía muito enquanto celular, e a tela interna meio tablet eu tava namorando pra ler os PDFs de livro escaneado em modo paisagem da faculdade. Aí lembrei que minha esposa tinha um tablet que não usava mais e peguei pra mim. Me atende perfeitamente na faculdade, não preciso que o celular e o tablet sejam o mesmo dispositivo… Me sinto milhares de reais mais rico!
Em tempo: minha esposa usa o Z Flip já há algumas gerações e adora, mas quanto ao Fold (e principalmente esse iPhone devido ao preço), realmente concordo com o post.
Atualmente tenho um iPhone 15 Pro e às vezes sinto vontade de comprar um iPad para ler e consumir conteúdo no YouTube durante o intervalo ou a noite em casa, mas sempre pensei que um dobrável resolveria esse problema pois não gostaria de ter mais um dispositivo para ter que ficar carregando (seja na mochila, seja na tomada). Até então a Apple não tinha essa solução, agora que tem custa quase o valor do meu carro kk
Outra coisa é a questão do formato, pois gostei bastante do Z Fold8 estilo passaporte, mais amigável do que o Z Fold8 Ultra que achei grande demais.
Enfim, na minha opnião existe um público sim para esses dispositivos além dos exibicionistas. Para quem não quer ter um notebook e nem um tablet, um smartphone dobrável é uma boa saída.
Achei o texto bastante pedante (O TLDR é “Não serve pra mim, então quem gosta é feio e bobo”).
Já estou no meu segundo fold, e uso bastante as duas telas. Comprei os dois usados, com 1 ano de uso; no primeiro paguei 3500, e no último, um fold 6, paguei 3000. Por 3 mil reais, acho um custo beneficio imbatível; é muito mais barato que comprar um tablet decente e um telefone decente. Eles desvalorizam bastante porque as pessoas tem um medo (meio infundado) de comprar esses aparelhos usados.
Tenho um app (não-oficial) que monitora o número de aberturas, e eu abro o meu atual 7x por dia, em média. Uso principalmente para assistir vídeos quando estou em casa fazendo tarefas domésticas e quando estou no meu deslocamento diário. No total devo usar a tela externa umas 4 ou 5 horas por dia.
Acho muito melhor do que ter + 1 aparelho (um tablet) só pra essa funcionalidade. Se tivessse comprado um tablet, seria mais um trambolho pra carregar na mochila, mais um aparelho pra ligar na tomada antes de dormir, mais uma conta de internet, mais um lugar pra ter que preocupar com a sincronização dos episódio de série ou dos vídeos que baixo pra consumir offline etc.
Acabo utilizando a S-pen bastante pra rabiscar notas na tela interna, o que também acho bastante prático e muito melhor que carregar caneta e uma agenda pra cima e pra baixo (não gosto de carregar nada de papel).
Também abandonei meu kindle, porque do display interno no brilho mínimo não é muito diferente de uma tela e-ink.
Por fim, acho que sou da mesma escola de pensamento do Michael Fisher (MrMobile do youtube). Sinto falta de quanto os eletrônicos eram divertidos. Motorola A1200i, Lumia 800, Nokia N97… Eu tinha saudades de quanto o telefone era alguma coisa além de um retângulo de vidro preto. Se o meu fold 6 quebrasse hoje, iria partir para o terceiro sem dúvidas.
Não acho que o texto seja pedante, assim como concordo com nicho de usuário ser o do uso dual de telas. Acho que me encaixaria, visto que prefiro celulares menores, assim como gosto de uma tela maior para certos usos.
Acho que o Duo seria uma ótima aquisição para este, mas o preço é realmente absurdo pra realidade brasileira.
Renan, o preçco é absurdo (nos EUA o custa a partir de $ 1.999,00) para qualquer realidade.
> Achei o texto bastante pedante (O TLDR é “Não serve pra mim, então quem gosta é feio e bobo”).
Concordo em parte. Me incomoda o salto entre “isso não faz sentido para mim” e “quem compra isso é exibicionista”. A preferência pessoal virou algo pra julgar caráter, parece meio a cultura de *debate bro*.
Dá para falar que o custo, peso, espessura, fragilidade e **preço** não compensa pra maioria. Mas tb não significa que quem enxerga valor tá comprando só por status. Algumas valorizam coisas diferentes e blz. Tem gente que gosta de tela grande para ler pra consumir conteúdo, multitask, evitar outro dispositivo tipo tablet/ereader. Inclusive me lembro que o proprio Ghedin falou que n consegue ler em telas pequenas, recentemente. “Não vejo utilidade nisso” é ok, o salto “quem vê utilidade é exibicionista” ficou estranho.
Enfim, não é uma crítica real ao produto e sim uma tentativa de explicar por que as pessoas que gostam dele são o tipo errado de consumidor.
Sou o primeiro a retrucar o velho argumento de que quem compra iPhone só o faz por status, mas esse aí… é difícil defender. Pode até ser útil, mas não útil o bastante para justificar o preço de um carro usado, né? Na minha leitura, existem múltiplas camadas que justificam a pecha de ostentação em um produto. (É um caso similar ao Apple Watch de ouro, na primeira geração, exceto que esse não tinha qualquer utilidade extra, era só status mesmo.)
Putz, eu ia JUSTAMENTE dizer isso… como um treco que custa a bagatela de 22 mil janjas (ou golpes, ou sei lá, dinheiros) não vai ser atrelado ao status pura e simples???
Isto posto, confesso que não entendi direito essa estratégia da Apple, apostando num treco que vai atender a poucos, a um custo exorbitante e, pior, com um design FEIO (#prontofalei), que celular feio, trambolhoso, sem graça… Fico imaginando se o Jobs fosse vivo, se a empresa estaria apostando nisso…
com essa postagem, Ghedin nos mostra que não assiste k-dramas 😁 (inclusive se quiser se aventurar com um, assista “39”)
eu tenho uma amiga que tem um desses da Samsung que dobra. eu usei palavras mais gentis para comunicar a ela o que sentia, mas já acho uma burrice danada dar dinheiro pra Samsung porque a política de dados deles não só é desrespeitosa como é danosa e podia ser criminosa. Mas aí trazer o ladrão pra morar na sua casa e ainda pegar uma tela que dobra é que fatalmente vai aumentar as chances de falha de uma das partes mais caras para substituir do seu celular é maluquice. isso sem entrar no ponto de custar o preço de uma moto haha
Daniel Vorcaro. A demanda por duas telas é grande 🤓
Ironicamente, pra mim o celular perfeito seria um não-dobrável com a tela igual à externa desse iPhone duo ou Galaxy z fold 8: uma tela de 5.4 polegadas, mais baixa e mais larga, pro dedão alcançar com mais facilidade ao usar com uma mão apenas.
A Huawei lançou um modelo assim no mês passado, o Pura X View, problema é ver se a moda pega entre as demais fabricantes
O Z Fold da Samsung ainda tem a “vantagem” de ser pouca coisa mais caro do que um S26 Ultra. O da Apple nem isso, é um aparelho como o Watch Ultra: pro Luciano Huck, jogadores de futebol e políticos aparacerem na capa da Caras (ainda existe?) usando.
Mas confesso que eu acho o Z Flip interessante pq ele fica pequeno dora como os flips de antigamente. Mas tenho medo da tela dobrável ainda.
A Apple lançar um telefone que varia de 22 até 30 mil reais é um artigo voltado pra classe A e para gerar hype (ou mesmo nos EUA, começando em 2 mil dólares + taxas) Não é algo que eles esperem vender muito, é algo que deve marcar a posição deles no mercado. Como foi com o Apple Watch de ouro, por exemplo.
Tenho alguns conhecidos que se aventuram no Z Flip 4 e no Z Fold 5 e 7. Uma das pessoas do Z Flip, um ano depois estava com um iPhone (que ela também nunca tinha usado antes) e ficou mais satisfeita com o iPhone. Disse ela que o Flip deu problema na tela interna e ela tem criança pequena, então já viu né…
A outra do Flip ainda o tem e funciona bem.
A pessoa do Fold 7 é minha gerente e ela usa bastante a parte de escrever na tela interna maior, vira e mexe vejo usando no formato netbook (um lado só levantado na mesa).
A do Fold 5 (ou 6, não lembro agora) é um amigo que, quase sempre, vejo usando fechado. Mas empresta pro filho usar como tablet, aberto. Nenhum dos 2 disse se ver usando um não-dobrável mais.
Eu acho interessante, mas a barreira do preço e do cuidado extra com as telas internas ainda me afastam. Ainda tenho trauma das marquinhas de unha das primeiras telas capacitivas (olá Galaxy 5 e Y). Se fosse o mesmo preço de um Poco da vida eu arriscava, mas não tô com grana pra trocar meu S23 que ainda tá totalmente funcional por algo que pode dar ruim na minha mão.
Mas aí essa previsão de ser pra poucos pode azedar rápido tanto quanto a ideia de que um Galaxy Note era inútil por ser grande demais.
> E aí acaba-se com um celular desengonçado e pesado, pois são dois tijolinhos — o Galaxy Z Fold8 pesa 201g e o iPhone Duo, 254g.
O fator peso é uma batalha perdida, a maioria dos celulares lançados esse ano tem mais de 200g (gsmarena, mesmo tirando os dobráveis). Tamanho então, nem se fala, celular compacto hoje tem uma tela de 6.3 polegadas e nem cabe no bolso direito 🫠
Eu mesmo tô até com medo de sair do meu S23, que já cresceu uns milímetros do S10, que cresceu do S8… Quando eu pego algum Pro Max ou Ultra emprestado, sinto um baita desconforto, basicamente não dá pra usar com 1 mão (agora mesmo tô escrevendo esse comentário num trem em pé, com digitação swipe no Gboard, um telefone maior não ficaria equilibrado na mão pra fazer isso).
Concordo com o texto, mas ressalto que, sim, existe público para produtos tão caros e as empresas estão focando justamente nele. Me refiro às faixas mais abastadas da população.
De forma geral, o consumo nos EUA tem sido realizado majoritariamente, em termos de valor gasto, por essa faixa de renda. Então algumas empresas têm focado em simplesmente lançar produtos que são acessíveis apenas a essa faixa mesmo. É mais rentável, acredito que esta seja a palavra-chave. Acredito que isso se repetirá em automóveis, vídeogames, computadores, eletrodomésticos etc.
Enquanto algumas marcas focam apenas nessa faixa de renda, outras lançam produtos também para ela – mas com a deterioração geral (a nível global) do poder de compra, é possível que faixas menos abastadas da população sejam simplesmente alijadas dos produtos de consumo mais novos e tecnológicos (talvez seja o fim dessa ilusão que durou alguns anos, até mesmo no Brasil); acredito que esse processo esteja em curso já há algum tempo.
Acredito que essa tendência se repita em outros mercados relevantes para produtos como esse (eu não duvido que, no Brasil, o percentual de consumo total pelos 5% ou 10% mais ricos esteja crescendo em detrimento das demais faixas de renda).
Fonte: https://investnews.com.br/the-wall-street-journal/mais-do-que-nunca-a-economia-americana-depende-dos-ricos/
O Z Flip eu vejo demais na academia e em outros lugares, muita gente tem. O Fold nunca vi.
Eu vi hj no mini-review do Marquees Brownlee que o mercado de _foldables_ é mto grande na china e que parece ser para onde o foco desse dispositivo vai.
Eu vi alguns nesse ultimo ano no trem ou na rua, mas todas vezes, estavam sendo usados no modo fechado, como tu comentou aqui.. :)
Eu tenho um fold e nunca uso ele aberto em público, justamente pq não quero chamar atenção que estou portando um aparelho um pouco mais caro. Então isso por si só não é indício de que as pessoas não estão usando a tela interna.