No último sábado (14), o projeto Debian lançou a versão estável do Debian 11 “bullseye”.

Quem conhece o Debian sabe que o projeto trabalha com uma ideia diferente de “software atualizado”, dando preferência a versões não tão novas, mas testadas exaustivamente para serem seguras e estáveis. Não espere, por exemplo, ver o Firefox 91 ou o Gnome 40 no bullseye. (Ele vem com o Firefox 78.12 e Gnome 3.38.)

Ainda assim, há novidades interessantes como suporte ao sistema de arquivos exFAT, um novo protocolo para impressoras mais modernas, e milhares de pacotes novos, atualizados e removidos. O download é gratuito. Via Debian.

Depois de um ano de muito trabalho, o Thunderbird 91 foi lançado nesta quarta (11). A nova versão moderniza o aplicativo em vários aspectos — não à toa, a versão deu um salto, de 78 para 91, alinhada ao Firefox, ou às versões ESR (de suporte estendido). Todas novidades e mudanças no link ao lado. Via Thunderbird (em inglês).

Desktop do elementary OS 6 “Odin”, com o papel de parede padrão (oceano com uma ilha de pedra com um buraco no meio.
Imagem: elementary OS/Divulgação.

Demorou um bocado, quase três anos desde a 5.0 “Juno”, mas enfim saiu a versão final do elementary OS 6 “Odin”, uma das distribuições Linux mais amigáveis e apresentáveis disponíveis. Via elementary OS (em inglês).

A lista de novidades é longa. Alguns destaques:

  • Modo escuro e cores de destaque — similar ao macOS.
  • Todos os apps pré-instalados e distribuídos pela AppCenter agora usam o formato Flatplak. Todos os apps, até mesmo os instalados por fora (sideloaded), estão sujeitos a um sistema de permissões (“Portals”) similar àqueles de celulares.
  • Em notebooks, há um punhado de novos gestos para o trackpad.
  • Sistema de notificações reformulado.
  • Novo aplicativo de tarefas, Tasks, e vários padrões reformulados — Web, Mail, Calendário etc.
  • Novo instalado — que o Pop_OS! “estreou” antes do elementary OS.

O post que anuncia a nova versão do elementary OS traz essas e outras novidades em detalhes, junto com muitas imagens.

O elementary OS 6 “Odin” é gratuito, mas você pode escolher pagar uns trocados nele. A quem está rodando a versão anterior, 5.1 “Hera”, a má notícia é que não é possível atualizar para a nova, ou seja, é preciso fazer uma instalação limpa. Mais detalhes e download no site oficial.

A Mozilla mantém um site com dados públicos de uso do Firefox. No número de usuários ativos, é perceptível uma queda gradual na base. O gráfico alcança até dezembro de 2018. Entre o pico, de 253,8 milhões de usuários em 27 de janeiro de 2019, e o último registro disponível, 196,3 milhões em 1º de agosto de 2021, é possível observar um declínio de 22,6% no tamanho da base.

Isso preocupa. O Firefox é o único navegador independente relevante e, ao lado do Safari da Apple, os únicos que não usam o motor Blink, do Google. Uma “monocultura” empobreceria a web ao mesmo tempo em que conferiria poderes demais ao Google, que tem sua própria agenda não necessariamente ligada ao melhor interesse de todos — vide o desastre do AMP. Via It’s FOSS (em inglês).

O Mastodon, rede social de código aberto e descentralizada (conheça), agora tem um aplicativo oficial para iOS. A primeira impressão é ótima: o app é bonito e parece rápido.

A propósito, o Manual do Usuário está no Mastodon. Siga-nos lá!

Em março, falei do Barinsta aqui, um aplicativo de código aberto para Android que permite acessar o Instagram em uma interface menos tóxica. Nesta segunda (26), o desenvolvedor do Barinsta, Austin Huang, recebeu uma notificação extrajudicial de um escritório de advocacia representando o Facebook exigindo que o projeto fosse descontinuado (leia-a), alegando que o aplicativo infringe os termos de uso do serviço. O sonho acabou. Via @barinsta_updates/Telegram, dica do leitor Tony (valeu!).

Não demorou dois meses para o Muse Group, novo dono Audacity, estragasse o popular editor de áudio de código aberto. Em um aviso de privacidade publicado na sexta (2), o Muse Group revelou novidades no mínimo suspeitas:

  • Coleta de “dados necessários para aplicação da lei, litígios e pedidos de autoridades (se houver)”.
  • Compartilhamento de dados com potenciais compradores, seus agentes e conselheiros e com Rússia e Estados Unidos, além do Espaço Econômico Europeu, onde estão os servidores do projeto.
  • Proibição de uso por menores de 13 anos.

Por que um editor de áudio, de uso offline, precisa coletar tais dados? E qual a motivação legítima para proibir seu uso por menores de 13 anos? (Sem falar que, como aponta o FossPost, essa restrição fere a GPL, licença sob a qual o Audacity é distribuído.)

Em fóruns online, já se notam movimentações para fazer um “fork” do Audacity e continuar o trabalho sem o envolvimento do Muse Group.

O TrackerControl (TC) instala bloqueia e dedura rastreadores em celulares Android. O aplicativo instala uma VPN local (ou seja, todo o processamento é feito no próprio aparelho) e usa por padrão a lista de rastreadores Disconnect para fazer os bloqueios. O que não consta nela pode ser visualizado e bloqueado manualmente, pelo próprio usuário. Gratuito, na F-Droid — a versão disponível na Play Store tem “menos recursos”. Dica do Luis Sass.

O Audacity, adorado editor de áudio multiplataforma, agora faz parte do Muse Group, “uma coleção de marcas que inclui outro popular aplicativo de música de código aberto chamado MuseScore”. Pelo que eu entendi, o britânico irlandês Martin “Tantacrul” Keary, do Muse Group, assumirá o comando do Audacity.

Em um vídeo muito legal (acima, em inglês), Tantacrul conversa com os criadores do Audacity e alguns dos membros mais ativos da comunidade, remonta a origem do aplicativo e o cuidado que, garante, terá na tomada de decisões. (Felizmente, o ícone feio do Audacity não deverá mudar.)

A nota oficial do Audacity termina informando que eles estão “assustados e empolgados”. Nós também. Via Audacity (em inglês).

Print do elementary OS 5.1 com o Manual do Usuário aberto em uma janela do navegador.
O Manual do Usuário aberto no Epiphany, o navegador padrão do elementary OS. Clique para ampliar.

Passou batido aqui, mas ainda vale o registro: na quarta (31), o projeto elementary OS completou dez anos. Àqueles que não o conhecem, é uma distribuição Linux focada em experiência do usuário e fortemente inspirada no macOS, mas cheia de ideias próprias e bem resolvidas. O elementary OS está prestes a lançar a versão 6 e é distribuído no modelo “pague o quanto quiser”, incluindo nada (gratuito). O mesmo modelo é replicado na maioria dos apps nativos da sua lojinha. Via elementary Blog (em inglês).

O retorno de Richard Stallman ao conselho diretor da Free Software Foundation (FSF) ainda repercute. Nesta segunda (29), a Red Hat suspendeu todas as doações que fazia à fundação e aos eventos promovidos por ela. Em um comunicado, a empresa disse que “o retorno de Richard Stallman reabriu feridas que esperávamos seriam lentamente curadas após sua partida”, e que acredita que “para ganhar de volta a confiança na comunidade de software livre como um todo, a FSF deve implementar mudanças basilares e de longo prazo à sua governança”.

Outros nomes fortes manifestaram insatisfação com o episódio, como Melissa Di Donato, a CEO da SUSE, e Miguel de Icaza, co-fundador do Gnome e atualmente engenheiro na Microsoft. A Document Foundation, responsável pelo LibreOffice, suspendeu o assento da FSF em seu conselho e cessou quaisquer outras atividades com ela. Membros do Debian Project estão votando se assinam ou não uma carta pedindo a saída de Stallman. Via ZDnet (em inglês).

O Gnome 40, grande atualização do popular ambiente gráfico para Linux, foi lançado. A nova versão traz inúmeras novidades e mudanças significativas no visual. Foi feito um site especial criado para destacá-las. Via OMG! Ubuntu (em inglês).

Mais de 2 mil pessoas, incluindo líderes de projetos e comunidades de software livre, assinaram uma carta aberta exigindo que Richard Stallman seja removido de todas as posições de liderança da Free Software Foundation. Nesta semana, Stallman foi reintegrado ao conselho diretor da FSF. A carta o acusa de ser “misógino, capacitista e transfóbico, entre outras sérias acusações de condutas imprópria”, e que alguém assim “não tem lugar em comunidades de software livre, direitos digitais e tecnologia”. A carta também demanda que o conselho inteiro renuncie, por ter, durante anos e agora outra vez, liberado e dado poder a Stallman. Via Ars Technica (em inglês).

Tenho um anúncio a fazer. Estou de volta ao conselho diretor da Free Software Foundation. […] Alguns de vocês ficarão felizes, outros podem ficar desapontados, mas quem sabe? De qualquer forma, é assim que será e eu não pretendo sair outra vez.

— Richard M. Stallman, fundador e ex-presidente da Free Software Foundation (FSF). Via The Register (em inglês).

Em 2019, Stallman deixou voluntariamente a presidência e uma cadeira no conselho da FSF e sua posição como cientista visitante do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT. Ele havia feito comentários considerados insensíveis em defesa do professor Marvin Minsky, morto em 2016, que teria tido relações sexuais com uma das vítimas de Jeffrey Epstein, que suicidou-se em 2019 enquanto era acusado de tráfico e exploração sexual.

Stallman é uma figura importante na história da computação e, ao mesmo tempo, um sujeito controverso e sem tato social. O incidente com Minsky foi apenas mais um episódio, talvez o mais estridente, de vários; uns apenas antipáticos, outros problemáticos.

As contribuições dele — além da FSF, ele criou o Emacs e o GNU — são indeléveis, mas não deveriam servir de salvo-conduto, especialmente em um conselho diretor, que, vale lembrar, não é um órgão técnico; é político, de liderança. A própria FSF especifica suas atribuições e o que se espera dele: “A boa governança começa com o conselho de diretores, que supervisiona a organização e é responsável pelo seu sucesso”, diz o site. “O papel do conselho (e sua obrigação legal) é supervisionar o gerenciamento da organização e garantir que ela cumpra sua missão.” Reintegrar Stallman ao conselho passa uma mensagem péssima ao público externo e aos voluntários da fundação.

O app Watomatic (Android, gratuito e de código aberto) ajuda a tornar a saída do WhatsApp menos dolorosa. Com ele, é possível configurar uma mensagem automática que é enviada toda vez que alguém manda uma mensagem para você pelo WhatsApp — vale para grupos também. O Watomatic age a partir das notificações; para ele funcionar, o WhatsApp precisa estar instalado e com permissão de exibir notificações no Android. Segundo o criador do app, ele está quase todo traduzido para o português. Dica de um leitor anônimo.