Como Richard Stallman usa o computador

Richard Stallman usando um notebook.

Richard Stallman, criador do Emacs, do projeto GNU e da Free Software Foundation, é um sujeito único. Sobram histórias das suas excentricidades, a maioria relacionada a uma fobia crônica a tudo que não seja livre. Nesta bela tarde de maio de 2015, o próprio publicou em seu site um relato detalhado sobre como usa o computador.

É notável como, de diversas formas, ele faz curvas para evitar software proprietário. E não é apenas uma questão “Windows vs. Linux;” até partes mais obscuras que movem um computador, como o programa de inicialização (a “BIOS”), e entretenimento barato, como a Netflix, não escapam da sua obsessão pela liberdade.

Separei e traduzi alguns dos trechos mais curiosos:

Ele usa um ThinkPad X60 totalmente livre

“Uso um computador Thinkpad X60, no qual a FSF instalou um programa de inicialização livre (libreboot) e um sistema operacional livre (Trisquel GNU/Linux). Este é o primeiro modelo de computador vendido comercialmente com um programa de inicialização e sistema operacional livres, e assim, é o primeiro produto que a FSF pode endossar. (Apesar disso, ele não foi vendido desse jeito pela Lenovo.)

Antes, usei um Lemote Yeeloong por vários anos. Na época, era o único computador que alguém poderia comprar capaz de rodar um programa de inicialização livre e um sistema operacional livre. Mas ele nunca foi vendido com um sistema operacional livre.

Antes disso, usei um OLPC por algumas semanas. Parei porque o projeto OLPC decidiu fazer suas máquinas usarem Windows, então não queria parecer que o endossava. O OLPC usa um firmware não-livre para o Wi-Fi, então eu não podia usar o dispositivo Wi-Fi interno. Sem problemas, eu usava um externo.

O resultado que eu temia, milhões de crianças rodando Windows no OLPC, não se concretizou. Em vez disso, vemos milhões de crianças rodando Windows no Intel Classmate.

Antes disso usei máquinas que rodavam sistemas GNU/Linux completamente livres, mas que tinham BIOS não-livres. Tentei por cerca de oito anos encontrar uma maneira de evitar BIOS não-livres.”

Ele basicamente escreve no PC

Parece um OLPC em seu colo.

“Quase sempre uso um console de texto, por questão de conveniência. A maior parte do meu trabalho é editar texto e isso é mais eficiente em um console de texto. Nele, o touchpad não me atrapalha se eu tocá-lo acidentalmente.

(…)

Passo a maior parte do tempo editando no Emacs. Eu leio e envio e-mails com o Emacs usando M-x rmail e C-x m. Não tenho experiência com outros programas de e-mail. Em princípio eu conheceria de bom grado outros clientes de e-mail livres, mas aprender sobre eles não é uma prioridade para mim e eu não tenho tempo.”

UX é bobagem

Stallman respondendo e-mails no rio.

“Este site é mantido de uma forma bem simples. Eu edito as páginas como esta manualmente em HTML. Conheço apenas HTML simples; outros que sabem mais escrevem as partes do cabeçalho e rodapé, e a formatação mais complexa da página. Voluntários ajudam a instalar as notas políticas todo dia após receberem os textos que envio por e-mail. Um cron job ‘rola’ as páginas de notas políticas a cada dois meses. As galerias de fotos são geradas com este script em Perl. O recurso de pesquisa no site é feito com este código.

Uma explicação do conceito de projetar uma ‘experiência de usuário’ também exemplifica por que acho isso repugnante. É por esse motivo que quero que o stallman.org permaneça simples: não uma ‘experiência de usuário,’ mas sim um lugar onde apresento certas informações, visões e oportunidades de ação a você.”

Internet? Muito cuidado

“Sou cuidadoso em como uso a Internet.

Geralmente não me conecto a sites a partir da minha máquina, fora alguns com os quais tenho uma relação especial. Geralmente salvo páginas web de outros sites enviando um e-mail a um programa (veja: git://git.gnu.org/womb/hacks.git) que obtêm seus dados, bem parecido com o wget, e então as envia de volta a mim. Daí dou uma olhada usando um navegador web, a menos que seja fácil ver o texto na página HTML diretamente. Geralmente tento o lynx primeiro, e então um navegador gráfico se a página precisar disso (uso o Konqueror, que não pega nada de outros sites em situações do tipo).

Vez ou outra também navego usando o IceCat via Tor. Acho que isso é o suficiente para evitar que minha navegação seja associada a mim, já que não me identifico ao site que estou visitando.”

Stallman não compra (quase) nada pela web

Stallman muquirana na web.

“Nunca pago por coisas na web. Qualquer coisa na Internet que exija pagamento, eu não faço. (Abri uma exceção para as taxas do domínio stallman.org, já que ele está ligado a mim de qualquer forma.)

Não ligaria de pagar pela cópia de um e-book ou gravação musical na Internet se pudesse fazer isso anonimamente, e ela fosse ética em outras formas (sem DRM ou EULA). Mas essa opção quase nunca existe. Continuo buscando outras maneiras de fazê-la acontecer.”

Ele toca computadores com software proprietário

“Eu me recuso firmemente a instalar software não-livre ou tolerar sua presença instalada em meu computador ou em computadores que configuram para mim.

Entretanto, se estou visitando alguém e as máquinas disponíveis nas proximidades calham de ter software não-livre, desde que não seja a minha, não me recuso a tocá-las. Eu as uso rapidamente para tarefas como navegação. Esse uso limitado não ganha o meu aval à licença do software, ou me torna responsável pela sua presença no computador, nem me torna possuidor de uma cópia dele, então não vejo uma obrigação ética em evitar isso. Claro, explico às pessoas do local por que elas deveriam migrar suas máquinas para software livre, mas não insisto, porque irritá-las não é a maneira de convencê-las.”

Abaixo Google e Facebook

Stallman no deserto.

“Para pesquisas, tenho usado mais o DuckDuckGo nos últimos dois anos. Ele funciona com o JavaScript desabilitado, mas você precisa seguir um link antes de pesquisar.

(…)

Nunca tive uma conta no Facebook, ou no Google+. Eu rejeito esses serviços por princípio. Alguns impostores criaram uma conta no Facebook usando meu nome. A página não é minha. A conta no Google+ usando meu nome também não é minha.”

A história da amiga e a Netflix

“Uma vez uma amiga me chamou para ver um vídeo com ela que seria exibido em seu computador usando a Netflix. Eu rejeitei [o convite], dizendo que a Netflix era uma afronta tão grande à liberdade que eu não poderia fazer parte do seu uso em quaisquer circunstâncias.”

Ah, Stallman, acho que ela não queria exatamente ver um filme…


As fotos vieram desta incrível galeria em seu site pessoal.

Se o seu inglês estiver afiado, vale a leitura do post completo. É definitivamente curiosa a relação de Stallman com a tecnologia, e algumas situações podem parecer até cômicas, mas esses extremos são importantes para equilibrar uma balança que, com frequência, parece pender fortemente para o lado proprietário — o que é tão prejudicial quanto seria se todos usássemos computadores da forma que Stallman usa.

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97 comentários

  1. Ele é o cara mais prisioneiro que eu já ouvi, mais até do que usuários de todos esse serviços que ele mencionou… Eu sou livre, e por isso uso o que eu quiser e pronto, uso Linux porque é melhor, dá menos problema e é mais customizável do que o Windows, mas uso Windows também porque pra jogos é melhor, eu sei que Linux tem jogos, claro, tem 10 jogos dos mais de 100 que eu comprei legalmente…

    1. Você não é livre ao utilizar software proprietario.

      Você confunde liberdade de software com liberdade de escolha. Quer mostrar que você é superior ao demais mas so mostrou que é ignorante.

  2. O erro do Stalman é considerar “software livre” apenas a programação do código, e não a usabilidade do usuário.

    Lembrando que software livre “comercial”, mesmo com código aberto, é tão proprietário quanto o non-free, pois fere a “liberdade zero”, que diz: “o direito de executar o software para qualquer propósito” … e ele defende isso … Concluindo, seu conceito é dúbio, hipócrita e atrasado, mas ditou regras para uma sociedade tecnológica cega que não sabe pensar.

  3. Rapaz,o Stallman não sacou que a garota tava afim de deitar na barba suja dele,hahaha,esses nerds,mas enfim,o cara mesmo sendo doido,é um dos gênios da computação moderna,não concordo com algumas viagens dele,mas sou a favor é do Código aberto,isso pra mim é liberdade,e a sua distro x ou y poder auditar o pacote antes de entrar na distro,porque software”livre”,freeware gratuito,fechado de windows tá cheio por ai mas chei de pulga,chei de verme,acho que tem que ter um doido pra bater de frente com as corporações,e a galera mais comercial do Linux,continuar comercial mas transparente,a Canonical,o OpenSuse,tem feito um bom trabalho,eu não sei que spyware que o stallman viu no Ubuntu,já que aquela opção da Amazon é desativavel,mas se sua paranóia é com segurança total,faça como o”Ricardinho Ventania”da informática e se proteja…

  4. Rapaz,o Stallman não sacou que a garota tava afim de deitar na barba suja dele,hahaha,esses nerds,mas enfim,o cara mesmo sendo doido,é um dos gênios da computação moderna,não concordo com algumas viagens dele,mas sou a favor é do Código aberto,isso pra mim é liberdade,e a sua distro x ou y poder auditar o pacote antes de entrar na distro,porque software”livre”,freeware gratuito,fechado de windows tá cheio por ai mas chei de pulga,chei de verme,acho que tem que ter um doido pra bater de frente com as corporações,e a galera mais comercial do Linux,continuar comercial mas transparente,a Canonical,o OpenSuse,tem feito um bom trabalho,eu não sei que spyware que o stallman viu no Ubuntu,já que aquela opção da Amazon é desativavel,mas se sua paranóia é com segurança total,faça como o”Ricardinho Ventania”da informática e se proteja…

  5. Gênio… e que continue assim. Os verdadeiros usuários do software livre agradecem.

  6. Já é um pouco antigo (lembro de versões deste texto já nesta entrevista de 2010: http://richard.stallman.usesthis.com), mas continua fascinante: nos anos 80, Stallman já estava nos anos 2000. Nos anos 2000, Stallman ainda se mantém nos anos 80 — e o assustador é pensar em como isto só garante sua privacidade mínima após escândalos como os de Assange, Manning e Snowden.

  7. “dizendo que a Netflix era uma afronta tão grande à liberdade que eu
    não poderia fazer parte do seu uso em quaisquer circunstâncias”

    Tá de brinks né. E pelo jeito também não vai ao cinema e nem assiste TV.

  8. Pessoalmente não sou fã do Stallman. Achar que viver se esquivando de praticamente tudo é ser livre? Escolho usar um software livre ou proprietário pela qualidade dele e esse poder de escolha é o que considero como liberdade.

    Ainda mais “complicado” é o cara escolher um modelo de licenciamento (do que quer que seja, não só software) como filosofia de vida.

    Mas enfim, cada doido com sua mania. Pelo menos ele diz não ser chato: “mas não insisto, porque irritá-las não é a maneira de convencê-las”.

  9. Eu ia fazer um comentário pertinente sobre Stallman (sério mesmo, algo que vim debatendo com um amigo), mas vou deixar pra falar no Guia Prático.

  10. Certo, ele é um Gênio – ok, mas tem sérios problemas também, disso eu não tenho dúvidas. Não tem como existir um mundo como ele quer que exista, ou pessoas vão se sustentar com o que? Se você faz faculdade de programação por exemplo, vários cursos de especialização disso e daquilo (gastando muito dinheiro para isso – até porque o seu professor precisa do seu dinheiro para sustentar a família dele) pra trabalhar por horas para desenvolver um sistema para simplesmente fazer uma caridade e não ganhar nada por isso?
    E ai, vai viver de luz? Seu estomago não é programável para fazer fotossíntese.
    Abraços.

        1. Cara, assim, é necessário termos radicais em ambos os lados para podermos ponderar. O mundo seria muito pior se não tivesse socialistas para iluminar certos aspectos ruins do capitalismo e vice-versa, esse extremismo de Stallman é bom para nós nunca esquecermos que nós, como usuários da internet, somos extremamente dependentes do Software-livre e que sem ele ainda estaríamos muito atrás na evolução da Web.

          1. Entendi, com certeza, tudo que é em excesso não faz bem. É como você falou, o melhor é ponderar e achar um ponto de equilíbrio em tudo.
            Obrigado.

  11. Uso Linux há cerca de 10 anos, não sou extremista assim com o

    Stallman, acho que isso afugenta possíveis novos usuários, mesmo assim ele é um “mal” necessário para o SL.

  12. Eu não gosto desse tipo de abordagem: ser extremista da causa cria um alvo fácil para os detratores e raramente convence os que não apoiam. No caso dele, é especialmente uma pena porque isso ofusca seus feitos como programador já que ele tem grandes contribuições como Emacs já citado e o GNU.

    Não costume me meter nessas polêmicas, mas vamos arriscar haha…

    Um achismo meu é que o pessoal que curte tecnologia é extremamente pró-mercado: as empresas de tecnologia são o exemplo de como um mercado livre favorece a meritocracia. Toda vez que a UE faz um movimento para controlar as gigantes de tecnologia, são taxados de atrasados e tals…me arrependi de ter tentado ponderar que talvez alguma intervenção fosse válida em uma discussão. :p

    Eu, pessoalmente, não gosto dessa visão completamente liberal pensando em como eram os anos 90 da Microsoft e como a natureza aberta da internet permitiu tanta mudança nesse paradigma (algo que acredito ser improvável se fosse uma tecnologia proprietária). Só que a figura de pessoas como o Stallman contribuem, na minha opinião, para fortalecer essa ideia de que as pessoas que colocam um contra-ponto as gigantes de tecnologia vivem fora da realidade como ele.

    1. Concordo bastante com o que tu disse. Acho que vivemos em um mundo que se entrega demais para o ~capitalismo~ e não, ele não é ruim, mas é importante ao menos olharmos ele e fazer parte dele de forma cuidadosa. Caras com o Stallman são os malucos que trazem boas ideias para os ponderados que ajudam a controlar os fanáticos do outro lado.

  13. Eu não gosto desse tipo de abordagem: ser extremista da causa cria um alvo fácil para os detratores e raramente convence os que não apoiam. No caso dele, é especialmente uma pena porque isso ofusca seus feitos como programador já que ele tem grandes contribuições como Emacs já citado e o GNU.

    Não costume me meter nessas polêmicas, mas vamos arriscar haha…

    Um achismo meu é que o pessoal que curte tecnologia é extremamente pró-mercado: as empresas de tecnologia são o exemplo de como um mercado livre favorece a meritocracia. Toda vez que a UE faz um movimento para controlar as gigantes de tecnologia, são taxados de atrasados e tals…me arrependi de ter tentado ponderar que talvez alguma intervenção fosse válida em uma discussão. :p

    Eu, pessoalmente, não gosto dessa visão completamente liberal pensando em como eram os anos 90 da Microsoft e como a natureza aberta da internet permitiu tanta mudança nesse paradigma (algo que acredito ser improvável se fosse uma tecnologia proprietária). Só que a figura de pessoas como o Stallman contribuem, na minha opinião, para fortalecer essa ideia de que as pessoas que colocam um contra-ponto as gigantes de tecnologia vivem fora da realidade como ele.

  14. Toda vez que vejo um texto do Stallman, me lembra um fato antigo que um dos caras da Conectiva contou sobre ele, quando veio uma das primeiras vezes ao Brasil:

    http://stulzer.net/blog/2008/03/18/a-terrivel-semana-que-richard-stallman-ficou-na-minha-casa/

    Só para terem um gostinho:

    “No meio do almoço, quando alguém estava tentando conversar com Stallman, ele simplesmente disse que teria que trabalhar um pouco e abriu o notebook na frente de todo mundo, começando a digitar como se ninguém estivesse presente.”

    (Ele foi o precursor da atenção desviada… :p )

        1. Sobre vôos
          “So normally I buy the tickets myself and get reimbursed by the various places I am visiting. ”

          Sobre bilhetes de trem
          “In the US I never use long-distance trains because
          of their ID policy.”

          O cara diz que não gosta de dar o nome pras empresas de transporte por medo do governo ficarem espionando. Então ele não anda de trem nos EUA pra não ter que dar o nome, mas pega vôos normalmente? WTF?

    1. Isso é o que acontece quando uma pessoa passa muitos anos na área de TI, por isso larguei meu curso. rsrs

  15. O que mais me preocupa é que ele não está totalmente errado. O ponto de vista extremista dele vem me ajudado bastante a combater o software proprietário. Tem muito na mão de poucos. Isso não só vale para a tecnologia.

    1. Se o conceito de “ganhar dinheiro com ideias é controlar suas ideias e distribuir apenas a quem paga (ou dá valor)”, então é justo existir software proprietário, patentes e toda forma de controle de invenções, ideias e publicações.

      Isso gera justamente o muito na mão de poucos , pois quando você controla onde e como você quer que suas posses estejam, você é o único que recebe por aquilo.

      Tipo, imagine que você “tenha a maior e mais lucrativa ideia do mundo”, e ela é única e exclusivamente sua. Você a venderia por um preço de ouro, ou redistribuiria aos outros gratuitamente?

      1. Não vou ser hipócrita de dizer que distribuiria de graça porque mesmo que eu o fizesse teria gente ganhando em cima da minha ideia de qualquer jeito, porque o mundo hoje não está pronto para ser civilizado. Fui criado para fazer a maior quantidade de dinheiro possível comprar o que há de “melhor” para mostrar para todos e assim eu vou ser feliz. Pelo menos é isso que foi me dito até hoje.
        O conceito de você ganhar dinheiro em cima de suas ideias, em minha opinião, é totalmente ridículo. Assim como pagar por propriedades. Porque o ganhar dinheiro não contribui em nada para a sociedade, sua ideia pode ajudar mas enquanto cobrar de nada adianta. Por isso ser filósofo não dá dinheiro.
        Acho que nós, como sociedade, temos que rever muitos conceitos. Os maiores avanços da história não foram patenteados, sim eu sei, nos últimos anos podem, e provavelmente foram. Mas vivemos milhares de anos pegando o que era melhor e evoluindo, ai chega algum espertão e pensa, vou cobrar para as pessoas usarem ai ganho uns cascalhos a mais. Não é assim que deveria acontecer, deveríamos nos ajudar a evoluir. Não impor barreiras para a evolução.

      2. Não vou ser hipócrita de dizer que distribuiria de graça porque mesmo que eu o fizesse teria gente ganhando em cima da minha ideia de qualquer jeito, porque o mundo hoje não está pronto para ser civilizado. Fui criado para fazer a maior quantidade de dinheiro possível comprar o que há de “melhor” para mostrar para todos e assim eu vou ser feliz. Pelo menos é isso que foi me dito até hoje.
        O conceito de você ganhar dinheiro em cima de suas ideias, em minha opinião, é totalmente ridículo. Assim como pagar por propriedades. Porque o ganhar dinheiro não contribui em nada para a sociedade, sua ideia pode ajudar mas enquanto cobrar de nada adianta. Por isso ser filósofo não dá dinheiro.
        Acho que nós, como sociedade, temos que rever muitos conceitos. Os maiores avanços da história não foram patenteados, sim eu sei, nos últimos anos podem, e provavelmente foram. Mas vivemos milhares de anos pegando o que era melhor e evoluindo, ai chega algum espertão e pensa, vou cobrar para as pessoas usarem ai ganho uns cascalhos a mais. Não é assim que deveria acontecer, deveríamos nos ajudar a evoluir. Não impor barreiras para a evolução.

        1. Venho muito pensando por essa sua linha também. Fiz o comentário meio que contrário ao que penso para provocar um debate :)

          Depois penso melhor na resposta ;)

  16. O que mais me preocupa é que ele não está totalmente errado. O ponto de vista extremista dele vem me ajudado bastante a combater o software proprietário. Tem muito na mão de poucos. Isso não só vale para a tecnologia.

  17. Entendo a luta dele, mas tenho sérias dúvidas se essa é a melhor forma de combater o software proprietário.

    Além disso, acho que o software proprietário é essencial para o desenvolvimento tecnológico. Acho que se não existisse estaríamos em um ponto bem mais pra trás nesse mundo de TI. E quem não gosta e/ou não quer gastar, há alternativas…

  18. Ironicamente, toda essa obsessão por liberdade acaba por deixá-lo “preso” às pouquíssimas opções que atendem completamente seus requisitos.

    1. Assim como um vegano não pode ir a qualquer lugar para comer e sair satisfeito, ele está fora do eixo, logo, vão ser poucas as ferramentas mesmo.

      1. Um vegano não tão fanático ainda tem formas de se adequar ao “universo” fora do padrão dele. Qualquer “extremo” acaba de alguma forma totalmente fora dos padrões convencionais, e tem muito mais dificuldade em se adaptar a padrões fora do que ele considera interessante a ele.

    1. verdade. e ele menciona o software, mas como fica o hardware proprietário? se ele ficar pilhado com isso não dorme mais! hahahaha

  19. Como ele faz para ganhar dinheiro? E na opinião dele como as pessoas que trabalham com Internet deveriam se sustentar?

  20. De que maneira o software não-livre é uma afronta à liberdade? (Minha pergunta é menos patética se considerar que sou leigo na noção de software livre e “liberdade”).

    E ele compra produtos que foram feitos utilizando softwares não livre? Sei lá, digamos que um dos softwares livre foi feito num Windows…

    1. Para o Stallman, liberdade seria igual a “não depender de nada que fosse obrigado a ser identificado, ter um responsável que não tem transparência em suas atitudes e usa algo que interfere na liberdade alheia”.

      Dá para resumir também em “liberdade sua não pode interferir na liberdade de qualquer outro”. Tipo, se a gente usa um sistema proprietário (como agora), fazemos sob um código de uso (o EULA) que define o que você pode ou não fazer com um sistema destes. Quando estamos em um país, vivemos sob sua constituição e costumes morais da sociedade constituinte.

      Pode se alegar que ele tem também suas regras, segue regras (como os códigos de conduta GNU) e também restringe a liberdade de escolha alheia, quando ele defende fervorosamente e renega qualquer coisa relacionada a algo que ele não compactua.

      O problema na filosofia do Stallman é mezzo que o excesso que ele demonstra, o real fanatismo em não depender de “código proprietário” ou similar. Salvo engano, ele, ao que demonstra, nunca (ou rarissimo) tocou em algo fora de acordo com o que ele pensa.

      Edit: interessante´é pensar que se seguir o conceito dele 100%, ele tem uma contradição: Lenovos são equipamentos baseados na IBM, esta empresa que no passado foi uma das mais dominantes em informática.

  21. Eu só consigo pensar nele como um fanático. Fiquei com mais nojo ainda quando Jobs morreu e ele disse: “I’m not glad he’s dead, but I’m glad he’s gone.”
    Isso é nojento, ele coloca software livre acima de tudo e todos.

    1. Da última vez que vi alguém fazendo este tipo de comentário de forma pública, uma legião de adoradores caiu em cima…

        1. Cara, só me lembro do Pedro Burgos fechando um post no Giz pois lotou de fã do Stallman. Via de fato, Burgos também tinha exagerado um teco, mas realmente para um comentário estúpido do Stallman, estava de bom tamanho a crítica.

          1. quando o Jobs morreu eu comemorei a morte dele,não porque ele era software proprietário,é porque ele era uma desgraça de ser humano,psicopata imundo que humilhava pessoas…hahahaha,com o Renato Russo foi a mesma coisa,aquele falso moralista,lambe rabo de classe média branca,e cheirador de pó,fora a pregação ao suicidio que um monte de adolescentes retardados seguiram cegamente,mas tá bom marlon quando voce for, vou comemorar a sua morte tambêm hahaha,satisfeito?

    2. Cara, um fato é Jobs era um nojo de pessoa e um ser desagradável e desprezível. Era um gênio, ainda sim insuportável. Muita gente comemorou sua morte.

      1. Cara, ele tinha suas manias igual ao Stallman, mas ele separava muito bem o pessoal do profissional. Alem do que não é humano comemorar a morte de uma pessoa que lutou anos contra um câncer foda desses.
        Entre acreditar em um lunático que vê site pelo lynx e um cara que deu vida ao Next, MacOS e iPhone, eu fico com o ultimo.

        1. Não defendendo a persona do Stallman, mas ele foi de extrema importância para a criação do Linux desenvolvendo as ferramentas em torno do kernel e outras coisas como o próprio Emacs citado no texto. São contribuições bem menos visíveis para o usuário final, mas é coisa grande…principalmente considerando que o OS X e iOS são um “fork” do FreeBSD.

          1. Concordo, mas temos que olhar pro futuro. Se o mundo funcionasse do jeito que o Stallman quer, 90% das inovações não existiriam, e computadores seriam pra poucos tamanha complexidade.

          2. O mundo de Steve Jobs também não seria um dos mais legais, já que tudo seria integrado verticalmente na Apple como eles fazem hoje. Ainda bem que nenhum dois dois dominou o mundo.

            Se não fosse a internet, que tinha sua força baseada em protocolos universais e tecnologias livres, provavelmente estaríamos em um mundo bem mais atrasado porque as gigantes de hoje basearam-se fortemente nela (Amazon, Google, Facebook e até Apple de certa forma).

            A base que a tecnologia livre dá para inovação é imenso, ela torna facílimo para um estudante de Stanford criar um buscador que virou uma empresa bilionária. Software livre raramente se traduz em produtos para o usuário final como o Firefox ou Ubuntu, mas é largamente usado para fazer esses produtos.

            É complicado fazer essa conta de quem foi responsável por mais inovação, apesar de eu ter certeza (e não achar errado) que o papel das empresas é super-valorizado simplesmente porque o tipo de inovação das empresas é bem mais acessível às pessoas que a parte técnica como kernel, algoritmos, etc…

          3. Deixa eu ver se o Stallman concorda contigo: Opss eu tenho que enviar um email para um voluntario que ira filtrar a informação e envia-la por email que será aberto em um editor de texto. Dai o Stallman vai responder pro voluntario que vira aqui e publicará a resposta em nome do Stallman.

            Fala Sério, ele trouxe evoluções importantes mas ele parou no tempo com suas maluquices. Várias outras empresas representaram avanços muito mais importantes na area privada, que inclusive ajudaram o software livre.

          4. Quanto a isso (o exemplo do e-mail), acho que ele não está errado. Tim Cook ou Satya Nadella provavelmente não ficam respondendo e-mail de cliente perguntando quando sai o próximo iPhone ou Windows, eles têm gente para filtrar o e-mail, cuidar da agenda, resolver burocracias…

          5. Tim Cook ou Nadela tem pessoas para filtrar o Assunto. Stallman é o único que filtra a tecnologia. Ele faz isso por pura paranoia, da mesma maneira que deixou de assistir um filme na casa de sua amiga.
            Imagine o quanto o mundo seria improdutivo se seguíssemos as metodologias dele.

          6. Tim Cook ou Nadela tem pessoas para filtrar o Assunto. Stallman é o único que filtra a tecnologia. Ele faz isso por pura paranoia, da mesma maneira que deixou de assistir um filme na casa de sua amiga.
            Imagine o quanto o mundo seria improdutivo se seguíssemos as metodologias dele.

          7. Não discordo que Stallman é maluco e mais atrapalha que ajuda hoje em dia, estou argumentando que o papel do software livre está nos bastidores e não em produtos finais como entregue por empresas privadas. O software livre não parou no tempo e sua existência é importante para apoiar todos os tipos de novidade: seja proprietário ou livre.

            O Git, por exemplo, é uma revolução recente do software livre, mas é uma ferramenta e não algo que chamará a atenção do público obviamente. Ele defende um princípio importante que facilita a inovação por todos, mas ele é louco e faz isso de forma errada…gerando mais antipatia do que simpatia.

          8. Existem varias outras pessoas que fizeram mais pelo software livre com ações do que com paranóias sociais. Imagine as atitudes atuais dele em qualquer outra área.

          9. é véro. Git é sensacional e não precisa ser evangelista do software livre para utilizar.

        2. Ai que você se engana, é muito humano comemorar a morte de outros, pode não ser educado nem a coisa certa a se fazer. Mas sempre que alguém que você não goste, mesmo que num filme, o ser humano fica feliz sim.

          1. Isso entra em questões sociológicas – psicológicas.

            Pelas convenções sociais atuais, desejar a morte de um ser humano é desagradável. Só que isso é aceito por um grupo social apenas quando o desejo de morte é de alguém desagradável àquele grupo.

          2. Se essa pessoa que morreu tinha traços desumanos é aceitável.

            Agora comemorar a morte de uma pessoa só pq ela tinha ideias contrárias a sua é fanatismo.

  22. Huehuehue esse cara é foda, muito surtado. Com certeza um dos maiores gênios da computação ainda vivos.

  23. Huehuehue esse cara é foda, muito surtado. Com certeza um dos maiores gênios da computação ainda vivos.

  24. Impressionante.
    Nunca vi alguém com a mente tão aberta e ao mesmo tempo tão fechada.
    Fora a neura em usar a internet.

    1. Isso acontece com frequencia na internet. Basta ver os comentários em sites populares. Muita gente se diz mente aberta (e até tem), mas ao mesmo tempo fecha seus conceitos com algo que considera ruim, nocivo; e nada mais era que preconceito.

    1. Uso quase que exclusivamente software livre. Todo meu ambiente de desenvolvimento é baseado em software livre, exceto algumas dependências de integração. Não é ideologia, é estável, e maduro.

    2. A se pensar. Se não fosse o “open source” (base aberta), e o “free software” (software livre), acho que não teríamos o Android, uma web mais competitiva e barata (imagino que boa parte dos servidores são base Linux), onde teríamos todos estes sistemas-base onde muitos operam. Quem está na área de software livre, ganha pelo trabalho real que faz e tem seu trabalho aprimorado por outros, sem rios de dinheiro e “passes” (Como de jogadores de futebol) disputados por empresas, é o que imagino.

      Noto que a mentalidade de muitos na área de informática é “trabalhar para ganhar salário de médico em grande hospital e fazer pouco trabalho”. Há um ego e uma visão distorcida gigante aí.

      A maioria das inovações foram feitas por pessoas que começaram de baixo, com base livre até. Muitas vezes, hobbystas que viram que seu hobby poderia virar um nicho ou algo que atende e facilita a vida do próximo. Não foi feito por pessoas que viram que “computadores dão dinheiro para quem paga para eles”.

      Talvez uma vida sem “open source”, sem “free”, seria uma vida bem mais cara e a tecnologia não estaria tão democratizada quanto está hoje. Vai saber.

      O problema é que a tecnologia estaria na mão de poucos – um desejo de muitos “tecnochatos” – e isso poderia ser um problema sério.

      1. “acho que não teríamos o Android”

        Só temos Android por que houve iOS (que é fechado), pra fazer o Google (uma grande corporação, capitalista) comprar o Android e não deixa-lo… livre.

        1. Mas o iOS não faria muita coisa sem a Internet e outras tecnologias baseadas ou dependentes de software livre. Abdicar de patentes e direitos é um gesto muito nobre e boa parte das empresas de tecnologia não estaria aí não fosse pelo trabalho de velhinhos como Stallman, Vint Cerf e Tim Berners-Lee. Um dos resultados mais evidentes e GRANDES disso é estarmos aqui, hoje, debatendo num site na web. Se Berners-Lee tivesse patenteado a ideia no início dos anos 1990, seria tão fácil e acessível assim?

          A tecnologia é como a ciência: os novos criam sobre o que veio antes. Tecnologia de consumo, nesse sentido, é ciência aplicada, o resultado de processos longos e cheios de contribuições pelo caminho. Por isso acho que os malucos como o Stallman são importantes, para equilibrar a balança. Sem eles teríamos a sensação (ainda mais forte) de que o capitalismo é o único motor da inovação.

          1. Ir defender o software livre indo a reuniões com governo sem tomar banho e peidar varias vezes na mesa de reunião não ajuda muito não.

          2. Cara, acho que não dá para rebaixar tanto assim também. Não é argumento a questão da higiene da pessoa. Os hábitos pessoais e sociais sim, mas ficar só implicando no banho não é lá muito o foco da história. Tem gente que não toma banho, mas tem boas ideias. E peidar, até o papa (e se bobear, o Francisco falaria com a maior naturalidade do mundo sobre isso : ) ) .

          3. Pensa como alguém que não entende muito de TI, ele chama 1 representante da MS pra defender o software proprietário, vai arrumado, educado, e mostra as vantagens.
            Na semana seguinte vai Stallman, sem banho, peidando a vontade, reclamando do AC, do chá e que esta com pouco tempo e precisa terminar rápido a reunião.
            Em quem vc acha que vao confiar?
            Por isso digo que ele não é um bom RP para o SL, existem muitos outros mais amigáveis e sem tanta manias loucas.

          4. Do jeito que hoje as pessoas dão mais valor às palavras que para visual, o pessoal confiaria mais em palavras bem ditas pelo Stallman do que por palavras “feitas pelo pessoal de marketing da MS”.

            Basta ver que dá mais audiência as histórias sobre um mendigo que vende literatura de cordel por aí.

          5. Um ponto extra é lembrar que a base dos atuais sistemas open-source é o Linux, criado por Linus Torvalds, que a única “patente/direto” que tomou foi do nome e do pinguim-mascote (isso em tempos recentes). Fora isso, o código é livre, e a partir deste sistema é que cresceu tudo isso :)

            Só não sei se Linus é tão milionário quanto Gates ou Jobs, mas de uma coisa é certa: relevância ele tem, e a gente esquece disto :)

        2. O Android (código) é aberto e livre. O Google comprou os direitos dele, mas manteve o sistema em aberto. Isso permitiu que criasse uma comunidade de entusiastas que modificam o sistema e o aprimoram. Isso que resultou no MIUI, no Cyanogen, e com isso toda uma série de melhorias baseadas nos mods da comunidade.

          Salvo engano, o que é “fechado” no Android é os apps e sincronismo no Google, fora isso, toda e qualquer modificação é livre ;)

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