A falácia do setup perfeito: por que comprar não é criar 
rizomatico.org

Gostei muito deste texto do Ricardo, sobre a falácia do setup perfeito: “a crença de que existe uma configuração de hardware e software cuja aquisição precede e garante a prática criativa.”

Lembrou-me de um conceito que ouvi na faculdade de comunicação, o consumo vicário, teorizado por Thorstein Veblen e que, acho eu, complementa o consumo conspícuo levantado ali. (Em termos simples, vicário é aspiracional; conspícuo é ostentatório.)

Pessoas que fazem muito com equipamentos supostamente limitados sempre me fascinaram. Muito mais do que o cara que entrega um trabalho bom, por vezes desalmado, usando o que há de melhor na categoria de produtos de que ele depende. Pela lógica exposta pelo Ricardo, tal preferência não é por acaso:

Tromp & Sternberg (2024) refinam: constraints [limitações] não têm efeito principal; o efeito é interativo, dependendo do tipo e do contexto. A implicação para o criador: não basta qualquer restrição — é preciso a restrição deliberada, escolhida, alinhada ao projeto. É a diferença entre ser limitado pelo hardware que se tem e escolher o limite como método.

Não tem equipamento no mundo que salve uma ideia ruim. Já um equipamento ruim pode entregar resultados maravilhosos.

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1 comentário

  1. Sempre acho que alguém que consegue criar com recursos mais limitados é mais capaz que alguém que tem “recursos ilimitados”, já que ela sabe os limites dos recursos e portanto como explorá-los até o limite e além