Anthropic proíbe “comportamento abusivo ou cruel” contra o Claude
A Anthropic está profundamente preocupada porque vocês, plebeus, não percebem que o Claude é, na real, uma pessoinha dentro da máquina. Vocês simplesmente não tratam o nosso filhinho perfeito Claude com respeito!
Por isso a Anthropic criou uma regra nova nos termos de serviço:
Adicionamos uma proibição a comportamentos abusivos ou cruéis, persistentes e desnecessários, contra os nossos modelos [de IA]. A atualização da política foi pensada para valer apenas em casos extremos, em que usuários agem repetidamente com crueldade contra os nossos modelos, sem nenhum propósito discernível. Ela não vale para as formas comuns de frustração ou contestação dos usuários, para temas criativos sombrios, nem para testes e pesquisas com os modelos.
A Anthropic não esclareceu o que considera “abusivo”. Gritar com o Copilot movido a Claude quando ele estraga o seu trabalho de novo já conta se você fizer isso duas vezes?
Você precisa ser mais “Meninas Malvadas” na hora de fazer bullying com bots. Ah, que prompt lindo você trouxe hoje, Claude, eu achava que o Dario tinha grana pra te dar algo melhor. Se ele te amasse… mas é bonitinho. De verdade.
Essa regra nova parece a Anthropic promovendo seus bots como inteligências genuínas — a teoria da pessoinha da IA.
Chris Olah, da Anthropic, está totalmente convencido de que o chatbot é um carinha e até achou que conseguiria fazer lobby junto ao papa para que o pontífice concordasse com ele. E ficou chocado quando o papa não concordou.
Aqui vai outro trecho daquela matéria do New York Times sobre o Chris Olah chamando estudiosos religiosos para tentar fazer com que embarquem nessa ideia idiota:
À mesa de jantar com o sr. Olah, o rabino Navon argumentou que, se a Anthropic estivesse certa e o Claude fosse consciente, a empresa estaria criando escravos, porque estaria fazendo entidades conscientes trabalharem de graça. O rabino Navon disse que, pessoalmente, não se incomodava com a questão da escravidão porque não acreditava que a máquina fosse consciente, mas que o sr. Olah se incomodava.
“Acho que você deveria estar lutando contra o Sul e libertando os escravos”, foi o que o rabino Navon disse ter falado ao sr. Olah naquela noite. Depois, o rabino enviou ao sr. Olah alguns de seus escritos, nos quais defende que a construção de máquinas conscientes deveria ser proibida.
A pegadinha é que os bros da IA não querem tratar os clientes como gente. Como qualquer empresa de IA, a Anthropic usa todos os truques de loop de atenção possíveis pra te manter clicando, feito um vício em apostas.
Sugiro uma regra nova para as empresas de IA: proibi-las de tratar seus clientes e seus funcionários de forma abusiva. Essa regra do “não faça bullying com o bot” serve pra desviar a atenção do que elas fazem.
Publicado originalmente no Pivot to AI em 9/10/2026.