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“Algumas coisas ruins” podem acontecer com você, mas é um sacrifício que Sam Altman está disposto a fazer

por David Gerard

O fundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, participou na segunda (5) do podcast Decoded, do Politico, e passou o tempo todo desconversando sobre vários assuntos, mas uma frase dele, impressionante, deu o que falar:

Acho que uma das maiores diferenças entre nós e alguns dos, digamos, defensores mais rígidos da segurança em IA é que acreditamos que o mundo deveria aceitar que algumas coisas ruins aconteçam em troca dos benefícios dessa tecnologia e de as pessoas terem autonomia.

Que coisas ruins, Sam? Com quem essas coisas ruins vão acontecer, Sam?

Numa leitura generosa, dá para entender isso só como a velha ideia de que toda tecnologia tem prós e contras. Claro.

Mas existe um contexto aqui — como a recente arruaça hacker da OpenAI e o fato de que as empresas de IA agora dizem ao público que o chatbot delas pode matar todo mundo, talvez. Apesar disso, por algum motivo não podemos desligá-los.

Faz mais de uma década que Altman martela essa história de que a IA vai matar todo mundo. Aqui temos Altman em 2015, na conferência Open Air do Airbnb, quando ainda era investidor de risco na Y Combinator e estava só começando a OpenAI:

Acho que a IA provavelmente, tipo, muito provavelmente, meio que vai levar ao fim do mundo, mas, enquanto isso, é… vão surgir ótimas empresas com machine learning sério.

Que maravilha, Sam.

Para mim e para você, a grande tecnologia do Altman tem trazido, cada vez mais, só custos. A OpenAI vive infernizando a nossa vida. Aluga data centers enormes e insuportáveis. Faz subir o preço de qualquer eletrônico. As empresas de IA vendem o chatbot delas como algo que vai botar todo mundo no olho da rua e deixar nossa vida ainda pior. E, se você ainda tiver emprego, ganha o privilégio de ter que usar o Copilot ou o Claude Code!

Depois ficam surpresos quando as pessoas não querem dar a eles o benefício da dúvida.

Altman também insiste nesse tema — de que a sua vida precisa ser meio que uma droga agora para poder ser uma droga ainda maior depois — em sua última entrevista à Vanity Fair.

Altman repassa uma penca de desastres com que o chatbot dele poderia nos agraciar. A IA invade todos os computadores! A IA cria uma nova doença virulenta! A IA pode extinguir a humanidade!

Mas tá tudo bem, veja só:

Estamos dispostos a aceitar que algumas coisas deem errado para garantir que esta seja uma tecnologia amplamente difundida, amplamente usada e democrática.

Altman não liga para a democracia. Ele não está atrás de dar poder às pessoas em larga escala. Quando diz “democracia”, quer dizer que ele quer permissão — quer cúmplices.

Altman já diz que a Singularidade chegou! Mas você vai continuar preso num emprego bosta, mal conseguindo sobreviver.

O ponto principal sobre esses caras da IA é que eles não estão nem aí para você. Quando falam em humanidade, estão falando só de caras como eles.

Publicado originalmente no Pivot to AI em 6/10/2026.

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