O Archive.org salvou os posts excluídos no fio em que Danielle Foré expõe a celeuma que ameaça o futuro do elementary OS. Embora tenham sido classificados como dispensáveis para compreender a situação da empresa, achei-os bastante elucidativos.

Danielle se ofereceu para comprar a metade de Cassidy James, o co-fundador que está saindo do dia a dia da operação, por US$ 26 mil. O valor surpreende — baixíssimo para uma operação desse porte. Cassidy, num primeiro momento, topou, mas depois voltou atrás, acionou seus advogados e exigiu um pagamento imediato de US$ 30 mil, outro de US$ 70 mil em até dez anos e 5% da empresa.

O impasse continua e o futuro do elementary OS segue incerto. Via Archive.org (em inglês).

Co-fundadores do elementary OS brigam e projeto pode rachar

O projeto elementary OS, uma distribuição Linux mais amigável a usuários comuns/não programadores, rachou. No Twitter, a co-fundadora Danielle Foré publicou um fio explicando os bastidores da celeuma.

Segundo seu relato, a baixa no faturamento decorrente da pandemia de covid-19 afetou o equilíbrio financeiro da empresa. Por lidarem com produtos digitais, havia pouca margem para cortes, o que levou à diminuição de salários.

No início de fevereiro, às vésperas de uma reunião para debater um novo corte salarial, o outro co-fundador, Cassidy James, avisou Danielle que havia aceitado um emprego fora, em outra empresa, mas que queria continuar liderando e tomando decisões no elementary OS. Danielle não aceitou: “O elementary OS sempre foi operado e controlado pelas pessoas que fazem o trabalho.”

Daí surgiu o impasse que emperrou a empresa em um momento em que ela perde dinheiro diariamente. Danielle quer que Cassidy se afaste do projeto (recebendo as devidas indenizações e pagamentos por sua parte) e que, caso isso aconteça, reformulará a empresa para torná-la sustentável outra vez — e será “mais cuidadosa com as pessoas em quem confia”.

Se nada der certo, porém, ela pretende tirar férias do universo Linux ou participar de outros projetos.

De seu lado, Cassidy respondeu a “um fio sobre ele”, sem mencionar Danielle, que existe uma discordância e há advogados envolvidos, por isso foi aconselhado a não dar detalhes da situação, mas que espera falar abertamente em breve, quando as coisas avançarem.

O elementary OS vivia um bom momento, ao menos em termos de produto. Em 2021, ano do seu décimo aniversário, lançou a sexta versão e uma incremental (6.1) recheada de recursos, ambas bem recebidas pela crítica. A distribuição, que foca em UI e UX e tem uma série de aplicativos e soluções próprias, se destaca em meio a nomes mais tradicionais e menos amigáveis no universo Linux. Com a crise, o futuro do elementary OS fica em suspenso. Via @DaniElainaFore/Twitter, @CassidyJames/Twitter (ambos em inglês). Dica do Matheus Fantinel no nosso grupo do Telegram.

O LibreOffice 7.3 continua o trabalho da Document Foundation de aperfeiçoar a compatibilidade da suíte com os formatos do Microsoft Office e facilitar a migração de usuários. Desta vez, temos melhorias no monitoramento de alterações em textos e tabelas, no desempenho ao abrir arquivos *.docx e *.xlsx/*.xlsm grandes e/ou complexos e em filtros de exportação. Via Document Foundation (em inglês).

Backup e sincronia de arquivos sem nuvens comerciais, só com software livre

Admitamos desde já: somos preguiçosos. Quando algo funciona, ainda que não da maneira ideal, a tendência é deixar estar, seguir a vida. Essa era a minha postura em relação a backups remotos. Por muito tempo usei nuvens comerciais, os iCloud, Dropbox, Google Drive e OneDrive da vida, como único backup do tipo.

Resolvi mudar isso no final de 2021, motivado por aquela cisma com a Apple. Meu objetivo era substituir o iCloud, que usava para sincronizar arquivos entre celular e computador, e que por conveniência e inércia acabava sendo o meu único backup remoto.

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Ajuste o brilho de monitores externos pelo teclado no macOS com estes aplicativos

Quem usa notebooks da Apple ligados a monitores externos deve ter percebido que controles de brilho e de volume do teclado não funcionam nesse cenário. É o tipo de coisa que deveria funcionar, mas não é o caso — pelo menos até você instalar um desses aplicativos.

Um deles é o Lunar. É cheio de comandos e funcionalidades que vão além dos controles de brilho e volume, mas boa parte delas fica atrás de um pagamento/assinatura, de US$ 20,30 (~R$ 115), que dá direito a um ano de atualizações. E talvez nem sejam tão necessárias. Felizmente, existe uma versão “lite”, que só o faz o básico, por um preço mais em conta (R$ 16,90 na App Store).

Outra opção, a que tenho usado, é o aplicativo de código aberto (e gratuito) MonitorControl. Ao contrário do Lunar, o MonitorControl praticamente não tem interface — só uma janela de configurações e um discreto ícone na menubar que combina com os nativos do macOS.

Qualquer que seja o app escolhido, é bom voltar a ter esse controle pelo teclado no monitor externo, especialmente naqueles que carecem do sensor de luminosidade e consequente ajuste automático do brilho (a maioria).

Na sexta (31) a equipe de design do Gnome lançou a versão estável da Libadwaita 1.0, nova biblioteca que implementa as diretrizes de interface humana (HIG, na sigla em inglês) para o GTK 4. Complicado? Em termos práticos, a Libadwaita define e de certa forma impõe consistência estética aos aplicativos baseados no GTK, como os do Gnome. (Aqui tem uma tentativa de explicação mais técnica, mas ainda assim acessível, em inglês).

Os primeiros frutos desse amplo trabalho devem aparecer no Gnome 42, previsto para 23 de março. Via OMG! Ubuntu e blog do Alexander Mikhaylenko (ambos em inglês).

Krita 5, Darktable 3.8 e Pinta 2: Grandes atualizações de aplicativos de arte digital de código aberto

O fim de ano foi generoso para quem faz arte digital em aplicativos de código aberto. Os projetos Krita, Darktable e Pinta lançaram atualizações grandiosas. Abaixo, uma lista delas — os links levam aos anúncios oficiais, todos bem detalhados (e em inglês):

  • Krita 5.0, em 23 de dezembro: Classificada como uma das “maiores e mais significativas atualizações que o Krita já teve”, traz melhorias em todas as partes do aplicativo de desenho digital. Para dar uma ideia, sistemas básicos como gradientes, paletas de cores e pincéis foram refeitos do zero e estão mais rápidos e consumindo menos memória. O Krita é um aplicativo de desenho digital, uma espécie de “Photoshop de código aberto”. Para Android/ChromeOS (beta), Linux, macOS e Windows.
  • Darktable 3.8, em 24 de dezembro: A segunda atualização de recursos do ano do Darktable, uma espécie de “Lightroom de código aberto”, reformulou os atalhos do teclado (e acabou com a personalização), documentação atualizada, novos módulos de processamento e outras novidades menores. Para Linux, macOS e Windows.
  • Pinta 2.0, em 31 de dezembro: A grande novidade é de ordem técnica, a saber, a transição da base do aplicativo para o GTK 3 e .NET 6, mas isso trouxe melhorias práticas também, como suporte a monitores de alta resolução, caixas de diálogo em formato nativo do sistema e facilidades na instalação em macOS e Windows (as dependências vêm no mesmo pacote). A mudança mais drásticas é a reforma no painel de ferramentas, que agora usa um leiaute em coluna única. Para Linux, macOS e Windows.

A System76 liberou a versão final do Pop_OS! 21.10, sua popular distribuição Linux. Dois destaques: uma nova Biblioteca de Aplicativos, que ao contrário da do Gnome Shell não ocupa a tela inteira, e uma versão especial para Raspberry Pi 4 e 400, chamada Pop_Pi. Ainda é um “tech preview”, o que significa que falhas podem ocorrer.

O Pop_OS! 21.10 vem com kernel Linux 5.15.5 e os drivers Nvidia mais recentes, Gnome 40 como base e outras melhorias, é gratuito e funciona em qualquer computador compatível — não é exclusivo para as máquinas da System76. Baixe-o no link ao lado. Via System76 (em inglês).

Uma falha do tipo “dia-zero” na biblioteca Log4j, da Apache, foi divulgada e corrigida na última sexta-feira (10). A biblioteca é usada no processo de autenticação via internet por grandes empresas, como Amazon, Apple, Cloudflare, Steam, Tesla e servidores de jogos como Minecraft. Por isso, e pelo modo como permite que a biblioteca seja explorada, a falha é considerada gravíssima: basta uma “string” (um texto) executada remotamente para que o atacante obtenha acesso e privilégios no computador-alvo, podendo depois disso instalar softwares e capturar dados. Via The Hacker News (em inglês).

O Bleeping Computer listou alguns casos em que a falha na Log4j já está sendo explorada: instalação de mineradores de criptomoedas, “recrutadores” de botnets e captura silenciosa de dados. Via Bleeping Computer (em inglês).

Apesar de corrigir a falha na versão 2.15.0, pode levar algum tempo para que os milhões de servidores que usam a biblioteca Log4j atualizarem — e não há garantia de que todos farão isso. O potencial de estragos é enorme.

Um detalhe deprimente: o mantenedor da Log4j faz isso nas horas vagas e tem três apoiadores (pessoas que pagam pelo seu serviço) no GitHub. A gente já viu esse filme: softwares que sustentam negócios trilionários mantidos por voluntários em seu tempo livre. Está tudo errado. Via @FiloSottile/Twitter (em inglês).

O grande espelho de software livre e outros projetos do C3SL

Se você está no Brasil e usa Linux, é bem provável que já tenha se deparado com um domínio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o c3sl.ufpr.br, ao atualizar seu sistema ou aplicativos. Trata-se do espelho do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL), um grupo de pesquisa do pessoal da Informática da UFPR.

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De volta ao Android (agora sem Google)

Abri os arquivos do Manual do Usuário para recuperar algumas datas. O último celular Android que testei com meu número pessoal foi um Galaxy S5 New Edition, em janeiro de 2016. O último Android em que dei uma olhada foi um Moto G7 Play, em maio de 2019. Faz uma semana que, após quase seis anos usando apenas iPhone no dia a dia, voltei a usar um Android, mas não qualquer Android: é um sem o Google, ou “degoogled”.

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Já está disponível o novo Raspberry Pi OS baseado no Debian 11 “Bullseye”, lançado em agosto. Além das atualizações, melhorias e correções do sistema base, esta versão do Raspberry Pi OS traz mudanças importantes, como a atualização para o GTK+ 3 e a consequente mudança do gerenciador de janelas para o mutter (em dispositivos com +2 GB de RAM), um sistema de notificações globais e alertas de atualizações direto na barra de tarefas. Mais detalhes e links para instalador e imagens no link ao lado. Via Raspberry Pi (em inglês).

Há um detalhe na Truth, nova rede social de Donald Trump, que ele e sua equipe não revelam: ela foi criada com base no Mastodon, sistema de código aberto e livre para a criação de redes sociais federadas. Em lugar algum há menção ou crédito ao Mastodon, o que é uma violação grave da licença do projeto (AGPL v3).

Entre instâncias (servidores) do Mastodon, já rola uma movimentação para banir a rede de Trump proativamente, caso um dia ela venha a se federar, ou seja, tente se comunicar com outras instâncias públicas. No Fediverso, o ambiente público em que servidores distintos de redes sociais descentralizadas se comunicam, é comum que administradores troquem informações (com a hashtag #Fediblock) de instâncias com conteúdo extremista ou ilegal e as bloqueiem. Via @feditips@mstdn.social (em inglês).

O Mastodon é uma rede social que lembra o Twitter, porém é descentralizada e de código aberto. Para entendê-la melhor, leia esta reportagem.

O Ubuntu 21.10 “Impish Indri” foi lançado nesta quinta (14) com algumas atualizações esperadas (Linux 5.13, Gnome 40) e outras menos óbvias, como a versão em Snap do Firefox e a remoção do tema “híbrido” do Yaru (o claro agora é padrão). Esta versão terá 9 meses de suporte e poderá ser atualizada para a próxima, 22.04 “Jammy Jellyfish”, que será do tipo LTS, ou seja, com suporte estendido, de no mínimo cinco anos. Via Canonical, OMG! Ubuntu! (em inglês).

A The Document Foundation (TDF) liberou, nesta quinta (19), o LibreOffice 7.12 Community. O maior destaque é o trabalho de compatibilidade com os formatos de arquivos proprietários da Microsoft — mais de 60% dos “commits”, ou mexidas no código, foram por este motivo.

No comunicado publicado em seu blog oficial, a TDF explica que “os arquivos da Microsoft ainda são baseados no formato proprietário descontinuado pela ISO em abril de 2008, e não no padrão aprovado pela ISO, então eles [a Microsoft] incorporam uma grande quantidade de complexidade oculta artificial”. E depois acham ruim quando levam processos antitruste.

Outra novidade legal da versão 7.2 é a inclusão de um buscador interno para os menus do LibreOffice, acessível pelo atalho Shift + Esc, muito parecido com o recurso nativo e universal do macOS (Command + Shift + /).

Mais detalhes do que há de novo no link ao lado. Via The Document Foundation (em inglês).