Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

Co-fundadores do elementary OS brigam e projeto pode rachar

O projeto elementary OS, uma distribuição Linux mais amigável a usuários comuns/não programadores, rachou. No Twitter, a co-fundadora Danielle Foré publicou um fio explicando os bastidores da celeuma.

Segundo seu relato, a baixa no faturamento decorrente da pandemia de covid-19 afetou o equilíbrio financeiro da empresa. Por lidarem com produtos digitais, havia pouca margem para cortes, o que levou à diminuição de salários.

No início de fevereiro, às vésperas de uma reunião para debater um novo corte salarial, o outro co-fundador, Cassidy James, avisou Danielle que havia aceitado um emprego fora, em outra empresa, mas que queria continuar liderando e tomando decisões no elementary OS. Danielle não aceitou: “O elementary OS sempre foi operado e controlado pelas pessoas que fazem o trabalho.”

Daí surgiu o impasse que emperrou a empresa em um momento em que ela perde dinheiro diariamente. Danielle quer que Cassidy se afaste do projeto (recebendo as devidas indenizações e pagamentos por sua parte) e que, caso isso aconteça, reformulará a empresa para torná-la sustentável outra vez — e será “mais cuidadosa com as pessoas em quem confia”.

Se nada der certo, porém, ela pretende tirar férias do universo Linux ou participar de outros projetos.

De seu lado, Cassidy respondeu a “um fio sobre ele”, sem mencionar Danielle, que existe uma discordância e há advogados envolvidos, por isso foi aconselhado a não dar detalhes da situação, mas que espera falar abertamente em breve, quando as coisas avançarem.

O elementary OS vivia um bom momento, ao menos em termos de produto. Em 2021, ano do seu décimo aniversário, lançou a sexta versão e uma incremental (6.1) recheada de recursos, ambas bem recebidas pela crítica. A distribuição, que foca em UI e UX e tem uma série de aplicativos e soluções próprias, se destaca em meio a nomes mais tradicionais e menos amigáveis no universo Linux. Com a crise, o futuro do elementary OS fica em suspenso. Via @DaniElainaFore/Twitter, @CassidyJames/Twitter (ambos em inglês). Dica do Matheus Fantinel no nosso grupo do Telegram.

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22 comentários

  1. Puts. Por essas e outras que as vezes é melhor aceitar o macOS e dane-se. Pra usar linux tem que querer muito, mas muito mesmo.

  2. Acompanhei a discussão no Twitter, muito triste ver do jeito que está acabando as coisas. Uso o eOS há anos, definitivamente é a minha distro favorita, e já vinha estranhando a falta de comunicação no blog, e a falta de updates mensais.
    Espero que eles possam resolver da forma mais amigável possível.
    Não sei como fica as doações pelo GitHub agora, uma situação complicada, eles estavam animados com o GTK4 e as novas API’s do Gnome e padronização do dark mode…

  3. Esse é um dos problemas do mundo Linux.
    Já perdi as contas de quantos projetos e distribuições promissoras eu vi morrer por conta de problemas do tipo.
    “Ah, mas em todo lugar é assim”.
    Meu amigo, frequente um projeto linux e tome contato com a comunidade e vc vai entender até o que eu nem citei.

    Por isso hoje eu só uso distribuição que tenha uma grande empresa por trás e me mantenho longe da comunidade Linux.

    1. É algo da natureza humana e mesmo empresas que trabalham com código fechado estão suscetíveis a isso — que o diga a galera que investiu no Windows Phone, para ficar em um grande exemplo.

      A menos que você tenha dados que provem que softwares de código aberto são proporcionalmente mais suscetíveis a esses conflitos que os fechados, acho uma acusação injusta de ser feita.

      1. Ghedin, ninguém tem dados disso pq ninguém tabula briga de funcionários.
        Mas tenho a vivência e por isso falei: “frequente um projeto linux e tome contato com a comunidade”. Ou seja, veja vc mesmo sobre o que falo!
        Já fui dev de vários projetos Linux, Opensource, etc.
        Tem muita briga e o motivo é sempre o mesmo!
        Desde que sai desses projetos, a minha saúde mental melhorou consideravelmente.
        Hoje trabalho em uma ótima empresa fechada e o modo como lidam com os conflitos é completamente diferente! Me sinto seguro para discordar e não me sinto mal quando alguém discorda de mim!

        1. Ah, não duvido que a incidência de conflitos seja maior em projetos voluntários/de código aberto, mas justamente pelo motivo contrário ao que você alega — a liberdade de manifestar-se. Sentir-se seguro para apontar erros de estratégia em uma empresa tradicional é um privilégio; em geral, a galera engole e executa, por mais errada que esteja, porque contrariar gestores pode significar uma demissão lá na frente.

          O que quero dizer é que tudo que envolve dois ou mais seres humanos é passível de dar confusão, hehehe 😄

        2. Talvez você esteja participando dos projetos errados. 😉

          Existe um universo de projetos de software livre e, especialmente os mais antigos, resolvem suas questões com relativa tranquilidade. Existem conflitos? Com certeza. Mas os projetos continuam existindo e seguindo adiante.

          Eu colaboro como tradutor de softwares livres desde 2001 e nunca passei por nada que tirasse meu sono ou me deixasse perturbado. E citando dois projetos que não são mantidos por empresas e funcionam muito bem, cito a distribuição Debian e a comunidade KDE. Como esses, existe vários outros.

    2. Pode não ser por brigas, mas não é exclusividade do linux ou do opensource deixar os usuários na mão, vide o windows phone citado pelo ghedin e os diversos produtos que o google descontinua dia sim, dia também.

      Ao menos no open source existe a chance de alguém com conhecimento técnico suficiente continuar o projeto.

      1. Em nenhum momento falei que isso era exclusividade de Linux/opensource. Mas já trabalhei dos dois lados e sei como funcionam, seus pros e contras. Já trabalhei de graça e remunerado.
        Quanto ao Windows phone: o seu fim em nada tem a ver com o problema citado.
        E sobre alguém continuar um projeto opensource: no papel é lindo, mas eu navego diariamente pelo GitHub, ajudo em uma coisa ou outra e por isso te afirmo que as coisas não são bonitas como parecem.
        No papel o FOSS é lindo, mas na prática muita gente já tem questionado muitas coisas que não batem com a realidade e isso tem gerado mais brigas ainda na comunidade.

        1. Ficou subentendido quando disse “Esse é um dos problemas do mundo Linux”, se não era esse o objetivo, uma frase melhor seria “Esse é um dos problemas do desenvolvimento de software”.

          Eu sei que o problema do windows phone não é o mesmo, mas pro usuário final, faz alguma diferença? Ficou sem o produto do mesmo jeito.

          Por fim, claro que FOSS tem seus problemas, mas a alternativa (software proprietário) não está resolvendo nenhum deles, além de ter seus próprios problemas (que por mim são piores ainda) e não é lindo nem “no papel” e muito menos na prática.

  4. ele só queria pagar as contas… se não desse conta do recado, então poderia ser desligado do projeto.

    E continua o meme, o ano do linux sempre será ano que vem…
    LY = y+1

    1. Se as coisas não estavam melhorando com ele 100% focado no projeto, pq vc acha que ele ajudaria com a atenção dividida com outro emprego?

    2. Se parar para pensar que:

      – O Android tem base Linux em alguns pontos
      – O ChromeOS também
      – Boa parte dos servidores são Linux
      – O Windows tem código Linux

      Então já estamos no Ano do Linux e o meme é válido pois agora o ano é Hoje + Amanhã.

    1. Parece que são inimigos do botão minimizar.
      Fora que só vão atualizar pro 22.04 LTS quando este estiver no 23.10

    2. É amigável pra quem tem interesse em algo próximo do Mac OS, com suas devidas limitações, claro.

      Pra mim, a melhor definição do eOS é a do Diolinux: É um sistema que é ok em tudo, mas não é o melhor em nada.

      1. Ae você vai abrir a loja e a loja não funciona, ae você espeta um pendrive e para formatar (faz como) não tem um utilitário que vem junto (lembrando que testei ano passado e terminado de ler o post e olhando no youtube já tem uma nova versão), pra quem tá chegando no linux acho bem mais amigável Zorin OS, Linux Mint, e o próprio Ubuntu. Tem o apelo visual para alguns mas não sei se isso justificaria colocá-lo como uma distro amigável.

      2. Acho que amigável, assim como intuitivo, é um conceito vago. Refraseando: Elementary OS é uma boa distro para quem?

        Um público pode ser os usuários muito básicos: o famoso “PC da avó para acessar internet”. Talvez funcione, mas o esmero exagerado por consistência, leva decisões ruins para esse público. Por exemplo, usar Gnome Web e não ser fácil instalar aplicações que não sejam feitas para o Elementary OS.

        Fora isso, talvez um usuário que valorize muito UI e consiga/prefira se virar com as aplicações básicas. Ao mesmo tempo, que saiba se virar com terminal para coisas básicas e instalar um SO.

        Espero estar errado, mas me parece um projeto com ambição demais para o tamanho dele. Um software muito bom, mas um produto sem futuro.

        1. Isso faz mais sentido mesmo. Há (havia?) ali um potencial para ser algo ~amigável, mas que ainda não havia se realizado. “[…] me parece um projeto com ambição demais para o tamanho dele” — acho que é isso.

        2. Acrescentando mais elementos à sua fala, a questão da amigabilidade talvez deva ser quebrada em UI e manutenção do sistema. Do ponto de vista da UI, podemos abstrair para os ambientes desktop ao invés da distro propriamente dita. Já a manutenção do sistema implica na instalação de pacotes e suporte a softwares atualizados. É um equilíbrio meio complicado de se manter, mas algumas distros conseguem fazer isso, dependendo do uso que se quer dar.

          Por exemplo, a Debian é relativamente simples de ser mantida, seja com o GNOME ou com o Plasma Desktop, mas tem pacotes geralmente mais antigos, por focar em estabilidade. Pode ser uma boa escolha para ambientes mais “estáveis”, como escritórios. Já a KDE Neon é uma personalização do Ubuntu que tem sempre os pacotes mais atualizados da comunidade KDE. Pra quem gosta de ficar sempre com as últimas novidades, é uma ótima escolha.

          Eu, particularmente, gosto do Plasma, pela quantidade de opções que ele oferece, podendo assumir a cara que o usuário quiser. Pra mim, isso é ser amigável. Para outras pessoas, amigável é dar opções únicas para cada coisa, então elas preferem o GNOME. Ou seja, como disse o Gabriel, esse conceito pode ser bem relativo.

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