Napster e o legado (legalizado) da “pirataria”

por Andressa Soilo

Em 2019, o Napster, serviço pioneiro de compartilhamento peer-to-peer (P2P) de músicas “piratas”, completa 20 anos. Há duas décadas, milhões de pessoas com acesso à internet vivenciaram uma das mais empolgantes experiências no que concerne ao consumo da música: o download gratuito de quaisquer canções na rede. Para além da gratuidade, quem realizava os downloads estava livre para adquirir apenas as músicas que lhe interessava — desprendendo-se, muitas vezes, de faixas desconhecidas que compunham o álbum de um artista — e contava com a comodidade de obtê-las em casa, sem ter que se deslocar fisicamente até uma loja de CDs.

Mais do que facilitar a vida daqueles que tinham acesso a computadores e à internet ao final da década de 1990, o Napster localizou a música no campo digital, introduzindo (de modo mais categórico) sensos de justiça sobre o consumo ou mesmo inspirando o formato de negócio que muitos anos depois seria adotado por empresas como o Spotify. É sobre tais legados que este texto trata.

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Com o mercado retraído, Positivo aumenta as vendas de celulares em quase 50%

Nunca foi tão difícil vender celulares. Após praticamente uma década de crescimento acelerado puxado pelos smartphones, a consultoria IDC registrou em 2018 uma queda de 4,1% no mercado global de celulares. No Brasil, o mergulho foi mais profundo, de 6,8%. Se de longe este cenário parece uniformemente ruim a todas as empresas, visto de perto algumas exceções se revelam.

No mundo, as chinesas estão conseguindo replicar o sucesso fácil conquistado dentro de casa em praticamente todos os demais países com exceção dos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a Positivo registrou um crescimento vertiginoso nas vendas de celulares neste início de ano: 48,7% em relação ao mesmo período de 2018, desempenho equiparável ao da Huawei1. Como isto foi possível?

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O The Pirate Bay e a persistência mitológica

por Andressa Soilo

Na mitologia grega, a Hidra de Lerna corresponde a um monstro que habita região pantanosa na península de Peloponeso e é considerada uma das criaturas mais temidas da antiga Grécia. Dotada de um corpo com aspecto canino — ou de dragão, a depender da narrativa —, tal criatura apresenta como uma de suas principais características a pluralidade de cabeças: a Hidra conta com nove cabeças serpentinas, sendo que uma dessas seria considerada imortal. Ainda que as narrativas de um monstro com múltiplas cabeças, por si só, sejam suficientes para suscitar noções de pavor e de curiosidade aos destinatários de tal mito, é a capacidade de rápida regeneração da Hidra que se destaca enquanto tópico intrigante.

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Universo alternativo: Cine Filmes e a pirataria de filmes debaixo do nariz do Google

Nota do editor: Esta matéria é parte de um especial do Manual do Usuário sobre aplicativos para Android em posições de destaque na Play Store brasileira, mas que estão fora do radar da imprensa. São famosos desconhecidos que, juntos, criam uma espécie de universo alternativo dos apps. Leia também a primeira parte (4Shared) aqui e a segunda (Biugo).


A relação entre a indústria do entretenimento e a pirataria sempre foi de tensão. Uma briga de gato e rato que contrapõe empresas multibilionárias e idealistas ou pessoas comuns sem muitos recursos, mas com uma vontade imensa de ter acesso à ampla produção artística da humanidade. Por isso, casos como o do Cine Filmes chamam a atenção: um app de streaming de filmes direto, gratuito, sem qualquer aval da indústria cinematográfica e que permaneceu disponível na Play Store por meses como um dos apps mais baixados da plataforma do Google.

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Universo alternativo: Noizz (antigo Biugo), a rede social sensação da qual você nunca ouviu falar

Nota do editor: Esta matéria é parte de um especial do Manual do Usuário sobre aplicativos para Android em posições de destaque na Play Store brasileira, mas que estão fora do radar da imprensa. São famosos desconhecidos que, juntos, criam uma espécie de universo alternativo dos apps. Leia a primeira parte (4Shared) aqui e aguarde a última amanhã (29).


O mundo ainda está tentando entender o fenômeno TikTok: uma rede social chinesa, criada pela ByteDance, que se baseia em vídeos curtos e emprega um algoritmo pesado de recomendação. Na prática, parece ser uma espécie de sucessor espiritual do Vine e do Snapchat, com contornos de refúgio aos jovens que já acham que o Instagram ficou mainstream demais com pais, tios, toda essa gente velha publicando stories adoidado.

O TikTok é um dos apps chineses mais “internacionais” de que se tem notícia. Tem sido o app para iOS mais baixado do mundo há alguns trimestres, é um sucesso consolidado em mercados importantes como Índia e Estados Unidos, e, como costuma acontecer nesses casos, já começou a ganhar tração no Brasil também, aparecendo em colunas e reportagens na imprensa tradicional. Mas, na lista dos apps gratuitos mais pesquisados da Play Store brasileira, a loja de apps oficial do Android, outra rede social novata está ganhando de lavada do TikTok. Ela se chama Noizz (antigo Biugo).

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Universo alternativo: Como o 4Shared virou o “Spotify pirata” na era da música por streaming

Nota do editor: Esta matéria é parte de um especial do Manual do Usuário sobre aplicativos para Android em posições de destaque na Play Store brasileira, mas que estão fora do radar da imprensa. São famosos desconhecidos que, juntos, criam uma espécie de universo alternativo dos apps. Leia a segunda parte (Biugo) e aguarde a última nesta quarta (29).


Nos últimos anos, ouvir música virou quase sinônimo de ter um app que faz streaming no celular. Nesta nova realidade, alguns players se destacam: Spotify, YouTube, Apple Music, Deezer. são poucos e você, muito provavelmente, já deve ter pelo menos ouvido falar de todos eles.

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A câmera do Huawei P30 Pro é a caixa preta definitiva

Nesta terça (30), a Huawei retorna oficialmente ao mercado de celulares brasileiro. Diferentemente da última tentativa, em 2014, desta vez ela chega com credenciais de respeito: é segunda maior fabricante de celulares do mundo e traz embaixo do braço um dos aparelhos mais desejados do momento, o P30 Pro. Antes que você se anime, adianto que não será barato (este texto será atualizado com valores e datas logo mais). Mas, para além dos aspectos mercadológicos e técnicos, este celular traz uma discussão filosófica sobre fotografia.

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O r/Piracy, o streaming e o “projeto do instante”

por Andressa Soilo

A “pirataria” digital está em nossas vidas há 20 anos graças, especialmente, a Shawn Fanning e seu aplicativo de compartilhamento de arquivos pioneiro, o Napster. Nesse período, suas formas de se expressar com os usuários e com a lei têm se mostrado dinâmicas. Assim, habitar a distribuição do entretenimento passa a ser um jogo de xadrez. É sobre essa habitação que este texto trata. Sobre uma habitação negociada, especialmente, a partir do tempo.

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A promessa impossível da economia circular

por Kris De Decker

A economia circular — a mais nova palavra mágica no vocabulário do desenvolvimento sustentável — promete crescimento econômico sem destruição ou desperdício. No entanto, o conceito se concentra apenas em uma pequena parte do uso total de recursos e não leva em conta as leis da termodinâmica.

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Com a fragmentação do streaming, pirataria volta a ganhar força

por Andressa Soilo

Nota do editor: A Andressa, que já participou de um Guia Prático, pesquisou em seu doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a relação entre a fragmentação das plataformas de streaming de vídeo e a volta da pirataria desse tipo de conteúdo. O texto abaixo é um excerto da sua tese, com uma leve edição para tornar a leitura mais fluída no formato blog. A tese ainda não foi publicada; quando estiver disponível, atualizarei esta nota com o link para download.


Ao final da primeira década dos anos 2000, especialmente entre os anos de 2007 e 2008, o mercado dos serviços de streaming audiovisual (com a proposta principal de vender conteúdo ao público), assim como os demais atores interessados em suas dinâmicas e impactos (principalmente nas dimensões tecnológica, legal e comercial), produziam (e experienciavam) uma certa atmosfera marcada pela esperança de um combate eficaz ao universo da “pirataria”1 digital.

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O que o TIM Beta tem de bom?

Reza a lenda que, em blogs e canais de vídeo brasileiros especializados em tecnologia, alguns assuntos não têm leitores/espectadores, mas sim fãs. O leque é variado, vai muito além de celulares e computadores. Chega até a produtos e empresas inusitados, como fintechs de cartão de crédito. O segmento de telefonia móvel, longe de ser um queridinho do público — há duas empresas do ramo entre as cinco com mais reclamações da plataforma ReclameAqui —, tem defensores fervorosos nesses espaços graças a um plano em particular: o TIM Beta.

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Os problemas mais urgentes que as empresas de tecnologia precisam resolver para dar mais segurança e privacidade aos usuários

por EFF

Nota do editor: Nesta quarta-feira (3), o WhatsApp anunciou uma novidade há muito esperada: a opção que dá ao usuário o poder de escolha para ser adicionado ou não a um grupo. Era algo básico e espanta que tenha demorado tanto para ser implementado. Não é o único caso do tipo na indústria.

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Como a comunidade científica brasileira vê o ministro Marcos Pontes

por Evanildo da Silveira

Entre colegas que dizem ter pós-graduação em prestigiosa universidade americana sem tê-la de fato e aqueles que juram que a terra é plana, o novo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), o astronauta Marcos Pontes, até que não se sai tão mal. A maior parte dos membros da comunidade científica ouvidos pela Pública o vê com certa simpatia, com a ressalva de que o ministro não é nem pesquisador nem cientista. Num primeiro momento, a maioria aprova as ideias que ele diz querer colocar em prática enquanto estiver no cargo. Em contrapartida, não tem tanta certeza se o novo titular do MCTIC conseguirá concretizá-las.

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Youtubers brasileiros recomendam celulares chineses irregulares e sem garantias legais ao consumidor

Nunca tivemos tantos produtos à disposição no mercado, a maioria deles ao alcance de alguns cliques via internet. A farta disponibilidade desnorteia qualquer um, por isso publicações especializadas como blogs e canais de YouTube com análises/reviews despontaram graças à promessa de auxiliar o consumidor na tomada de decisões. Mas quem recorre ao YouTube brasileiro para se informar sobre modelos e preços de celulares pode acabar com uma tremenda dor de cabeça. Recomendações de aparelhos chineses não homologados no Brasil e vendidos por lojas sem presença oficial aqui dominam alguns dos canais de tecnologia mais populares do serviço, representando um risco que é raramente informado ao consumidor.

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Celulares com telas dobráveis estão chegando. O que eu ganho com eles?

A Samsung anunciou nesta quarta-feira (20) a tradicional renovação anual do seu celular topo de linha, o Galaxy S10. Mas, ao contrário dos anos anteriores, desta vez outro modelo se destacou: o Galaxy Fold, primeiro da marca com tela dobrável. De repente, toda a indústria parece estar se movimentando no sentido de tornar realidade celulares com telas que dobram ao meio. Por quê? E quem pediu por isso? Conversei com alguns especialista para entender a nova tendência.

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