Ministro Marcos Pontes, em seu famoso traje nas cores da bandeira do Brasil, fazendo um sinal de positivo.

Como a comunidade científica brasileira vê o ministro Marcos Pontes


26/3/19 às 10h03

Selo de republicação da Agência Pública.Esta matéria foi produzida pela Agência Pública, a primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do Brasil.

Entre colegas que dizem ter pós-graduação em prestigiosa universidade americana sem tê-la de fato e aqueles que juram que a terra é plana, o novo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), o astronauta Marcos Pontes, até que não se sai tão mal. A maior parte dos membros da comunidade científica ouvidos pela Pública o vê com certa simpatia, com a ressalva de que o ministro não é nem pesquisador nem cientista. Num primeiro momento, a maioria aprova as ideias que ele diz querer colocar em prática enquanto estiver no cargo. Em contrapartida, não tem tanta certeza se o novo titular do MCTIC conseguirá concretizá-las.

Nascido em Bauru, no interior de São Paulo, em 11 de março de 1963, Pontes ingressou na Academia da Força Aérea Brasileira (FAB) em 1981 e, em 1989, no curso de engenharia aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Hoje, ele é tenente-coronel aviador da reserva. De acordo com sua biografia resumida no site do MCTIC, o novo ministro foi membro da turma de 1998 de astronautas da Nasa e é o único brasileiro a ter ido ao espaço. Pontes participou da Missão Centenário em 2006, resultado de uma parceria entre as agências espaciais do Brasil e da Rússia, “trabalhando 10 dias na Estação Internacional Espacial como Especialista de Missão, responsável pela manutenção dos sistemas da espaçonave e pela execução de pesquisas científicas escolhidas pela Academia Brasileira de Ciências (ABC)”.


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As avaliações sobre Pontes, pessoalmente e de suas credenciais para o cargo, vão da aprovação às reticências e dúvidas. “Ele é visto com otimismo e esperança por um lado e com ceticismo por outro”, resume o biólogo Paulo Câmara, da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do Missouri Botanical Garden (MBG), dos Estados Unidos. “O novo ministro certamente não é um pesquisador nem um cientista e não atua na área, mas conhece esse mundo (melhor que ministros anteriores).” A sua falta de articulação política para influenciar governo e Congresso a aprovarem medidas que beneficiem a ciência, no entanto, preocupa. “Estou certo que boa vontade ele tem, desejo de acertar também, mas temos que aguardar”, acrescenta Câmara.

Bom, mas nem tanto

Marcos Pontes recebe cumprimento do presidente da República.
Marcos Pontes na cerimônia de nomeação dos ministros. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

Entre os mais otimistas com o novo ministro está o glaciólogo Jefferson Cardia Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vice-presidente do Scientific Committee on Antarctic Research (SCAR), órgão máximo da pesquisa antártica internacional. “Creio que foi uma ótima escolha”, avalia. “Ele tem muito bom treinamento na área de tecnologia e a equipe dele está muito bem montada.”

Para o pesquisador Marcos Cardoso Langer, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), a escolha de Pontes para o cargo foi boa, mas nem tanto. “É melhor do que a nomeação de mais um político sem nenhuma afinidade com o tema para preencher a cota de algum partido, como tem sido o caso dos ‘patinhos feios’ da esplanada como o MCTIC, mas ainda assim é um factoide”, diz ele, que foi presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia de 2013 a 2017.

Na sua opinião, o novo ministro foi escolhido por ser figura conhecida e pela ligação que a população em geral vê entre ciência e a atividade de astronauta. “Apesar de Marcos Pontes possuir formação acadêmica, melhor seria alguém ligado às políticas públicas sobre ciência e tecnologia”, acredita. “Acho que a comunidade científica o vê como um franco-atirador, um ‘outsider’. Mas, dada a devastação do terreno, acho que também o enxerga com alguma expectativa.”

O físico Ennio Candotti, que foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) por quatro mandatos (1989-1991, 1991-1993, 2003-2005 e 2005-2007), por sua vez, joga no time dos desconfiados. “Desconheço o currículo político-científico do nome indicado”, desdenha. “Tenho notícias de que participou de uma expedição espacial e recebeu treinamento específico para isso. Vejo-o com a desconfiança com que vemos o novo governo e as desvairadas manifestações de seus ministros de Educação, Relações Exteriores que podem comprometer a necessária cooperação científica internacional, os direitos humanos e trabalhistas.”

Procurada pela reportagem, a atual diretoria da SBPC, incluindo seu presidente, Ildeu Moreira, não quis se manifestar sobre o novo ministro e suas propostas. Por e-mail, o secretário-geral da entidade, Paulo Roberto Petersen Hofmann, informou que estava agendada uma reunião da SBPC, ABC e diversas sociedades científicas com o ministro e sua equipe em março, na qual uma série de pontos seria debatida e encaminhada. O encontro agora foi adiado para abril, no entanto. “Considerando essa reunião e o curto prazo de tempo que o governo teve para tomar decisões na área da CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação), preferimos aguardar um pouco mais para emitir um parecer mais seguro”, explicou. “De qualquer forma, esclareço que manifestações nesse sentido serão sempre feitas por nosso presidente.”

Altos e baixos

Assim como seus antecessores, Pontes vai estar à frente de um ministério que praticamente nunca esteve entre as prioridades dos governos brasileiros, desde sua criação em 15 de março de 1985, com redemocratização do país, depois de 21 anos de ditadura. Ao longo de existência, principalmente na primeira década de vida, o órgão teve altos e baixos – mais baixos que altos. Em apenas sete anos, por exemplo, ele foi extinto e recriado, rebaixado ao status de secretaria e fundido com outro ministério até retornar à condição inicial.

Em janeiro de 1989 houve a primeira mudança, com sua fusão com o Ministério da Indústria e Comércio, que deu origem ao Ministério do Desenvolvimento Industrial, Ciência e Tecnologia. Dois meses depois, nova alteração com as duas pastas sendo separadas e a criação da Secretaria Especial da Ciência e Tecnologia, um rebaixamento, e do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio. Ainda no mesmo ano, no entanto, em novembro, a secretaria foi extinta e o Ministério da Ciência e Tecnologia, recriado.

Logo depois de sua posse, em março de 1990, o novo presidente da República, Fernando Collor de Mello, extinguiu novamente o Ministério da Ciência e Tecnologia, criando a Secretaria da Ciência e Tecnologia da Presidência da República. Para boa parte da comunidade científica, essa mudança representou um novo rebaixamento da área entre as prioridades do governo. Como se não bastassem todas essas alterações, havia ainda a alta rotatividade dos ministros, o que tinha como consequência mudanças nas políticas para a área a cada troca. No governo Sarney (1985-1990), por exemplo, houve cinco titulares da pasta.

Recentemente, em 12 de maio de 2016, mais uma vez ele foi fundido com outro ministério, no caso o das Comunicações. Mesmo assim, hoje o MCTIC é – ou deveria ser – o principal responsável pelas políticas nacionais nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, e hoje também de comunicações, e o indutor e financiador da maior parte das pesquisas realizadas no país. É o encarregado da organização e coordenação dos esforços pelo desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, que antes da sua criação eram realizados por vários órgãos dispersos.

Conforme estabelece o Decreto n. 9.677, de 2 de janeiro de 2019, entre as competências do MCTIC está elaborar e implementar as políticas nacionais de pesquisa científica e tecnológica e de incentivo à inovação; de telecomunicações; radiodifusão; serviços postais; desenvolvimento de informática e automação; biossegurança; espacial e nuclear; além da articulação com os governos dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, com a sociedade civil e com órgãos do governo federal para estabelecimento de diretrizes para o setor.

Para isso, o ministério conta com 17 unidades de pesquisa, três autarquias (Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel; Agência Espacial Brasileira — AEB; e Comissão Nacional de Energia Nuclear – Cnen), uma fundação (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), três empresas públicas (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A. – Ceitec; Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT; e Financiadora de Estudos e Projetos – Finep) e uma sociedade de economia mista (Telecomunicações Brasileiras S.A. – Telebras).

Ciência para jovens

Ministro Marcos Pontes, de terno e gravata, em coletiva de imprensa no início de 2019.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

Em suas primeiras declarações à frente do ministério, Pontes disse que pretende pautar nas instituições de ensino públicas de todo o país a temática e o interesse pela produção de conhecimento. “Esta manifestação sobre a necessidade de promover a divulgação científica e de envolver os jovens brasileiros com a ciência, em especial dentro das escolas, foi muito positiva”, elogia o médico John Fontenele Araújo, do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), secretário regional da SBPC no seu estado.

O novo ministro declarou também que pretende valorizar as carreiras de produção de conhecimento e motivar os pesquisadores brasileiros a ficar no país. “Esta proposta é essencial, mas eu a vejo como problema para o MCTIC, pois está havendo um movimento contrário por parte do ministro da Educação”, diz Araújo. “Como a pesquisa científica no Brasil é realizada em sua essência nas universidades públicas, há uma contradição entre as duas agendas [MCTI versus MEC]. Esperamos que a do ministro Marcos Pontes seja a preponderante.”

Entre as promessas de Pontes está, ainda, promover “tecnologias aplicadas” estratégicas, como as relacionadas ao espaço, nuclear, cibersegurança, inteligência artificial, de apoio ao desenvolvimento sustentável e de suporte à produção agrícola. A comunidade científica não tem nada contra essa proposta, mas lembra que ela não deve ser a única. “É preciso ter cautela”, recomenda o geólogo Carlos Henrique Grohmann de Carvalho, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), diretor financeiro da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG). “Promover as ‘tecnologias aplicadas’ não pode ser feito às custas de cortes em ciência básica. É preciso financiar todas as modalidades de pesquisa.”

Também para Araújo, é preocupante as declarações do ministro valorizando quase que exclusivamente as ciências aplicadas (tecnologia) e engenharias. “Ele não tem falado quase nada sobre as ciências biológicas, da saúde e nem das humanas”, diz. “Além disso, sua equipe é quase toda formada por pesquisadores da área das engenharias. Apesar disso, esperamos que o novo ministro tenha todo o sucesso, e até este momento ele tem o apoio da comunidade científica.”

Entre os vários itens da agenda do novo ministro, por certo o mais complicado e difícil de resolver será a questão do orçamento, ou seja, os recursos para o fomento das atividades de ciência, tecnologia e inovação. Historicamente, essa tem sido a maior dificuldade enfrentada por todos os ocupantes do cargo. O Brasil sempre investiu pouco na área, com uma média de 1,46% do Produto Interno Bruto (PIB), entre 2000 e 2016, últimos dados do MCTIC disponíveis. O pico foi 2015, com 1,70%, e o fundo do poço em 2006, quando aplicou apenas 1,27%.

Parcerias com empresas

Para comparar, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no mesmo período a Coreia do Sul investiu uma média de 3,21% do seu PIB, os Estados Unidos, 2,66%, e o Japão, 3,17%. Pontes ainda não estipulou uma meta de quanto do PIB quer que o Brasil aplique, mas disse que vai tentar resolver o problema do orçamento e do financiamento da ciência, tecnologia e inovação e buscar parcerias com a iniciativa privada. “Os apoios e acordos com as empresas precisam, no entanto, de regulamentação, com benefícios fiscais a elas, senão ninguém vai apoiar nada”, alerta Carvalho.

De acordo com o médico Erney Felicio Plessmann de Camargo, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, que foi presidente do CNPq entre 2003 e 2007, o grande desafio de Pontes é convencer o setor econômico do governo da importância da ciência básica e seus segmentos aplicados. “Infelizmente, nessa tarefa, acho que o ministro não poderá contar com o Ministério da Educação nem com o do Exterior, que sempre foram tradicionais aliados da Ciência e Tecnologia”, lamenta. “Mas, ao que tudo indica, poderá contar com o apoio dos cientistas e dos setores tecnológicos das Forças Armadas. Aguardemos.”

Camargo diz que o Brasil atingiu um nível de desenvolvimento científico razoável, mas isso, como em todo o mundo, se apoia nas universidades e instituições de pesquisa. “Sustenta-se também no correto financiamento dessas instituições e no intenso relacionamento com o resto do mundo científico, desenvolvido ou subdesenvolvido, sem preconceitos políticos”, diz. “Isolacionismo é incompatível com a ciência. Sob esses aspectos, temo pelo futuro de nossas universidades e de nossas relações com o mundo científico, no que eles que dependem de outros ministérios.”

Para o engenheiro eletricista Marcelo Sampaio de Alencar, da Universidade Federal da Bahia, professor visitante da Royal Economic Society, do Reino Unido, entre os principais desafios do novo ministro está a escassez de recursos. “As universidades, principais produtores de conhecimento em todas as áreas, precisam ter dinheiro próprio para financiamento de pesquisa e desenvolvimento”, defende. “A valorização dos professores que atuam em ensino, pesquisa e extensão deve ser priorizada. Os mais experientes devem gerenciar sua própria verba, incluindo as bolsas de seus orientados, como ocorre em países desenvolvidos.”

Ciência como investimento

Para Câmara, da UnB, é fundamental que se veja ciência como investimento, não como despesa. “Sem recursos financeiros ela não pode andar”, diz. “Sabemos que governos anteriores, ao longo de muitos anos, nunca deram prioridade a essa área. Essa falta de visão tem deixado a C&T no Brasil em situação de penúria. Sem investimentos nada vai acontecer. Vamos ver se o ministro é capaz de conseguir verba para sua pasta.”

Para o reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel, ainda é cedo para fazer uma avalição do novo ministro e da sua atuação à frente do MCTIC. “Ele assumiu o cargo há menos de dois meses”, justifica. “É difícil avaliar o trabalho de alguém em tão pouco tempo. Ainda não tive a oportunidade de conhecê-lo, mas posso dizer que se trata de uma pessoa com boa formação e experiência – e, creio eu, bem-intencionada. Como reitor de uma das mais importantes universidades de pesquisa do Brasil, torço para que ele tenha êxito em sua gestão.”

De acordo com Knobel, a crise econômica que atinge o país há alguns anos teve consequências graves para o setor de ciência, tecnologia e inovação. O maior desafio, agora, é reavivá-lo, mas isso não depende unicamente do ministro. É preciso primeiro que a economia brasileira volte a crescer de forma consistente. “A Unicamp vem enfrentando esse período difícil com seriedade e responsabilidade, procurando fazer o melhor uso possível dos recursos que recebe da sociedade por meio do pagamento de impostos”, garante. “De nossa parte, seguimos dispostos a colaborar com o poder público, seja no nível federal, estadual ou municipal, em ações que visem ao fortalecimento da ciência brasileira e ao desenvolvimento do país de modo geral.”

Publicado originalmente pela Agência Pública no dia 18 de março de 2019.

Foto do topo: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

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13 comentários

  1. Embora eu não apoie, e nem nutra nenhuma simpatia pelo atual (des)governo, acredito que o Ministro Marcos Pontes é alguém que merece levar um voto de confiança da população e da comunidade científica. Ele pode não ser “perfeito” para o cargo, mas é melhor que seus antecessores, e realmente acredita na importância do desenvolvimento científico para o progresso da nação.

    Se comparado aos ministros Araújo, Velez, Sales e Damares, os quatro “cavaleiros do apocalipse”, que estão afundando os seus ministérios em retrocessos e obscurantismo, o ministro Pontes parece uma “ilha de sensatez” no meio da selva que é essa gestão.

    Desejo que ele tenha sucesso no comando da pasta, e que a ciência brasileira tenha mais atenção e investimentos sob sua gestão.

    1. Com vai ter mais investimentos se o norte do governo, sob a hipótese ultraliberal do Guedes, mais o abjeto de todos os ministros, é exatamente acabar com todos os institutos de pesquisa do país?

      Aliás, o orçamento de pesquisa de base já beira o inexistente graças à PEC do Teto de Gastos aprovada pelo Michel Temer/legislativo. Agora, com a ideia de gestar um país notoriamente agrário e de baixa escolarização, a pesquisa praticamente inexiste.

      E não, não existe investimento privado. Não existe investimento privado em pesquisa de base em nenhum lugar do mundo (nem nos EUA, sem investimento estatal, por exemplo, não teria essa internet que estamos usando aqui e agora).

      Colocar o astronauta vendedor de travesseiros como ministro da C&T e acreditar que ele vá fazer alguma coisa sem dinheiro beira o absurdo.

      E nem estamos falando da Base de Alcântara.

  2. Prezados, foram ouvidos vários intelectuais, que colocaram suas idéias sem ao menos, fazer uma breve “pesquisa” sobre o ministro ( é são pesquisadores). Me causa também surpresa que o autor, não aprofundou em sua pesquisa. O Ministro Marcos Pontes é sim pesquisador , ele obteve o título em 1998, no mestrado em engenharia de sistemas pela Naval Postgraduate School, em Monterrey, Califórnia. Ao finalizar esse mestrado, o mesmo foi solicitado pela Marinha americana a força aérea brasileira, para continuar seus estudos, aonde entrou no doutorado, com foco no desenvolvimento de radar para aplicação na Marinha americana. O mesmo não terminou seu doutorado, pois abriu a vaga para astronauta e o mesmo foi aprovado, não podendo mais dar prosseguimento pois a atividade não permitia, pois era de tempo integral. Fora as pesquisas que trabalhou na estação espacial… Enfim, por favor recomendo, a leitura correta da vida dele e verá o quanto ele fez pelo país e quanto o Brasil o explorou e o fez passar vergonha. Se o Brasil teve a honra de sair da órbita uma vez foi por esforço e dedicação dele. Só para dar um breve exemplo, ele teve que em apenas 3 meses aprender russo e todos os sistemas de navegação da nave Russa. Isso mesmo 90 dias! Geralmente esse prazo e de no mínimo 2 anos, ele conseguiu com maestria.

      1. A crítica é equivalente às dos “entrevistados” pelo autor. A maioria se baseou em puro achismo. E a dica de site português vale para o suscitante. A elipse de verbo em debate, se foi mesmo intencional, cria imprecisões. O bacharelado em administração pública do astronauta indica conhecimento da “máquina pública”.

        1. O uso de aspas está errado. As pessoas foram entrevistas, você concordar ou não com elas não implica que não foram.

          Sim, a maioria especulou sobre o que espera do ministro atual de C&T, uma vez que não existe como analisar objetivamente o trabalho do ministro dado o cenário político de paralisação pública e de corte de verbas. O caráter da matéria é exatamente especular sobre o que o ministro pode fazer, sobre o que se espera que ele vá fazer e como ele vai fazer. Pode ser que ele faça um trabalho ótimo e pode ser que ele faça um trabalho terrível, isso só saberemos ao final da sua estadia no ministério.

          Eu já estudei português, inglês, espanhol e russo por 5 anos na universidade. A dica do site de português é para lhe auxiliar no emprego correto da vírgula. E não existe nenhum verbo elipsado na minha redação.

          O bacharelado em administração publica sugere (não indica) que o astronauta brasileiro tem algum conhecimento teórico sobre a organização estatal e da gestão do ente público. Recaímos no segundo item aqui: especulação sobre a sua capacidade.

          Nada, contudo, sugere que ele tem conhecimento prático sobre o assunto. Ter empresas privadas não prepara uma pessoa para a administração pública.

          Indico a entrevista nele no Nerdcast, muito antes dele ser ministro, para entender a trajetória dele, como ele virou astronauta (uma versão real e não romanceada) e inclusive como ele “aprendeu russo” (ele aprendeu o suficiente para operar o módulo Soyuz, o que é bastante diga-se).

          Link: https://jovemnerd.com.br/nerdcast/nerdcast-484-historias-de-um-mecanico-espacial/

          1. Prezado Paulo, obrigado pela dica de português, sobre a vírgula vou me aprofundar. Ajuda de um bacheral em Letras na UFGRS é sempre bem vinda.
            Quanto a resposta do comentário, você misturou o meu comentário com a de outro leitor.
            Não tenho visão romanceada eu li os dois livros publicados por ele, além de assistir todas as matérias disponíveis, por isso trouxe ao autor que a pesquisa dele foi superficial, quanto aos demais pontos não vou entrar em mérito, pois entendi a linha da matéria.

          2. Havia apreendido a intenção da matéria jornalística para mostrar a visão da comunidade científica, representada por menos de uma dúzia de cientistas ouvidos, quanto à atuação do Ministro. Uma amostra substancial que bem sustenta o título da matéria jornalística.

            No comentário anterior, as aspas eram para indicar ironia de tomar essa dúzia ouvida pela comunidade científica, como induz o autor. Relendo-o, foi um erro mesmo, deixei de completar a ideia.

            Sob seu ponto de vista, seu profícuo currículo apenas sugere que possui capacidade para produção de texto jornalístico. Mera especulação sobre a sua capacidade. E mais, argumento de autoridade não me impressiona.

            Afinal, não era elipse, foi falha de digitação: “Ele não [?] conhecimento nenhum sobre a máquina estatal ( …)”

            Aliás, no sentido que utilizamos, “indicar” e “sugerir” são sinônimos.

            Na carreira militar certamente o astronauta de pindorama lidou com administração e gestão pública.

    1. Aldo Rebelo foi pior ainda ao propor em 1994, quando era deputado federal, um projeto de lei que proibia a adoção de qualquer inovação tecnológica nos órgãos públicos municipais, estaduais e federais.

  3. Sou do time que entende que um Ministro não necessariamente precisa ser um cientista com PhD. Ele precisa conhecer a área de forma integral mas o crucial mesmo é ter capacidades administrativas e entender de política. O atual não atende bem todos esses requisitos. E apesar dele ter empatia (já vi uma palestra dele em um evento da Microsoft) tenho sérias duvidas e objeções em relação ao governo que ele está inserido.

    1. Eu concordo que não necessariamente o ministro da C&T precisa ser PHD e ter conhecimento de pesquisador. Isso é bastante secundário e ajudaria apenas a saber a realidade do ensino brasileiro (o que é bom mas não é essencial para um ministro). O ponto crucial de um ministro é saber sobre políticas públicas (gestão, capacitação, ordenamento público etc) e esse ministro não sabe nada disso.

      Acredito, anda assim, que ele é o menos pior de todos os ministros do atual governo (o que não é complicado quanto se tem Damares, Moro e Guedes).