Tela com o Disney+ no centro rodeada por ícones de outros serviços de streaming.

Com a fragmentação do streaming, pirataria volta a ganhar força


15/4/19 às 10h20

Nota do editor: A Andressa, que já participou de um Guia Prático, pesquisou em seu doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a relação entre a fragmentação das plataformas de streaming de vídeo e a volta da pirataria desse tipo de conteúdo. O texto abaixo é um excerto da sua tese, com uma leve edição para tornar a leitura mais fluída no formato blog. A tese ainda não foi publicada; quando estiver disponível, atualizarei esta nota com o link para download.


Ao final da primeira década dos anos 2000, especialmente entre os anos de 2007 e 2008, o mercado dos serviços de streaming audiovisual (com a proposta principal de vender conteúdo ao público), assim como os demais atores interessados em suas dinâmicas e impactos (principalmente nas dimensões tecnológica, legal e comercial), produziam (e experienciavam) uma certa atmosfera marcada pela esperança de um combate eficaz ao universo da “pirataria”1 digital.

A popularidade dessas plataformas fez com que, rapidamente, atores como jornalistas, pesquisadores acadêmicos e cibernautas em geral, produzissem hipóteses sobre um futuro digital em que a “pirataria” restaria, se não coibida, significativamente reduzida. Regozijou-se, com o streaming, as disputas entre a legalidade e a ilegalidade de oferta e de consumo de entretenimento digital em uma atualização contextual que prenunciava o declínio e, às vezes, a morte da “pirataria”.

É possível encontrar dezenas de estudos relacionando a suposta queda do acesso a filmes, séries e documentários em meios “piratas” com a ascensão dos serviços de streaming, assim como manifestações profissionais e pessoais da mídia, e de demais cibernautas, se baseando em tais pesquisas para mobilizarem, em manchetes e títulos de demais formatos de expressão, gramáticas relativas a relações beligerantes que acionam noções de salvação (da indústria do entretenimento audiovisual) e de fim/morte (da “pirataria”) — TechCrunch (2009), Slate (2011), Forbes (2013), Olhar Digital (2015), The Guardian (2017) e Financial Times (2017).

Ao longo de minhas pesquisas junto aos agenciamentos e processos de coprodução entre “pirataria” digital e a indústria do entretenimento audiovisual, percebi tal esperança ceder espaço, novamente, às regenerações (por vezes obstinadas) da “pirataria” enquanto eleição pertinente, adequada e justa a ser consumida pelo público. No site Reddit, especialmente no subreddit r/Piracy, realizei pesquisa semi-estruturada junto a 162 interlocutores de 22 países2 para compreender o consumo “pirata” de vídeos na era do streaming — era que destaca o relativo baixo custo do acesso, sua praticidade e conveniência. Um dos principais motivos se devia à pluralização das plataformas streaming que, na opinião dos interlocutores, descentralizava o conteúdo, tornando-o mais caro e mais complexo em sua busca, além de (re)-promover a antiga ideia de que a indústria do entretenimento é gananciosa.

Segmentadas, as plataformas de streaming de vídeo apresentam produções originais somente disponíveis pelos próprios serviços, além de disponibilizatem catálogos diferentes (uns dos outros) e limitados. Tais características sugerem que se o público deseja assistir o que quiser de modo prático e barato, ou ele deve querer consumir somente o que um serviço oferece, ou deve assinar mais de um serviço. Assinar mais de uma plataforma significa, no entanto, sobreposições de custos e a instauração de uma confusão no momento de procurar o que se quer assistir — o conteúdo estaria nesta ou naquela plataforma? —, desestabilizando, assim, as principais vantagens que o serviço de streaming trouxe ao público: a praticidade/facilidade de uso e o baixo custo.

É importante destacar que tais serviços não são disponibilizados de modo simultâneo em todas as regiões. Ainda assim, em muitos países — geralmente aqueles conhecidos por seus melhores índices de desenvolvimento —, a presença de três, quatro até mesmo cinco serviços distintos confunde e aborrece o público. O contexto da pluralidade das plataformas de vídeo foi percebido pelos interlocutores que tive contato como fortemente retrógrado aos (percebidos) empenhos da indústria em situar/manter o consumidor no universo do acesso legalizado ao entretenimento. Muitos interlocutores interpretaram a proliferação de serviços de streaming como um movimento pouco sábio e ganancioso por parte do mercado formal.

Pouco sábio porque desestabiliza as vantagens e a decorrente popularidade do streaming, introduzindo elementos de oposição às características gerais de tais plataformas: se uma das mais influentes publicidades a favor do streaming se dava em razão de sua praticidade, a variedade de serviços instaura a complexidade; e o baixo custo, outra importante publicidade a favor das plataformas, é relativizado com o novo contexto. No primeiro caso o assinante ou a assinante perdem a conveniência de possuir todo o conteúdo em um só serviço e de conhecer somente a funcionalidade de uma plataforma, tendo que explorar outros catálogos em distintas interfaces com diferentes operacionalidades. Conforme interlocutores, tal experiência pode ser confusa, já que geralmente se esquecem em qual plataforma determinado filme se encontra e até mesmo se cansam de procurar o que queriam assistir. No segundo caso o assinante ou a assinante, se não se satisfazer com o catálogo de um serviço (reclamação bastante frequente), pode assinar outros serviços tornando o valor pago pelas plataformas dispendioso, chegando, por vezes, a valor muito próximo dos custos da TV a cabo.

Apesar de muitos relatos consternados sobre a multiplicidade de plataformas oferecidas no mercado atualmente, quantidade considerável de interlocutores se mostraram assinantes de mais de um serviço. Por vezes, tais interlocutores relatavam assinar três ou quatro plataformas devido, principalmente, às suas especialidades, como o streaming de esportes da ESPN, ou em razão de conteúdos isolados e de alta popularidade, como o HBO Go e a transmissão da popular série Game of Thrones.

Também me foram relatadas escolhas de plataformas a partir de seus catálogos infantis que mais atendessem às predileções dos pais e dos filhos(as)/sobrinhos(as). Outro aspecto relevante de ser exaltado é a incerteza de que os conteúdos que motivaram a assinatura do público restem disponíveis nas plataformas por tempo considerado razoável.

A comparação da diversidade de plataformas com a experiência da TV a cabo foi uma constante entre os relatos e demais comunicações que visualizei no ciberespaço. A comparação, de caráter negativo, é indicativa de um retorno do mercado do entretenimento a modelos que não contentavam grande parcela do público consumidor. Explico: o serviço de streaming se tornou popular, dentre outras razões, por mostrar-se como uma alternativa vantajosa à TV por assinatura, muito em razão desta desagradar devido a seus altos custos — frequentemente cobrados por canais raramente ou nunca assistidos —, dos comerciais que apresenta e da impossibilidade de o consumidor assistir, de modo geral, o conteúdo desejado no momento que quiser3. Neste contexto, o streaming passa não mais a ser uma alternativa efetiva aos modelos tradicionais de distribuição de conteúdo, mas um serviço semelhante à TV a cabo em termos de equivalência de conteúdo, satisfação, e, possivelmente, preço.

Deste modo é possível pensar os vários serviços de vídeo que surgiram nos últimos anos como transformadores da proposta e da experiência inicial do streaming, aparando e relativizando suas vantagens, além de situá-la no mesmo terreno de modelos de negócio a que parecia superar em termos de apreciação do público — como a TV a cabo, a compra de filmes e até mesmo a “pirataria”.

É interessante perceber que a multiplicidade de tais serviços os impopulariza ao mesmo passo que atraem, como uma finalização/preenchimento, a “pirataria”. Os interlocutores entrevistados, como mencionei, assinam, em sua maioria, um ou mais serviços. Contudo, frente à fragmentação dos conteúdos em variadas plataformas, a “pirataria” se torna um serviço eficiente na busca pelos filmes não disponíveis. Não somente um serviço alternativo, mas um serviço simbiótico. Desse modo, pode-se dizer que a pluralidade em questão “trai” a si mesma em seus objetivos no mercado produzindo consumidores que (re)passam a mobilizar gramáticas associadas à ganância e ao retrocesso da indústria.


Publicado originalmente no Academia.edu em 11 de outubro de 2018.

Montagem do topo: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

  1. N.E.: A autora usa pirataria entre aspas porque “é um termo pejorativo utilizado para ser associado à desapropriação, utilizado principalmente pelos que dominam direitos autorais”, diz ela. “É uma eleição minha no entanto; hoje vários grupos se auto identificam como piratas, mas quis ter esse cuidado”.
  2. Os países são: França, Estados Unidos, Brasil, Rússia, Reino Unido, Austrália, Itália, Bulgária, Turquia, Marrocos, Filipinas, Alemanha, Índia, Canadá, Lituânia, Zimbábue, NovaZelândia, Espanha, Portugal, Holanda, Croácia e Suécia.
  3. É interessante salientar que a TV por assinatura, na primeira década dos anos 2000, foium meio de acesso relacionado à qualidade da programação no Brasil, como mostrouLaura Graziela Gomes (GOMES, 2007).

Colabore
Assine o Manual

Privacidade online é possível e este blog prova: aqui, você não é monitorado. A cobertura de tecnologia mais crítica do Brasil precisa do seu apoio.

Assine
a partir de R$ 9/mês

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

35 comentários

  1. Quando a situação aperta acredito que esses serviços de assinaturas sejam os primeiros a ter nos “corte de custos” das pessoas…pelo menos comigo.

    Já assinei Netflix e outros, mas hoje só tenho o Spotify (por enquanto) e faz algum tempo que sempre faço as contas do quanto economizaria em um ano deixando de assinar esses serviços.

    Só continuo com o Spotify por gostar de ouvir música pelo benefícios que a mesma trás em mudar o humor no dia a dia rsrs.

    No restante mesmo os mais conhecidos serviços de streaming, de animes por exemplo, não entrega na mesma velocidade de um serviço “alternativo” como o torrent.

    E serviços como o kotas.com.br não está popular nos dias de hoje em que ganhar dinheiro está difícil para boa parte da população brasileira?

    Abraços!

  2. Tenho que admitir que assim como alguns que já falaram por aqui, também faço uso de “pirataria” “desde sempre” (dado que não tenho a data exata de quando comecei a mexer mesmo com internet e consumo de mídia).

    Lembro-me de ir em lan houses e casas de amigos para puxar via programas algumas músicas que eu gostava (ou até descobrir algumas novas). Ou enrolar no bico de site que eu fazia para assistir de madrugada um episódio de Evangelion. Isso lá pelo meados de 2000.

    Por também consumir animação japonesa, óbvio que muito peguei online (mas já tive época de ir em eventos comprar CDs).

    Tenho conta na Netflix, mas só usei um mês para assistir uma animação japonesa que veio dublado. Depois não assinei mais nada (tenho conta na Crunchyroll, mas acabo assistindo em outros canais algumas séries, o que acho um pouco contraditório da minha parte dado que a CR oferta gratuitamente muitas de suas séries).

    Enfim, a história com a zona cinza tem mais tons, mas não cabe contar aqui.

    1. Um ponto extra: sempre achei que o interessante era não exatamente lutar contra a “pirataria”, mas usar dos mesmos mecanismos para ganhar em cima. E entender também que parte do público não tem condições plenas para consumir mídia em valores altos. E para conquista-los, poderia se achar formas compensatórias (equilíbrio entre preço e qualidade, publicidade transparente, mas não incômoda demais).

      E quando falo “Mesmos mecanismos”, seria a capilaridade que a mesma tem perante ao público. DVDs que tenham um pouco menos de “qualidade”, mas que sejam baratos; formas de streaming que possam ser oferecidas com equilíbrio entre os custos e ganhos.

  3. Analise necessária!
    Mais de quem é a culpa? Talvez esse seja um dos maiores dilemas da industria, assim como qualquer seguimento no mercado existe concorrência e essa concorrência fara com que a e B ofereçam diferencias para que possam obter mais usuários, e assim mais lucro!
    Porém o seguimento de streaming de vídeo é diferente, até mesmo do mercado de streaming de áudio, estamos confortáveis com as plataformas que existem hoje, ou você usa o “todo poderoso” e multiplataforma Spotify, ou segue confortável no Apple Music, além dos demais (Tidal, Deezer etc.) que ainda conseguem se “manter” apesar da pouca ameaça que fazem aos players mais estáveis.

    1. Oi Ronaldo! Gostei do “de quem é a culpa”? acho que é uma confluência de culpas e acertos em se tratando do streaming. A segmentação do streaming de vídeo pode, a meu ver, ser associada à histórica busca da adequação do novo combinada ao lucro. Que lucro? O lucro que pode ou não ser absorvido. Ver algo dando certo como Netflix e Hulu parece uma boa ideia de atracação de lucro. O lucro formal abastece a pirataria? Sabemos há vinte anos que sim. Talvez o culpado sejamos todos.

  4. Infelizmente muitos usuários vão voltar ao torrent (ou Stremio no meu caso).

    Não faz sentido assinar três ou quatro serviços diferentes para assistir uma série em cada. Honestamente, não vou assinar Hulu para assistir The Handmaid’s Tale, Amazon para assistir The Grant Tour, HBO Go para assistir Game of Thrones, Netflix para assistir Friends e Disney+ para assitir os conteúdos da Marvel. Vou acabar ficando naquele que oferecer mais conteúdo (hoje Netflix, no futuro provavelmente Disney+ com ESPN) e vou piratear o restante do conteúdo.

    Realmente não me sinto confortável em piratear conteúdos. Acredito que no médio/longo prazo as produtoras de conteúdo vão encontrar meios de barrar a distribuição ilegal, mas enquanto isso não acontece, o mercado vai se ajustar com margens menores ou operações no vermelho.

    1. A pirataria sempre vai existir, tem de jogos até hoje, e olha que a indústria se esforça muito para combater.

      1. Eu concordo com você, Will. A questão dos jogos então… outro mundo, outras soluções e mais drásticas que as dos filmes e músicas.

    2. Concordo com você, Rafael! Fiquei curiosa em saber sobre seu desconforto com o uso dos meios ilegais de reprodução do entretenimento. Também fiquei curiosa sobre suas ideias de limitação da indústria frente à pirataria.

    3. Confesso que só assinei o Prime Video pois ele é (até agora) um complemento para o Netflix. Agora, não pretendo assinar MAIS UM serviço de streaming de vídeo. É muito custo para tão pouco uso.

  5. Se me permite um comentário e uma sugestão, licença?

    – Comentário: para quem é curioso, salvo engano, o termo “pirataria” foi cunhado desde os tempos antigos relativos a atividades não autorizadas pelo originador do que fora pirateado, seja um produto contrabandeado ou de carga desviada, cópia não autorizada de livros e artigos científicos, etc. https://www.migalhas.com.br/PI/99,MI195549,31047-Consideracoes+sobre+o+termo+pirataria

    – Sugestão: não sei se vai ser abrangido no doutorado, mas caso não, fica a sugestão de também dar uma olhada na pirataria “física” (DVDs, pendrives e HDs). Os DVDs, apesar da queda, ainda não perderam tanta “audiência”, e soma-se o fato que com a queda das locadoras e a míngua da produção de DVDs originais, algumas produções só são encontráveis apenas por meios cinzas / negros. No caso de pendrives e HDs, o “mercado negro/cinza” hoje viu um filão e oferece conteúdo empacotado nestas formas, atendendo hoje os automóveis (que não possuem mais CD players em modelos novos) e TVs Smart (que permite que conecte um HD com vídeos).

    1. A pirataria de DVD/PenDrive (PD) em bancas de camelô ainda existe. A maior parte das pessoas ainda não tem tanto acesso a banda larga pra usar Netflix. Suspeito, inclusive, que a maioria das pessoas nas periferias ainda usa ou GatoNet ou Sky no plano mais caro com 4 pontos e rateia o preço com os vizinhos/familiares (a Sky faz vista grossa à essa prática), que se não me engano joga o preço pra menos de R$90 por pessoa.

      E dentro dessa realidade, as pessoas conhecem Netflix apenas (a marca é muito forte, teve campanha na TV aberta e tudo mais) e usam a assinatura partilhada entre 3/4 pessoas (deve ser por isso que, mesmo fazendo vista grossa, a Netflix criou esses planso com X telas).

      Aliás, Cuba tem os famosos “paquetes”, que nada mais são do que HDD com conteúdos de entretenimento que variam desde novelas brasileiras até versões HDCAM de filmes de Hollywood.

      Finalizando, o Bolsonaro encerrou o conselho da ANATEL. Esse conselho era formado por membro da sociedade civil e foi um dos pilares contra a franquia de internet fixa e responsável pela elaboração e defesa do Marco Civil. Sem o conselho e com a direção da entidade nas mãos das operadoras (desde o governo Dilma, diga-se) é bem provável que enfrentemos até o final do ano a imposição da franquia na internet fixa. E daí, viramos Cuba e teremos nossos paquetes e vamos reaquecer o mercado de DVD e PD piratas pelas ruas.

      Duas referências:

      A matéria da Vice que eu li sobre isso (pela primeira vez): https://motherboard.vice.com/en_us/article/8qxywx/cubas-black-market-is-a-website-that-exists-primarily-offline

      Este vídeo da Vox explicando melhor como é o “paquete”: https://www.youtube.com/watch?v=fTTno8D-b2E

      Este vídeo da TV cubana sobre o paquete: https://www.youtube.com/watch?v=6otZViQ_4fA

    2. Acho que do ponto de vista das periferias, esse tipo de pirataria (física) sempre existiu e sempre vai existir porque sempre vamos ter pessoas com acesso restrito a conteúdo. Até hoje se vendem alguns PS2 a preços baixos e desbloqueados para esse público.

      Outro ponto é que é comum nesses locais que se tenha uma assinatura cara (a mais cara) da Sky com os quatro pontos adicionais instalados em locais diferentes (a Sky faz vista grossa pra isso) o que perite ratear a mensalidade entre várias pessoas (normalmente parentes) deixando a mensalidade do pacote TOP por menos de R$100.

      Ainda sob esse ponto-de-vista, acho que nas periferias o que mais se usa atualmente é a GatoNet e a IPTV. Quase todo mundo que eu conheço nesses locais tem IPTV (e TV paga nesse esquema que eu citei acima) ou um gato oferecido por aquele amigo, normalmente interno da própria operadora.

      ~~

      Uma coisa interessante é que esse tipo de pirataria física pode voltar com a nova manobra do governo. Hoje o Bolsonaro extinguiu o conselho da ANATEL. Esse conselho era formado com membros da sociedade civil e outros e foi responsável pela luta contra a imposição de uma franquia na internet fixa (e pela defesa do MC). Com o conselho extinto, é de se esperar que as operadoras tenham ainda mais poder dentro da ANATEL e, tal qual o governo Trump, temos uma tendência de extinção da neutralidade de rede e de uma imposição de franquia fixa (essa é bem fácil, basta derrubar a portaria vigente de ANATEL).

      Nesse cenário viraremos (olha só) uma Cuba. Em Cuba é comum que as pessoas comprem “paquetes” nas ruas. Esses paquetes são, exatamente, HDD, PD e DVD gravados por pessoas com algum acesso a conteúdo da internet (filmes, séries, novelas) que vendem um pacote de gravação. Nada mais do que ocorria aqui nos tempos pré-banda larga barata e que pode voltar com muita força com uma possível imposição de franquia fixa. Nada como a direita liberal para lhe tirar direitos e acesso.

      Boas referências sobre o paquete (dois vídeos, um da Vox explicando como funciona o mercado dos paquetes e outro da TV cubana falando a partir de uma visão interna dos paquetes; e um texto (EN) sobre a movimentação desse mercado pirata na ilha):

      [1] >> https://www.youtube.com/watch?v=6otZViQ_4fA
      [2] >> https://www.youtube.com/watch?v=fTTno8D-b2E
      [3] >> https://motherboard.vice.com/en_us/article/8qxywx/cubas-black-market-is-a-website-that-exists-primarily-offline

    3. Oi!
      Como o doutorado é uma parte que pressiona muito quem estuda, eu tinha sim conhecimento sobre o termo “pirataria”, relacionado à violação de direitos autorais, ser bem antiga – valeu pelo apontamento.

      A tese é sobre pirataria digital. Trabalhei com pirataria física no camelódromo de Porto Alegre em meu TCC e mestrado, quando as vendas de DVDs e CDs dispostas nos chãos e em caixas de papelão no centro da cidade, começava a ser mais fiscalizado. Durante todo meu período fazendo etnografia sabia quem vendia tais bens, mesmo que eles não pudessem expor aos clientes. Eram vendas veladas. O camelódromo é um projeto do Estado e a fiscalização parecia ser mais austera do que quando os vendedores trabalhavam nas bancas das ruas.

      Por essa distancia toda com a pirataria física, fiquei bem interessada na relação queda do DVD, e pendrives, entre outros. Se quiser, vamos trocar ideias!

      1. Mandei um e-mail para ti baseado no email que deixou lá em cima. o meu é vagner.a.abreu at outlook ou vagneralexandreabreu at gmail

  6. Fui um entusiasta da Netflix lá em 2011 (?) quando ela veio pro Brasil. Usava via cabo ligado num PS2 antigo, funcionava muito bem na época e eu vi alguns bons filmes de terror B por lá (que sumiram).

    Depois disso, nunca mais assinei. R$32 é um preço que eu acho caro demais pelo serviço, ainda mais que ele precisa ser complementado com uma série de outros serviços (como Amazon ou HBO/Telecine) para valer a pena. No final, dá quase o mesmo preço que eu pago pelo plano TopHD da NET com Telecine (play e normal) na promoção com 12 meses de fidelidade.

    Sigo na Amazon Prime porque eles sempre estendem o meu período promocional por R$7. Acho que assino pagando isso desde, sei lá 2017.

    ~~

    Recentemente comprei um Amazon Fire TV (pelo link do Ghedin, inclusive) e o aplicativo do Plex no Fire Stick funciona muito vem. Mantenho o meu servidor antigo rodando 3 serviços (Plex, PiHole e um cache) gastando pouca luz e fazendo streaming de tudo pra casa toda (Xbox, Amazon, PC e telefones com Plex). Inslachei o Couchpotato e Sonarr e com isso, basicamente, eu baixo os torrents automaticamente para o meu servidor e o Plex scaneia, pega capas e legendas e deixa tudo pronto pra assistir. Muito mais simples, depois de ~1h de configurações, do que usar os sistemas “legais”.

    Sempre pirateei tudo o que pude, principalmente por ideologia, mas de uns tempos pra cá tenho tido uma mistura de prazer também =D

      1. Era bem precário, lá por 2011/2012.
        Confesso que eu tenho nostalgia dessa época.
        A Netflix chegou a mandar alguns desses discos pra algumas pessoas. Eu nunca recebi, recebi apenas uma carta deles. O que eu fiz foi baixar uma ISO que eles deixavam na seção de ajuda do site.

        Descobri que esse acesso só existia no Brasil (será que por conta da quantidade absurda de PS2 que existia aqui?): An official Netflix offering for the Playstation 2, only released in Brazil.

        https://www.youtube.com/watch?v=lKOi4C5Uv9I

    1. seu servidor é um raspberry com um hd espetado? voce roda tudo no openmediavault, ou cada aplicação separadamente? fiquei curioso.

      1. Se você quiser usar apenas o PiHole, não precisa de HD nenhum. Se quiser mais de um no mesmo Rasp, precisa de um HD. Mas eu não gosto muito disso porque a ideia é ser mais clean na estante da sala.

        Eu estou usando um Mac Mini pra tudo. Os servidores de vídeos (ples, sonarr e couch potato rodam todos no mesmo local e o piHole e o Cache rodam via docker).

  7. Assino a Netflix e Spotify há vários anos. Quando não tem algo lá, eu pirateio sem dor na consciência, porque, pelo menos pra mim, estou pagando pra ter acesso ao conteúdo. Só não vou ficar pagando mil serviços de vídeo e outros tantos de música. Um só me dá direito a tudo, seja legal (o que prefiro), ou por torrent.

    1. Então André, percebi em minhas pesquisas, que a moralidade é um fator que mobiliza a pirataria daqueles que já pagam por serviços limitados. Muitas pessoas se sentem assim.

  8. Assinei a Netflix em 2013 e, desde então, fui um assinante fiel por 6 anos, até duas semanas atrás quando cancelei a assinatura. O aumento no preço dos planos e a falta de opções interessantes, para mim, foram cruciais nessa decisão.

    Experimentei por uma semana, gratuitamente, uma assinatura do Amazon Prime Vídeo. Embora o catálogo tenha bem menos opções que a Netflix, ainda tinha alguns filme e séries que me interessavam. Mas desisti no momento que percebi que o filmes não eram exibidos em HD porque o monitor do meu PC não é compatível com o protocolo High-Bandwidth Digital Content Protection (HDCP), e por causa disso todos os filmes da plataforma eram exibidos em 480p. No entanto as séries eram exibidas normalmente em HD. Decidi não continuar na Amazon por conta disso.

    Voltei a baixar filmes e séries via torrent, algo que eu praticamente não fazia mais. Se fosse como o streaming de música, onde os catálogos são semelhantes em sua maioria, acho que não haveria esse retorno a pirataria.

    1. Matheus, na pesquisa que realizei muitas pessoas partiam para a pirataria porque não acreditavam na qualidade 4K dos streamings e mesmo FLAC. São formatos apreciados por seletos grupos mas que deixam de integrar os serviços de streaming mais comuns. Ao fim, fostes um dos mais fiéis do streaming!

  9. Não só se “trai”, como se fecha em seu próprio espaço. Exemplo disso é o Netflix que tem tirado alguns títulos de seu catálogo e em troca (pelo menos é o que me parece) vem investindo pesado em suas próprias filmagens.

    E buscar por conteúdos em outras plataformas, colabora bastante na desmotivação em cima dos serviços “streaming” (pelo menos eu tenho visto dessa forma) , não só isso, mas um ponto que gosto de colocar é a falta de controle por parte de nós consumidores. Já tive o desprazer de tentar ouvir uma música no Spotify e ele não estar mais disponível. Existe uma série de questões para isso acontecer, entretanto, quando estamos pagamos por um serviços desses o que menos quero ter é dor de cabeça, pois quero a tal disponibilidade a qualquer momento.

  10. Há um tempo fui assistir Sons of Anarchy, não encontrei em nenhuma plataforma no Brasil, tive que piratear;

    Hoje fui assitir GOT, loguei no HBO GO e não consegui assisti, está travando demais, tentei várias vezes e nada, recorri ao torrent;

    Assino o crunchyroll, mas tem vários animes que quero assistir e não tem no catálogo, aí acabo recorrendo a pirataria;

    Geralmente procuro assistir as séries que tenham onde assino, mas infelizmente nem sempre elas estão lá.