Onde estão os detratores de Pokémon Go e da Olimpíada?

Desde que Pokémon Go estreou no Brasil e a Olimpíada do Rio teve início, tenho me deparado diariamente com posts em redes sociais de gente criticando quem critica o joguinho de celular ou os atletas ou evento olímpicos.

Nada muito fora do normal em se tratando de redes sociais, mas eu me perco numa fase bem específica e imprescindível desse processo: onde estão essas pessoas que criticam os jogos (da Niantic e do COI)?

Trata-se de um fenômeno mais antigo, mas que se acentuou com esses dois eventos grandiosos que se desenrolam no momento. Leio muitas críticas a quem critica essas coisas, mas essa crítica original, teoricamente infundada de pessoas sem coração que falam mal mesmo e não estão nem aí, me escapa. Quando muito, é escavada de impressões ou suposições ou amplificada a partir da fala de algum maluco, que serve mais de desculpa pra fazer textão do que alguém que mereça uma resposta — na real, não vale o esforço e todos ganharíamos mais ignorando-o.

Talvez seja o algoritmo do Facebook em ação e a bolha que criei no Twitter me isolando de opiniões divergentes, mas, parece-me (corrija-me se eu estiver enganado) que a ameaça de uma crítica contundente a algo de que gostamos muito gera uma esquizofrenia coletiva e, como resultado, um punhado de textos defensivos quixotescos que, desculpem-me quem os faz, não acrescentam nada. Pior, tiram o brilho das temáticas defendidas. Estragam o clima, resumindo.

Foto do topo: Sadie Hernandez/Flickr.

Os não verificados

por Choire Sicha

Alguns anos atrás, Mike Hayes, repórter sênior do BuzzFeed que também cuida ou cuidava do perfil oficial do BuzzFeed no Twitter, enviou um e-mail para o pessoal da redação. O Twitter, ele informou, iria verificar toda a equipe de uma vez. Para serem elegíveis, os funcionários só precisavam vincular seus e-mail do trabalho aos seus perfis no Twitter.

E então, um dia em março daquele ano, boom! Um monte de BuzzFeeders com o tique azul de verificado em seus perfis no Twitter. Outras empresas como o The Verge vieram em seguida. (mais…)

10 curiosidades sobre VOCÊS

por Luíse Bello

Nota do editor: Ninguém pediu para listarmos curiosidade alguma no Facebook, mas topamos com a lista da Luíse Bello, da Think Olga, com dez sobre nós todos e achamos tão boa e compreensiva que resolvemos compartilhá-la.


Gente, aqui vão 10 fatos sobre VOCÊS: (mais…)

A hiper-realidade das selfies editadas com o Facetune

Abrir o Instagram é dar um pause na vida e se jogar em pequenos mundos perfeitos, com gente bonita em lugares paradisíacos “curtindo a vida” e recebendo presentes de #marcas. Parece um negócio fácil e rentável, tanto que virou meta de vida. A criança dos anos 2010 não quer ser jogadora de futebol, astronauta ou bailarina, ela quer ser youtuber ou blogueira de moda/fitness/[categoria da vez], ou, para colocar todos no mesmo grupo, “influenciadora”. Com esse fim em vista, se espelha nas ações que deram certo para quem se estabeleceu.

Há inúmeros sinais dessa influência que, com frequência, passam despercebidos sob o manto de uma pretensa normalidade. Caso em tela: selfies. (mais…)

Talvez todos devessem ficar quietos um pouquinho

por Alex Balk

https://twitter.com/daweiner/status/735149640857817090

No tweet acima, David Weiner diz (tradução livre): “Tem muita gente escrevendo na Internet”. Boa observação, aqui vai uma resposta idiota. (mais…)

O Google Imagens é a verdadeira busca

por Paul Ford

Isto é o que acontece quando você busca por “frases inspiradoras”1 no Google: (mais…)

Pessoas que pedem informações do Uber pelo formulário de contato do Manual do Usuário

O Uber é a empresa de capital fechado com maior valor de mercado do planeta. Uns podem dizer que isso não significa muito já que, não tendo papéis sendo negociados, atribui-se qualquer valor que fundadores e investidores quiserem segundo quaisquer critérios1. Mas mesmo que ignoremos esse detalhe é inegável o impacto que a startup (ainda cabe esse rótulo?) vem causando no mundo, cidade após cidade, despertando a ira dos taxistas, o amor dos usuários, mudanças legislativas e na forma como nos locomovemos.

Tamanha dimensão só foi possível pelo alinhamento de alguns fatores: Internet móvel farta, smartphones onipresentes e transporte público, englobando na definição os táxis, deficitário. Esses, claro, de nada adiantariam se o Uber não fizesse a sua parte, ou seja, se a execução da sua visão fosse falha. Se não perfeita, ela é no mínimo agradável e funcional. Usar o app do Uber é fácil, bem como entender o seu funcionamento — eu, pelo menos, não tive dificuldade quando testei o serviço. Mas será que essa impressão é universal? (mais…)

O que une pessoas comuns e empresas de mídia dentro do Facebook

Em uma entrevista descompromissada concedida em 2005, num escritório cheio de pinturas de mau gosto e onde os poucos funcionários bebiam cerveja em mangueiras segurados de ponta-cabeça pelos colegas, um franzino Mark Zuckerberg disse que muita gente estava preocupada em fazer a maior coisa do mundo com o maior número de usuários possível e que parte de fazer a diferença, de fazer algo legal era “focar intensamente”. O Facebook, então, tinha a missão de ser “um diretório de universidades bem legal que seja relevante aos alunos”. Algo grande, mas, posto em perspectiva, com um alcance bem delimitado.

Onze anos depois, o mesmo Mark Zuckerberg, mais desenvolto, melhor vestido e com ambições maiores que o ambiente acadêmico dos Estados Unidos, no pomposo palco de Fort Mason, em São Francisco, fez a abertura da conferência anual para desenvolvedores do Facebook como se fosse uma mistura de líder de estado e palestrante do TED. Ele mudou e, mais ainda, o Facebook. Daquela origem humilde, “focado intensamente”, a rede social se tornou ao longo dos anos a nova praça pública, o novo jornal, o centro e local de debates de muitas coisas que nos rodeiam e que importam. Quando e como isso aconteceu, e o que perdemos no processo? (mais…)

Qual a melhor interface para pedir gás de cozinha?

Hoje eu soube que existe um app de iPhone que só serve para pedir gás de cozinha. (mais…)

Quando os óculos de realidade virtual se tornam naturais

Ontem as primeiras unidades do Oculus Rift foram entregues aos clientes que fizeram a pré-compra. No futuro, a data poderá ser vista em retrospecto como o início da revolução da realidade virtual, evento que muitos aguardam há décadas, desde o “Ultimate Display” de Ivan Sutherland, e que, agora, 50 anos depois, tem as melhores chances de finalmente se concretizar.

Tecnicamente a solução parece estar madura, pronta para brilhar. O Rift, após anos em desenvolvimento, ganhou elogios entusiasmados da maioria dos sites que receberam unidades de testes. Um ou outro reclamou da falta dos controles especiais que só chegam no fim do ano, dos efeitos que podem causar à saúde — leves desconfortos na cabeça e a tradicional sensação de náusea — e, talvez o único ponto unânime, o alto custo para usufruir do equipamento. De qualquer forma, essas críticas foram mínimas se comparadas aos comentários positivos feitos aos jogos e aplicações já disponíveis e aos prognósticos de que isso será grande. Para uma primeira versão de produto em um segmento incipiente, a recepção tem sido muito boa. (mais…)

Listas são a nova busca

por Benedict Evans

Estou fascinado com todas as pessoas tentando desempacotar o Yelp para restaurantes. Quem tenta desempacotar a Craigslist o faz com uma experiência de usuário (UX) moderna, mas o Yelp é uma empresa moderna com uma UX moderna e as pessoas, tentando desempacotá-la, na maioria das vezes recorrem a limitações. Em vez de oferecer 500 ou mil restaurantes e uma caixa de busca, eles te dão uma lista — 50, dez ou mesmo um. Às vezes, isso é deliberado; em outras, apenas a execução do modelo de negócios. Mas o resultado é sempre o mesmo — elas removem a “tirania da escolha”. Eu não quero 500 opções de restaurantes, todos do meu gosto. Eu quero cinco. (mais…)

Um pequeno universo particular

por Fabio Montarroios

No dia 25 de janeiro de 2016, São Paulo comemorou 462 anos de uma sofrível existência. Desde seus primeiros registros fotográficos em 1860, quando a então província era habitada por apenas 30 mil almas, chegamos aos dias de hoje numa das maiores metrópoles do mundo em que tirar fotografia é algo banal para qualquer habitante. O que nos faz pensar o seguinte: o que vai sobrar disso tudo? (mais…)

Tinderização do sentimento

por Alicia Eler

Nota do editor: ano passado publicamos um texto em defesa do Tinder. Havia sinais, ou melhor, casais formados pelo app apontando para um uso melhor frente às incontáveis reclamações sobre a maneira negativa com que o app supostamente afeta os relacionamentos. Este outro, publicado na The New Inquiry e agora traduzido e republicado no Manual, serve de contraponto. Porque, apesar dos casos de sucesso, alguns destacados pelo próprio Tinder em seu site oficial, eles não são uma regra. Talvez sejam até exceções. Deixo a discussão em aberto.

Por Alicia Eler e Eve Peyser


Os mecanismos binários do Tinder podem ser um modelo para todo um modo de vida no qual tudo é uma opção e o processo se torna mais atraente que a escolha.

Viver com uma sensação de sobrecarga de escolhas significa fazer uma força emocional descomunal na tomada das decisões mais banais. O que assistir na Netflix essa noite? Posta no Facebook pedindo por recomendações. Pergunta aos seguidores do Twitter. Depois de refletir por uma hora, resolve confortavelmente assistir a Seinfeld, já visto e revisto um milhão de vezes. Enquanto isso, se pergunta se foi uma má escolha. Faz igual, de qualquer forma. Há algum conforto na mesmice. (mais…)

6 atitudes para começar o ano de bem com a tecnologia

Atualizado em 1º/1/2026.

Você provavelmente dorme até mais tarde e come mais que o normal (além de ser feriado nacional), mas, fora isso, 1º de janeiro é um dia como qualquer outro. Para muita gente, porém, o novo ano chega carregado de simbolismos.

Acreditamos em recomeços. Por vezes, o ano novo funciona como uma nova chance de fazer diferente, de mudar hábitos e comportamentos, de melhorar. Pode ser um bom momento, pois, para repensar sua relação com a tecnologia.

Na correria do dia a dia, empurramos com a barriga e deixamos de lado pequenas ações que, quando realizadas, podem ter um impacto positivo enorme e duradouro na forma como gastamos o tempo interagindo com sistemas digitais. Além disso, o acúmulo de pequenos deslizes e exceções pode emperrar fluxos de trabalho que, com alguma manutenção, podem ser mais eficientes.

(mais…)

Vendendo sentimentos

por Ben Thompson

Um dos frameworks de marketing mais famosos é o composto de marketing, também conhecido como “Os quatro Ps”. De acordo com o framework, existem quatro componentes de um plano de marketing:

  • Produto (o que está à venda);
  • Preço (por quanto está à venda);
  • Promoção (como os clientes descobrem o produto);
  • Praça (onde é possível encontrar o produto).

Destes quatro, o mais difícil e caro — e, assim, a maior barreira de entrada (o maior fosso) — era a praça. Colocar o produto diante dos consumidores exigia relações com o atacado e varejo, sem falar nos investimentos significativos em logística. As empresas que controlavam a distribuição eram, muitas vezes, as mais lucrativas de todas. (mais…)