iPhone 6 Plus.

6 atitudes para começar o ano de bem com a tecnologia


31/12/15 às 19h39

Salvo por você provavelmente dormir mais tarde e comer mais que o normal (além de ser feriado nacional), 1º de janeiro é um dia, na prática, como qualquer outro. Ou não? Para muita gente existe um aspecto psicológico forte no reinício de cada ano. Acreditamos em recomeços e com esse não é diferente. Mais que isso: por vezes o ano novo funciona como uma nova chance de fazer diferente. Que tal aproveitar o momento para melhorar sua relação com a tecnologia?

O que proponho, ou melhor, sugiro aqui são seis atitudes bem pragmáticas para usar melhor a Internet e seus gadgets. No dia a dia, na correria, acabamos empurrando com a barriga muita coisa que, com mudanças sutis, podem ter um impacto poderoso na forma como gastamos o tempo e cumprimos tarefas online. São todas medidas simples e que podem ser feitas em minutos; não tem desculpa exceto simplesmente não querer.

1. Revise as configurações de privacidade

A primeira dica vem do Efetividade.net, que publicou um post do tipo “resoluções de ano novo” e me inspirou a fazer o mesmo por aqui.

Alguns sites, como os lá citados Facebook, Twitter e Dropbox, permitem vincular apps e serviços externos a fim de facilitar a nossa vida. Com o tempo, uns quebram, outros saem do ar e, nessa, deixamos um rastro de permissões para coisas que nem usamos e que, em último grau, podem se tornar verdadeiras ameaças à nossa privacidade.

Tire um tempinho para revisar os apps e serviços atualmente permitidos em suas contas nesses serviços. Os links diretos seguem abaixo:

2. Dê um jeito no e-mail

A ideia não é chegar à mítica “inbox zero” — além de difícil, na prática isso não ajuda muito a trazer paz de espírito e nem o criador do sistema acredita nele —, mas sim em atacar as maiores fontes de frustração e perda de tempo, em especial newsletters indesejadas e outros tipos de e-mails automáticos e/ou recorrentes.

Se você usa Gmail, o serviço oferece um link simples de descadastramento de newsletters na versão web/desktop. Basta abrir um e-mail do tipo e clicar no link “Cancelar inscrição”, no cabeçalho da mensagem:

Link para cancelar inscrição no Gmail.

Caso não use o Gmail, a maioria das newsletters traz um link de cancelamento no rodapé. Use-o e fique atento para o caso de, mesmo após feito isso, e-mails continuarem chegando. Se isso acontecer, reporte como spam sem dó.

Usuários do Outlook.com têm outra ajuda de peso: a ferramenta Limpar. Basta selecionar uma mensagem e tocar no botão correspondente para ter acesso a regras pré-estabelecidas para lidar com todas daquele tipo.

Limpeza de mensagens similares no Outlook.com.

Se estiver animado, faça uma busca por mensagens não lidas e veja se alguma importante ficou para trás, sem resposta. Às vezes é melhor responder alguém com muito atraso do que não.

3. Repense as redes sociais

Grafite em parede transformado em GIF.
GIF: ABVH/Tumblr.

Não é só o seu tempo livre que o Facebook suga. Ele também compromete a bateria do smartphone e consome bastantes dados do seu plano. Soa drástico? Sim, mas desinstalar esse app pode ser uma boa medida para começar o ano bem.

Caso queira estender essa atitude ao computador, existem boas extensões. Uma legal é a Kill News Feed, que mantém o acesso ao site do Facebook, porém esconde o feed de notícias.

Outra extensão, que acaba funcionando como um meio termo, é a Friends Feed. Com ela instalada, o feed de notícias deixa de exibir aqueles anúncios e posts do tipo “seu amigo curtiu isto”, deixando visíveis apenas posts genuínos de pessoas e páginas que você escolheu seguir.

Está no Twitter? Experimente deixar de seguir todo mundo e refazer essa lista. Eu fiz isso em 2010 e foi revigorante. Às vezes seguimos pessoas por motivos diversos e, depois, ficamos acanhados em deixar de segui-las. Com esse unfollow em massa você pode reconstruir a sua timeline apenas com quem publica coisas interessantes e sem aquele peso na consciência de deixar de seguir apenas uma ou outra pessoa.

Para fazer o unfollow massivo, use esta extensão do Chrome ou este código no Twitter web. Neste tópico do Quora há mais alternativas.

Outra boa ideia para melhorar seu uso do Twitter é apostar em clientes de terceiros. (A experiência com os apps oficiais é chocante de tão ruim.) As minhas recomendações são:

Pagar para usar o Twitter? Parece maluquice, mas dependendo do tanto que você usa a rede, vale a pena para ter uma experiência melhor. Os apps oficiais do Twitter empalidecem perto da qualidade desses.

Quanto ao Windows, infelizmente não existe nenhum cliente realmente bom. Minha recomendação, nesse caso, é apelar para o (ótimo) Tweetdeck web, via navegador mesmo.

4. Elimine apps e notificações supérfluos

Não temos muito critério na hora de instalar um app novo — basta um amigo ou um site falar de algum engraçadinho ou pretensamente útil e já instalamos mais um. Com o tempo, a tela inicial está cheia deles e, numa análise mais fria, é bem provável que muitos passem meses sem uso ou jamais sejam abertos outra vez.

Você pode excluir esses apps que só ocupam espaço. Caso queira algo mais drástico, pode dar um reset de fábrica no smartphone e começar o ano com tudo zerado — fiz isso em 2015, estou fazendo de novo meio que por não ter opção (ano novo, smartphone novo) e em ambas foi bom. Só certifique-se de fazer backup de todas as suas coisas, como fotos e conversas do WhatsApp, antes!

Em qualquer caso, vale a pena, também, dar uma passada nas configurações de notificações. Muitas (a maioria, arrisco dizer) são dispensáveis e o potencial que aquele barulhinho tem de distrair é imenso. Desative as de todos os jogos, as de apps que não necessitam de respostas urgentes e aquelas descartáveis — não há vantagem alguma em saber que alguém te seguiu numa rede social via notificação. Ah, e silencie os grupos de WhatsApp.

Além da paz de espírito, livrar-se de notificações dispensáveis permite focar mais no que importa.

5. Troque as senhas e defina um backup

Oh não, um hacker de banco de imagens!
Nunca se sabe quando um hacker de banco de imagens atacará!

Outra boa dica do Augusto Campos: troque as suas senhas, caso não tenha feito isso recentemente. Vez ou outra algum serviço tem seu banco de dados vazado e, nessa, é melhor garantir — especialmente se você tem o mau hábito de repetir senhas em serviços distintos. Caso não tenha paciência ou prefira terceirizar o trabalho, apps como 1Password e LastPass fazem um bom trabalho na criação, gerenciamento e recuperação de senhas fortes.

Quanto ao backup, não é o caso de fazer um, mas sim de definir uma “estratégia”, um sistema que se torne automático daqui em diante. Pode ser na nuvem (muitas opções com preços irrisórios), pode ser num HD externo, enfim, o método (e existem vários) pouco importa; o que vale é ter aonde recorrer caso o pior aconteça — e, acredite, acontece quando menos se espera.

6. Reclame a web

Extensão Ghostery.

Quando o Firefox surgiu para pôr fim ao monopólio do Internet Explorer, um dos seus mantras era o “take back the web”, que numa tradução mais ou menos seria algo como “reclame a web”. Hoje a web corre outros riscos e um especial é o emaranhado de scripts e rastreadores que a maioria dos sites emprega. Não precisamos tolerar isso. É hora de reclamar a web de volta — mais uma vez.

No computador, a minha escolha é a extensão Ghostery. Ela não é um bloqueador de anúncios, mas sim um cão de guarda da sua privacidade. Instalada, a Ghostery passa a bloquear um bocado de scripts e códigos de rastreamento — é assustador ver o tanto de coisa que ela bloqueia por padrão. Escrevi uma espécie de tutorial aqui.

Quem usa iPhone e iPad ganhou, com o iOS 9, a capacidade de instalar “bloqueadores de conteúdo”. Não cheguei a testar muitos; logo de cara, após fazer uma rápida pesquisa, fechei com o 1Blocker. Ele é gratuito, mas cobra US$ 2,99 para permitir o bloqueio de mais de um tipo de conteúdo. Vale cada centavo.

Curiosamente, o Android complica um pouco na hora de protegê-lo — eu esperava que pela sua natureza aberta fosse mais simples. Existem navegadores da Ghostery e do Adblock Plus e, no caso desse último, um bloqueador próprio, no nível do sistema, que alcança apps também. O problema é que ele pede ou rooting ou uma gambiarra envolvendo a configuração de proxy.

Além disso, aproveite para desinstalar extensões que você raramente usa. Muita gente se apega a extensões usadas esporadicamente. Os ganhos em ter poucas ou nenhuma instalada podem ser grandes — eu, por exemplo, nunca tive problemas de consumo de memória com o Chrome quando o usava.


Essas são as minhas seis dicas para começar o ano em paz com seus gadgets e sem se estressar com redes sociais. Tem alguma extra? Comente ali embaixo. E feliz ano novo!

Atualização (31/12/2017): Removida a dica para usar o Unroll a fim de se descadastrar automaticamente de newsletters após a descoberta de que a empresa vendia dados dos usuários a terceiros.

Foto do topo: Dylan/Flickr.

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