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6 atitudes para começar o ano de bem com a tecnologia

iPhone 6 Plus.

Salvo por você provavelmente dormir mais tarde e comer mais que o normal (além de ser feriado nacional), 1º de janeiro poderia ser um dia como qualquer outro. Na prática, porém, para muita gente o início de cada ano é simbólico. Acreditamos em recomeços e com esse não é diferente. Mais que isso: por vezes, o ano novo funciona como uma nova chance de fazer diferente, mudar hábitos e comportamentos, de melhorar. Pode ser um bom momento, pois, para repensar sua relação com a tecnologia.

No dia a dia, na correria, acabamos empurrando com a barriga muita coisa que, com mudanças sutis, podem ter um impacto positivo na forma como gastamos o tempo e cumprimos tarefas online. E no decorrer do ano, o acúmulo de pequenos deslizes e exceções podem emperrar sistemas e fluxos de trabalho que, com alguma manutenção, poderiam ser mais eficientes. As seis sugestões abaixo são simples e podem ser feitas em pouco tempo.

1. Revise as configurações de privacidade

A primeira dica vem do Efetividade.net, que publicou um post do tipo “resoluções de ano novo” e me inspirou a fazer o mesmo por aqui.

Alguns sites, como os lá citados Facebook, Twitter e Dropbox, permitem vincular apps e serviços externos a fim de facilitar a nossa vida. Com o tempo, uns quebram, outros saem do ar e, nessa, deixamos um rastro de permissões para coisas que nem usamos e que, em último grau, podem se tornar verdadeiras ameaças à nossa privacidade.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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Tire um tempinho para revisar os apps e serviços atualmente permitidos em suas contas nesses serviços. Os links diretos seguem abaixo:

2. Dê um jeito no e-mail

A ideia não é chegar à mítica “inbox zero” — além de difícil, na prática isso não ajuda muito a trazer paz de espírito e nem o criador do sistema acredita nele —, mas sim em atacar as maiores fontes de frustração e perda de tempo, em especial newsletters indesejadas e outros tipos de e-mails automáticos e/ou recorrentes.

Alguns serviços populares, como Gmail, Outlook.com e Apple Mail, oferecem atalhos de descadastramento de newsletters. Basta abrir um e-mail do tipo e clicar no link “Cancelar inscrição” (ou outros termos similares), geralmente no cabeçalho da mensagem. No Gmail, é assim:

Link para cancelar inscrição no Gmail.

Em algumas newsletters, provavelmente por estarem fora do padrão, os apps de e-mail não conseguem capturar e exibir o atalho de descadastramento. Na maioria desses casos, porém, há um link de cancelamento no rodapé da mensagem. Use-o e fique atento para o caso de, mesmo após feito isso, e-mails continuarem chegando. Se isso acontecer, reporte como spam sem dó.

Usuários do Outlook.com têm outra ajuda de peso: a ferramenta Limpar. Basta selecionar uma mensagem e tocar no botão correspondente para ter acesso a regras pré-estabelecidas para lidar com todas daquele tipo.

Limpeza de mensagens similares no Outlook.com.

Se estiver animado, faça uma busca por mensagens não lidas e veja se alguma importante ficou para trás, sem resposta. Às vezes é melhor responder alguém com muito atraso do que não. E se o espaço da sua caixa de entrada estiver prestes a se esgotar, faça buscas por anexos grandes e apague os que puder.

3. Repense as redes sociais

Grafite em parede transformado em GIF.
GIF: ABVH/Tumblr.

Não é só o seu tempo livre que o Facebook suga. Ele também compromete a bateria do celular e consome muitos dados do seu plano. Desinstalar o app do Facebook pode ser uma boa medida para começar o ano bem, por mais drástica que essa medida soe.

Caso queira estender essa atitude ao computador, existem boas extensões para combater os efeitos nocivos do Facebook. Uma legal é a Kill News Feed, que mantém o acesso ao site da rede social, porém esconde o feed de notícias, eliminando distrações.

Outra extensão, que acaba funcionando como um meio termo, é a Friends Feed. Com ela instalada, o feed de notícias deixa de exibir aqueles anúncios e posts do tipo “seu amigo curtiu isto”, deixando visíveis apenas posts genuínos de pessoas e páginas que você escolheu seguir.

Está no Twitter? Experimente deixar de seguir todo mundo e refazer essa lista. Eu fiz isso em 2010 e foi revigorante. Às vezes seguimos pessoas por motivos diversos e, depois, ficamos acanhados em deixar de segui-las. Com esse unfollow em massa você pode reconstruir a sua timeline apenas com quem publica coisas interessantes e sem aquele peso na consciência de deixar de seguir apenas uma ou outra pessoa.

Você pode deixar de seguir todo mundo manualmente, mas se estiver seguindo centenas ou milhares de perfis, esse trabalho será cansativo. Existem alguns hacks e serviços como o iUnfollow que prometem automatizar o trabalho.

Outra boa ideia para melhorar seu uso do Twitter é apostar em clientes de terceiros. (A experiência com os apps oficiais é chocante de tão ruim.) As minhas recomendações são:

Pagar para usar o Twitter? Parece maluquice, mas dependendo do tanto que você usa a rede, vale a pena para ter uma experiência melhor. Os apps oficiais do Twitter empalidecem perto da qualidade desses e, nos últimos anos, parecem ter se transformado em fontes de irritação e ansiedade.

Quanto ao Windows, infelizmente não existe nenhum cliente realmente bom. Minha recomendação, nesse caso, é apelar para o (ótimo) Tweetdeck web, via navegador mesmo.

Por fim, vale a pena considerar atitudes mais drásticas, como encerrar seus perfis em redes sociais. Na real não chega a ser uma atitude drástica, dependendo dos seus usos e necessidades. Para saber mais sobre esse assunto, ouça este programa do Guia Prático.

4. Elimine apps e notificações supérfluos

Não temos muito critério na hora de instalar um app novo — basta um amigo ou um site falar de algum engraçadinho e já instalamos mais um. Com o tempo, a tela inicial está cheia deles e, numa análise objetiva, é bem provável que muitos passem meses sem uso ou jamais sejam abertos outra vez.

Você pode excluir esses apps que só ocupam espaço. Caso queira algo mais drástico, pode dar um reset de fábrica no smartphone e começar o ano com tudo zerado — fiz isso em 2015, estou fazendo de novo meio que por não ter opção (ano novo, smartphone novo) e em ambas foi bom. Só certifique-se de fazer backup de todas as suas coisas, como fotos e conversas de apps de mensagens!

Em qualquer caso, vale a pena, também, dar uma passada nas configurações de notificações. Muitas (a maioria, arrisco dizer) são dispensáveis e o potencial que aquele barulhinho tem de distrair é imenso. Desative as de todos os jogos, as de apps que não necessitam de respostas imediatas e aquelas descartáveis — não há vantagem alguma em saber que alguém te seguiu numa rede social via notificação. Ah, e silencie os grupos de WhatsApp e afins.

Além da paz de espírito, livrar-se de notificações dispensáveis permite focar mais no que importa.

5. Troque as senhas e defina um backup

Oh não, um hacker de banco de imagens!
Nunca se sabe quando um hacker de banco de imagens atacará!

Outra boa dica do Augusto Campos: troque as suas senhas, caso não tenha feito isso recentemente. Vez ou outra algum serviço vaza dados, incluindo senhas, e, nessa, é melhor se garantir — especialmente se você tem o mau hábito de repetir senhas em serviços distintos.

Apps que automatizam o gerenciamento de senhas são recomendáveis. Além de eliminarem o problema da repetição de senhas, eles tiram do seu cérebro o fardo de ter que se lembrar das senhas de dezenas, quiça centenas de sites. 1Password, Bitwarden e LastPass fazem um bom trabalho nesse departamento.

Quanto ao backup, não é o caso de fazer um, mas sim de definir uma “estratégia”, um sistema que se torne automático daqui em diante. Pode ser o da nuvem que vem atrelado ao sistema operacional (Apple, Google e Microsoft oferecem nos seus), pode ser num HD externo ou em um serviço dedicado a esse fim. O método (e existem vários) não importa tanto neste primeiro momento. O que vale é ter onde recorrer caso o pior aconteça — e, acredite, acontece quando menos se espera.

6. Reclame a web

Quando o Firefox surgiu para pôr fim ao monopólio do Internet Explorer, um dos seus mantras era o “take back the web”, que numa tradução mais ou menos seria algo como “reclame a web”. Hoje a web corre outros riscos e um especial é o emaranhado de scripts e rastreadores que a maioria dos sites emprega. Não precisamos tolerar isso. É hora de reclamar a web de volta — mais uma vez.

No computador, a minha escolha é a extensão uBlock Origin. Ela tem o código-fonte aberto, não tem fim lucrativo e uma operação transparente. De preferência, utilize-a com um navegador que respeite a sua privacidade, como o Firefox. (O Chrome, líder de mercado, não é um deles.) O Firefox, aliás, há tempos merece uma nova chance: após anos apresentando desempenho e recursos inferiores ao Chrome, no final de 2017 a Mozilla o relançou com um novo motor de renderização e uma interface muito mais ágil.

Quem usa iPhone e iPad tem, desde o iOS 9, a capacidade de instalar “bloqueadores de conteúdo”. Uma das melhores opções do tipo é o 1Blocker, gratuito com compras in-app — ou uma licença vitalícia por R$ 49,90. Para quem usa um Mac também, o apelo é maior, já que a mesma licença do 1Blocker vale para celular, tablet e computadores.

Não sem surpresa, o Android complica um pouco na hora de protegê-lo. Existem basicamente dois caminhos: usar o Firefox com a extensão uBlock Origin, ou instalar um bloqueador no nível do sistema, como o AdGuard.

Esta matéria traz mais detalhes sobre o bloqueio de anúncios em computadores e celulares.

Além disso, aproveite para desinstalar extensões que você raramente usa. Muita gente se apega a extensões usadas esporadicamente. Os ganhos em ter poucas ou nenhuma instalada podem ser grandes — eu, por exemplo, nunca tive problemas de consumo de memória com o Chrome quando o usava.


Essas são as minhas seis dicas para começar o ano em paz com seus gadgets e sem se estressar com redes sociais. Tem alguma extra? Comente ali embaixo. E feliz ano novo!

Atualização (31/12/2019): Pequenos ajustes de estilo na introdução, acréscimo da sugestão para encerrar perfis em redes sociais e reforço da recomendação do Firefox.

Atualização (18/11/2019): Mudanças no estilo do texto, atualizações dos aplicativos (produtos indicados, versões mais atuais e preços) e inclusão de links para posts relacionados publicados recentemente no blog.

Atualização (31/12/2017): Removida a dica para usar o Unroll a fim de se descadastrar automaticamente de newsletters após a descoberta de que a empresa vendia dados dos usuários a terceiros.

Foto do topo: Dylan/Flickr.

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40 comentários

  1. 8 – Saia dos comentários da internet :p Não polua mais o já poluído mar da informação.
    9 – Repense o que lê e não confie 100% em nada.
    10 – Na dúvida, descadastre-se de tudo o que está na internet, apague tudo o que é relacionado a você, formate seu computador e smartphone, mande-o para a reciclagem e vá viver de outra forma offline.

    1. É que é meio difícil, não? E, confesso, um pouco de negligência minha… Enfim, se tiver sugestões para as categorias de apps que constam no texto, diga aí e eu atualizarei ele. Valeu!

    1. Quase certeza de que , sim, desconto com apps de terceiros. (Mas é bom esperar alguém que faz uso dessas promoções para confirmar; meu plano/operadora não tem…)

    2. Quase certeza de que , sim, desconto com apps de terceiros. (Mas é bom esperar alguém que faz uso dessas promoções para confirmar; meu plano/operadora não tem…)

  2. Acabei de fazer uma faxina em meu Facebook… 50% das “amizades” desfeitas e dos 50% restantes…. 90% deixei de seguir.
    Não preciso saber da vida de todo mundo, nem ver que aquela pessoa curtiu fotos do tipo… Se vc crê CURTI e COMPARTLIHA…. Isso me dá ódio kkkkkkkkkkk Kkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkk

  3. Bloquear propagandas no Android é tremendamente simples com root e com bloqueador de propagandas deixa todo o sistema livre de propropagandas.

    Dessas dicas, acho que só o backup vou deixar de lado, pois todo o resto está ok.

  4. Muito boas as dicas.

    Pra mim a inbox zero não é algo mítico, hehehe. Eu sempre esvazio, todos os dias. Geralmente quem tem dificuldade de esvaziar é porque recebe muita propaganda. Minha política para isso é simples: não recebo nenhum e-mail de propaganda, descadastro todos.

    No caso do Facebook eu resolvi esvaziando totalmente o feed de notícias e dividindo amigos e páginas em listas, que não só não tem curtidas e comentários deles em outros posts, como organizam os posts em ordem rigorosamente cronológica.

    1. Exato! Como uso o Outlook.com, passei a cancelar e bloquear o recebimento de todo spam que recebia, pois até então eu tolerava aquelas ofertas tentadoras de coisas que eu não precisava – quem não adora receber ofertas de secador de cabelo e panela de arroz elétrica, não é mesmo? (Parceiro Grupo Virtual 0x1 Lucas).

      Minha experiência com o uso do e-mail agora está bem melhor. Abro a inbox várias vezes ao dia; respondo as mensagens importantes, excluo as desinteressantes e guardo em uma pasta separada as que irei precisar algum dia (como contratos e NF’s).

      Graças a isso, minha inbox hoje está zerada e feliz! Haha.

    2. Meu inbox é zerado também, e só uso um email. Mantenho um gmail antigo só pra não perder minhas compras na Play Store.

  5. Boa Ghedin, valeu pelas dicas. Sobre os aplicativos pra twitter no windows, os melhores são o Tweet It e o Aeries, ambos universais.

  6. Muito bom o Unroll.Me. Não conhecia e sempre tive problemas com as listas.
    Me lembro que tinha site que ajudava a deletar as contas de redes sociais e outros serviços, não lembro qual era.

    Sobre apps de Twitter, bem, confesso que nunca consegui usar um de terceiros. Uso mais no computador (via web) e no iPad (via app oficial) e nunca tive uma necessidade maior do que as que são mostradas ali. E o pior de tudo (pra mim) é a interface feia desses apps (na maioria das vezes, mas, nem sempre) que deteriora bastante a experiência de uso (não consigo usar app feio, ainda que isso seja subjetivo; e o mesmo vale pra apps com ícones feios).

    1. O grande problema dos apps oficiais é que eles padronizam a interface e ignoram convenções da plataforma. O app do iPad era lindo e funcional quando usava “camadas” para navegar entre perfis, links e outras telas; depois, em prol dessa padronização, transformaram ele numa versão esticada do iPhone. Outras coisas que me incomodam são as alterações e inserções rotineiras que fazem (“siga esta hashtag”, ou os vários botões que a gente acaba tocando sem querer) e coisas focadas em quem não usa Twitter, como aquele Moments.

      Por essas e outras que gosto tanto do Tweetbot. É como o app oficial do Twitter deveria ser: leve, direto e bonito.

      1. Acho que esse é o ponto.

        Para alguém que precise – ou por algum motivo diverso goste de – acompanhar conversas, criar listas, gerenciar perfis o investimento de um app de terceiros se pague, mas, pra alguém como eu que usa pra ver se tem greve de ônibus, se já saiu o último episódio de um podcast e para reclamar da vida, esse tipo de aplicativo não se paga porque, na minha modesta opinião, o app oficial das 3 (5 se considerar desktop) principais plataformas faz isso muito bem; valendo também para a versão web.

  7. Muito bom o Unroll.Me. Não conhecia e sempre tive problemas com as listas.
    Me lembro que tinha site que ajudava a deletar as contas de redes sociais e outros serviços, não lembro qual era.

    Sobre apps de Twitter, bem, confesso que nunca consegui usar um de terceiros. Uso mais no computador (via web) e no iPad (via app oficial) e nunca tive uma necessidade maior do que as que são mostradas ali. E o pior de tudo (pra mim) é a interface feia desses apps (na maioria das vezes, mas, nem sempre) que deteriora bastante a experiência de uso (não consigo usar app feio, ainda que isso seja subjetivo; e o mesmo vale pra apps com ícones feios).

  8. Até hoje não achei nenhum app do Twitter que funciona tão bem quanto o oficial. É bem medíocre, verdade, mas funciona como o twitter se espera funcionar. Usei o Hootsuite por um bom tempo por funcionar com colunas, mas não tenho acesso às respostas de um twitt! Encontrei um outro app que tinha colunas e conseguia ver as respostas a um twitt, mas não permitia colocar nenhuma lista como coluna. Enfim, por isso, todos os dias xingo (muito no twitter) o fdp que matou o TweetDeck mobile. Por quê?!

    1. Tenho usado o Fênix e tô curtindo. O que ainda me faz manter o oficial é que as enquetes não aparecem, se não fosse por isso…

      1. (Rise from your grave…)

        Estou usando o Twidere com as chaves cedidas pelo desenvolvedor. Tem um funcionamento muito parecido com o TweetDeck. Está excelente e nada tenho do que reclamar.

  9. Fui fazer um limpa no meu email, que é outlook, e ele também oferece o botão para cancelar inscrições, não funciona em todos, mas na maioria deu certo.

  10. Ghedin, excelente post!!! A partir dele resolvi pesquisar se existia uma forma de limpar a lista a favoritos do Twitter e encontrei essa opção aqui: https://www.youtube.com/watch?v=D55S338-6Ik

    Acredito que muitos usam/usavam o favorito como um lista de ler depois (a minha lista tinha 5713 “curtidas”).

      1. Quando estou no PC, também salvo o conteúdo do twitt direto no Pocket. Quando mobile, é mais prático marcar o twitt como favorito e depois ver o que fazer no PC: abrir o link ou salvá-lo.

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