A vida sem Instagram

Mão segurando um iPhone, com o site do Instagram aberto na tela de login.

No dia 18 de novembro de 2018, pouco depois do meio-dia, excluí o meu perfil no Instagram (veja como fazer). Já vinha ensaiando havia semanas, sem o app no celular nem acesso via web, pelo computador. Achei que fosse sentir falta, mas aí não senti.

Minha primeira foto no Instagram coincidiu com a chegada do app ao Android, em abril de 2012. Naquela época, o app só tinha uma função: postar/ver fotos em proporção 1:1.

Foto de uma mesa, com o boneco do Android em primeiro plano e, ao fundo, um pinguim feito de ovo e dois controles de Xbox 360.
A estética Instagram da época, com um filtro pesado aplicado a uma foto provavelmente péssima, devido à qualidade das câmeras de celular da época (o meu era um limitadíssimo Galaxy 5). Foto: Rodrigo Ghedin.

Será que o Instagram ainda é uma rede social de fotos? Mudou tanto ao longo dos anos. Após ser comprado pelo Facebook, em 2012, vieram os vídeos, as fotos em qualquer proporção, anúncios, stories. Recentemente, lojas virtuais, o clone do TikTok e, nesta semana, os “Guias”, nome pomposo para um sistema interno de blogs. O Instagram virou um Frankenstein feito de coisas que o Facebook tentou comprar e não conseguiu e do que é mais importante ao Facebook — gerar dinheiro e engajamento.

O Instagram mudou tanto que hoje estranho ao ver prints ou o app aberto em celulares alheios. É tudo caótico, mas ao mesmo tempo uniforme, performático, e com tanta, mas tanta propaganda, que a única explicação que me ocorre para as pessoas tolerarem aquilo é a estratégia da fervura gradual do sapo: o caos foi aumentando pouco a pouco, aclimatando os usuários a um ambiente que, visto de fora, parece complicado, hostil até.

Além da fervura gradual, as pessoas ainda estão lá. Um bocado delas, seguramente mais de um bilhão. O Instagram — qualquer rede social, na real — proporciona deixas que ajudam a manter contato com outras pessoas. Uma curtida, um comentário, a mera visualização de um story muitas vezes são maneiras reducionistas, mas eficientes de dizer “hey, estou aqui”, ou “penso em você”.

Quando usava o app, isso era frequente. Fiz ou fortaleci amizades lá dentro. Flertei, ri com piadas internas, fiquei genuinamente contente em receber boas notícias de gente a quem quero bem. Mesmo com o Facebook jogando contra, esses momentos continuam a existir, ou a resistir, e mentiria se dissesse que não sinto falta deles, ainda que não o suficiente para voltar.

Imagino que perder tais oportunidades seja o maior obstáculo a quem cogita sair, mas não sai do Instagram. Pelo menos era o que eu temia antes de pular do barco. Mas aí diminuí o uso, e depois excluí de fato a minha conta, e aquela sensação de perda foi muito menos intensa do que imaginava que seria.

Print de uma janela do Safari, no site do Instagram, exigindo a mensagem pós-exclusão da conta: "Sua conta foi removida. É uma pena que você tenha resolvido sair."
O dia do adeus.

A gente se esquece do estado “sem Instagram”. Nele, sabemos das novidades de amigos e conhecidos por encontros em outros locais que a vida propicia ou em contatos ativos, mesmo que digitais, com os mais próximos — de qualquer maneira, sem o intermédio de um feed algorítmico. E não é tão difícil se acostumar a esse ritmo por dois motivos: primeiro, não há muito prejuízo em saber de rompimentos e novos namoros, nascimentos de bebês, viagens alheias e outras grandes novidades do tipo com algum atraso. E segundo porque a relação sinal–ruído do Instagram, potencializada pelo algoritmo, o excesso de anúncios e os incentivos artificiais para a produção de “conteúdo”, é terrível.

Viver sem ter um perfil no Instagram é um tipo de paradoxo temporal: é como estar num passado pré-Instagram (ou pré-Orkut), mas cercado de pessoas vivendo num futuro em que o Instagram é a nova praça pública.

Nos meus pensamentos aleatórios, acho que esse é o grande trunfo e ao mesmo tempo um dos perigos do Instagram. A rede se vende como uma janela ao vivo para a vida privada das pessoas, de todas as pessoas, e convence muita gente a se abrir em troca de curtidas, uma micro-fama ou outros tipos de reconhecimento social. O perigo está em achar que aquilo ali é de fato a vida privada das pessoas e/ou que todas estão ali, o que não é verdade.

Recordo-me deste artigo da The Atlantic sobre anúncios no Instagram que se parecem com posts de amigos. “Tirando o fato de que [os anúncios] vêm de empresas diferentes, eles são idênticos: as mesmas composições e pessoas e paleta de azuis e verdes saturados, como um anúncio bombado”, escreveu Kyle Chayka em 2016. “É como se um algoritmo digerisse todo mundo que eu sigo e cuspisse uma aproximação robótica da estética geral”.

Com o benefício do tempo, aplaudo a detecção precoce do fenômeno por Kyle, mas acho que ele errou na análise. Os anúncios do Instagram não copiam os posts orgânicos, mas dialogam com eles. Um absorve referências do outro e, dessa transação, resultam indistinguíveis. Há uma estética Instagram, difícil de explicar, mas fácil de reconhecer, que espetaculariza e ao mesmo tempo pasteuriza as fotos e vídeos destacadas pelo algoritmo, sobrecarregando os feeds de estímulos visuais. É tudo muito bonito e sofisticado, demais até, a ponto de se tornar cansativo.

Há também dificuldades de ordem mais pragmática em não estar no Instagram. Aquela ideia de que a rede ainda é uma rede social de fotos, uma bela galeria da humanidade, resiste, apesar das tentativas sucessivas do Facebook de implodir essa proposta transformando o app em uma vitrine abarrotada e de mau gosto. E uma vitrine exclusiva, acessível apenas àqueles com um passe-livre — no caso, uma conta no Instagram.

Desde sempre os stories só podem ser vistos por usuários autenticados, por exemplo. Com alguma frequência me deparo com restaurantes e outros comércios que restringem suas presenças online ao Instagram e, não bastasse isso, escondem em stories informações essenciais, como as de contato ou horário de funcionamento. A onipresença do Instagram é tamanha em certos círculos que não ocorre às pessoas a possibilidade de alguém não estar no Instagram.

Print do Instagram aberto no Safari para macOS pedindo login para exibir uma foto.
Para ver mais, faça login.

E o cerco vem se fechando. Nos últimos dois anos, ficou um tanto mais difícil acessar qualquer coisa no Instagram. Em algum momento, o Facebook passou a limitar o tanto do perfil de alguém que um deslogado consegue ver. Você vai rolando a página e, de repente, não muito longe do início dela, um formulário bloqueia a tela e só sai da frente se um login for feito. Fotógrafos, desenhistas, artistas de modo geral que expõem seus trabalhos no Instagram limitam, talvez sem saberem, o alcance das suas próprias obras.

No começo de 2020, o Instagram deu um passo além e passou a proibir que fotos e vídeos sejam abertos na mesma aba em computadores e tablets. É uma inconveniência mínima (dá para abri-los em uma nova aba), mas mais um passo para se fechar. Nesse ritmo, não é descabido imaginar que, em algum momento do futuro próximo, será preciso ter uma conta no Instagram para ver qualquer foto que seja hospedada ali dentro. Se todos estiverem no Instagram, ninguém vai perceber.

No final de 2018, excluí meus perfis no Instagram e no Facebook em grande parte por discordar das práticas abusivas reiteradas da empresa Facebook, mas também por desconfiar que estava no “modo automático”, condicionado, de maneiras que não conseguia entender, por um algoritmo. Fazia um uso comedido das duas, e não foi por qualquer efeito nocivo à minha saúde mental que as abandonei — talvez eu não notasse esses efeitos em mim mesmo? Não sei. E acho que nunca saberei, porque não cogito voltar.

Atualização (1/12/2021): O isolamento das redes sociais cobra um preço. Dia desses perguntei a uma amiga, que morava fora, quando ela visitaria o Brasil outra vez. Ela havia voltado a morar no Brasil fazia sete meses. Fiz uma nova conta no Instagram.

Foto do topo: Solen Feyissa/Unsplash.

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70 comentários

  1. Parabéns pelo texto. Eu desativei a minha conta do Instagram há 3 semanas e posso dizer com firmeza que, há muito tempo, não me sentia tão livre. Aquilo é uma amarra. Cansei de me expor, cansei de me sentir insuficiente e cansei de pessoas adoecidas postando o tempo inteiro em busca de atenção, porque não sabem lidar consigo mesmo. A decisão de desativar a conta partiu de uma necessidade muito intensa de preservar a privacidade que me resta; sim, porque eu já me expus muito ali, em um época em que estava muito doente mentalmente e nem se quer me dava conta. Todos ali consumindo a minha fragilidade… Nossa, isso me cansou. Depois de algum tempo, passei a valorizar o meu sossego e a minha privacidade. Não vejo problema em retomar o Instagram, mas desde que eu esteja em condições mentais para isso.

  2. Eu tenho 42 anos de idade, nunca tive conta em rede social (Orkut, Facebook Instagram, LinkedIn ) etc… Já terminei 2 relacionamentos por causa dessas porcarias… Eu odiava ver o desespero delas quando escutavam o barulho de alguma notificação de rede social no celular e elas disfarçavam para olhar sem mostrar muito interesse. Futuramente só irei me relacionar com uma mulher se ela for como eu, se tiver aversão a redes sociais… do contrário, prefiro ficar como estou. Dane-se essa desgraça de mundo on-line. Ser off-line é muito mais legal!

  3. Nunca tive conta no Instagram. Percebi que estava viciado no Facebook no começo da década perdendo horas com informações inúteis organizadas por algoritmos. Legal ver seu texto, tenho medo de um futuro próximo não podermos viver sem redes sociais literalmente. Sinto que estou me livrando de informações inúteis, mas ao mesmo tempo o planeta está cada vez mais dependendo delas. No geral não sou contra o uso do Instagram, mas sim do mal uso, sinto que as pessoas estão fugindo dos problemas REAIS para viver um mundo em que é controlado, como mencionado no texto, por algoritmos. A matemática é exata como 1 + 1 são 11 rs

  4. Eu parei com Instagram quando percebi que minha utilização média diária eram 4 horas. Faz 7 meses isso.
    Eram informações desnecessárias. As vezes tenho aquela sensação que posso estar perdendo algo. Mas quando penso e comparo os prós e contras de ter uma conta no Instagram, já mantenho a opção de ficar offline.

  5. vc disse tudo e mais um pouco! Eu me sinto livre das amarras dos algoritmos, além de ter meu tempo otimizado pra fazer coisas que realmente valem a pena

  6. Não li o artigo ainda, mas gostaria de buscar opções de fora do Facebook para o Marketplace. Não curto OLX, muita gente querendo te passar a perna. Onde vocês anunciam e compram bens usados? ou novos até?

    1. No Marketplace do Facebook não tem gente querendo passar a perna? (Pergunta genuína, não uso aquilo faz três anos.) Quando eu preciso vender alguma coisa usada, recorro a redes sociais mais intimistas, como Twitter e apps de mensagens. Também tem Mercado Livre e Enjoei, que cobram taxas pesadas, mas têm muitos usuários.

      1. Licença? Bem, falo por experiência – qualquer lugar há risco de alguém passar a perna.

        No meu caso, antes de comprar tento tirar o máximo de dúvidas com o vendedor (ou se eu estiver vendendo, tento informar ao máximo minhas condições de venda). Quando sinto segurança, mudo o ambiente de conversa para telefone ou aplicativo de mensagem e fecho negócio – geralmente indo na casa da pessoa buscar ou lugar público (shopping, transporte público).

        Prestar atenção em desde quando a pessoa tem a conta ajuda.

  7. Sabe, eu já desisti do Instagram uma vez, mas voltei a essa rede aos 14 anos, e estou pensando em sair de novo, mesmo significando que posso simplesmente “perder tudo”, mas fico pensando todo dia se devo ou não faze-lo, até mesmo minhas frequências de publicações e visitas ao app diminuíram, tornando-se muito raras mesmo. Eu realmente não vejo mais motivos para ter essa rede mas ao mesmo tempo sinto que não posso desfazer dela mesmo que a atividade seje pouca, eu quero me livrar, mas não consigo, o que devo fazer? Simplesmente não sei mais como lidar com isso.

  8. Muito obrigada pelo seu relato, e pelo relato dos vários outros que comentaram aqui. Achei que estava sozinha nesse mundo. O Instagram e, de modo geral, todas as demais redes sociais, não me fazem nada bem. Toda vez que eu entro no instagram, sinto um pico de ansiedade que acaba perdurando até muito tempo depois de eu ter saído dele. Eu sou uma pessoa extremamente múltipla, cheia de interesses, vontades e projetos de vida, mas com um ritmo “lento” na execução dos mesmos. Entrar no instagram e ver a vida (na realidade, apenas uma faceta dela) das pessoas com suas produções e tudo o mais que elas fazem e compartilham me provoca muito mal estar. Sem contar com a enorme quantidade de anúncios, que foram projetados e pensados pra mexer justamente com nossas dores e aí então fazer você adquirir o produto/serviço que vai salvar a sua vida. Outro ponto, para mim, é que eu tenho TDA. Então entrar no instagram acaba me distraindo por um tempo significativo dos meus próprios afazeres, da minha própria vida e realidade, o que acabava agravando a situação e a lentidão do meu próprio caminhar. Além disso, o hábito de ficar compartilhando tudo da minha vida no exato momento ou dia que as coisas acontecem nunca foi fácil ou natural pra mim (talvez também em função do TDA). Eu vivo o presente naturalmente e, quando percebo, já passaram dias e eu não postei. Porém, o Instagram conseguiu entranhar em mim a sensação de que eu preciso me mostrar, construir uma imagem de mim on-line e, se eu não fizer isso eu simplesmente não existo. Olha, então, o absurdo: eu vivo me cobrando a tarefa de postar no Instagram, coisa que falho constantemente em fazer, e fico frustrada. Ou seja, se eu uso o Instagram eu fico frustrada. Se eu não uso o Instagram, eu também fico frustrada! Kkk, que grande merda. No final das contas, o que veio acontecendo nos últimos anos foi o meu natural afastamento do Instagram (que nunca foi tão presente assim, eu acho). Eu não deletei a conta, nem ao menos o aplicativo do celular, mas sou capaz de, espontaneamente, passar dias e semanas sem nem clicar nele. Por um lado, me sinto ótima, minha ansiedade cai, me sinto mais produtiva (e de fato produzo mais, vejo meus projetos caminhando, me dedico a tarefas manuais). Por outro lado, há uma ansiedade residual por não estar lá, existindo no instagram, compartilhando e dizendo pro mundo que eu existo, aquela frustração do não uso que comentei. Mas eu, sinceramente, cansei disso, quero aniquilar esta merda desta sensação e assumir pro mundo que não só odeio o instagram, o facebook e redes sociais em geral, como não preciso e sou melhor sem elas. Atenção eu posso dar aos amigos próximos por mensagens, marcando encontros, vivendo a vida no presente, como sempre fiz e sempre gostei de fazer. Foi com este sentimento que achei esta e outras matérias na internet falando sobre. Encontrar mais gente que pensa como eu é muito bom. Obrigada, mais uma vez pelos compartilhamentos.

    1. Nossa você me define muito, eu me sinto exatamente dessa maneira. Sou vestibulanda e estudos vão por água abaixo quando tenho acesso ao Instagram. Minha ansiedade atacou depois de ver uma live de um universitário, e tô demorando muito pra me reconstruir, infelizmente tenho a mesma cobrança que você. Porém as sensações ruins são quase inexistente quando não estou no Instagram.

  9. Você esclareceu bem os motivos de não ter Instagram.
    Deletei meu Facebook em 2012 quando um amigo postou um cara chupando o próprio pau. Tive ali a visão de futuro da merda que estava por vir.

    Agora em 2021, janeiro, deletei meu Instagram para sempre pelos motivos do seu texto e por mais 2 motivos:

    1. Eu bloqueava perfis que apareciam nas propagandas e depois eles apareciam de novo, logo, o Instagram não estava bloqueando porra nenhuma.
    2. Reencontrei uma amiga de mais de 4 anos sem ver e quando sentamos no bar, os dois já sabiam tudo que o outro ia falar. Então, sem assunto, cada um puxou seu celular e ficou no Instagram. Cheguei em casa com uma sensação ruim. Deletei essa desgraça pra todo sempre. Hotéis, restaurantes e outros negócios que limitam a presença online no Instagram que se fodam. Não falta restaurante e hotel nesse mundo de ~12.800 km de diâmetro.

  10. Eu excluí meu instagram e só posso dizer uma coisa: FAÇAM O QUANTO ANTES. Mudou minha vida! Passo meu tempo lendo livros, sendo que nunca tive o costume de ler, já tinha tentado antes mas sempre abandonava os livros e muitas vezes não conseguia me concentrar, assim como nos estudos também não conseguia ter foco e minha memória era péssima. Hoje em dia leio livros e estudo todos os dias, faço exercício e interajo MUITO mais socialmente, tanto com família e amigos, e foi tudo muito natural. Quando você exclui tem a noção que a rede social traz a falsa sensação que você está com várias pessoas, mas no fim está sozinho(a), quando você acorda disso, começa a viver a vida real de verdade e o real é muito melhor do que uma tela de celular.

  11. Eu desativei meu Instagram pela primeira vez há duas semanas, após reduzir mais de 1000 contas seguindo, na tentativa de dar mais sentido as coisas que eu via e interagia, contudo, ainda permanecia o incômodo. Aproveitei o momento para conseguir focar em um trabalho específico e estou me sentindo tão bem e produtiva com isso que já dobrei a meta para permanecer assim até dezembro, pelo menos. Vamos ver se vou ter vontade de voltar, talvez eu “perca” alguns contatos e algumas novidades, mas a amizade e o amor real nunca esteve lá para mim. Estou perto da minha família e chamando os amigos que quero para conversar no Whatssap e quando puder, pessoalmente. Não sei se estou olhando para trás ou para a frente com isto, só sei que o desejo é sair do “status quo” presente!

  12. Muito bom! Recentemente desativei meu Instagram e pretendo permanecer ausente por um bom tempo. Tenho apenas WhatsApp por questões de estudos, senão, estaria apenas com o E-mail rs’.

  13. Eu falaria que pulei do barco, mas na verdade nunca entrei. Desde do fim do Orkut nenhuma rede social me chamou atenção.

    Facebook é um Frankenstein que nunca entendi a proposta, se era um album de fotos, acompanhamento de feed, uma praça para se conversar.. Twitter usei um tempo mas sem condição. Ver um maniqueísmo bobo de que um lado é sempre bom e o outro ruim nada da para se aproveitar. E finalmente o Instagram, eu não tenho talento para fotos e sigo a regra mais básica (que muitas pessoas não aprenderam) que é um erro realizar exposição pessoal desnecessária na internet. Além que de fora so consigo ver como um inflador de ego digital.

    Eu ainda continuo usando fóruns para conversar e ver outras idéias alem do meu Whatsapp/Telegram para contatos pessoais e trabalho. Mas com a popularização do tiktok e afins, vemos que muito em breve comunicação por texto em rede social acabará. Com uma galera que consome rede social de maneira desenfreada, só videozinhos bobos e memes sem graça para a nova geração parar o frenesi de rolamento de feed.

    1. Eu Tambem gostava de conversa no fecebook mas ninguem esta mais disposto a isso so querem saber de Likes e curtidas

  14. Já desativei 2 vezes, desde que isso surgiu eu nunca fui muito ligado, talves por que estava sempre trabalhando com contato humano, sou artista, e então foi assim sempre me sentia fora do tema quando chegava perto de colegas q só falavam em instagram , dai veio a pandemia, e essa loucura de parecer que você precisa estar nessas redes “sociais” para ter trabalho, precisa disso e daquilo, precisa gerar “conteudo” e engajamento e etc etc etc…. de fato afetou minha saude mental, e me considero alguém bem desligada de status ou qualquer tipo de coisa…. só que começou a me causar uma auto-cobrança muito grande para estar postando artes, ou coisas para ter divulgação e etc… sendo que de fato … estou no processo já de preparação para larger essas redes.

    1. Oi Ivis! Também trabalho com arte e isso também é questão pra mim, que estou fora do Instagram e Facebook desde 2017.. com um lampejo de volta uns meses atrás mas não durou muito. É excesso demais pra mim..
      Tenho muitas críticas.
      Desde que saí nunca mais consegui voltar.. mesmo pensando em vários momentos que poderia ter um uso mais cuidadoso, nunca organizei esse retorno de fato.
      Como você faz pra mostrar seus trabalhos quando necessário? Você tem site?

      1. Oi Argy … sim eu tenho um site ( gratuito por enquanto ) mas ainda não sei ao certo onde divulgar para conseguir clientes de fato … tentei fazer um outro perfil no instagram só para postar ilustrações ( que é uma das areas artisticas que estou trabalhando agora ) mas até então sem nada diferente, alguns likes, alguns robôs e nada além disso … as “amizades” são quem menos valoriza trabalhos… então já estou sem saber ao certo que devo ficar nesta rede… eu utilizo o Deviantart.com e o Behance.net … ainda que lá parece impossível conseguir algum trabalho pelo numero gritante de profissionais, são redes que trazem inspirações e um ar menos pesado .

        1. sim, também faço ilustrações, recebi feedback de dois amigos meus, demais viram storeis e posts, isso incentiva você a continuar, porém só foi mais de início, dependendo da hashtag que você usa também pode conseguir várias curtidas mas não sei de fato se isso pode trazer algum retorno financeiro, um trabalho, a não ser para àqueles que vendem e fazem comissões online, mas eu não gosto de me expor , e também não gosto dessas pressão para conteúdo, e percebi que meu transtorno de ansiedade aumentou, prograstinando no feed,rolando,tô só com WhatsApp no momento , sinto falta das conversas por telefone, ao vivo, ter novidades para falar …. acho que pro bom profissional é questão de tempo e mandar currículo e não de engajamento em rede social

          1. que comentário incrivel ,… muito obrigado … senti isso também sobre o aumento dos transtornos … estou então tentando ficar bem, e largar dessa “onda” nunca fui bom em seguir sistemas programáticos… infelizmente não tenho obtido êxito profissional neste periodo … mas estou bem … seguirei acreditando que o lado humano ainda é melhor do que os algoritmos e as redes “sociais”. obrigado pelo comentário Ólivia.

          2. Espero que fique bem, eu tive que procurar ajuda profissional, a ansiedade,minha, foi por razões pessoais, mas com certeza, ficar rolando o Feed do Instagram não me ajuda, porque eu ficava procrastinando, e ti prende, as vezes ,porque só mostra ,geralmente ,o que você gosta;no caso demais ilustradores, dicas e etc que eu acho interessante. É bom como conhecimento se souber usar mas no meu caso não estou evitando também por questão de saúde, o problema é que muitas pessoas meio que ti “pressionam” a voltar porque preferem falar por lá do que mandar mensagem…; pelo Instagram eu fiquei sabendo de workshops que ajudam bastante, mas você tbm pode ter acesso a eles pelo YouTube ou blogs, eu acho que pode ser uma ferramenta pra aprender coisas, e talvez um networking, fazer amizades na área, mas trabalho mesmo é bem difícil, não vai depender de rede social para emprego ,não… certeza, eu fiz amizades boas na área que me ajudaram a tirar dúvidas e saber coisas enquanto eu tinha Instagram, porém não me apareceu emprego, já vi agências que possuem como se fossem “mecenas” do século 21 kkk, que ajudam ,encaminham o trabalho de ilustradores, eu vi isso somente no exterior, então acho que saber um idioma, isso sim,seria um bom investimento de tempo e talvez dinheiro, o mercado lá fora é bem melhor infelizmente, no Brasil eu vejo bastante crescimento mas pra quem trabalha com HQs, se for o seu caso …., ou ilustrações publicitárias, isso pelo que ando pesquisando, mas sobre as agências, nelas tem as páginas dos artistas alguns tem Instagram mas muitos não, e prestaram trabalho para empresas que parecem ser relativamente grandes, o que tinha em comum em todos: ou era conta em alguma plataforma como behance, dribbble… ou tinham um site próprio, as vezes, simples mesmo.

          3. Você pode ter se quiser para uso pessoal,pra inspiração eu recomendo o Pinterest, mas tome cuidado ao divulgar, se for, por lá, porque já vi pessoas disserem que sofreram plágio outra coisa complicada quando se usa rede social; acho que muitos artistas as vezes ficam com vários seguidores porque a verdade é que as pessoas querem acompanhar a vida dos outros, daí profissionais de diversas áreas tem que fazer àquelas dancinhas nada ver kkk pra promover participação, crescimento e etc, complicado esse mundo atual, então muitos nem é pela arte em si, pelo menos o que eu acho.

  15. Sensacional!!!!! Só me impulsiona mais e mais a largar tudo, só penso em deixar o whatsapp, pq é essencial para me comunicar com o pessoal da favul e familiares ( tb pq nem cvs mt nele). Já desativei…. falta excluir de vez….

    1. A minha vida simplesmente se transformou quando resolvi não ter redes sociais, nunca compreendi a importância de ver a vida através da minha câmera e não dos meus olhos, ou a lógica de postar fotos do prato de comida, também não consigo achar normal a pessoa postar fotos todos os dias usando pouca roupa ou nenhuma roupa para dar aquela calibrada no ego, enfim não me faz falta e não pretendo voltar nunca mais

    2. ouvi falar em mudanças no whatsapp que vão deixar ele com mais cara de rede social 🤦🏻‍♀️😔

  16. O que eu mais tenho feito foi ler relatos de pessoas que abandonaram ou suspenderam os perfis em redes sociais. E só consigo encontrar um reforço na minha ideia de também largar. Só não saí completamente porque estou naquela armadilha de depender das redes sociais pra me divulgar. Digo armadilha porque mal tenho engajamento, não tenho alcance, mas ainda tenho medo de largar de uma vez por todas. Eu acredito que mesmo com um perfil profissional, sou vista pelos algoritmos como um produto, assim como as contas pessoais. Tenho a impressão de que só quem ganha ali dentro são as empresas gigantes e os blogueiros. De resto, estamos todos servindo a um propósito que não nos beneficia. Junto a isso, tem a saudade do contato mais humano. Nem mesmo uma chamada de voz ou vídeo no WhatsApp (outro app do qual queria sumir) me fazem feliz. Saudade de pegar o telefone convencional ou chamar a pessoa pra tomar um café ou mesmo mandar um e-mail (até porque não sou avessa às tecnologias, sou avessa às redes sociais e ao que fazemos delas, tornando-as maiores do que realmente são). O e-mail pra mim é um sinal de respeito com o meu tempo, na contramão da urgência das mensagens e áudios de 5 minutos do WhatsApp ou qualquer outro tipo de mensageiro. A gente automatizou as relações, desvirtuou a realidade, criou um segundo mundo, de onde ninguém mais parece querer sair.
    Quando digo que não tenho Twitter ou Tiktok, as pessoas me olham com um misto de pavor, surpresa e até desprezo.
    Mas fico de boa mantendo minha vida num grau de sanidade possível e exposição mínima.

    1. sim, concordo plenamente, todos acham estranho o fato de não ter rede sociais, eu uso o whatsapp, a solução nessa pandemia, porém eu prefiro mil vezes encontrar pessoalmente ou ligar pelo telefone do que ficar só em mensagens e conversas na maioria vazias, as vezes faz bem mas sinto falta das amizades “presentes” , como disse, hoje vivemos na cultura do imediatismo, isso aumenta e gera transtornos como ansiedade, e mesmo tirando o visto por último, tbm acho que o email a pessoa se dedica mais a escrever, é como uma antiga carta, as pessoas acompanham tanto a vida dos outros e postam tudo , que nem tem muito o que falar ,contar , todo mundo já sabe…, é complicado, daí as conversas ficam presas a problemas ou séries e vida de famosos, e sim, acho que só quem lucra é quem é ou tenta ser blogueiros e etc, alguns canais são bons mas … tbm prefiro o anonimato .

  17. Tenho lido muitos textos e assistido a vídeos sobre a saída de pessoas das Redes Sociais… Tem sido muito bom ler/assistir.

  18. Penso sobre isso o tempo todo: o quanto somos comandados por esses algoritmos? Como a nossa vida está sendo moldada em torno das redes sociais? Acho que o futuro vai olhar para essa época com um certo assombro. O Twitter também é uma plataforma que tem me assustado pela poder que tem em cima do humor e da opinião das pessoas. Tu entra ali, em uma bolha, e é atacado por informação de todos os lados. Constrói um perfil social, briga, coloca sua posição e… desliga a tela. Sei lá, é estranho.

    1. Concordo com vc. Hj graças a Deus saí de tudo. Só uso o whatsapp pela facilidade de comunicação. Pq muitas vezes não dá para usar o celular para ligações.

    2. As redes sociais deram voz a muita gente, mas isso inclui pessoas que se aproveitam disso para “o mal”; e por ser via Internet, muitos perdem a noção de que o mundo virtual é uma extensão do mundo presencial, e não um outro universo, então vc vê muita falta de respeito por isso, tem a sensação de impunidade e anonimato total para falar o que bem entende

  19. Excelente reflexão e iniciativa. Eu nunca tive Instagram, abandonei o Facebook também em 2018, e na mesma época decidi fazer a experiência mais radical de todas: abandonei o whatsapp (dentre outras iniciativas em favor da minha privacidade e redescoberta da Internet ainda livre). Fora dessas redes temos melhor noção de como nossa sociedade está enredada na trama google+facebook, com muitas consequências. Caberia uma dissertação acadêmica.

      1. Esses dias alguém me deu um passo a passo: escrever, naquele espaço para uma mensagem pessoal no WhatsApp, algo do tipo “Desativado” ou “Perfil desativado”. Em tese, isso deve filtrar os contatos, e dali você pode direcionar esses que sobrarem para outros aplicativos.

        Achei genial, mas não implementei — ainda, haha.

      2. Ana, me recusei a instalar o whatsapp no meu telefone pessoal. Quando meu empregador viu que estava falando sério, me deram um aparelho institucional. Ou seja, em horário de expediente, ando com 2 aparelhos e num deles tem whats exclusivamente pra falar com os colegas de trabalho.

  20. Sai do Facebook em 2014 e fiquei num relacionamento complicado (indo e voltando) com o Instagram até 2018. Hoje em dia me dói ver aquela interface tão poluída e cheia de propaganda. Mas oq mais me irrita são os stories, não entendo a lógica de ficar horas por dia vendo vídeos sem graça de pessoas aleatórias do mundo. Ou pior quando abrem o stories da pessoa e ficam passando eles sem assistir, por algum motivo não abrir ou não seguir o fulano parece ser impossível ou deselegante.

  21. Amigo estou com vc. Já tinha saído do facebook há uns 2 anos. Instagram e twitter neste ano. Me senti extremamente aliviado e bem mais leve. Era um peso que carregava e nao sabia. Estou lendo mais, ficando menos “irritado” com minha família e amigos, não discuto mais por besteiras (perdi muito tempo em debates retardados sobre, dentre outras coisas, política), mais concentrado no trabalho e diversas outras vantagens que só notei depois que saí. Agora estou me deparando com um problema específico que são lugares comerciais que só existem no instagram. As vezes tenho que saber um horário ou se irá haver algum evento naquele dia específico, e aí só encontro essa informação no instagram. Mas assim mesmo esse pequeno prejuízo não se paga em voltar pra lá, no máximo eu ligo (como se fazia antigamente) para pegar a informação.
    Por fim, acredito que redes sociais são máquinas de fazer malucos depressivos. Um abraço e bom trabalho!

    1. Cara, vc disse tudo. Rede social é uma máquina de tristeza, loucura e depressão. Tô tentando sair, mas ainda caio na burrice de achar que meu negócio vai deslanchar lá. Não tem engajamento, tenho um trabalho do cão, e nada vinga. Por outro lado, tive um perfil sobre uma série que eu amava, eram 500, 600 curtidas. Um vídeo fazia mais de 1.400 visualizações, vinha gente de todo canto comentar. Eu recebia comentário em português, inglês, espanhol, italiano e até russo. Mal postava, já vinha gente curtir. Aí no meu de trabalho, um post, duas curtidas, zero comentário.
      Não consegui entender essa lógica, e também não sou grande fã de rede social. Prefiro procurar informação em blog (saudade de LER, porque até isso hj se desvirtuou, tudo é resenha no YouTube). Saudade de um cliente respeitando meus horários e se contentando em ver meu e-mail só no horário comercial, em vez de me mandar 15 áudios a cada 5 minutos alegando urgência.
      Hoje em dia parede que as pessoas precisam estar on-line se expondo, fazendo stories e dancinha de TikTok pra coisas pessoais e até pra vender um produto. E o pior é que é tudo igual, até as músicas. Não entro em TikTok, mas vejo pelo Reels como o ser humano se idiotizou a ponto de reproduzir em massa tudo que é ruim. Não tem nem mais criatividade. As pessoas fazem “dublagem” de piada, danças estranhas, os mesmos temas, expõem a vida… Cada mergulho é um story. Até lavar a roupa suja as pessoas estão fazendo no Instagram. Tenho medo também da hostilidade dos comentários, das brigas, das polarizações. Vc fica 5 minutos lá dentro, já se contamina com aquele ódio todo.
      Enfim, cansa o emocional. Tô procurando alternativas pra não ficar presa nesse calabouço que são as redes sociais.

  22. Eu não tenho mais Facebook, Instagram e Twitter. Faz uns dois meses que só sigo dois canais de Youtube. Estou me sentindo bem melhor!

  23. A minha experiência ao sair do Facebook e Instagram é bem próxima do que foi relatado no texto mas com dois adendos. Tentei voltar pro Facebook mas não aguentei mais de uma semana, justamente pelas mudanças que faziam a plataforma ser outra coisa, desconhecida por mim. Isso se somou a minha má vontade de estar ali, voltei por uma necessidade, então não continuei e excluí a nova conta também. No Instagram foi bem mais tranquilo, não senti falta alguma em nenhum momento e também não teve nada que me fizesse ter que voltar a usar até o início da pandemia. Acabei criando uma conta anônima que é usada apenas pra assistir lives de assuntos que me interessam (o curioso é que tem pessoas que preferem se restringir ao Instagram pra fazer lives, mesmo que seja uma plataforma muito mais limitada do que o YouTube). Em contrapartida, não consigo largar o Twitter, fracassei em várias tentativas. Ultimamente o que me fez usar menos foi me cadastrar em newsletter dos meios de comunicação que gosto de ler e acompanho pelo Twitter, como o Manual do Usuário.

  24. Eu ainda uso o Facebook, apesar de não gostar muito, para manter algum tipo de contato com alguns colegas. O Instagram nunca me desceu, acho um ambiente tóxico, pior que o Facebook ainda, sem propósito. O fato é que essas redes sociais em geral não tem agregado em nada, pois no começo eu achava a idéia de uma rede social muito bacana, ainda acho, entrar em contato com pessoas amigos e familiares que a gente vê pouco ou tem uma certa proximidade.
    Atualmente, as rede sociais viraram apenas uma disputa de egos inflados. O Instagram só vejo fotos de pessoas querendo ser perfeitas, e por consequência uma fábrica de deprimidos… Por fim, acho que perderam seu propósito. Ainda tento usar o Facebook para manter contato com pessoas que gosto, mas está cada dia mais difícil…
    Tenho saudades do Orkut kkkk.

    1. Saudade do Orkut por aqui também. Mas essa saudade TB nos leva a um tempo em que não estávamos num nível de mediocridade tão grande como agora, porque foi isso que as redes sociais se tornaram.

      1. Naquela epoca poucas pessoas tinham acesso a internet Tambem. Tinhamos menos dwpressivos no mundo

        1. Sim, Alex. Tínhamos acesso à internet, mas eu, pelo menos, quando vivi essa época, usava a internet como um todo. Assim como faço hoje. Uso Google, pesquiso (até por causa do meu tipo de trabalho), busco cursos, informação, blogs etc. As pessoas hoje (a geração mais nova) parecem estar presas nas redes sociais, achando que a internet se limita a isso. Ficam alternando entre TikTok, Twitter e Instagram como se a vida real habitasse ali. Só conseguem considerar o valor na quantidade de likes e seguidores, como se a relevância de alguém estivesse atrelada a isso.
          É por isso que são pessoas insatisfeitas, inconstantes, mimadas, desesperançosas e com tendência a culpar os outros por suas frustrações. Isso traz os verdadeiros depressivos e os depressivos de ocasião. Igualmente pessoas com problemas psíquicos, cada vez mais ansiosas e superficiais. Eu tenho medo dessa geração.

  25. Eu já tinha caído fora do Facebook faz alguns meses, agora assumi de vez o meu processo de desintoxicação da droga zuckerberg: fui no endereço https://instagram.com/accounts/remove/request/permanent/ (que não é o link fornecido no seu texto) e rapidinho disse adeus ao Insta. Sei que às vezes vai parecer que a droga faz falta, mas a gente sabe o universo de possibilidades que essa libertação abre.

  26. oi, rodrigo. boa reflexão sobre essa plataforma. vejo o instagram como um dos grandes pilares desse movimento “anti-web” onde os feeds algoritimizados das redes sociais que pareciam os portões da internet mas viraram a internet em si. o instagram sempre teve esse caráter de exclusividade e de perpetuação de si mesmo. além de que sempre me pareceu ridículo a dificuldade de você transitar entre ele e outros sites, já que o hiperlink só apareciam nas descrições de perfis e também, depois de anos, nos stories de perfis mais populares. sem contar toda essa influência bizarra que foi bem descrita no tecnocracia que você linkou no último parágrafo. o horror.

    ano passado precisei criar uma conta em uma rede social pois estava envolvido em um projeto onde eu precisava ter uma “fachada online” e interagir com pessoas que passavam por lá. criei um perfil no instagram e comecei a experimentar formas de usá-lo de um jeito não-trivial. já que o feed do instagram não é linear, decidi abdicar dele. primeira regra era só seguir pessoas, sem seguir empresas. ao seguir algum perfil, eu o silenciava na sequência. assim eu tinha sempre um feed vazio. a mesma coisa para os stories. a ideia do feed vazio era não ter aquele impulso de ficar dando scroll no aplicativo em um momento de procrastinação. caso me interessasse, eu poderia acessar a lista de pessoas que eu sigo, onde o ícone do avatar mostrava se haviam stories ou abrir o perfil. outra vantagem era que as propagandas do instagram só apareciam entre um post e outro, então se o feed estiver vazio, você não vê propagandas. a mesma coisa pros stories, como os anúncios aparecem entre um perfil e outro, eu não via propaganda lá. quando o projeto acabou, deletei a conta e voltei pra minha alcova digital do feed rss e e-mail. acredito que a plataforma deve ter mudado sutilmente desse tempo pra cá.

    apenas um adendo, os stories de perfis públicos podem ser acessados via api do instagram (https://developers.facebook.com/docs/instagram-api/reference/user/stories). existem apps como extensões para os navegadores ou sites que disponibilizam esse acesso através dessa funcionalidade.

  27. Duas coisas curiosas vem acontecendo comigo no Facebook e no Instagram.

    Desde os tempos do Windows Phone só acesso o Facebook pelo navegador do celular, nunca pelo app. Mas de uma meses pra cá minha timeline no Face “bugou”. Simplesmente não atualiza mais automaticamente, fica mostrando os mesmos posts durante dias como se estivesse congelado e só atualiza, no máximo, uma vez por semana. Não sei se é mesmo algum bug ou uma tentativa do Facebook de me forçar a usar o app deles. 🤷🏻‍♂️

    No Instagram eu comecei a acessar perfis que postam scans de gibis da turma da Mônica kkkk. Comecei a acessar essas páginas apenas por distração mesmo, mesmo não seguindo nenhuma delas, o algoritmo ficou viciado e agora só me recomenda essas páginas na aba de “Descobrir” kkkkk.
    Não é algo ruim, até porque muito coisa que não era do meu interesse o algoritmo deixou de mostrar para mim. Mas achei curioso como é “fácil” viciar o algoritmo e deixar ele ti “aprisionar em uma bolha”.

  28. Desde 2017 que ñ tenho conta no Instagram e o Facebook. Me apaguei dessas redes porque comecei a sofrer de ansiedade por ter curtidas, visualizações, etc… Fiz a melhor escolha!

    Quanto ao Twitter, deixei de usa-lo depois da eleição de 2018, ñ tinha como aguentar tanta discussão e defesa do ódio de pessoas por pessoas bem próximas. Continuo com a conta, mas uso apenas como login social em alguns serviços.

  29. Não tenho mais Twitter (a rede da loucura) e nem o Instagram. Fiquei só com o Facebook, mas não sigo ninguém: uso apenas para participar de grupos. Pelo menos não tem gente postando selfie toda hora e, quando há discussões, não há limitação de caracteres ou thread…

  30. Seu texto vai muito ao encontro do que penso. Também exclui minha conta há alguns anos (quatro, eu acho, mas sinceramente não tenho certeza) e não sinto a menor falta. O único inconveniente é estar de fora dessa vitrine quando tento acessar alguma informação comercial útil; e sempre a minha resposta a esse inconveniente é desistir da informação, simples assim. E a vida segue, sem muito prejuízo, posso garantir. Realmente me assusta o fato de que as pessoas parecem precisar de coragem pra largar a rede, e ver que a vida fora dela é melhor. Não importa a desculpa que elas (inconscientemente ou não) usem para manter suas contas, simplesmente não compensa todo o mal que ela traz aos indivíduos e ao mundo de uma maneira geral.

  31. O que mais irrita atualmente no instagram (ads já me acostumei) , é como a seção de comentários é bugada na versão web.

  32. Deletei minha conta do Instagram e Facebook no começo deste ano (ou final do ano passado, já não me lembro bem). A do Twitter no meio desse ano, pois estava insuportável.
    Uma coisa é certa: Me sinto muito melhor sem utilizá-las. As redes sociais estão cheias de coisas inúteis e discussões que nos deixam irritados, além dos anúncios em todo canto, deixando uma experiência muito ruim…

  33. Dedos coçando para usar aquele link “(veja como fazer)”…
    ………..5 minutos….pensando: o que me impede? Ou, o que me prende lá?
    ……..não achei nada!!!
    Vou usar seu link! Brigadim!!!!😉😉😉

  34. Ótimo post, como sempre.
    Eu deixei um pouco o entusiasmo com redes sociais de lado. A única que utilizo com gosto é o Telegram, nem sempre tão benéfica.

    Mesmo sentindo a falta que essas micro-interações deixam. Penso que as atualizações das pessoas que nos importamos ainda chegam.

    Quando tem um grupo/loja/pessoa que tem perfil público no instagram e me interesso. Vejo por alguma instância do Bibliogram que não fica pedindo pra autenticar o tempo todo.

  35. Eu nunca fiz conta. Eu até rolava as páginas há uns dois anos atrás, mas com a rede cada vez mais fechada, simplesmente abri mão. A estratégia de reclusão do conteúdo teve o efeito contrário em mim, e a isso se somou a reputação do Facebook como empresa.

  36. Eu acho curioso que, para mim, o Instagram é a rede social que sinto ser mais útil e menos problemática. Vejo que, no geral, é o completo contrário para a maioria das pessoas.

    Eu me interessei por fotografia recentemente, mas zero conhecimento da área, seguindo uns veio aquelas recomendações e ajudou muito a conhecer artistas e bom conteúdo. À medida em que fui seguindo mais essas pessoas, acabou que meu feed é majoritariamente desse tipo de conteúdo. Sei que é meio maluco, mas até nos anúncios achei produtos/conteúdo legal haha

    Fora isso, acompanho stories/feed de amigos próximos somente.

    Como é a única rede-social do meu snartphone, fora LinkedIn, acabava usando meio no tédio e coloquei aquele timer de 15 minutos. Na prática, vi que quase nunca batia nisso, só nos dias que postava alguma foto ou estava conversando com alguém, Inclusive, acabei desligando e nem percebi, fui ver e fica entre 5-20 minutos o uso diário.

    Mas, de fato, é um saco como está ficando cada vez pior a plataforma com recursos copiados de outras redes e mal integrados. O meu uso está cada vez mais relegado, estou tão velho que entrou um tal de “reels” no lugar do botão de postar foto (!?) e nem sei o que é isso.

  37. Não exclui de fato minha conta, mas não tenho aplicativo instalado nem acesso pelo navegador a muito tempo. Recentemente li a respeito da loja que lançaram e pedi à minha esposa para dar uma espiada no novo App. Achei extremamente poluído visualmente e não sei como alguém consegue usar aquilo. A metáfora do sapo cai muito bem aqui, pois tudo isso foi adicionado aos poucos, mas para quem está de fora, é angustiante ver aquilo.

    Meu maior receio hoje é do Whatsapp ir para o mesmo caminho. Instagram e Facebook já não fazem falta alguma na minha vida mas, o Whatsapp é onipresente.

    1. acho que o whatsapp irá pelo mesmo caminho. Agora nao sei como conseguirei apagar ele. Uso muito pro trabalho. Ja saí de um monte de grupo de besteiras. Mas é difícil…

    2. tenho medo disso tbm,ouvi que vão fazer alterações 🤦🏻‍♀️, acho que terei de usar o telegram ou sla

  38. Eu também tive os problemas em ver posts no Instagram, tanto uma imagem específica quanto ver postagens mais antigas. Resolvi usando uma lista do uBlock chamada “uBlock filters – Annoyances” que remove esses avisos.

  39. Que texto sensacional! Eu atualmente me sinto sugado pelo Instagram, cansa mas estou lá. Estou tentando diminuir o ritmo, mas em momentos de tédio (ou procrastinação) acabo me rendendo facilmente. No pré pandemia, nunca me incomodou. Mas atualmente, sinto que estou muito mais ansioso e viciado do que eu era.

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