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Pix deveria ser exemplo para WhatsApp e outros apps de mensagens

O Pix é um sucesso incontestável. Lançado em outubro de 2020 (começou a valer mesmo para a população dois meses depois, em 16 de novembro), o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil caiu nas graças da população com a mesmo velocidade com que viabiliza transferências de valores sem custo às pessoas.

O Banco Central (Bacen), verdadeiro “pai do Pix”, mantém uma página atualizada em seu site mostrando a evolução do Pix segundo várias métricas.

É uma visão impressionante:

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Nem funcionários da Meta curtem seu metaverso

O The Verge conseguiu uns memorandos internos da Meta, assinados por Vishal Shah, vice-presidente do metaverso da empresa, em que ele aborda um problema constrangedor: os funcionários que criam o Horizon Worlds, o ambiente virtual/metaverso da casa, pouco acessam o local.

É surreal. No segundo memorando, de 30 de setembro, Shah escreveu que a missão de todos na empresa é “apaixonar-se pelo Horizon Worlds”. E disse que vai responsabilizar os gerentes se a galera continuar ignorando o metaverso.

Em outro momento, Shah diz que o Horizon Worlds ainda não tem razão de existir:

Quero deixar isto bem claro. Estamos trabalhando em um produto que ainda não encontrou espaço no mercado. Se você está no Horizon, preciso que você abrace completamente a ambiguidade e a mudança.

Horizon Worlds, vale lembrar, é aquele aplicativo de realidade virtual que foi zoadaço mês passado depois que Mark Zuckerberg postou um print que parecia um jogo do Nintendo Wii de 2000 e bolinha. Via The Verge (em inglês).

Close no rosto sem expressão do avatar de Zuckerberg.
Imagem: @zuck/Facebook.

Por que Google Pixel 7 e não Xiaomi 12T?

por Cesar Cardoso

Dos dois lançamentos da semana, em termos lógicos para a maior parte do globo, os Xiaomi 12T e 12T Pro são mais relevantes que os Pixel 7 e Pixel 7 Pro, e não apenas porque os Pixel continuam sendo acessíveis apenas em alguns países do Norte Global, enquanto os 12T estarão disponíveis globalmente.

Os 12T “normal” e Pro se parecem muito: ambos têm a promessa de 3+4 (3 atualizações de versão Android, 4 anos de atualizações de segurança), bateria de 5.000 mAh e carregador 120 W. No entanto, o 12T Pro tem Snapdragon 8+ Gen 1 e câmera com sensor de 200 megapixels (mas sem Leica), enquanto o 12T “normal” tem que se contentar com um chip Dimensity 8100 Ultra e uma câmera traseira de 108 megapixels.

A € 599 (12T) e € 749 (12T Pro), ambos serão um sucesso indiscutível nessas faixas de preço e nesse mercado de “flagship killing” que é disputado especialmente entre as chinesas.

(Os interessados em reviews tem o Xiaomi 12T e o Xiaomi 12T Pro no GSMArena.)

No entanto — e é sempre importante reforçar isso quando se fala de Google Pixel —, a linha Pixel é a realeza do mundo Android. É o telefone contra o qual todos os outros telefones Android são comparados, mesmo que na prática venda pouquíssimo. É o veículo do Google para mostrar para onde o mundo Android deve seguir.

Na atualização anual dos Pixels, o Google usou um termo muito usado no resto do mundo Android em 2022: refinamento. É o chip Google Tensor G2 e sua melhora em consumo de energia e aprendizado de máquina, são as telas praticamente iguais às da linha 6, são as câmeras com algumas melhoras (bem mais no 7 Pro que no 7 “normal”), é a nova temporada de facilidades dos Pixels com doses cavalares de inteligência artificial…

Uma coisa que não mudou? Os preços. Uma coisa que voltou? Os mimos dos Pixels — agora a VPN que originalmente era só do Google One de 5 TB pra cima. Uma coisa que melhorou? Estará à venda em um recorde de… 17 países, Brasil de fora.

Ah, outra coisa que não mudou: coisas que também já eram esperadas: o Pixel Watch, o novo porta-bandeira do WearOS, e o segundo teaser do Pixel Tablet, reforçando a visão do Google para o tablet como parte da casa, já que vai ter um berço próprio que o faz parecer muito um Nest Hub ou Echo Show.

(Aos interessados em “hands-on”, tem os 7 e 7 Pro e o Pixel Watch no The Verge.)


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

Necrotecnologia

por Eduf

Quem são os maiores beneficiários da confusão das eleições do Brasil? As corporações de mídias sociais.

A luta para derrubar Bolsonaro força os adversários a adaptar seus discursos à linguagem de ódio, escárnio e desinformação que, há décadas, vem sendo cultivada e explorada pela big tech.

Enquanto tentamos livrar o país da necropolítica, acabamos por fortalecer a necrotecnologia.

Se não conseguirmos sair desse “loop”, vamos acabar (ainda mais) dependentes da big tech para exercer política.

As redes sociais já sequestraram parte do discurso e logística da democracia. Aos poucos, vai alterando até os nossos conceitos sobre ela. Assim, promover a indie web virou uma necessidade civilizatória, até.


A pensata acima foi publicada na newsletter Texto Sobre Tela, do Eduardo “Eduf” Fernandes. Inscreva-se gratuitamente para recebê-la.

“Outros jeitos de pensar a tecnologia”: O Manual do Usuário virou papel

Vários zines do Manual do Usuário empilhados, sobre um chão de madeira texturizado.

É com uma imensa alegria que anuncio a pré-venda do zine Outros jeitos de pensar a tecnologia: Textos selecionados do Manual do Usuário (2021–2022), o nosso primeiro produto físico.

O zine já está em pré-venda. Clique aqui para encomendá-lo — custa só R$ 35, com frete fixo de R$ 6,35 para todo o Brasil. Os envios serão feitos a partir de 17 de outubro.

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Acreditamos que acrescentar armas a robôs operados à distância ou autônomos, amplamente disponíveis ao público e capazes de chegar a locais antes inacessíveis onde pessoas vivem e trabalham, traz novos riscos de danos e sérias questões éticas. O armamento desses robôs também abalará a confiança do público na tecnologia de forma a prejudicar os enormes benefícios que eles trarão à sociedade. Por esses motivos, não apoiamos o armamento de nossos robôs móveis de uso geral.

— Boston Dynamics e outras empresas do setor, em carta aberta.

As empresas estão preocupadas com pessoas que têm modificado robôs de prateleira, à venda para o grande público, a fim de transformá-los em armas. O que poderia dar errado, né? Via Axios (em inglês).

Prepare-se para ver ainda mais anúncios no Instagram

Com o crescimento das suas receitas desacelerando e o TikTok fungando em seu cangote, a Meta pensou em uma solução para estancar a sangria: mostrar mais anúncios.

A empresa anunciou novos locais para a veiculação de anúncios no Instagram, na aba Explorar e no feed dos perfis. Também há novos anúncios nos Reels do Facebook, como um vídeo curto (4 a 10 segundos) após a exibição de um Reel. Via Meta, Instagram, TechCrunch (todos em inglês).

Serviço de newsletters do Facebook será encerrado em 2023

Um dia o Google anuncia o encerramento do Stadia, no outro a Meta avisa que o Bulletin, serviço de newsletters premium vinculado ao Facebook, criado em junho de 2021 para concorrer com o Substack, sairá de cena em 2023.

O Bulletin durou pouco mais de um ano. O serviço atraiu ~120 escritores e jornalistas com gordos cheques e a promessa de apoio, mas, sem surpresa, não colou.

A Meta promete que pagará os valores prometidos integralmente, mesmo dos contratos que venceriam em 2024, e que os parceiros poderão levar bases de assinantes e arquivo de conteúdo para outras plataformas.

Pelo menos em um aspecto a Meta cumpriu sua palavra: a empresa bradava, no lançamento do Bulletin, que, diferentemente de rivais como o Substack, não cobraria taxas dos parceiros “até no mínimo 2023”. Dito e feito. Via New York Times (em inglês).

Matter, padrão para internet das coisas, é lançado oficialmente

A Connectivity Standards Alliance (CSA) anunciou nesta terça (4) o lançamento da especificação final do padrão Matter, uma tentativa da indústria de padronizar a comunicação entre dispositivos de internet das coisas.

Mais de 550 empresas fazem parte da CSA, incluindo titãs da indústria — Amazon, Apple, Google e Samsung. A promessa do Matter é permitir que dispositivos de empresas distintas aderentes ao padrão conversem entre si. Ele confia em duas tecnologias, o bom e velho Wi-Fi para a comunicação com a internet, e o novo Thread, que cria uma rede mesh de alta eficiência e confiabilidade para que os dispositivos se comuniquem localmente.

Dessa forma, com o Matter você poderá ter, por exemplo, uma lâmpada inteligente Philips Hue e uma fechadura “smart” da Aqara na mesma casa, conectando ambas ao mesmo sistema e podendo controlá-las a partir de um único aplicativo da Apple ou do Google.

Algumas empresas anunciaram que seus atuais produtos receberão atualizações para se tornarem compatíveis com o Matter. Espere, também, uma avalanche de lançamentos destacando a compatibilidade com o padrão nos próximos meses.

A falta de interoperabilidade entre soluções de IoT é vista pela indústria como um gargalo na adoção dessas tecnologias. Se o Matter resolverá o problema, só o tempo dirá. Via CSA, The Verge (ambos em inglês).

Resenhas de livros do Skoob são integradas à Americanas para vender mais livros

A Americanas S.A. integrou 2 milhões de resenhas de livros da plataforma Skoob, que adquiriu no final de 2021, às lojas Americanas, Submarino e Shoptime.

O objetivo da Americanas é alavancar as resenhas do Skoob para aumentar as vendas de livros nas lojas do grupo. Segundo a empresa, a expectativa é de que o movimento aumente a conversão de vendas de livros em até 40%.

Tudo muito legal, mas faltou combinar com os 9 milhões de usuários do Skoob, que da noite para o dia viraram promotores de vendas ao terem suas resenhas instrumentalizadas por uma loja para fomentar a venda de livros.

Nem a Amazon ousou ir tão longe. Em 2013, a gigante norte-americana comprou o Goodreads, rede social literária similar ao Skoob, e jamais misturou as resenhas de lá com as da sua loja virtual. Via PublishNews.

Debian 12 trará firmwares não-livres no instalador padrão

O Debian 12 “Bookworm”, previsto para 2023, será distribuído em um instalador contendo firmwares não-livres — algo inédito na longeva distribuição.

A decisão foi tomada em conjunto, numa votação que durou duas semanas. A comunidade Debian optou por incorporar os firmwares não-livres ao instalador padrão, permitindo assim que componentes que não tenham firmwares livres disponíveis, como chips Wi-Fi e GPUs, funcionem de primeira no Debian. O usuário será informado quando seu hardware necessitar desses códigos proprietários e terá a opção de desabilitá-los.

O Debian é uma distribuição Linux que, até então, só trabalhava com código livre. A decisão de incluir firmwares não-livres é tão grande que precisou ser respaldada por ampla maioria a fim de alterar o contrato social do projeto. Via Debian, MakeUseOf (ambos em inglês).

Europa dá mais um passo para obrigar a Apple a adotar USB-C no iPhone

A União Europeia deu mais um passo para padronizar o USB-C em celulares, tablets e câmeras. Nesta terça (4), o plenário do Parlamento Europeu aprovou a proposta por esmagadores 602 votos a favor contra apenas 13 contra (e 8 abstenções).

A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Europeu antes dela ser publicada no diário oficial do bloco. Depois disso, os países-membros terão 12 meses para transpor as regras na legislação local e mais 12 meses para começar a aplicá-las. Por isso, a expectativa é de que a nova diretriz passe a valer em 2024.

Sobrou um puxão de orelha à Apple e outras poucas fabricantes que ainda não abraçaram o USB-C. Do comunicado à imprensa:

Apesar dos esforços anteriores para trabalhar com a indústria a fim de diminuir o número de carregadores de dispositivos móveis, medidas voluntárias falharam em produzir resultados concretos para consumidores da União Europeia.

Via Parlamento Europeu (em inglês).

Musk volta atrás e propõe comprar Twitter de novo

Elon Musk deu um tempo na tentativa de acabar com a guerra da Ucrânia postando enquetes no Twitter para resolver outra briga feia: a sua com o Twitter, empresa que, em abril, ele quis comprar por US$ 44 bilhões para, logo depois, desistir e se ver como parte de uma disputa judicial em que tinha tudo para perder.

De acordo com a agência de notícias Bloomberg, o bilionário sul-africano enviou uma carta ao Twitter propondo honrar a compra da empresa pelo preço original, de US$ 54,20 por ação.

As informações ainda são escassas, mas o mercado reagiu prontamente: logo após a divulgação da notícia pela Bloomberg, os papéis do Twitter na Bolsa de Nova York dispararam. Via Bloomberg (em inglês).