Alguns usuários do YouTube têm relatado (Twitter, Reddit) que a plataforma de vídeos está limitando o acesso a altas resoluções, como 4K, para quem não paga.

Ao expandirem o seletor de resolução, dentro do player de vídeo, as resoluções acima de 1440p exibem um “Premium” embaixo — em alguns casos, “Premium — Toque para atualizar”. No Brasil, o YouTube Premium custa R$ 20,99 por mês.

Por se tratar de um teste, não é possível saber no momento se o YouTube de fato tornará a exibição de vídeos em 4K um recurso pago.

Não é a primeira restrição técnica que o YouTube considera para incrementar sua assinatura paga. Recursos nativos dos sistemas, como ouvir vídeos com a tela do celular bloqueada e o modo PIP (picture-in-picture), por exemplo, são condicionados à assinatura paga.

Existem algumas maneiras de burlar tais limitações, especialmente em computadores. Via MacRumors (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Saíram mais informações sobre o hack que mencionamos há algumas semanas, quando o governo chinês fez uma acusação de ciberespionagem pela Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) dos EUA. As invasões teriam sido feitas pela NSA contra a Universidade Politécnica do Noroeste da China, localizada em Xi’An.

Em junho, a direção da universidade anunciou tentativas de phishing para roubar dados de pesquisadores e alunos da instituição — o que eventualmente deu acesso ao sistema com dados sensíveis de diversas pessoas e à infraestrutura de telecomunicações. Uma força tarefa do National Computer Virus Emergency Response Center da China (CVERC) junto com uma empresa privada analisou os ataques, concluindo que 13 pessoas estavam envolvidas diretamente.

O plot twist é que a acusação veio principalmente do fato de que os hackers teriam invadido e mexido no sistema apenas durante os dias de semana, no horário das 9h da manhã até 16h da tarde do fuso da costa leste dos Estados Unidos. Além disso, eles teriam tirado “folga” coincidentemente nos mesmos dias de feriados importantes do país americano, como o 4 de Julho. Zichen Wang do Pekingnology explicou a história.


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Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música

Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música (em inglês), por James Tapper no The Guardian:

Os fãs de ruídos dizem que estudar, dormir e meditar são realçados ao ouvir esses sons em volume baixo. A matemática da economia de música por streaming significa que criadores de ruídos podem ganhar dinheiro com isso. Alguém que adormece na faixa de 90 segundos Clean White Noise – Loopable With No Fade, do artista White Noise Baby Sleep, repetida por sete horas, fará 280 reproduções. Na última sexta-feira, ela já havia sido tocada 837 milhões vezes, gerando um valor estimado de US$ 2,5 milhões em royalties. A faixa principal na playlist Rain Sounds, do próprio Spotify, dois minutos de chuva, tem mais de 100 milhões de reproduções.

Por outro lado, Laura Mvula tem apenas 541 reproduções no Spotify da faixa-título do álbum vencedor do Ivor Novello deste ano, Pink Noise — nada sonolenta, mas sim um lírico e sonoro dance-pop dos anos 1980 que levou três anos para ser criado.

“Sempre fui muito crítico ao fato de que todas as reproduções [no streaming] são tratadas da mesma forma”, disse Tom Gray, guitarrista de Gomez e fundador da BrokenRecord, uma campanha para que artistas recebam mais receita dos streamings. “[A economia dos streamings] Parece democrática em algum nível, mas não leva em conta o valor real que o ouvinte recebe.”

O Tumblr anunciou uma mudança no sistema de classificação de posts para devolver o conteúdo adulto à sua comunidade de usuários.

Matt Mullenweg, CEO da Automattic, empresa que adquiriu o Tumblr em 2019, anunciou que criadores de conteúdo e usuários/leitores agora podem classificar posts como “vício em drogas e álcool”, “violência” ou “temáticas sexuais”.

O sistema de classificação é chamado de “rótulos da comunidade” e, segundo Mullenweg, é um primeiro passo no sentido de tornar as diretrizes de uso do Tumblr “mais abertas e compreensíveis” — em outras palavras, viabilizar conteúdo sensível sem irritar a Apple.

O Tumblr surgiu em 2007 com diretrizes bem folgadas, o que atraiu à plataforma criadores de conteúdo mais… digamos… quente. Ou pornográfico, para sermos diretos.

Não é à toa que as redes sociais comerciais evitam pornografia. O CEO da Automattic listou as dores de cabeça que esse tipo de conteúdo atrai, desde dificuldades em processar pagamentos por cartão de crédito até a necessidade de que o conteúdo publicado não seja produto de abusos.

Mullenweg também citou o puritanismo da Apple. Em 2018, quando o Tumblr pertencia à Verizon, a Apple suspendeu o aplicativo da App Store alegando a presença de conteúdo irregular, segundo suas diretrizes.

A política de tolerância zero com pornografia foi baixada pela Verizon como um remédio para restabelecer a presença do aplicativo do Tumblr no iPhone.

Os rótulos da comunidade e outras melhorias nesse sentido que estão sendo implementadas não visam restabelecer a “terra sem lei” que o Tumblr costumava ser.

Para Mullenweg, a “era amigável ao pornô dos primórdios da internet é impossível hoje”. Ele espera, porém, reconquistar artistas e usuários que exploram temas ligeiramente mais sensíveis que abandonaram o Tumblr em 2018. Via @photomatt/Tumblr (em inglês).

Sistema operacional para o NES 8 bits e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Só existe um futuro para o Brasil, e ele passa pela eleição de Lula neste domingo

por Manual do Usuário

Em março de 2021, quando o Brasil enfrentava uma das ondas mais mortíferas da pandemia de covid-19, o presidente Jair Bolsonaro imitou uma pessoa com falta de ar ao criticar declarações do ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta. Ele viria a repetir a cena dois meses depois.

As performances de Bolsonaro talvez tenham sido a manifestação mais perversa da sua conduta absolutamente errática à frente do país na pior crise sanitária do último século, mas não foi a única, nem a mais grave.

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Não demorou um dia para que Meta e Apple agissem para derrubar o The OG App, aplicativo que promete(ia?) uma experiência mais calma no Instagram.

A Apple removeu o aplicativo da App Store, citando violações em suas diretrizes. O aplicativo acumulou 10 mil downloads no iOS antes de ser bloqueado.

a Meta, empresa dona do Instagram, excluiu os perfis pessoais no Facebook e Instagram dos fundadores e funcionários da Un1feed, a startup por trás do The OG App. Um porta-voz da empresa disse ao TechCrunch que “este aplicativo [The OG App] viola nossas políticas e estamos tomando as medidas apropriadas”. Via TechCrunch, @TheOGapp_/Twitter(2) (em inglês).

Post livre #336

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

por Shūmiàn 书面

Nas últimas duas semanas, os currículos de dois professores universitários foram um dos assuntos mais comentados nas redes sociais chinesas. Conforme matéria do SCMP, Hu Jinniu e Cheng Jing são professores da Escola de Física da Universidade Nankai em Tianjin e recontaram suas trajetórias profissionais de maneira bem-humorada, com muita honestidade e humor autodepreciativo.

Por exemplo, Hu chamou atenção para a dificuldade de conseguir empregos acadêmicos e de sustentar-se trabalhando na sua área. Já Cheng comentou que só estuda o que gosta, porque não deve ser capaz de ganhar um Nobel.

O mercado de trabalho no setor de tecnologia também não foi poupado. Recentemente, a Tencent realizou demissões em massa — foram desligadas aproximadamente 5 mil pessoas, ou 5% da força de trabalho da empresa —incluindo toda a equipe de redação da Fanbyte, revista online especializada em jogos virtuais.

O TechCrunch conta que o processo foi especialmente lento e cruel, mas teve desforra: a gerente de mídia sociais manteve o login das redes da revista e aproveitou a situação para apontar a injustiça e pedir apoio para a equipe demitida.


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Os desenvolvedores Ansh Nanda e Hardik Patil lançaram o The OG App, um novo aplicativo para Android e iOS que lembra muito o Instagram de alguns anos atrás — sem Reels ou recomendações de perfis que a gente não segue.

A ideia é boa, e embora o The OG App use APIs oficiais do Instagram, algumas coisas funcionam meio na base da gambiarra, o que pode ensejar problemas.

A autenticação, por exemplo, usa métodos pouco ortodoxos que envolvem o login em regiões remotas usando sistemas Android, que os desenvolvedores destrincharam com engenharia reversa para fazer funcionar o The OG App.

Ansh e Hardik publicaram um fio no Twitter para esclarecer o modelo de autenticação. Para alguns, foi tarde demais — gente que teve o acesso ao Instagram bloqueado pela plataforma da Meta.

Vale lembrar, ainda, que outro aplicativo do tipo, o Barinsta (somente para Android), também sofria dos mesmos problemas e, pior, o desenvolvedor recebeu uma notificação extrajudicial da Meta exigindo o encerramento do aplicativo.

O The OG App tem versões para Android e iOS. No Brasil, apenas o aplicativo para Android aparece disponível. Use-o por sua conta e risco. Via TechCrunch (em inglês).

A Intel anunciou um novo aplicativo para conectar celulares (Android e iOS) a computadores com chip Intel rodando Windows. Não que faltem opções — do Vincular ao Celular da Microsoft a soluções abertas, como o KDEConnect, além de iniciativas do Google. É que nenhuma é tão suave e confiável quanto a integração que a Apple consegue com os seus iOS e macOS.

O Intel Unison, nome do vindouro aplicativo, é baseado no Screenovate, outro aplicativo que fazia isso e que foi comprado pela Intel no final de 2021.

A Intel promete que o Unison será diferente porque será desenvolvido em parceria com as fabricantes e fará uso de recursos de conectividade do hardware, como Wi-Fi e Bluetooth.

O Unison permitirá acessar fotos, mensagens, ligações e notificações do celular pelo computador, e o usuário poderá usar o celular com o teclado e touchpad do notebook.

A princípio, o Unison estará limitado a alguns poucos notebooks com chips Intel de 12ª geração e o selo Evo. A Intel promete uma expansão considerável na leva de notebooks de 13ª geração. Via Windows Central (em inglês).

A Amazon mudará a política de devolução de e-books Kindle até o fim do ano, segundo a Authors Guild, espécie de associação norte-americana de escritores independentes.

A mudança ocorre a pedido desses autores, que vinham sendo afetados por uma prática, digo, uma “trend” no TikTok que estimula as pessoas a lerem os livros digitais em até sete dias e solicitar o reembolso integral à Amazon.

Até o fim do ano, pedidos de reembolso de e-books Kindle que o comprador já tenha lido pelo menos 10% serão analisados caso a caso, por um funcionário da Amazon. Via Authors Guild, TechRadar (ambos em inglês).

O Substack, aquela startup de newsletters, lançou um agregador de feeds RSS na web. Eles já haviam lançado um aplicativo para iOS capaz de ler feeds RSS. Agora, essa funcionalidade chegou à web.

Os feeds RSS ficam juntos e misturados às newsletters hospedadas no serviço que você assina.

Para acrescentar um feed RSS, clique nos três pontinhos no menu à esquerda da tela e, em seguida, em Add RSS feed — a interface está disponível apenas em inglês. Quer fazer um teste? Inscreva o feed RSS do Manual do Usuário: https://manualdousuario.net/feed

O aplicativo para Android segue em testes. Interessados podem se cadastrar em uma “lista de espera”.

As viúvas do Google Reader precisam ter cautela: o Substack é uma startup ainda bancada por capital de risco e, como todas nessa situação, tem um futuro incerto.

O fim do Google Reader fez florescer uma leva de alternativas que já passaram pelo teste do tempo e estão aí, funcionando há mais de uma década. São serviços como Feedly, Miniflux, Inoreader e NewsBlur.

Se você chegou até aqui e não sabe o que é “feed” ou “RSS”, parabéns, admiro seu comprometimento! Dê uma lida neste material para ficar por dentro do assunto. Via Substack (em inglês).