E é tão ruim quanto a descrição soa. Além de reduzir o nosso trabalho a uma curtida ou um descarte e fazer de tudo para tornar essa ação a mais trivial possível, ele nem mostra o conteúdo dos artigos por padrão; só aparecem título e uma imagem.
No Daily (o Tinder de notícias, não se perca!), as curtidas se convertem em compartilhamentos. O app é do Buffer, um sistema que facilita a publicação de conteúdo em redes sociais e dá estatísticas e dicas para otimizar seu alcance. O foco que muitos sites têm dado a manchetes e imagens de abertura apelativas ganha mais uma justificativa com o Daily — como se faltasse incentivos a esse comportamento.
Você já deve ter visto o vídeo acima, provavelmente no Facebook, compartilhado por alguém que aproveitou a deixa para reclamar de como todo mundo é superficial e aumenta as coisas que publicam no site. (mais…)
Toda vez que alguém mostra um retângulo de uma cor só ou uma tipografia grande na tela, em menos de três segundos alguém no fundo da sala grita “metro!” Com seu aspecto plano, bastante espaço para respirar e visual peculiar, a linguagem Metro (ou moderna, ou seja lá como chamam ela hoje) conseguiu um feito não intencional, não sei se desejável, mas digno de nota: ser atribuída como precursora de uma tendência da qual ela nem é parte.
Na Google I/O desse ano, a linguagem visual Material Design chamou a atenção. E com mérito: é uma proposta ousada, muito bonita e que consegue o feito raro de ser praticável na mesma medida em que é ambiciosa. É só ver as reações no Twitter e em blogs de tecnologia, incluindo aí a de muitos críticos contumazes do Google, para ver que o trabalho liderado por Mathias Duarte foi bem feito. (mais…)
Se nas apresentações da Apple o “one more thing” é (ou era) um tipo de marca registrada, as do Google também estão ganhando uma espécie característica própria: a (looooooonga) duração.
Ano passado foi 3h30min de Google I/O; hoje, chegamos a 2h40. Para quem não tem tanto tempo disponível e largou a bets no meio do evento ou sequer se arriscou a ficar na frente do computador vendo demonstrações e comentando no Twitter, o Manual do Usuário traz um guia direto, sem enrolação e super rápido de tudo de relevante que foi anunciado. Foi sobre Android, múltiplas telas, Chrome(book|OS|cast), Google Drive… foi sobre bastante coisa, na verdade. (mais…)
Faz cerca de quatro meses que a Nokia anunciou a família X, smartphones de entrada rodando um Android modificado, sem serviços do Google e apinhado de coisas da Microsoft. Hoje, a linha ganhou uma evolução. O Nokia X2 chegou e trouxe, de carona, alguns questionamentos pertinentes e difíceis de responder.
O Nokia X2 é uma evolução tímida. Em desempenho, ganhou mais RAM (1 GB contra as versões com 512 e 768 MB) e um processador melhor, o Snapdragon 200 dual core de 1,2 GHz baseado no Cortex-A7 — o anterior, um Snapdragon S4 Play, era baseado na antiga CPU Cortex-A5. Nada drástico ou capaz de mudar a letargia de que sites especializados reclamaram em coro, mas ainda assim evoluções. (mais…)
O Projeto de Lei nº 4.534/2012, em trâmite no Congresso Nacional, tem por objetivo modificar a Lei do Livro, de 2003. Para ser mais preciso, atualizar a definição do que é livro. No meio do debate, surgiu uma polêmica: o e-reader, o equipamento destinado exclusivamente ao consumo dos livros digitais, deve ser tratado como livro? (mais…)
Uma das últimas tendências no miolo da escala de preços dos smartphones é a das telas grandes, com tamanhos que vão de 5 a 6 polegadas. São aparelhos enormes com telas que, na vitrine, chamam a atenção e no bolso, incomodam. O Xperia T2 Ultra Dual é a aposta da Sony nesse emergente filão.
Outra tendência é a dos smartphones dual SIM. Enquanto o mítico topo de linha com suporte a dois SIM cards não vem, os intermediários seguem melhorando. Com configurações modestas, mas surpreendentemente melhores do que se poderia esperar, Xperia T2 Ultra Dual chega perto desse estado de união entre o melhor dos dois mundos. Quão perto? É o que descobriremos em mais uma análise. (mais…)
Imagine um app que tem como única finalidade mandar uma notificação que informa em texto e áudio, de um jeito engraçado, “yo”. O usuário adiciona seus amigos e, quando toca em um deles, manda um “yo”. Do outro lado, a única opção para quem recebe a mensagem é responder. Com um “yo”. E é basicamente só isso. (mais…)
De mania nacional no Japão, os emojis são, hoje, fenômeno cultural no mundo inteiro. Apple, Google, Microsoft e Twitter suportam o padrão que desde 2010 integra a tabela Unicode. Não é raro ver esses pequenos e expressivos desenhos em mensagens de texto mediadas por telas. Em breve, uma nova leva de emojis estará disponível.
Alguns dos novos emojis (em amarelo).
A nova versão do Unicode, uma espécie de mapa de caracteres super abrangente que é usado por todos os sistemas operacionais modernos, ganhou 250 novos emojis. Somados às demais, o Unicode 7.0 traz mais de 2800 novidades, que vão desde o novo símbolo do rublo russo, a moeda usada na terra de Putin, a escritas arcaicas. (mais…)
O segundo gol da França na partida contra Honduras foi, mais do que qualquer coisa, uma vitória da tecnologia. As câmeras espalhadas no Beira-Rio, em Porto Alegre, deram absoluta certeza a um lance que, de outra forma, seria fonte de polêmica e discussões sem fim. (mais…)
A última atualização do Facebook Messenger para iPhone e Android trouxe a gravação de vídeos de até 15 segundos segurando um botão, um recurso parecido com os existentes no Snapchat, Vine e Instagram. É algo que se esperaria do vindouro Slingshot, o (segundo) concorrente ao Snapchat que está em produção por lá, mas apesar da implementação e dessa conexão nos bastidores, ele nem é a coisa mais interessante aqui.
Nas notas da versão 6.0, o segundo tópico chama mais a atenção:
Grandes curtidas: Mantenha pressionado para enviar um polegar ainda maior quando você curtir demais alguma coisa.
Essa novidade se refere àquele botão de polegar no canto inferior direito da tela que você só aperta sem querer e, toda vez, acaba mandando um curtir totalmente aleatório e fora de contexto no meio da conversa. Agora, dá para mandar curtidas gigantes, medianas ou apenas uma curtidinha.
Sou totalmente a favor dessas experimentações com interface de apps, mas isso só pode ser de zuera:
E ainda dizem que o Facebook parou de inovar. Pfff…
O recém-anunciado Galaxy Tab S, da Samsung, concentra em um tablet o que há de melhor no universo Android. Vai além, para ser justo: aquela tela Super AMOLED de 2560×1600 deve ser estonteante, coisa que vídeo promocional algum faz jus — a menos que você o assista em um Galaxy Tab S. (mais…)
Faz algum tempo que o navegador passou a protagonista em desktops e notebooks de usuários casuais. A consolidação da web como plataforma tornou o Chrome e outros navegadores os apps campeões de uso, muitas vezes relegando o sistema operacional a uma base sem muita importância para as atividades do dia a dia.
Atento a isso, o Google criou um sistema operacional que é apenas um navegador, o seu navegador. O Chrome OS foi anunciado em 2010 e lançado um ano depois. No Brasil, os Chromebooks, como são chamados os notebooks que rodam o sistema, só chegaram agora, em 2014.
O modelo da Samsung em que escrevo este review e que será objeto de análise nas linhas que seguem se sobressai por peculiaridades em uma plataforma que, por si só, já levanta sobrancelhas e chama a atenção. Lá fora, é o Chromebook mais barato disponível, e foi o primeiro a vir com um SoC ARM, o que dispensa o uso de ventoinha para evitar que o processador frite. Ser diferente não é sinônimo de ser útil, então vejamos o que a Samsung preparou para convencer o consumidor de que, sim, um navegador é o bastante. (mais…)
Estive lendo algumas coisas, analisando uns acontecimentos e conversando com meus informantes, e a essa altura é seguro dizer: vai ter Copa sim! Em 2014 o coração continuará na ponta da chuteira, os pés, tocando a bola, e é bem provável que as mãos estarão mexendo no smartphone durante o show do intervalo.
O futebol é ingrato com a tecnologia. Com uma ou outra exceção, a FIFA barra a maioria das tentativas de modernizar o esporte a fim de mantê-lo praticável em locais e/ou condições desprivilegiados, o que é compreensível. Fora dos gramados, longe do rigor da entidade máxima do futebol, o aparato high tech encontra menos amarras e nesta edição do torneio será difícil perder os lances da partida e bem mais fácil atualizar a tabelinha (digital e on the go, claro) depois dos jogos.
Baixei e testei alguns apps futebolísticos para as três principais plataformas móveis: Android, iOS e Windows Phone. Não tem smartphone? Sem problemas, dá para se manter informado e até assistir aos jogos na íntegra pelo computador. Reuni, ainda, as formas mais simples de puxar para a sua agenda de compromissos os dias e horários de todas as partidas. Por fim, testei (ou quase isso) os sistemas de interatividade das emissoras de TV, a alardeada “segunda tela” que começa a ganhar contornos mais fortes e investidas oficiais e organizadas no Brasil. Vai ter Copa sim, e será muito legal!
Os apps campeões da Copa
Às vésperas do início da competição, estava esperando uma enxurrada de apps temáticos. Eles até existem, mas não é muito difícil separar o joio do trigo sem ter que recorrer ao download: muitos apps, especialmente no Windows Phone, são feios de doer. Mais capricho em 2018, pessoal!
Como a maioria é redundante e não há muito sentido em ter dois ou mais aplicativos apitando antes de cada partida e a cada gol marcado, separei o que de fato vale a pena em cada plataforma. Vamos lá? Então vamos.
iPhone: FIFA e Guia Descomplicado da Copa
Screenshots do FIFA para iPhone.
O app da FIFA para o iPhone é muito legal. Ele já recebeu a atualização preparatória para a Copa do Mundo, que entre outras coisas traz um visual mais refinado, acompanhamento de seleções, tabelas, estatísticas e todas aquelas coisas que os fanáticos pelo esporte adoram.
Nesse app ainda rolam notícias, comentários dos usuários e a eleição dos craques de cada partida. Uma característica rara é poder acompanhar mais de uma seleção ao mesmo tempo; na maioria dos apps, você escolhe uma no início e fica limitado a ela. Existem anúncios, mas eles são discretos e, aparentemente, estáticos — são só banners ou selos dos patrocinadores oficiais do evento. É um dos mais completos disponíveis.
VAI TER COPA SIM
Outra opção é o Guia Descomplicado da Copa, desenvolvido por Rodrigo Duarte da Igniscode. A apresentação é bem bonita, ainda que lembre o plano de fundo padrão do Galaxy S5, cheio de polígonos coloridos. Mais simples e direto, o Guia traz lembretes dos jogos, as sedes, tabelas, enfim, o cardápio básico de apps do tipo, com uma bônus: molduras para tirar fotos e espalhar nas redes sociais.
Agora vai, Brasil!
A Siri também já está atualizada, mas sem a proatividade do Google Now (veja abaixo). Pode ser útil para saber o horário de alguma partida e, imagino, resultados também:
Android: Google Now, OneFootball e UOL Copa
Tinha esperanças de ver mais apps legais no sistema do Google, mas não parece ser o caso — o da FIFA, até a publicação desta matéria, ainda não tinha sido atualizado. Calhou de ser o próprio Google a melhor opção.
O Google Now já está sabendo do torneio. Além de responder perguntas, também dá para indicar ao assistente as seleções que você deseja acompanhar. O funcionamento deve ser semelhante ao que já rolava com times, ou seja, o Now avisará quando as partidas estiverem começando, gols forem feitos e os resultados ao apito final do árbitro. Isso também funciona no iPhone, basta instalar o app do Google.
Se você prefere algo mais tradicional, minha indicação é o OneFootball Brasil. Ele é multiplataforma: tem também para iPhone e Windows Phone. No Android, ante a falta de adversários à altura, ele se destaca.
Neste app, desenvolvido na Alemanha e patrocinado pela Volkswagen, o leque de recursos básicos em apps da Copa está presente. Tem notícias também, e a promessa de acompanhamento ao vivo das partidas. O visual não é muito inspirado, mas pelo menos é bem feito, coisa rara no universo de apps analisados.
Screenshot do OneFootball Brasil para Android.
Outra alternativa é o UOL Copa (também tem versão para iPhone e Windows Phone). Consegui testar de antemão o mecanismo de acompanhamento ao vivo das partidas na pelada entre Itália e Fluminense, e é bem bacana: além dos lances, o app puxa comentários dos especialistas em futebol do portal, tuítes relacionados e traz um botão “estou vendo na TV” que remove do stream informações óbvias para quem está assistindo à partida. De quebra, traz reportagens em vídeo, fotos e o conteúdo dos blogs do UOL.
Windows Phone: Copa2014 e Bing Esportes
Cartão amarelo para o Windows Phone! Apps bem feios disputam a tapa a atenção do torcedor sofredor. Mesmo alguns que não fazem feio no Android e no iPhone, como UOL Copa e OneFootball Brasil, marcam gols contra aqui. Felizmente, Microsoft e Revolution Software salvam o sistema do vexame com dois belos chutes no ângulo!
(Vou parar com as analogias futebolísticas, prometo.)
O Bing Esportes, que deu um nó no cérebro aqui porque agora se chama só Esportes e mudou de lugar no menu, tem um módulo da Copa do Mundo com aquele feijão com arroz: tabela, estatísticas, notícias, informações dos times e sedes, datas e horários dos confrontos etc. Basta atualizar, se ainda não fez isso, e encontrar a competição nos menu do app.
Screenshots do Copa2014.
A melhor recomendação, porém, é o Copa2014, desenvolvido pela misteriosa Revolution Software. A interface é linda, com desenhos, cores e tipografia de muito bom gosto, tem bloco dinâmico, e permite filtrar as datas e horários pelo time escolhido. Ele é extremamente básico, mas antes fazer pouco e fazer bem, do que tentar abraçar o mundo e não conseguir.
A Copa do Mundo no PC
A FIFA não deixa entrar com PCs e tablets nos estádios, mas fora dele quero ver o Blatter me impedir de usar a minha máquina!
Copa do Mundo nos resultados do Google.
Pois bem, o Google é seu amigo até na hora de torcer. Além do Google Now o buscador também entrega informações por texto, e isso vale para o desktop. Basta digitar “copa do mundo” e ele retorna uma tabela estilizada com datas e horários, classificações dos grupos e o mata-mata da segunda fase. Para quem estiver usando um Chromebook ou em qualquer outro computador, essa é uma das opções mais rápidas para se inteirar. Para algo mais elaborado, veja a bela tabela do UOL.
Portais e sites especializados em futebol, como Impedimento e Trivela, merecem uma olhada para entender melhor o contexto das partidas e as análises táticas. Eu, que não sou muito chegado em mesa redonda, não perco uma edição do Falha de Cobertura, com Daniel e Cerginho:
Se você assina a ESPN, tem no Watch ESPN (além da web, com app para iOS) uma alternativa à narração do Galvão, o mau humor do Arnaldo e os comentários sagazes do Ronaldo FENÔMENO Nazário.
Todos os jogos na sua agenda
No smartphone o Google Now deve ser suficiente para lembrá-lo dos jogos. Quem prefere a boa, velha e mais organizada agenda, tem algumas opções.
Curiosamente, a do Google Agenda só é “ativável” em um computador, usando o bom e velho navegador desktop. Os passos, ensinados pelo Android Central, consistem em abrir o site, clicar na seta do “Outras agendas”, no canto esquerdo, depois em “Adicionar por URL”. No campo que surge, cole esta linha:
Clique no botão “Adicionar agenda” e corra para o abraço, meu amigo. Caso fique de saco cheio, basta apagar a agenda no gerenciador delas, e todos os eventos (são muitos, três jogos por dia na primeira fase!) sumirão.
Os dois passos para levar os jogos da Copa ao Google Agenda.
No iPhone, uma opção mais classuda é incluir um calendário de interesses no Sunrise, o app de agenda favorito da casa. Para isso, entre nas configurações, depois em “Interesting Calendars” e, na tela seguinte, em Copa do Mundo. O app te dá a opção de baixar todos os horários da Copa ou apenas uma versão parcial, com os times selecionados. Depois, junto ao dia e horário das partidas, ele mostra os resultados delas direto da visualização dos compromissos. Um golaço do Sunrise.
Calendários de interesses no Sunrise do iPhone.
E no Android? O Sunrise foi lançado no Android recentemente, mas dois recursos, os calendários de interesses e a compatibilidade com servidores Exchange, ficaram de fora. Mandei um e-mail para os desenvolvedores perguntando quando essas coisas serão disponibilizadas no sistema do Google e a resposta foi… um dia. A compatibilidade com Exchange é prioridade e os calendários de interesses, de acordo com Pierre Valade, “está totalmente na lista de coisas a acrescentar”.
Segunda tela na Copa do Mundo
Xingar o time adversário ou reclamar do gol que o Neymar perdeu no Twitter é meio… limitado. O conceito de segunda tela ainda tem muito chão a percorrer e duas emissoras já dão os primeiros passos dessa jornada por aqui, de olho na atenção que a Copa gera e nas condições mais favoráveis em relação a 2010. Carlos Augusto, gerente de marketing de consumo da Intel, explica em um comunicado que “a infraestrutura de servidores que alimenta o sistema também está mais rápida, o que significa um mundo de possibilidades — assistir as jogadas ao vivo, de várias câmeras diferentes, em várias telas diferentes, comentando e interagindo com os amigos, tudo ao mesmo tempo.”
Com o ESPN Sync, os assinantes podem interagir com as transmissões mandando perguntas, votando nos jogadores e lendo estatísticas em tempo real, sem depender da boa vontade do operador de GC do canal. Ah, e a programação esportiva também se faz presente, com a possibilidade de agendar lembretes — esses recursos dispensam o login/assinatura.
Mais democrático, o app da Globo (iPhone, Android) é, também, mais simples. As funções são similares às do da ESPN, e tem uma espécie de área de comentários maluca, integrada ao Twitter, onde o povo fica conversando o dia todo.
Da SporTV, vem a promessa de jogos ao vivo através do app SporTV Ao Vivo na Copa do Mundo. Mas atenção: no iOS, ele só funciona no iPad. Também tem versão para Android e nenhum indicativo de que é preciso ser assinante do canal na TV ou qualquer outro pré-requisito para usufruir das transmissões ao vivo.
Para quem assistirá na TV, o SporTV Estatísticas na Copa do Mundo da FIFA (iOS, Android) oferecerá estatísticas em tempo real durante os jogos, e comparações entre seleções e jogadores após as partidas.
O banho de água fria vem da Microsoft: o empolgante Destination Brazil coloca direto na TV informações contextuais, a cornetagem das redes sociais, lembretes e até uma série exclusiva, estrelada por Thierry Henry e Edgar Davids, em busca do próximo Messi nas ruas de algumas cidades espalhadas pelo mundo. Tudo muito bom, tudo bem legal, mas o problema é que o Destination Brasil não foi disponibilizado no… Brasil. Coerência, cadê você?
Vai ter Internet nos estádios?
No leilão do espectro 4G no Brasil, uma das exigências da Anatel era que as vencedoras cobrissem no mínimo 80% das áreas urbanas com mais de 500 mil habitantes até o início da Copa do Mundo, o que abrange todas as cidades-sede e sub-sede. Segundo a SinditeleBrasil, o sindicato das operadoras de telefonia móvel, a meta foi alcançada aos 45 do segundo tempo.
Só que como qualquer um que já esteve concentrado com muitas pessoas sabe, nem sempre a infraestrutura das operadoras dá conta da demanda. A saída é encher os estádios com antenas Wi-Fi. Tudo certo? Calma aí. Seis estádios, metade dos que serão utilizados na competição, não terão esse reforço graças a atritos entre as administradoras deles e as operadoras — nas palavras de Eduardo Levy, presidente da Sinditelebrasil. Em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba e Natal, os torcedores poderão ter dificuldades para acessar a Internet.
Se bem que com as regras rígidas da FIFA imposta aos torcedores, que inclui proibições quanto à publicação de conteúdo multimídia e até dos resultados parciais das partidas, talvez não faça tanta falta. Como ou mesmo se esse controle será feito, é outra história.
Chame os amigos, estoure uma pipoca e esqueça um pouco o celular. Toda essa interatividade é legal, mas nada disso supera a torcida à moda antiga, a celebração do esporte através da amizade. O smartphone será um fiel ajudante antes e depois dos jogos. Durante? Deixe-o no bolso. Ele não se importará e, de quebra, ficará a salvo de arremessos acidentais na hora de gritar GOOOOOOOOOOL!!! e daqueles banhos acidentais em copos de cerveja.
Lançado em 1995, Seven acontece em um tempo quase remoto, quando smartphone não existia, a ideia de não sermos contatados era concebível e as palavras “não sei” não eram sempre precedidas de uma consulta ao Google. Filmes como esse, se passados hoje, precisariam ser totalmente repensados. Vários conflitos imprescindíveis ao desenvolvimento da trama seriam evitáveis com SMS, buscadores (quem vai a bibliotecas?), redes sociais, big data.
Não sei se você faz isso, mas sempre que vejo filmes situados em épocas passadas fico imaginando duas possibilidades: 1) como eles seriam se seus enredos fossem contemporâneos, e 2) como eu me sentiria se vivesse naquele período. No caso, 1995 nem está tão longe no tempo. Tenho algumas lembranças vagas dos meus 9 anos, terceira série na escola, um ano meio apagado — não teve o Tetra de 1994, nem as grandes amizades escolares, os momentos divertidos da quarta série, e o PlayStation que ganhei em 1996.
Hoje, alunos processam professores que lhes tomam o smartphone durante a aula. E piora: o aluno, amparado pela mãe, recorre à justiça, alegando “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”. Longe de mim ser o cara nostálgico, o chato do “no meu tempo…” É que essa notícia, além do espanto que a situação por si só causa, coloca no seu devido lugar, ou seja, no centro um objeto que de inexistente passou a ter um valor enorme na sociedade.
O smartphone, não me entenda mal, é um aparelho fascinante. Sempre que paro para pensar nele acabo chegando ao fato de que em sete anos esse aparelho mudou nosso comportamento — inclusive em centros menores, como aqui no interior do Paraná. Até onde isso vai? Os limites, como ilustra o caso do aluno que processa o professor por ter o celular confiscado durante a aula, ainda não são muito claros.
Os pecados capitais digitais da linda matéria do Guardian apontam para um cenário ainda mais preocupante. Quando a diversão passa a obsessão? Em que ponto o que apenas distraía vira prioridade? Qual a medida saudável para o uso de redes sociais?
Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, orgulho. As adaptações digitais conseguem abranger muitos comportamentos que, sob olhares críticos, são no mínimo questionáveis. Aos nossos, às vezes passam imperceptíveis. E não adianta se esquivar: pode parecer maluquice ficar 10 horas por dia jogando League of Legends, mas a esse cara, talvez, tirar selfies o dia todo para postar no Instagram cause a mesma estranheza — e, certamente, alguns abalos sociais. Se não isso, que tal ficar xingando no Twitter e em portais de notícias? Ou então sentir a inveja que você sentirá das fotos e declarações dos casais de namorados e seus relacionamentos pretensamente perfeitos daqui a alguns dias?
A ciência já estuda algumas dessas implicações. Sabe-se, por exemplo, que o excesso de fotos prejudica a memória. A ratificação dos pesquisadores vai de encontro ao que alguns sentem, ainda que nem sempre manifestem, na prática. É humanamente impossível tirar 300 fotos de uma tarde no parque sem que alguns bons momentos sejam presenciados pelo viewfinder, mediados por uma tela.
Se tivermos a dimensão dos estragos que o excesso no uso do smartphone está nos causando via estudos científicos, nos reeducaremos?
Talvez chegaremos a um ponto em que isso passará a ser encarado como problema grave e, sob essa ótica, passível de tratamento. Uma doença? Ou um comportamento socialmente reprovável, como o tabagismo virou nas últimas duas décadas? O paralelo com o fumo, aliás, parece adequado. Quando vejo grupos à espera de alguma coisa ou alguém, todos com celulares na mão, absortos, olhando fixamente e passando os dedos nas telinhas, é como se presenciasse uma versão digital-moderna do cigarro que tira a ansiedade e relaxa. Aparentemente, um menos degradante ao organismo. Será? Até que ponto?
A plaquinha do bar que diz que não tem Wi-Fi e pede às pessoas que conversem é uma bobagem. Uma que expõe, de modo meio torto, sem querer, o verdadeiro problema: não deveríamos ser orientados a fazer o que ela diz, mas sim termos essa atitude naturalmente. Quando precisamos de placas e lembretes para sermos humanos, para demonstrarmos o mínimo de empatia a quem escolhemos estar junto em um ambiente social como um café, é sinal de que alguma coisa deu errado e precisa ser revista.