No Facebook a vida dos outros parece mais interessante. Fora dele, também


26/6/14 às 9h40

Você já deve ter visto o vídeo acima, provavelmente no Facebook, compartilhado por alguém que aproveitou a deixa para reclamar de como todo mundo é superficial e aumenta as coisas que publicam no site.

Nunca vi alguém compartilhar vídeos do tipo com uma confissão anexa. “Veja este vídeo, eu faço isso, é bem triste a vida.” E é raro, salvo quando estamos de fato nos abrindo a uns poucos amigos próximos, mandarmos a real também fora do Facebook, dizer cara a cara, a colegas de trabalho, conhecidos e outros perfis majoritários entre os nossos contatos em redes sociais, que Miami foi uma droga e que aquele temaki do Instagram nem estava tão bom.

A auto-promoção é uma característica inerentemente humana. Quando reduzida a uma atualização de status ou fotos em uma rede social, ou seja, pequenos excertos de eventos maiores, é natural que a situação seja floreada. Tem quem exagere, como os mais narcisistas e extrovertidos, e o ambiente seguro mediado por telas dá uma dose extra de coragem para que os tímidos se expressem mais. Mas, na real: todo mundo faz isso, no Facebook e fora dele.

O vídeo What’s on your mind? produzido pelos irmãos Higton é uma caricatura desse comportamento, uma visão ao cubo de ações que, na vida real, dentro do Facebook, já são elevadas ao quadrado. Não é uma lição de moral, acho. No máximo, um lembrete de que a vida dos outros, contada por eles, ganha contornos mais empolgantes. Como toda boa história que nos é contada, o feed do Facebook dá liberdade a pequenas licenças poéticas.

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5 comentários

  1. Ótimo video.. Acho que retrata MUITO bem o padrão dos posta…
    Hahahahah mto legal mesmo…

    Pra simplificar, FB é igual a uma revista Caras… Obvio..
    Se vc ser uma rede social baseada em informações, sua rede é algo como o G+ (algo, pois está em seu começo, sendo construída), caso queira uma rede baseada em relações sociais, aí entra o FB..

    O FB é uma salada social… Não pode ser levada a serio para informações “serias”..

    Penso q o futuro são os nichos… E o FB como uma plataforma para pequenas e rapidas divulgacoes sociais.. Para “as manchetes”…

    Exemplo de redes de nichos?
    jornalggn.com.br ou luisnassis.com.br, p.ex.

    Uma prova? Se seu autor/mediador quisesse, faria um sistema de assinaturas e em poucos dias conseguiria tranquilamente 1000 pessoas pagando 10/mês. Eu incluso.

    Duvida q da certo com TI?
    Continue duvidando.. Enquanto a caravana passa, os cães ladram..

    A vc, o beneficio de sua duvida, absolutamente, é claro, “certa”.

  2. Já entrei e sai umas duas vezes do Facebook, e da última vez que voltei adotei a “limpeza de feed”. Muito mais tranquilidade mesmo.

    Só que em uma rede social, de alguma forma alguns que gostam de se comunicar são instigados a compartilhar algo de suas vidas. Eu fazia muito isso, hoje parei pois vi que me expunha demais, e infelizmente “idiotas” podem usar isso contra você.

    A questão de se expor de forma mais “positiva”, de se promover, é pessoal mesmo. Quando estamos entre desconhecidos, poucos vão realmente ter coragem de contar “seus podres”, ou histórias comuns. A grande maioria vai querer comentar algum feito que se julga interessante, merecedor de atenção.

    No final, é questão de “conectar-se ao que importa” ( =) ) mesmo, ou seja, viver a vida sem se preocupar com julgamentos públicos ou próprios.

    Só que em tempos de monitoramento de alguma forma, no final sempre seremos julgados…

  3. Conheço alguns que postam no Facebook que estão em duas ruins e como para situações positivas as reclamações também devem aumentar os problemas, chateações e decepções.
    O que me enche e me faz gostar menos do Facebook é essa necessidade de ter que filtrar tudo isso. Tem muita gente por lá que “me decepcionei” por causa do feed de notícias.