Yo: o futuro da comunicação ou a agulha que estourará a bolha 2.0?

O logo do Yo é tão simples quanto o app.
Imagem: Yo.

Imagine um app que tem como única finalidade mandar uma notificação que informa em texto e áudio, de um jeito engraçado, “yo”. O usuário adiciona seus amigos e, quando toca em um deles, manda um “yo”. Do outro lado, a única opção para quem recebe a mensagem é responder. Com um “yo”. E é basicamente só isso.

Para dar mais riqueza à descrição, imaginemos ainda que este app foi lançado no dia 1º de abril, o Dia da Mentira e, nos últimos anos, também das piadas nonsense das empresas de tecnologia. Mas ele não é mentira, nem piada, é pra valer. Tanto é que em pouco menos de dois meses no ar, já recebeu um investimento de US$ 1 milhão.

A história já está num nível bem surreal, mas segure-se firme que tem mais. Seu desenvolvedor, o israelense Or Arbel, acredita que o Yo tem um potencial gigantesco e já declarou à imprensa, em tom sério, que uma vez usado, o app “afeta a sua vida de uma maneira profunda”. Ele acredita, de verdade, que o Yo é a evolução dos apps de bate-papo, o primeiro que propicia uma “comunicação baseada em contexto”.

A interface é tão simples quanto o conceito.
Imagem: Yo.

Isso tudo daria um post impagável no The Onion, mas não é o caso: o Yo existe e Arbel está convicto de que seu app causará um grande impacto em quem já usa o WhatsApp e similares.

No perfil da Think Progress, Arbel compara o Yo ao app de bate-papo adquirido pelo Facebook por US$ 19 bilhões dizendo que o seu é mais eficiente, já que para mandar o mesmo “yo” via WhatsApp são necessários 11 toques. Na prática, o Yo lembra um tanto o “cutucar” do Facebook — não há explicação para os “yo” e a ação termina nela mesma, sem consequências ou nada minimamente elaborado.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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Arbel mudou-se para San Francisco e trabalha em tempo integral no Yo. Não que haja muito a ser feito no app em si (e, verdade seja dita, ele é bonitinho e bem feito); o trabalho se concentra em oportunidades comerciais. Acredite se quiser, mas a história melhora: o Yo já tem um modelo de negócios.

O futuro do visionário desenvolvedor posiciona o Yo como gatilho para avisos via uma API para parceiros. O monossilábico “yo” do app seria compreendido, na teoria de Arbel, de acordo com quem o enviasse. Uma loja de roupas poderia mandar um “yo” quando uma peça entrasse em promoção; uma companhia aérea, quando um voo que você está esperando chegasse. Um site como o Manual do Usuário poderia disparar “yo” a cada post publicado. Em vez de ter seu nome gritado (e escrito errado no copo), a espera pelo café da Starbucks terminaria com um “yo” saltando na tela do celular.

Todo esse papo de um app tão simples, feito em 8h e inicialmente rejeitado pela Apple por ter achado que ele estava incompleto, é levado a sério por outros além do Arbel. Ele também levantou novos questionamentos sobre uma possível bolha 2.0 no Vale do Silício. A super e inexplicada valorização de US$ 17~18 bilhões do Uber, posta em xeque pelo triturador de números FiveThirtyEight, seria outro indício de que os investidores descolaram os pés do solo da realidade e estão viajando.

Haverá outra quebradeira? Nem os economistas sabem dizer. Apesar de sintomas parecidos com os da virada do milênio, a economia e a tecnologia são bem diferentes hoje. De qualquer forma, se algo grave acontecer na NASDAQ mande um “yo”. Eu saberei do que se trata.

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13 comentários

  1. (Adaptação de piada)

    Enquanto isso no futuro…

    Três geeks conversando, em volta do aquecedor, todos em seus smartphones:
    – Yo!
    – Yo!
    – Yo!
    Nisso chega um quarto geek:
    – Qual é?
    E os três, para ele:
    – Ih, ó o cara, aí, mal chegou e já vai mudando de assunto…

  2. Se app viralizar como o flapy bird, vão criar um cópias que enviam “sóó” ou “podecrer” no lugar do “yo”

    Podem anotar isso que escrevi.

  3. Que raiva! Coincidentemente, eu tinha justamente a ideia de fazer um aplicativo semelhante a esse. No início do ano, fiz uma pesquisa e não existia nada parecido. Agora, se eu resolver continuar e colocar para frente, meu app será julgado como uma mera cópia do yo. O mais engraçado e surpreendente é que eu tinha adjetivado meu app com a mesma frase: “o futuro da comunicação.”

  4. É claro que o aplicativo é uma espécie de hoax que metaforicamente faz referência a previsão de uma possível bolha.

    P.S.: me desculpe se ESTE artigo foi escrito como uma ironia e eu banquei o chato explicador de piadas não entendidas.

    P.P.S.: não responda, diga apenas “Yo”.

    1. Yo!

      Olha, o app não é hoax, ou apenas uma brincadeira. Ele é real, e o investimento de US$ 1,2 milhão, idem (paywall).

      Apenas mais um exemplo de como a vida real supera a ficção com folga em criatividade.

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