O guia rápido, direto e sem enrolação dos principais anúncios da Google I/O 2014

Letreiro da Google I/O.

Se nas apresentações da Apple o “one more thing” é (ou era) um tipo de marca registrada, as do Google também estão ganhando uma espécie característica própria: a (looooooonga) duração.

Ano passado foi 3h30min de Google I/O; hoje, chegamos a 2h40. Para quem não tem tanto tempo disponível e largou a bets no meio do evento ou sequer se arriscou a ficar na frente do computador vendo demonstrações e comentando no Twitter, o Manual do Usuário traz um guia direto, sem enrolação e super rápido de tudo de relevante que foi anunciado. Foi sobre Android, múltiplas telas, Chrome(book|OS|cast), Google Drive… foi sobre bastante coisa, na verdade.

Android One

Esta iniciativa do Google aponta smartphones baratos para mercados emergentes. O Android One é um modelo de referência com Android puro, atualizações garantias e automáticas, e planos de dados com valores módicos para quem se dedicar à fabricação de aparelhos simples.

Um dos aparelhos mostrados no palco, da indiana Micromax, tinha tela de 4,5 polegadas, dual SIM, slot para cartão SD e rádio FM, com preço de venda abaixo dos US$ 100. Além da Micromax, Karbonn Mobile e Spice Mobile, ambas também da Índia, formam o trio que dará início ao Android One.

Material Design

Cores fortes, animações, profundidade… A nova linguagem visual do Google, chamada Material, é bem bonita — as demos do Polymer, a biblioteca para desenvolvimento na web, são particularmente impressionantes. Mais do que beleza, ela é unifiada, ou seja, permite que os designers mantenham o mesmo visual, adaptado de acordo com o tamanho da tela, em várias plataformas, de relógios inteligentes minúsculos a TVs enormes. Apps do Google e a próxima versão do Android trarão essa identidade, que já pode ser vista na versão atual do app do Google+.

Mais detalhes aqui, e um PDF completo neste link.

Android L

Ainda não tem nome, nem se sabe qual número ela terá, mas a próxima versão do sistema móvel do Google, conhecida por ora como Android L, foi mostrada. Além das melhorias estéticas e que, de carona, melhoram também a usabilidade, conhecemos outras novidades:

  • Notificações na tela de bloqueio.
  • Notificações surgem no topo da tela, como no iOS, e podem conter ações — na demonstração, uma ligação podia ser atendida ou rejeitada através de botões na notificação.
  • Desbloqueio automático que ignora a senha/padrão quando um relógio inteligente está no pulso do usuário. Afastou o relógio, o Android volta a pedir o código de desbloqueio.
  • Abas do Chrome passam a aparecerem na multitarefa como se fossem apps autônomos. O sonho do WebOS e do primeiro iPhone voltou!
  • Sai a máquina virtual Dalvik, entra a nova runtine ART. O Google garante que apps ficarão mais rápidos sem que os desenvolvedores tenham que mudar uma linha sequer de código.
  • Novo modo Battery Saver, que desliga o Wi-Fi e diminui drasticamente a energia da tela. A promessa é de que isso garantirá 90 minutos extras de autonomia.
  • Um “botão de desligamento” que permite transformar o Android em um peso de papel remotamente, o que deve inibir roubos e furtos. Uma solução similar implementada no iOS 7 reduziu em 38% o número de iPhones surrupiados em San Francisco e 24% em Londres.

Android Wear

Um tempão foi gasto mostrando do que o Android Wear é capaz de fazer, e muita gente ficou meio desanimada com o que viu. Na forma e com as aplicações disponíveis hoje, ele parece um Google Now limitado a uma tela minúscula. Nada exatamente novo, empolgante ou mesmo conveniente; várias ações pareceram mais simples no bom e velho smartphone do que se realizadas pelo relógio

G Watch, da LG, e Gear Live, da Samsung (!), entram em pré-venda hoje nos EUA. Infelizmente, não foi dessa vez que tivemos notícias concretas a respeito da disponibilidade do Moto 360. O Google também liberou um SDK para o Android Wear e, para demonstrá-lo, pediu uma pizza pelo relógio. Era tudo o que eu queria, claro, como viver sem isso?, agora vai!

Detalhe para aguçar os vanguardistas brasileiros: o site do Android Wear está em português.

Android Auto

Com um punhado de parceiros da Open Automotive Alliance, o Google deu contornos mais definidos ao Android Auto, sua investida nas centrais de informação e entretenimento dos carros. À primeira vista, o sistema parece mais acertado que o CarPlay, da Apple: a interface é bonita e adequada à situação, há compatibilidade com botões e knobs físicos do carro, apps e interações (via reconhecimento de voz) parecem bem naturais e, na demonstração, tudo funcionou direito. E como o sistema fica no smartphone (Android L), ele estará sempre atualizado.

Em breve sai um SDK para o Android Auto e, até o fim do ano, os primeiros carros compatíveis com o sistema.

Android TV

Mais um ano, mais uma tentativa de ganhar a sala de TV por parte do Google. Já foram várias, como Google TV e Nexus Q, nenhuma particularmente feliz em qualquer sentido da palavra.

O Android TV traz uma interface simplificada, baseada em voz e comandos simples, e compatível com joysticks — tem jogos, aliás, com suporte a partidas multiplayer. O sistema funcionará em TVs, set-top boxes, dispositivos de streaming e consoles, e além do controle remoto fornecido por esses, também poderá ser usado com smartphones e relógios inteligentes. Ele também conta com suporte ao Google Cast, o protocolo que permite ao Chromecast funcionar, então mandar conteúdo do smartphone ou tablet para o Android TV será simples. (O que nos leva à inevitável questão: como fica o Chromecast aqui? Parece bem redundante ao lado do Android TV.)

No fim do ano sairão TVs da Sony, Sharp e TPVision com Android TV. LG e Razer também estão entre as parceiras e dessa última virá um console com Android. Não seria a primeira vez, porém; Oyua e FireTV já estão aí para levar os joguinhos do Android para a tela grande da sala de estar.

Chromecast

O pequeno stick HDMI é uma das coisas mais legais que o Google fez recentemente. Ele também ganhou novidades, ainda que tímidas. Em breve, o Chromecast terá a opção opção de permitir que dispositivos fora da rede Wi-Fi em que está conectado possam mandar conteúdo para ele. Outra é o espelhamento do Android, inicialmente limitado a 10 modelos, entre smartphones e tablets. Atualmente só dá para espelhar abas do Chrome através do Chromecast, e de modo bem precário.

Chrome OS

Se a Google I/O tivesse acontecido antes da WWDC, da Apple, as surpresas do Chrome OS seriam mais impressionantes. Basicamente, o sistema para notebooks do Google agora sabe quando seu smartphone está por perto e conversa com ele. Mas o papo é mais limitado do que na solução da concorrente: em vez de atender e responder mensagens, o Chrome OS apenas avisa o usuário desses eventos, via notificações. Melhor que nada, né?

Outra novidade é a possibilidade de rodar apps do Android. Na demonstração, vimos Flipboard, Vine (com direito a uso da webcam) e Evernote rodando no Chrome OS. Essa compatibilidade, porém, depende de atualizações nos apps feitas pelos desenvolvedores.

Google Docs/Sheets/Slides

O “Office do Google” agora edita arquivos do Microsoft Office sem ter que recorrer a conversões prévias. O mesmo vale para os apps móveis de Docs, Sheets e o novo Slides, que incorporaram recursos do QuickOffice (que já era) e agora estão mais robustos. Na web, eles ganharão novas páginas iniciais consistentes e mais organizadas. O processo de desmantelamento do Google Drive, revertendo o ecossistema do Google ao que ele era antes da sua introdução, parece finalizado.

O sistema de edição em tempo real dos arquivos do Docs ficou mais esperto. Quando um editor sugerir mudanças, um comentário relacionado surgirá automaticamente. Ao autor caberá aceitá-las ou estender o papo pelo próprio do comentário.

Google de terno e gravata

Em um evento tão abrangente quanto essa Google I/O, era inevitável uma passagem pelo mercado corporativo.

Duas coisas interessantes. Primeiro, uma solução que separa, no mesmo dispositivos, apps e dados pessoais dos da empresa. As empresas poderão fazer o deploy dos apps, e esses não precisam de modificações para serem compatíveis com a solução. É algo parecido com o que a Nokia e a ex-RIM já tinham há uns bons anos no Symbian e BlackBerry, e ao que fabricantes, como a Samsung com o Knox, já faziam por conta. Aliás, a Samsung contribuiu com a solução do Google.

A outra boa notícia é no Google Drive. O novo Drive for Work traz criptografia, controles administrativos melhorados, APIs para atividades e auditoria, e espaço ilimitado, tudo isso por US$ 10 por usuário ao mês.

Google Fit

Resumidamente, a resposta do Google ao HealthKit, da Apple. É uma plataforma que concentra e organiza dados relacionados à saúde do usuário colhidos por sensores, gadgets vestíveis e apps. Os parceiros iniciais são Nike, Adidas, Withings, RunKeeper e Basi, e em poucas semanas outros desenvolvedores poderão fazer uso dessa plataforma em seus próprios apps.

O que mais?

Durante a apresentação houve dois incidentes inusitados: pessoas que começaram a gritar em protesto contra o Google. E não, não era por conta da demora infininta do evento, mas umas coisas meio malucas — o segundo disse “vocês todos trabalharam para uma empresa totalitária que constrói máquinas que matam pessoas”. Oi?

Ao final, os desenvolvedores presentes ganharam dois brindes: um relógio inteligente (da LG ou da Samsung, à escolha) e um papelão que, montado, se transforma em uma espécie de óculos de realidade virtual. Ah sim, e o Moto 360, quando for lançado.

Apesar das distrações e do cansaço, o Google anunciou várias coisas legais, algumas com implicações importantes. É hora de rever tudo com calma, ler o que os outros estão comentando por aí e refletir sobre. Ainda publicarei outras reflexões sobre a Google I/O por aqui. Fique de olho!

Foto do topo: Google.

Acompanhe

Newsletter (toda sexta, grátis):

  • Mastodon
  • Telegram
  • Twitter
  • Feed RSS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 comentários

  1. Um rumor que saiu esses dias e não falaram nada sobre foi o Nearby.
    Será que fica pro próximo Android, ou vem como app?

  2. Excelente post. Sinto que não preciso visitar nenhum outro site para saber mais detalhes a respeito do evento.
    Está de parabéns como sempre, Ghedin.
    E curti o layout novo do blog! Me lembrou o Ghedin que me indicou o falecido “txt.io”.

  3. Enquanto isso, no mundo encantado do meu próximo smartphone: “e o Nexus, óóóóó” ( roda vt da escolhinha do professor Raimundo)

    Hj está limitado a Nexus, iPhone e Motorola. Mas o primeiro e último ainda são uma incógnita.

    Será que a Google vai mesmo perder sua Nau Capitania!? Ou deixar em um Silver que nem deve aparecer na Tupiniquim Land…. Acho que nem eles sabem

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!