O Nokia X2 chegou e trouxe vários questionamentos de carona

Faz cerca de quatro meses que a Nokia anunciou a família X, smartphones de entrada rodando um Android modificado, sem serviços do Google e apinhado de coisas da Microsoft. Hoje, a linha ganhou uma evolução. O Nokia X2 chegou e trouxe, de carona, alguns questionamentos pertinentes e difíceis de responder.

O Nokia X2 é uma evolução tímida. Em desempenho, ganhou mais RAM (1 GB contra as versões com 512 e 768 MB) e um processador melhor, o Snapdragon 200 dual core de 1,2 GHz baseado no Cortex-A7 — o anterior, um Snapdragon S4 Play, era baseado na antiga CPU Cortex-A5. Nada drástico ou capaz de mudar a letargia de que sites especializados reclamaram em coro, mas ainda assim evoluções.

Cronograma agressivo e nada de atualização para o Nokia X

A humildade dos novos números se contrapõe à agressividade do cronograma da Microsoft. Quatro meses é um intervalo curto para soltar uma atualização de hardware, seja high-end ou de entrada. E piora: a primeira leva dos Nokia X, que sequer chegou a alguns dos mercados prometidos, como o Brasil, não será atualizada para a nova versão do software por não ter as “atualizações de hardware necessárias”.

Não que haja muitas mudanças. A X Platform 2.0, como chama a Microsoft, é baseada na API 19 do Android, equivalente à versão 4.3 do sistema — a anterior era na 4.1. Ela traz melhorias de interface na câmera, tela inicial com blocos dinâmicos, na Fastlane e no teclado virtual, e um menu alfabético de apps similar ao do Windows Phone.

A história do Windows Phone, aliás, que deixou no vácuo usuários da versão 7.5 na mudança para o WP8, se repete. É um ponto polêmico e sempre passível de discussão, afinal o Nokia X original não deixou de funcionar ou se deteriorou com a chegada da nova versão. E, nesse caso, ainda há o fator atenuante de que o público-alvo do Nokia X é menos sensível a atualizações do que os early adopters do Windows Phone. Mesmo com várias justificativas, não deixa de ser um banho de água fria uma reviravolta tão abrupta assim.

Muita gente está reclamando nos comentários do blog corporativo da Nokia/Microsoft. Tem quem se sinta enganado, ou no mínimo frustrado por ter acabado de comprar um Nokia X inferior e que sequer receberá atualizações de software da nova versão.

Se nesses usuários mais ligados o impacto é imediato, naquele mais leigo o estrago a longo prazo pode ser maior: ter a confiança na marca “Microsoft” abalada. E aí o grande plano dessa experiência com Android, que é educar quem vem de dumbphones dentro dos serviços e ofertas da Microsoft para mantê-lo ali quando ele buscar um smartphone melhor, acaba sendo uma lição às avessas. Comprar um smartphone e vê-lo desatualizado em questão de meses, semanas até? “Nunca mais”, pode pensar esse alguém.

Imagem de divulgação do Nokia X2.
Foto: Microsoft.

Mais recursos que o Lumia 630

Lumia 630 e Nokia X2, estranhas diferenças.
Tabela comparativa.

A posição do Nokia X2 na tabela de preços e sua ficha de especificações também causam estranheza.

Por ele, a Microsoft pedirá € 99 na Europa. O Windows Phone 8.1 mais barato até agora, o Lumia 630, custa € 119 (€ 129 pela versão dual SIM) no velho continente e tem ausências notáveis que, curiosamente, não existem no Android de entrada da empresa.

Câmera frontal, flash, o dobro de RAM… Dá para entender a distinção estratégica entre os dois, mas essas deficiências no Lumia 630 face ao Nokia X2, que é mais barato e melhor equipado, dificulta qualquer tentativa de explicação racional. Ainda que sejam plataformas diferentes, o Nokia X2 está alinhado com as famílias Lumia e Asha. Ou pelo menos deveria estar.

Outra mudança é a inclusão de um botão “home” ao lado do, até então, solitário e confuso “voltar” na parte frontal do aparelho. A Microsoft diz que ele ajuda a ter “uma navegação mais simples”, só não explica por que não o vimos já na primeira geração do Nokia X.

Se alguém quiser arriscar algumas respostas ou apresentar teorias a respeito desses pontos, os comentários estão aí para isso.

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6 comentários

  1. Pelo que entendi dessa história, o X2 não saiu das mãos da Microsoft. Tal como o Moto E, que ainda é um aparelho da Motorola sob o guarda chuva do Google, mesmo quase pertencendo à Lenovo, essa aparelho da Nokia certamente já estava em desenvolvimento antes/durante a aquisição e talvez esse lançamento rápido seja para que a MS “se livre logo” desse perrengue.
    Vejo a linha Lumia como algo que a MS sempre controlou, de uma forma ou de outra e essa linha X como algo que veio da própria Nokia. Isso explicaria como 630 é mais básico que esse aparelho com Android – eles vieram de estratégias diferentes, de empresas diferentes. A partir de agora imagino que não haverá mais nenhum Nokia X, pelo menos não com essa estratégia desencontrada.

  2. Achei que a Microsoft iria abandonar esse aparelho tão logo concluísse a compra da Nokia, mas pelo visto, ela resolveu investir ainda mais no X. Sinceramente, não dá pra entender como a Microsoft quer convencer um usuário do Nokia X (ou do X2) a sair do Android e ir para o Windows Phone com aparelhos de entrada se saindo melhor na plataforma do robô. Até hoje é um sofrimento pra quem tem Windows Phones com 512 de RAM para receber jogos atuais, ou até mesmo apps que precisam de mais RAM. E agora, repetem a mesma des-estratégia do Windows Phone 7.5… Não te entendo, Microsoft.

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