Com um aviso no Twitter, o OnlyFans reverteu a decisão de proibir conteúdo sexual explícito em sua plataforma, dizendo ter “assegurado recursos” necessários para continuar operando dessa forma. Anteriormente, logo após anunciar a proibição, que seria válida a partir de 1º de outubro, o CEO Tim Stokely havia dito ao Financial Times que os bancos BNY Mellon, JPMorgan Chase e Metro Bank estavam criando obstáculos injustos para o pagamento dos criadores da plataforma devido à conexão do OnlyFans com profissionais do sexo. A forte reação deu resultado, mas fica a dúvida se o estrago já não está feito. Via @OnlyFans/Twitter (em inglês), Insider (em inglês).
Redes sociais
Se você já ouviu falar do OnlyFans, provavelmente conhece a fama da rede permissiva com conteúdo pornográfico. A partir de outubro, porém, o OnlyFans proibirá fotos e vídeos de sexo explícito em sua plataforma. (Ainda será possível publicar “nudes”, porém.) A notícia, dada em primeira mão pela Bloomberg, causa espanto. A guinada, segundo o OnlyFans, se deve à pressão crescente de parceiros financeiros e provedores de pagamentos, como bandeiras de cartões de crédito, contra o conteúdo explícito. Especula-se, ainda, que dificuldades na obtenção de investimentos pelo mesmo motivo também tenham contribuído para a controversa decisão. Via Bloomberg (em inglês), Axios (em inglês).
Greve de streamers
No final de julho, a Twitch, plataforma de streaming audiovisual da Amazon, regionalizou os valores cobrados na América Latina das assinaturas de canais (“subs”, no jargão do meio). No Brasil, o valor do sub, antes de R$ 22,90 e atrelado ao dólar (US$ 4,99), passou a ser de R$ 7,90. Para muitos streamers, foi a gota d’água para manifestarem suas crescentes insatisfações com a plataforma. Alguns deles iniciaram uma campanha propondo um “apagão”, ou uma greve, na próxima segunda-feira (23).
Um ponto cego muito comum no debate da moderação em plataformas digitais é que, regra geral, não é proibido mentir nelas. Twitter, YouTube, Facebook e afins não preveem, em seus termos de uso, proibições amplas para a disseminação de mentiras. Essas redes proíbem apenas mentiras que possam ter consequências graves, como danos físicos a terceiros. Sim, tem muita mentira que indigna, mas talvez não seja do nosso interesse que essas empresas se tornem árbitras da verdade.
O Twitter cruzou essa linha nesta terça (17). Em testes, a rede social está permitindo que usuários da Austrália, Coreia do Sul e Estados Unidos denunciem “conteúdo enganoso”. Há duas categorias disponíveis, “Política” e “Saúde”, e dentro da última, uma subdivisão entre COVID-19 e outros assuntos.
Todas as grandes redes sociais, Twitter entre elas, já proibiam desinformação relacionada à COVID-19 com base na política de danos a terceiros. A diferença é que, agora, esse tipo de abuso tem previsão oficial no fluxo de denúncias da plataforma. Ainda bem que foram rápidos — não é como se a pandemia tivesse começado a… sei lá, um ano e meio?
O Twitter não promete muita coisa, porém. “Estamos avaliando se essa abordagem é efetiva, por isso estamos começando em pequena escala”, informou no perfil @TwitterSafety. “Podemos não tomar medidas e não podemos responder a cada denúncia neste experimento, mas as contribuições de vocês nos ajudarão a identificar tendências para que possamos melhorar a velocidade e a escala do nosso trabalho mais amplo em desinformação.” Via @TwitterSafety (em inglês), @Sci_Phile (em inglês).
O que era apenas uma impressão tem, agora, respaldo científico: curtidas e compartilhamentos em redes sociais condicionam seres humanos a demonstrarem mais indignação na internet.
Pesquisadores da Universidade de Yale desenvolveram um software que analisou 12,7 milhões de postagens no Twitter de 7.331 usuários. Aqueles que receberam mais curtidas e retuítes quando expressaram indignação apresentaram uma tendência maior a repetir tal comportamento em postagens futuras. “É a primeira evidência de que algumas pessoas aprendem a expressar mais indignação com o tempo porque elas são recompensadas pelo desenho básico das redes sociais”, disse William Brady, doutor e pesquisador do departamento de Psicologia de Yale e um dos líderes da pesquisa.
Uma conclusão curiosa é que pessoas moderadas seriam mais suscetíveis à influência algorítmica. “Nossos estudos descobriram que pessoas com amigos e seguidores politicamente moderados são mais sensíveis ao feedback social que reforça suas manifestações de indignação. Isto sugere um mecanismo para como grupos moderados podem se tornar politicamente radicais com o tempo — as recompensas das redes sociais criam um ciclo de feedbacks positivos que exacerba a indignação”, disse Molly Crockett, professora associada de Psicologia e outra líder da pesquisa.
O estudo não visa fazer juízo moral, ou seja, dizer se essa indignação gerada pelas redes é boa ou ruim, mas Molly afirma que ele pode ter implicações para líderes que usam essas plataformas e legisladores que estejam considerando regular as empresas do setor. Via YaleNews (em inglês).
Ao trocar transparência por lucro, Facebook coloca em risco toda a sociedade
Até o século XIX, baleias iluminavam ruas e aqueciam casas. Não as baleias em si — ver o maior animal do planeta trocando a lâmpada de um poste seria alucinógeno demais até para o Buñuel —, mas algo que elas carregam. Durante décadas, um dos produtos mais cobiçados provenientes da carcaça da baleia foi a sua gordura, da qual químicos eram capazes de extrair um óleo. Entre algumas utilidades, como produzir margarina, esse óleo também servia como combustível para os recém-inaugurados sistemas de iluminação pública nos Estados Unidos e na Europa. Mais que isso, o óleo de baleia foi usado como lubrificante para as máquinas da Revolução Industrial. A demanda pelo óleo fez a indústria baleeira crescer até atingir seu ápice em 1820.
O Google anunciou uma série de alterações no funcionamento do YouTube para crianças e adolescentes:
- Para adolescentes (entre 13 e 17 anos), o envio de vídeos será privado por padrão.
- Também para adolescentes, o YouTube exibirá lembretes para que façam pausas e da hora de dormir.
- No YouTube Kids, a variante do serviço destinada a crianças, a reprodução automática de vídeos será desativada por padrão.
- Também no Kids, “conteúdo excessivamente comercial”, como vídeos que focam somente nas embalagens dos produtos ou que encorajam a criança a gastar dinheiro, serão removidos.
São novidades genuinamente boas e embora dê para entender por que elas são restritas a menores de idade, é de se imaginar o benefício à humanidade que o Google faria se as estendesse a todos os usuários. Via Blog do YouTube.
Um(a) anônimo(a) deixou este comentário na última newsletter, a respeito do suicídio de Lucas Santos após ele receber comentários homofóbicos no TikTok (leia a coluna). Achei a reflexão pertinente o bastante para trazê-la para cá. Ah, autor(a) anônimo(a), se quiser o crédito, me mande um e-mail. O texto é de autoria do Thiago Sant’Anna:
“‘(…) cabe ao menos considerar que este talvez seja um problema sem solução.’ No alvo. Enquanto isso não for entendido de verdade, não poderemos caminhar para um mundo pós-Facebook — pelo contrário, vamos mergulhar no mundo do Facebook, o tal metaverso. Principalmente porque a solução ‘saudável’ no contexto atual é parar de se importar com a opinião dos outros, e isso é desastroso para uma sociedade.
Se é importante não deixar a opinião alheia nos dominar, é ainda mais importante valorizar como impactamos o outro, entender como o outro nos impacta, trabalhar as relações humanas, porque isso faz parte de uma vida rica de significado. Só que ser assim num contexto facebookiano, em que podemos ser bombardeados de ódio, é potencialmente fatal.”
“Ele postou um vídeo no TikTok”
Lucas Santos, 16 anos, filho da cantora de forró Walkyria Santos, foi encontrado morto no condomínio onde morava com a mãe em Natal (RN). Após sofrer uma onda de ofensas homofóbicas no TikTok, ele se suicidou.
A última versão do HalloApp (no iOS, 1.8) traduz a interface do aplicativo para o português do Brasil. Gratuito, para Android e iOS.
O HalloApp é uma espécie de híbrido entre WhatsApp e Instagram, focado em privacidade, sem contadores nem publicidade, e que limita seguidores àqueles que têm seu número na agenda de contatos. Foi criado por dois ex-funcionários do WhatsApp. Saiba mais.
Se você precisar do suporte de uma grande empresa de redes sociais, como o Facebook, ou do Google, boa sorte. Elas simplesmente não têm pessoas nessa frente. Em vez disso, serviços automatizados são o único canal que usuários com problemas em suas contas têm para tentar resolvê-los.
Até aqui, nada de novo. Nos Estados Unidos, alguns usuários encontraram um “atalho” para serem atendidas dignamente pelo Facebook. Eles estão comprando o Oculus Quest 2, um capacete de realidade virtual do Facebook de US$ 299 (cerca de R$ 1,5 mil), e acionando o suporte do Facebook a partir desse produto. A Oculus é do Facebook.
Em outras palavras, ao deixarem de ser usuários e virarem clientes, o Facebook magicamente passa a lhes dar atenção. Não funciona sempre, mas há relatos positivos em redes sociais. Depois de reaverem a conta do Facebook, obrigatória para o uso do Oculus Quest 2, esses usuários/clientes devolvem o produto à loja e recuperam o gasto. Genial. Via NPR (em inglês).
O Mastodon, rede social de código aberto e descentralizada (conheça), agora tem um aplicativo oficial para iOS. A primeira impressão é ótima: o app é bonito e parece rápido.
A propósito, o Manual do Usuário está no Mastodon. Siga-nos lá!
TikTok inaugura nova era da internet em que os Estados Unidos não são protagonistas
Milhões de adolescentes dançam diariamente no TikTok. E milhares de adultos mais velhos têm se preocupado muito em não dançar. Você pode dar de ombros para o TikTok como se fosse uma onda passageira, bobeira de jovens sem importância para o mercado de tecnologia. “Ah, Guilherme, eu não sou mais jovem: tenho saudades do MSN, minhas ressacas duram três dias e eu já vacinei”. Ok, eu também, bonitinho e bonitinha — com exceção do MSN. Agora, deixe de ser um velho azedo que acha que as únicas coisas que prestam são aquelas da sua geração — esse é um dos piores caminhos para envelhecer.
No Tecnocracia desta quinzena, eu vou apresentar argumentos para fazer você reconsiderar sua posição e não cair na armadilha de virar o vovô Simpson esbravejando para as nuvens. O TikTok já é um dos principais fenômenos não apenas de tecnologia, mas de cultura jovem no mundo. Esse sucesso todo não tem consequências apenas para quem tem entre 12 e 25 anos. O mercado de tecnologia B2C está passando por um momento inédito, em que não são empresas dos Estados Unidos que dão as cartas. São elas que estão correndo atrás de um fenômeno global gestado longe do Vale do Silício.
O Clubhouse, lembra dele?, ganhou um novo logo, mensagens de texto e, enfim, abandonou a fila de espera e o sistema de convites para novos usuários. Não que isso importe muito, porque, aparentemente, ninguém mais usa o aplicativo — e as nossas previsões de quanto tempo levaria para o Clubhouse afundar, feitas neste Guia Prático gravado dentro do Clubhouse, meio que se concretizaram. Via Clubhouse (em inglês).
O mais interessante é que o Clubhouse virou o elefante da sala minimalista com decoração escandinava dos investidores de risco e futurólogos que, em janeiro, despejaram US$ 100 milhões no app, avaliando-o em US$ 4 bilhões (!), e profetizavam que este seria o novo Facebook porque… sei lá, Marc Andreessen (investidor do Clubhouse), Elon Musk e Mark Zuckerberg usaram o app uma ou duas vezes.
Vale ler esta boa coluna (em inglês) de Ed Zitron, talvez o primeiro obituário do Clubhouse.
Em seu relatório de transparência do período de julho a dezembro de 2020, o Twitter revelou que apenas 2,3% dos usuários ativos tem a verificação em duas etapas ativada. E, dentro desse minúsculo universo, 79,6% das contas usam o método por SMS, o mais frágil dos três — 30,9% adotam aplicativos OTP e apenas 0,5% as chaves de segurança físicas. Via Twitter (em inglês).
Caro(a) leitor(a) que está no Twitter: faça um favor a si mesmo(a) e ative a 2FA agora mesmo. E repita isso em todos os serviços que oferecem tal recurso, em especial no seu e-mail e sistema operacional (iCloud para Apple, Google para Android).