Curtidas e compartilhamentos ensinam as pessoas a manifestarem mais indignação na internet

O que era apenas uma impressão tem, agora, respaldo científico: curtidas e compartilhamentos em redes sociais condicionam seres humanos a demonstrarem mais indignação na internet.

Pesquisadores da Universidade de Yale desenvolveram um software que analisou 12,7 milhões de postagens no Twitter de 7.331 usuários. Aqueles que receberam mais curtidas e retuítes quando expressaram indignação apresentaram uma tendência maior a repetir tal comportamento em postagens futuras. “É a primeira evidência de que algumas pessoas aprendem a expressar mais indignação com o tempo porque elas são recompensadas pelo desenho básico das redes sociais”, disse William Brady, doutor e pesquisador do departamento de Psicologia de Yale e um dos líderes da pesquisa.

Uma conclusão curiosa é que pessoas moderadas seriam mais suscetíveis à influência algorítmica. “Nossos estudos descobriram que pessoas com amigos e seguidores politicamente moderados são mais sensíveis ao feedback social que reforça suas manifestações de indignação. Isto sugere um mecanismo para como grupos moderados podem se tornar politicamente radicais com o tempo — as recompensas das redes sociais criam um ciclo de feedbacks positivos que exacerba a indignação”, disse Molly Crockett, professora associada de Psicologia e outra líder da pesquisa.

O estudo não visa fazer juízo moral, ou seja, dizer se essa indignação gerada pelas redes é boa ou ruim, mas Molly afirma que ele pode ter implicações para líderes que usam essas plataformas e legisladores que estejam considerando regular as empresas do setor. Via YaleNews (em inglês).

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4 comentários

  1. O nome disso é behaviorismo, uma teoria pedagógica do século passado na verdade. É bastante usado no EAD, nos jogos com mecânica de recompensa e em aplicativos como o Duolingo.
    Já existe amplo embasamento científico sobre o behaviorismo. Mas é legal ver sua aplicação na mecânica perversa das redes sociais.

  2. Um mês atrás, o Leonardo “Nada no Front” Rossatto tinha alegado que ia sair do Twitter devido a saúde mental. E analisando o comportamento das pessoas por lá, errado ele não está.

    Quando uma informação sai de uma bolha e espalha para outras bolhas, as reações a esta informação se diversifica ao invés de unificar. Só que ao mesmo tempo as reações mais notórias são as indignadas. É como dizem: basta um tapa para nos desanimar mesmo depois de 10 aplausos.

    Ainda temos muito na cabeça que “queremos ter 1 milhão de amigos”. De fato hoje celebridades online o tem e fazem dinheiro com isso (e o Roberto Carlos faz cruzeiros marítimos…).

  3. Não conhecia esse post sobre o twitter, vou ler depois.
    Eu já comentei aqui que acho o site a pior rede social e tou igual o colega debaixo: ~finge surpresa. Já vi “fã” comemorando que ídolo respondeu/deu RT em mensagem sua de ódio (enviada pra chamar atenção).

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