Um comentário recorrente de gente que publica coisas na internet e dá uma chance ao Mastodon/fediverso é o engajamento que conseguem lá.

Mesmo com bases de seguidores muito menores que as do Twitter, por exemplo, os posts costumam ter mais curtidas, “boosts” (RTs) e cliques. Como pode?

Christopher Mims, colunista do Wall Street Journal, tem uma boa hipótese:

“O Twitter tenta agregar a maior atenção possível em torno de coisas que super viralizam. A quantidade de tempo diária é limitada. Assim, para coisas ‘explodirem’ é necessário que a maioria dos outros posts que as pessoas poderiam se interessar passe batida.”

A lógica “radical” do fediverso é entregar o conteúdo que a pessoa pediu para receber, sem um filtro opaco (o “algoritmo”) no meio.

Isso pulveriza a atenção dispensada — menos virais que chegam à TV e até sua avó fica sabendo, mais conteúdo pequeno, orgânico, se espalhando pela rede em nichos. Mais diversidade, mais inclusão, mais chances para que mais gente seja ouvida. Via @mimsical@mastodon.social (em inglês).

Durante anos, a Meta encheu o saco dos usuários para que eles usassem apenas uma conta e tivessem suas identidades verificadas. Os comentários desta matéria do nosso arquivo dão uma amostra desse “cuidado”.

Por isso estranha a novidade anunciada por Mark Zuckerberg neste domingo (19): uma assinatura paga para garantir a identidade de alguém e evitar a clonagem de perfis.

(Estranha também que alguém tenha achado o plano de Elon Musk no Twitter, de vender selos de verificação, tão boa ideia a ponto de copiá-la.)

A assinatura “Meta Verified” vale para Facebook e Instagram. Ela garante o selo azul e a confirmação de que sua conta foi autenticada com um documento oficial. Em outras palavras, você paga para dar mais dados — cópias do seu RG ou CNH — à Meta.

Fora o absurdo do arranjo no âmbito individual, esse arranjo abre margem para questionar os números de usuários que a Meta se gaba ter (+2 bilhões!).

Por ora, em testes na Austrália e Nova Zelândia. O custo do Meta Verified é de US$ 12 se assinado pela web, e US$ 15 por aplicativos móveis, no que parece mais um ataque da Meta esfregar na cara o “Custo Apple” que recai em produtos e serviços digitais. (Embora o valor extra também valha no Android, Zuckerberg só falou em “iOS” em seu post.) Via Meta, @zuck/Facebook (ambos em inglês).

Dobrando a aposta na web

Uma das maiores surpresas que tive com a cobertura do Mastodon foi a dificuldade em comunicar o lance das instâncias/servidores.

Duas décadas de silos fechados da big tech (Facebook, WhatsApp, YouTube) tiveram um efeito devastador na compreensão da internet e da web.

Ante essa dificuldade, experimentada não só por mim, alguém sugeriu que, em vez de falarmos “instâncias” ou mesmo “servidores”, adotássemos o termo “comunidades”. Gostei. O mesmo vale para sites. O manualdousuario.net é um site, parte da web, e é uma comunidade.

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Dia desses a newsletter Platformer publicou um relato brutal que resume a infantilidade de Elon Musk: ele teria demitido um engenheiro que não conseguiu encontrar uma justificativa “técnica” para a queda de alcance das bobagens que ele publica no Twitter.

Nesta segunda (13), uma falha notada pelo The Verge fez com que posts de Musk dominassem o feed algorítmico (a aba “For You”) de muitos usuários. Muito conveniente.

Mais tarde, soube pela newsletter Garbage Day que Musk se justificou dizendo que o algoritmo de recomendação estava considerando o total absoluto de bloqueios a perfis, em vez do relativo, e esse seria o motivo da queda de alcance de perfis com muitos seguidores (como o dele).

Quer dizer então que bloquear um perfil piora seu alcance? Munido desse conhecimento (obrigado, Musk!), fiz o que qualquer um deveria fazer: loguei nos meus perfis do Twitter que estavam hibernados, bloqueei Musk e desloguei. Via Garbage Day (em inglês).

Breve introdução ao Nostr

“Um marco para protocolos abertos”. Foi assim que Jack Dorsey, co-fundador e ex-CEO do Twitter, anunciou a chegada do aplicativo Damus, um cliente do protocolo Nostr, à App Store/iOS.

O Nostr tem gerado burburinho em grupos de desenvolvedores, bitcoineros e uma galera super desconfiada de plataformas digitais. Motivo: o Nostr traz uma proposta alternativa às redes sociais comerciais que, nas palavras de quem o criou, seria “à prova de censura”.

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O Twitter tem cerca de 290 mil assinantes do Twitter Blue. A informação foi obtida por duas fontes distintas: uma interna, por um documento visto pelo site The Information, e outra pelo projeto @BlockTheBlue, que está compilando todos os perfis verificados do Twitter para facilitar o bloqueio deles (ideia genial).

Para quem esperava gerar US$ 3 bilhões por ano em assinaturas, ideia do Musk para compensar a queda de arrecadação com publicidade, os US$ 28 milhões representam 0,93% da meta.

A próxima frente do Twitter para estimular assinaturas do Twitter Blue, ao que tudo indica, será colocar o ótimo TweetDeck atrás do pagamento. Algo me diz que isso não surtirá efeito. Via The Information, @BlockTheBlue/Twitter, @TitterTakeover/Twitter (todos em inglês).

A ideia de comunicar usuários de uma instância/comunidade do Mastodon de bloqueios entre instâncias já foi ventilada no projeto, em uma sugestão de novo recurso de março de 2021.

A proposta é melhor que a que delineei na sexta (2): ela prevê que apenas usuários que sigam ou sejam seguidos por perfis da instância bloqueada (“desfederada”, no jargão) sejam notificados, e no limite dessas conexões.

O Mastodon tem um “roadmap” público, uma espécie de mapa dos próximos passos do projeto, mas a ideia da comunicação de bloqueios não consta lá. Talvez com alguns votos e comentários no GitHub iso mude…?

Quando a moderação de uma rede social se torna nossa responsabilidade

Estar no fediverso hoje é uma experiência familiar e estranha ao mesmo tempo.

Na superfície, é tudo muito parecido com o Twitter e outras redes. Sim, o sistema para seguir/encontrar alguém é meio chato e há recursos e convenções únicas ali, como o “alerta de conteúdo” e a ênfase na descrição de imagens. Esses detalhes aprende-se rápido, porém.

As coisas podem ficar (e ficam) mais complexas.

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Acabar com o plano gratuito da API será (mais) uma pá de cal no Twitter. Incontáveis serviços, produtos e pesquisas que confiavam nesse acesso serão descontinuados. São importantes, mas não justificam ou não há fundos para bancar o acesso — que custará, segundo Musk, “cerca de US$ 100/mês”.

O perfil do Manual lá, automatizado via IFTTT, corre o risco de parar. Os vários projetos legais do Núcleo e de outras publicações sofrerão o baque. O NetNewsWire já avisou que removerá o suporte ao Twitter na próxima atualização. Um punhado de robôs legais, úteis e interessantes deixará de funcionar.

Musk justifica a mudança (avisada com uma semana de antecedência, e sem detalhes cruciais, como preços, definidos) como uma forma de combater robôs. Pode ser, mas o estrago que a cobrança causará nos usos legítimos da API superam, de longe, quaisquer problemas que o Twitter tenha com robôs e spam — ao menos é a percepção de quem está de fora.

Parece que a era de ouro do Mastodon/fediverso em aplicativos se estenderá a usos da API.

Esse risco sempre existe com plataformas proprietárias, e não foi a primeira vez que o Twitter sacaneou desenvolvedores. Nunca, porém, a passada de perna foi tão violenta. Via @TwitterDev/Twitter, @elonmusk/Twitter, NetNewsWire, BuzzFeed (todos em inglês).

A era de ouro dos aplicativos para Mastodon

Cada decisão equivocada de Elon Musk gera ondas de migração para o fediverso — hoje, basicamente o Mastodon. Por isso, embora eu ainda fique surpreso com a minha linha do tempo no Mastodon sempre tão ativa, não deveria. Quase dá para não sentir saudades do Twitter dos velhos tempos.

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A tour global do TikTok

Quando o democrata Joe Biden venceu as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2020, suspiros de alívio devem ter ecoado nos escritórios da chinesa ByteDance.

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Print de um perfil de Mastodon no Elk em uma janela do Safari para macOS.
Meu perfil pessoal do Mastodon no Elk. Imagem: Elk/Manual do Usuário.

O Elk é um cliente/aplicativo web para Mastodon. Em vez de logar e interagir no endereço da sua instância, você se loga no Elk e interage por lá. Por quê? É bem levinha, mais ágil e melhor organizada que a interface padrão do Mastodon.

O código do projeto é aberto, ou seja, você pode baixá-lo e instalar em seu próprio servidor, ou usar (de graça) a instância oficial em elk.zone. Ainda está em estágio alpha, mas já funciona bem.

O Ivory, aplicativo de Mastodon da Tapbots, acabou de ser lançado.

O preço veio mais salgado que o do finado Tweetbot: R$ 9,90 por mês ou R$ 79,90 por ano. Não é muito lá fora e, atendendo a pedidos, a Tapbots acrescentou uma assinatura anual mais cara, opcional, de R$ 129,90. Baixe-o na App Store.

Do arquivo: Uma olhada no Ivory, aplicativo de Mastodon para iOS.

Atualização (16/1, 8h50): O site The Information (paywall) obteve acesso a mensagens internas do Slack do Twitter que confirmam que a quebra dos aplicativos alternativos é intencional. No Mastodon, Paul Haddad fez um testes: ele trocou as chaves da API usadas pelo Tweetbot, o que restabeleceu o aplicativo. Em poucas horas, porém, as chaves foram invalidadas.

Clientes alternativos do Twitter populares, como Tweetbot e Twitterrific, foram cortados da API da rede na noite desta quinta-feira (12).

Até agora, ninguém sabe se o corte foi motivado por uma falha ou se foi intencional. O Twitter, quase 24 horas depois, ainda não se manifestou, o que é por si só um grande indicativo do que pode estar acontecendo.

Para alguns, os poucos usuários de Twitter que confiam nesses apps, foi a gota d’água.

Teria sido para mim se já não tivesse abandonado o Twitter. Há anos só usava clientes/aplicativos alternativos, um refúgio contra o “conteúdo recomendado” inflamável que o Twitter injeta na linha do tempo do aplicativo oficial.

Aplicativo oficial que, a propósito, acabou de ficar um pouco pior no iOS, com a visualização algorítmica como padrão, sem opção de trocá-la pela cronológica. A mesma que, meses antes de adquirir o Twitter, Elon Musk classificou como “manipuladora”. Via Iconfactory, @paul@tapbots.social (ambos em inglês), Núcleo.

Lembrando que o Manual está no fediverso — e gostando bastante! Se você usa Mastodon, siga @ghedin@social.manualdousuario.net para receber links, notícias e curiosidades do site na sua linha do tempo.

Às redes sociais, a culpa que lhes cabe

Logo após os eventos de 8 de janeiro em Brasília, a imprensa correu para noticiar que os terroristas haviam se organizado por redes sociais e aplicativos de mensagens.

Milhões de brasileiros, bilhões de pessoas usam redes sociais e aplicativos de mensagens todos os dias para se comunicar, trabalhar, cuidar das suas vidas e, também, cometer crimes.

Dito isso, estranho seria se os terroristas não tivessem se organizado no digital. Fariam como? Por cartas? Telefone? Sinais de fumaça?

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