Já tem bastante gente no fediverso, o ambiente descentralizado onde funcionam aplicativos como o Mastodon, mas nem sempre é fácil encontrar novos perfis legais para seguir.

O Followgraph for Mastodon dá uma força nesse sentido. Ele analisa quem você já segue no fediverso e compila uma lista dos perfis mais populares entre os seus seguidores que você não segue. (Parece complexo, mas é bem óbvio depois que se entende a lógica.)

O melhor? Não é preciso autenticar-se, basta informar o seu nomedeusuario@instancia.

Para quem está vindo do Twitter, o Movetodon ajuda a encontrar os que já deixaram para trás o inferno caótico de Elon Musk — caso deste Manual do Usuário. Via @augustocc@mastodon.nl.

A reação das instituições aos eventos em Brasília deste domingo (9), quando terroristas bolsonaristas invadiram as sedes dos três poderes e depredaram-nas, foi imediata.

À noite, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou requerimentos da Advocacia Geral da União (AGU) e do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e determinou uma série de medidas para conter e desmobilizar os terroristas e responsabilizar os culpados pela arruaça na capital federal.

Entre as medidas, Moraes determinou a suspensão de perfis de golpistas no Facebook, Instagram, TikTok e Twitter, com a preservação integral dos seus conteúdos, e que as empresas de telecomunicações guardem por 90 dias os registros de conexões de quem esteve na Praça dos Três Poderes e no Quartel-General do Exército, no Distrito Federal.

Expediente similar foi usado nos Estados Unidos para identificar e processar os golpistas que, em 6 de janeiro de 2021, promoveram evento similar ao brasileiro deste domingo. Por lá, o Google sozinho repassou dados de geolocalização de quase 6 mil dispositivos ao FBI.

Essa história, aparentemente, não chegou às correntes de “zap” que insuflaram os nossos golpistas a cometerem um dos atos mais deprimentes da história da República. Via STF, Núcleo.

O Product Hunt é um fórum muito popular entre startups para lançarem produtos e serviços. Em muitas situações, ele serve de termômetro para tsunamis que ainda estão longe de arrebentar em nós.

Diariamente, o Product Hunt envia um e-mail com os serviços/produtos mais votados do dia anterior. Nos dois primeiros dias úteis do ano, chamou a minha atenção o tanto de serviços que geram conteúdo com um clique usando inteligências artificiais nesses rankings:

  • TweePT3, um gerador de posts para o Twitter. Usa o GPT-3, da OpenAI.
  • Ansy, gerador de respostas para servidores no Discord. Usa GPT-3.
  • TweetEmote, outro gerador de posts no Twitter. Não especifica qual IA usa.
  • SuperReply, gerador de respostas para e-mails. Não especifica a IA usada.
  • Rizz, teclado para iOS gerador de respostas. Não especifica a IA.
  • LinkedIn Posts Generator, autoexplicativo, gera posts a partir de outros links, como se fossem resumos. Não especifica a IA.

Por um lado, a profusão dessas soluções acelera e pode até melhorar a comunicação. Por outro, em breve corremos o risco de estarmos falando com robôs o tempo todo, e de robôs estarem falando com robôs e… bom, onde ficamos nós, humanos?

O ano da implosão

por Guilherme Felitti

Dois mil e vinte e dois não foi um ano bom para aquela sensação tecno-utópica que nos tomou nas últimas duas décadas. Quem defende a certeza quase religiosa de que tecnologia só serve para o bem teve que dar piruetas argumentativas dignas de Daiane dos Santos. Por outro lado, quem encara a questão com ceticismo — eu e toda a galera envolvida no Manual do Usuário — termina o ano com uma sensação de surpresa, de não esperar algumas implosões tão rápidas e definitivas como vistas em 2022.

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Durante o fim de semana, pelo visto sem coisa mais importante para fazer, Elon Musk proibiu os usuários do Twitter de publicarem links para outras redes sociais e agregadores de links e continuou banindo pessoas influentes de modo arbitrário.

No domingo à noite, subiu uma enquete perguntando se deveria abdicar do cargo de CEO. O resultado da enquete, encerrada na manhã desta segunda (19), foi “Sim”. Não que fosse fazer muita diferença um novo CEO enquanto Musk for dono do negócio, mas enfim.

Fora do Twitter, acompanhando o caos, voltei a me pegar pensando em como cobrir essa história no Manual. Quando o caos vira o padrão, tudo parece urgente, só que na real… talvez não seja?

A condução alucinada de Musk aspira todo o oxigênio do ambiente e nos faz mais amargos, porque ele é um imbecil e faz questão de nos lembrar disso a todo momento — agora ainda mais, com uma plataforma de comunicação gigante nas suas mãos.

O objetivo, de Musk e do Twitter, é chamar a atenção. Acho que no longo prazo essas medidas arbitrárias cobrarão seu preço, mas, agora, elas alcançam o que Musk parece querer: a nossa atenção.

Há coisas melhores que os dramas internos, fabricados do Twitter acontecendo no mundo. Por isso, a partir de agora cobrirei o Twitter da mesma forma que cubro outras redes comandadas por extremistas, como Parler e Truth Social: sem entrar nas polêmicas internas ou nos caprichos dos seus donos, focando, em vez disso, nas implicações externas quando houver.

Seguimos.

O patético Elon Musk suspendeu do Twitter ao menos oito jornalistas norte-americanos, de publicações como New York Times, CNN e The Intercept, que reportaram ou criticaram outra medida covarde do bilionário — o banimento do perfil @ElonJet, que monitorava em tempo real os deslocamentos do avião privado de Musk.

Para dar ares de legitimidade à sua arbitrariedade, o Twitter ganhou uma regra que proíbe usuários de compartilharem a localização em tempo real de pessoas.

Rotas de aviões, incluindo aviões privados, são públicas. A rusga de Musk com o perfil @ElonJet vem de longe — ele chegou a tentar comprá-la/silenciá-la com uma oferta de algumas milhares de dólares, que foi recusada.

Após o banimento no Twitter, o perfil @ElonJet apareceu no Mastodon. Alguns jornalistas suspensos haviam postado o novo endereço em seus perfis no Twitter. Além deles, o próprio Mastodon perdeu sua conta no Twitter e links de diversas instâncias do Mastodon estão sendo sinalizados como “inseguros” pelo Twitter.

Musk tentou se explicar em um Spaces (conversa em áudio ao vivo no Twitter). Curiosamente, os jornalistas suspensos e o perfil @ElonJet conseguiram acessar e participar da conversa.

Quando questionado se sua atitude não seria a mesma da antiga gestão do Twitter acerca da história de Hunter Biden, que Musk tem alardeado como prova de um suposto viés progressista nos chamados “Twitter Files”, o bilionário respondeu que quem vaza dados pessoais (o que não é caso) é banido e saiu abruptamente do Spaces. Típico de gente da laia dele, fugir de perguntas difíceis.

A propósito, os jornalistas suspensos do Twitter têm perfis no Mastodon. Via The Verge (em inglês), Núcleo.

Mark Zuckerberg deve estar feliz com a atuação desastrosa de Elon Musk à frente do Twitter. Musk roubou todas as atenções e baixou a barra do que pode ser considerado um bom trabalho em redes sociais.

Apesar disso, e mesmo que tardia, é bem-vinda a nova ferramenta que o Instagram liberou nesta quinta (15), o instagram.com/hacked, para ajudar quem teve sua conta invadida ou perdeu o acesso a ela. Se funciona, não sei dizer, mas o fato dela existir é um ótimo sinal. Via Instagram (em inglês).

Chegou a hora de sair do Twitter

Dava para prever que o Twitter de Elon Musk se tornaria um ambiente insalubre, mas surpreendeu a velocidade com que aquilo se deteriorou. Isso, somado às ideias desprezíveis, por vezes criminosas do novo dono, nos leva ao único desfecho possível: chegou a hora de pular do barco, de sair do Twitter.

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A Tapbots, pequeno estúdio que desenvolve o melhor aplicativo para Twitter, o Tweetbot, anunciou que está trabalhando em um aplicativo para Mastodon.

O vindouro aplicativo já tem nome, Ivory, e terá versões para iOS e macOS.

O Tweetbot continuará sendo desenvolvido e deve ganhar, em breve, uma nova versão para macOS.

Uma versão alpha do Ivory já está em testes, mas ainda não há data de lançamento. Via @ivory@tapbots.social (em inglês).

A Apple divulgou os vencedores do App Store Awards, a premiação anual dos melhores aplicativos das suas plataformas. O do BeReal, rede social “autêntica”, foi eleito o aplicativo do ano para iOS — em um momento curioso em que a Apple se estranha com o Twitter.

No iPadOS, a honraria foi do GoodNotes 5, aplicativo de anotações com bom suporte à caneta. No macOS, MacFamilyTree 10, um aplicativo de quase R$ 200 para criar árvores genealógicas.

Veja os demais ganhadores no link ao lado. Via Apple (em inglês).

Elon Musk tem sido o maior promotor de redes sociais alternativas ao Twitter, como o Mastodon. O Twitter está se tornando, rapidamente, o grande lixão a céu aberto da internet. É um bom momento para migrar para o Mastodon.

Duas ferramentas lançadas recentemente ajudam usuários a fazerem a migração:

  • Esta lista de instâncias brasileiras do Mastodon (entenda o que é isso) é dinâmica e informa, com bolinhas verdes e vermelhas, quais estão abertas para novos cadastros. Ela é atualizada a cada 15 minutos. Criação do Santiago Lema.
  • O Movetodon encontra perfis do Twitter que você segue que já fizeram a migração para o Mastodon. É preciso dar permissões de acesso (somente as necessárias, pelo que pude ver) aos seus perfis no Twitter e no Mastodon, e você pode seguir um a um os perfis que o site encontrar ou tocar em um botão para seguir todo mundo. Depois, não se esqueça de revogar as permissões dadas. Criação do Tibor Martini.

A matéria da Folha de S.Paulo falando mal do @Choquei/Twitter é, fora evidenciar uma dor de cotovelo do jornal, um caso prático das regras que regem a indústria de conteúdo, assunto que abordei na última coluna da newsletter.

As inteligências artificiais que produzem conteúdo aceleram um movimento que já acontece há algum tempo e que tem as redes sociais como origem e propulsoras.

Nas redes, características que se pensam importantes (e que são) em outros contextos, como qualidade, confiança e responsabilidade, beiram o inútil. O que importa é a circulação e, já de cara, o Choquei larga na frente no mínimo por dois motivos:

  • É um perfil de fofocas comentando guerras e política institucional, algo inusitado e reforçado pelos “🚨 GRAVE” e outros artifícios quase caricatos, a fim de viralizar;
  • Aproveita-se do trabalho alheio (a parte chata/difícil: apuração, checagem) para focar no conteúdo em si, o que lhe confere uma agilidade que jornal (sério) algum conseguiria rivalizar.

Fora isso, a Folha poderia ter escolhido outro exemplo que não um erro próprio de apuração (!) para bater no Choquei. Na dinâmica das redes sociais, uma “correção adicionada ao texto do jornal dias depois”, citada como sinal de virtude e superioridade do jornal, talvez tenha o mesmo efeito que apagar o post sem explicações (a atitude tomada pelo Choquei). Via Folha de S.Paulo.

O YouTube desmonetizou todos os canais da Jovem Pan nesta quarta (23) por iniciativa própria, ou seja, sem ser provocado pela Justiça. A’O Globo, a plataforma de vídeos do Google justificou a decisão afirmando que o programa “Os Pingos nos Is”:

Incorreu em repetidas violações das nossas políticas contra desinformação em eleições e nossas diretrizes de conteúdo adequado para publicidade, incluindo as relacionadas a questões polêmicas e eventos sensíveis, atos perigosos ou nocivos, além de outras políticas de monetização

Teria sido uma grande decisão se tomada meses, anos atrás, quando esse e outros canais já infringiam regras da plataforma e o YouTube/Google, em vez de punir a Jovem Pan, promovia os canais da emissora em seu algoritmo de recomendação. Via O Globo.

Como quem não quer nada, em uma resposta no Twitter, Matt Mullenweg, CEO da Automattic, prometeu que o Tumblr ganhará suporte ao protocolo ActivityPub, o mesmo usado pelo Mastodon e que lhe garante descentralização e federação.

Isso é muito promissor. Embora seja uma rede social pequena para os padrões comerciais, o Tumblr é maior que qualquer instância e a Automattic, que comprou o que sobrou do Tumblr com um troco de pinga em 2021, tem grana, pessoal e expertise para aproveitar o momento.

O Tumblr pode se tornar a principal porta de entrada para quem deseja conhecer o fediverso, mas se frustrou com a experiência complicada de escolher (ou mesmo saber o que é) uma instância do Mastodon. Não há prazo para essa novidade ser implementada, mas Mullenweg disse que será “o quanto antes”. Via @photomatt/Twitter (em inglês).

Os banimentos perpétuos de Donald Trump, Jordan Peterson e Kanye West no Twitter foram revertidos por Elon Musk. Trump, o caso mais notório, como resultado de uma enquete feita por Musk na própria plataforma — a mesma que meses atrás ele acusava de estar repleta de robôs e perfis automatizados. A promessa de só tomar decisões de moderação depois de instituir um conselho? Quem se importa? O Twitter de Musk é uma grande e cara piada de mau gosto. Via @elonmusk/Twitter, Semafor (ambos em inglês).