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Você não precisa mais destas extensões de privacidade

Por mais que os navegadores que não são de empresas de publicidade (*cof* Chrome *cof*) estejam aperfeiçoando suas ferramentas nativas de proteção à privacidade, eles ainda não dispensam o uso de uma ou outra extensão com esse foco. Mas tem algumas, ainda muito populares, que já podem ser descartadas. As da Electronic Frontier Foundation (EFF), por exemplo, se tornaram dispensáveis.

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Messenger ganha vários recursos em conversas criptografadas de ponta a ponta

O Facebook/Meta lançou uma série de novidades para as conversas com criptografia de ponta a ponta do Messenger. (O recurso, vale lembrar, ainda é opcional.) São coisas como extensão da criptografia para grupos e chamadas de áudio e vídeo, e recursos que já existiam nas conversas convencionais, como GIFs animados, reações e encaminhamento de mensagens. Via Messenger (em inglês)

Google apresenta nova alternativa a cookies de terceiros

O Google desistiu oficialmente do FLoC, sua controversa alternativa aos cookies de terceiros para o direcionamento de anúncios na web.

Desde o início, o FLoC foi criticado por especialistas em privacidade, temerosos pelo potencial de abuso e discriminação da tecnologia. (Entenda.) Outros navegadores que não o Chrome, buscadores que não o Google e extensões de privacidade e bloqueio de anúncios já haviam sinalizado que bloqueariam o FLoC.

Em um post no blog da empresa, o diretor de produtos Vinay Goel deu rapidamente a notícia antes de apresentar seu substituto, a API Tópicos. Trata-se de um conjunto de cinco interesses do usuário, detectados nas últimas três semanas e restritos ao Chrome, que sites e anunciantes poderão usar para direcionar anúncios.

Vinay diz que os Tópicos são limitados (350 no lançamento) e criados com cuidado, a fim de excluir assuntos sensíveis como religião e raça/etnia, e que o Chrome apresentará uma interface inteligível para o usuário excluir tópicos ou desativar o recurso. Cerca de 5% dos tópicos/assuntos enviados pelo Chrome a anunciantes serão falsos, para aumentar a proteção à privacidade do usuário.

Aqui tem uma explicação técnica da API dos Tópicos.

Em boa medida, os Tópicos parecem ser uma versão menos atabalhoada que o FLoC e limitada ao navegador — que, não sem surpresa, é do próprio Google.

O Chrome será o último dos grandes navegadores a abandonar os cookies de terceiros. O atraso se deve à necessidade do Google, uma empresa de publicidade com forte atuação na web, preparar um substituto à altura em termos de precisão e geração de receita.

Dica: o Firefox já abandonou os cookies de terceiros e vem de fábrica com várias boas configurações pró-privacidade. Via Google, Axios (em inglês).

Nos EUA, procuradores processam Google por coleta irregular de dados de localização dos usuários

Um grupo bipartidário de procuradores-gerais estaduais norte-americanos informou na segunda-feira (24) ter ajuizado processos contra o Google em seus respectivos estados.

O motivo, desta vez, é o emprego de táticas enganosas (“dark patterns”) pela empresa para coletar dados de localização dos usuários. Mesmo quando esses usuários desativavam o compartilhamento de tais dados com o Google, a empresa continuava a capturá-los usando recursos/opções paralelas a fim de usá-los para direcionar anúncios.

Pelo Twitter, Karl A. Racine, procurador de Washington DC, disse que “desde 2014, o Google tem vigiado sistematicamente seus usuários não importa quais configurações eles façam”.

Procuradores norte-americanos têm ido com tudo atrás do Google. Um processo no Texas alega práticas comerciais abusivas em serviços como Google Ads. O Google foi pra defensiva, criticando as alegações do processo como “mais calor do que luz, nós não acreditamos que elas cumpram o padrão legal para levar esse caso a julgamento”. Via Bloomberg (em inglês), O Globo.

Europeus e norte-americanos preparam leis para banir publicidade direcionada

Avança na União Europeia um projeto de lei que cria regras diversas para plataformas online, o chamado Digital Services Act (DSA) – não confundir com o Digital Markets Act (DMA), lei-irmão do DSA, que foca no aspecto competitivo do mercado de tecnologia. Na quinta-feira (20), o Parlamento Europeu por ampla maioria — 530 votos contra 78 contrários, e 80 abstenções.

Entre outras coisas, a principal mudança que o DSA traz é o banimento da publicidade direcionada com base em dados sensíveis, como religião, inclinação política, orientação sexual e raça/etnia. No caso de menores de idade, o banimento da personalização é total.

Agora o projeto de lei segue para o Conselho da UE, que conta com representantes dos 27 países do bloco. As conversas entre Conselho e Parlamento começam em 31 de janeiro. E a previsão é que, correndo tudo bem, o DSA passe a valer em 2023.

Do outro lado do Atlântico, na terça (18.jan), congressistas democratas dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei que visa banir o que eles chamam de “publicidade de vigilância”, em linha com o que a proibição pleiteada pelos europeus, batizado Banning Surveillance Advertising Act. Via Politico, The Verge (ambos em inglês).

Facebook e Instagram não aceitam mais anúncios segmentados em tópicos sensíveis

A partir desta quarta (19), anunciantes do Facebook e do Instagram não poderão mais direcionar anúncios com base em categorias “relacionadas a tópicos que as pessoas possam considerar sensíveis”, como saúde, raça ou etnia, filiação política, religião ou orientação sexual. Campanhas que já estão rodando poderão continuar no ar até 27 de março. O Facebook/Meta também removeu categorias pouco usadas, redundantes ou muito granulares, sem especificar quais. Via Search Engine Land (em inglês), Meta para Negócios.

Comissão da Câmara aprova texto que impede privatização de Serpro e Dataprev

É só o primeiro passo, mas um importante. A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 2270/21, do deputado André Figueiredo (PDT-CE), que impede a inclusão do Serpro e do Dataprev no Programa Nacional de Desestatização (PND), ou seja, de serem privatizados. O PL tramita em caráter conclusivo, ou seja, com deliberações apenas nas comissões, sem passar pelo plenário da Câmara. Via Telesíntese, Agência Câmara de Notícias.

Governo firma acordo com bancos para dar acesso a bancos de dados biométricos e biográficos dos cidadãos

O Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Governo Digital (SGD), firmou um acordo de cooperação com a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa 109 bancos, para dar acesso a esses “em caráter de degustação experimental”, por 12 meses, à base de dados da identificação civil nacional para fins de validação biométrica e biográfica, “bem como a conexão da plataforma de autenticação gov.br e os bancos, permitindo assim a autenticação de cidadãos cadastrados nos bancos”.

Especialistas ouvidos pela Carta Capital criticaram a falta de clareza no texto do acordo. O receio é que o governo federal esteja concedendo acesso gratuito aos dados brutos dos cidadãos. Embora falte mesmo clareza, o objeto informa que a parceria visa ao “uso das APIs de Identidade Digital pelos Bancos”, descrição que lembra um bocado o DataValid, do Serpro, usado pela iniciativa privada com a mesma finalidade — e também alvo de críticas de alguns especialistas. Via Carta Capital.

PF ainda investiga ataques hacker e “megavazamento” de dados um ano depois 

PF ainda investiga ataques hacker e “megavazamento” de dados um ano depois, por Paula Soprana na Folha de S.Paulo:

O balanço das investigações de ciberataques decepciona. Os principais ataques hacker a órgãos do governo durante a pandemia e a investigação sobre o caso do “megavazamento” — a venda de dados pessoais de 223 milhões de brasileiros na internet—, ocorrido há cerca de um ano, ainda estão sem resposta.

Danilo Doneda, membro do conselho nacional de proteção de dados da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), à reportagem:

“São tragédias anunciadas. Ao rapidamente culpar hackers, lavamos as mãos sobre a própria responsabilidade do setor público. Os sistemas são invadidos, mas não deveriam ser.”

Relatório de privacidade dos apps no iOS 15.2

A coisa mais legal do iOS/iPad 15.2, lançado nesta segunda (13), é o relatório de privacidade dos apps. (Ele vem desativado por padrão. Entre em Ajustes, Privacidade, Relatório de Privacidade dos Apps e ative-o.) Por ele, é possível ver quais recursos (câmera, microfone, contatos) e quais domínios e endereços IP cada aplicativo usou/trocou informações. Uma mão na roda para detectar comportamentos estranhos e turbinar as listas de bloqueios de soluções como o Pi-Hole.

Outra novidade legal é a liberação do Ocultar Meu E-mail para assinantes do iCloud+, que permite a criação de e-mails aleatórios que direcionam as mensagens enviadas à sua caixa de entrada — parecido com o Firefox Relay e outros serviços dedicados.

Atualização (13h30): O Ocultar Meu E-mail já estava disponível. A novidade é que ele agora está disponível diretamente do app Mail. Valeu pelo aviso, Lacorte!

Aplicativo da Apple para Android alerta a presença de AirTags ocultos

Uma das medidas anti-perseguição (“stalking”) das AirTags, da Apple, é emitir um apito caso uma delas te acompanhe por muito tempo. Boa ideia, mas só funciona com iPhones. Para resolver o problema, a Apple lançou nesta segunda (13) um aplicativo para Android que leva o mesmo comportamento ao sistema do Google. Ideia não tão boa, como explica alguém no Twitter:

Ótimo, agora a Apple só precisa convencer todos os usuários de Android a instalar um aplicativo da Apple para se protegerem de usos maliciosos do hardware da Apple que eles não compraram. Fico imaginando quais os planos da Apple para pessoas que não tem têm celulares.

Via Cnet (em inglês), @imaguid/Twitter (em inglês).

Instagram anuncia vários recursos para proteger menores de idade

Depois de ameaçar e desistir de lançar uma versão do Instagram para menores de idade, o Instagram voltou a trabalhar na adequação do seu app principal a esse público. Nesta terça (7), Adam Mosseri, que lidera o aplicativo, anunciou uma série de novidades focadas na segurança de crianças e adolescentes:

  • A partir de março de 2022, pais e responsáveis poderão monitorar e impor limites às contas dos seus filhos.
  • Novo recurso “Dê um tempo” que interrompe o uso do app e sugere limites. Lançado em alguns países (Austrália, Canadá, EUA, Irlanda e Nova Zelândia), com previsão de ser liberado no resto do mundo no início de 2022.
  • Nova “experiência” para excluir, em lotes, conteúdo e comentários. Valerá para todos os públicos a partir de janeiro de 2022.
  • Limitação de etiquetas (tags) e de menções a menores a apenas contas que eles seguem.
  • Recomendações diversas (pesquisa, aba Explorar etc.) mais restritas a menores de idade.
  • Alertas de novos assuntos a menores de idade que estiverem muito tempo consumindo conteúdo monotemático.

As medidas parecem positivas, mas não confrontam o principal dilema: se crianças e adolescentes deveriam estar usando o Instagram. Via Instagram (em inglês).

Criminosos vendem por R$ 200 acesso a dados completos de milhões de brasileiros

Folha de S.Paulo e Uol revelaram sites que operam como “Netflix dos dados pessoais”: por uma mensalidade de R$ 200, concedem acesso irrestrito a diversas bases de dados de cidadãos brasileiros, de órgãos públicos e privados, alguns com dados bem sensíveis, como o do Sistema Nacional de Armas (Sinarm). Segundo a apuração, esses sites conseguem os dados usando credenciais de funcionários públicos, ou seja, embora os sistemas não sejam comprometidos, pequenas corrupções de pessoal ocasionam os acessos indevidos.

A essa altura, devemos considerar que nossos dados pessoais vazaram e agir de acordo. Não é por acaso a avalanche de tentativas de golpe (fui isca em um) desde o grande vazamento do início de 2021. Via Folha de S.Paulo.

WhatsApp permite mensagens temporárias por padrão — em todas as conversas

O WhatsApp ganhou um novo recurso que torna padrão o recurso de mensagens temporárias, que se apagam sozinhas. Ao ser ativado, ele passa a valer para novas conversas e pode ser alterado individualmente.

O Facebook aproveitou o ensejo para acrescentar dois prazos de validade além do que já existia (de 7 dias): 24 horas e 90 dias. É algo muit parecido — para não dizer idêntico — ao que o Signal lançou em agosto. Para ativá-lo, entre em Configurações, depois Conta, Privacidade e, por fim, Duração padrão. Via WhatsApp (2).

A nova câmera sempre ligada da Qualcomm é um pesadelo de privacidade

O Snapdragon 8 Gen 1, novo chip topo de linha da Qualcomm para celulares Android, tem um recurso no mínimo controverso: câmera sempre ligada. A empresa diz que isso traz vantagens, como (des)bloquear o celular de acordo com a presença do usuário no enquadramento da câmera, mas é de se questionar se essa suposta vantagem compensa os riscos e a paranoia que uma câmera sempre ligada implica. Felizmente, o recurso pode ser desativado pelas fabricantes que adotarem o chip. Curioso para ver qual será a primeira que não fará isso. Via The Verge (em inglês).