WhatsApp: cada vez mais complexo e inescapável

O WhatsApp, aplicativo mais popular do Brasil, é inescapável. Os poucos que prefeririam não usá-lo, por qualquer motivo, se veem cada vez mais impossibilitados à medida que o app da Meta se transforma em uma espécie de utilitário, um pré-requisito para interações das mais diversas. Ao mesmo tempo, vem sendo desfigurado para abrigar novas funcionalidades que deixam seu uso mais difícil.

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Se no Brasil as bets e o “jogo do tigrinho” tem causado estragos na cabeça e nos bolsos da população, no Irã o problema é o Hamster Kombat, um jogo vinculado a uma criptomoeda que roda dentro do Telegram.

Coincidência ou não, nessa semana Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, exaltou outro jogo do tipo, o TapSwap, segundo ele com 56 milhões de usuários “alcançados em apenas alguns meses sem qualquer publicidade”. Parece que o Telegram encontrou seu modelo de negócio.

Quem poderia imaginar que jogos de azar viciantes que prometem grandes fortunas sem esforço seriam contagiantes, não? Via Associated Press (em inglês).

De mudança para o Signal

Na quarta (29), migramos o grupo de bate-papo do Manual do Telegram para o Signal. Eis os motivos.

Aquele papo esquisito Pavel Durov, CEO do Telegram, atacando as mulheres do Signal e o próprio Signal, não me desceu bem. Não foi a única estranheza do projeto, que, por exemplo, desde sempre flerta com criptomoedas e esquema suspeitos envolvendo elas.

Em algum momento dessa semana, pensando com meus botões, lembrei-me que em fevereiro o Signal passou a ocultar o telefone de quem não te tem na agenda de contatos.

A obrigatoriedade de expor o telefone era um grande empecilho para a criação de grupos com desconhecidos e semi-conhecidos, como o do Manual, lá dentro.

Felizmente, não mais.

Nosso grupo de bate-papo — agora no Signal — é fechado para quem apoia o Manual. A assinatura custa a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano. (Sou suspeito a falar, mas mesmo eu, que não sou grande entusiasta de grupos em apps de mensagens, curto muito o nosso.)

Techbros se unem para atacar Signal e sua liderança feminina. Por quê?

No Telegram, Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, compartilhou um post no X de Jack Dorsey, co-fundador e ex-CEO do Twitter, questionando a integridade da chairwoman do Signal, Katherine Maher, e da CEO, Meredith Whittaker.

O texto linkado por Dorsey foi escrito por Christopher Rufo, ativista conservador estadunidense. Nele, Rufo menciona que David Heinemeier Hansson, da 37Signals, desconfia da Fundação Signal e disse confiar mais em Mark Zuckerberg do que em Maher.

Nas respostas do post de Dorsey, Elon Musk respondeu “sim, preocupante” e, em outro momento, acusou (sem provas) o Signal de conter vulnerabilidades conhecidas e não corrigidas, o que seria “estranho”.

É meio que um “Vingadores” de techbros bilionários atacando duas mulheres à frente de um dos poucos aplicativos não corrompidos por caras como eles.

Meredith respondeu a acusação infundada de Musk no X, o que talvez tenha sido o único erro dela — esse tipo de ataque, com acusações sabidamente infundadas, é impossível de retrucar.

O que terá motivado esse ataque coordenado de caras tão poderosos ao Signal?

Você está no app de mensagens Signal? (Melhor maneira de se comunicar comigo.)

Jeff Bezos, então CEO da Amazon.

A FTC acusa executivos do alto escalão da Amazon de usarem mensagens que se autodestroem do Signal para tratar de assuntos sensíveis/ilícitos. Via @TechEmails/X, Bloomberg (em inglês; sem paywall).

Tenho pensado em como aplicativos de mensagens de texto, como WhatsApp e Telegram, se transformaram na UI/UX dominante para resolver problemas, organizar eventos, dialogar com empresas e outras interações sociais.

Há muitos méritos nesse paradigma; o maior deles, acho, a acessibilidade. Por outro lado, será que não estaríamos melhores lidando com mais interfaces, cada uma adequada à demanda em questão?

Ligações telefônicas, por exemplo, são mais humanas e mais eficientes para resolver mal-entendidos e pequenos gargalos no dia a dia. E-mail, fóruns baseados em tópicos, sites bem feitos para e-commerce… tudo isso caiu em desuso ou perdeu muito espaço para balões de texto e grupões no WhatsApp.

Dissent, um cliente alternativo para Discord que parece em casa no Gnome

Ícone do Dissent: um balão de diálogo que se parece com um controle de video game roxo.

Quem usa Discord e Linux tem uma alternativa nativa para usar o app de comunidades, o Dissent (antes, conhecido como gtkcord4).

Em especial para quem usa Gnome como ambiente gráfico, o Dissent “parece em casa”, pois é construído com as ferramentas nativas do sistema.

O projeto ainda é um tanto cru (está na versão 0.0.22) e lida com as limitações impostas pelo Discord, que desencoraja a criação de clientes alternativos.

Aliás, vale o aviso do repositório do Dissent (grifo do original):

Usar um cliente não oficial é contra os Termos de Serviço do Discord e pode fazer com que sua conta seja banida! Embora o Dissent tente o seu melhor para não usar a API REST, a menos que seja necessário para reduzir o risco de abuso, ainda é possível que o Discord possa banir sua conta de usá-la. Por favor, use por sua conta e risco!

Dissent / Linux, Windows / Gratuito

Pavel Durov, do Telegram, concede primeira entrevista desde 2017

Pavel Durov, co-fundador e CEO do Telegram, concedeu sua primeira entrevista desde 2017. Foi ao Financial Times (sem paywall), e tem alguns detalhes interessantes.

O Telegram já conta com 900 milhões de usuários, está faturando “centenas de milhões de dólares” e se prepara para abrir capital até 2026 — o prazo decorre da dívida, de US$ 2 bilhões, que levantou nos últimos anos junto a investidores para se capitalizar.

Em uma das matérias publicadas pelo FT, especialistas questionam se o modelo de negócios do Telegram, baseado em publicidade, poderia funcionar no ecossistema de moderação frouxa do aplicativo, visto hoje como uma espécie de “nova dark web” (sem paywall).

A outra fonte de receita do app, a assinatura paga Telegram Premium, ganhou um novo reforço dias atrás com a conta Business, que converte uma conta pessoal em profissional. (Coisa que no WhatsApp é gratuita.)

O Telegram Premium tinha 4 milhões de usuários pagantes em dezembro de 2023, quando o dado foi divulgado pela última vez por Durov.

Por que usar o Signal se ninguém usa o Signal?

#publi A BrazilJS Conf, maior evento de tecnologia da América Latina, volta ao presencial com uma proposta que vai além do código. Será nos dias 25 e 26 de abril, no Auditório Araújo Vianna em Porto Alegre (RS).

Compre seu ingresso com desconto exclusivo para leitores do Manual.

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Neste episódio do podcast, falo da aguardada novidade do Signal, os nomes de usuários, e do dilema que acomete a gente que usa esse app: com quem conversar por ele?

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Assinar o Manual custa pouco (a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano), fortalece o projeto e, de quebra, oferece um montão de benefícios. Conheça a assinatura »

Signal ganha nomes de usuário e fecha sua grande lacuna de privacidade

Desde a sua concepção, o Signal tinha uma lacuna em sua proposta de privacidade: o uso exclusivo do número de telefone como meio de contato.

Isso muda agora, com o lançamento dos nomes de usuários — os famosos @nomes, popularizados e adotados por outros aplicativos de mensagens e, principalmente, redes sociais.

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Telegram-FOSS é um Telegram para Android sem código proprietário

Ícone do Telegram-FOSS: avião de papel dentro de um círculo azul.

Os aplicativos/clientes do Telegram têm o código-fonte aberto. Aproveitando-se disso, uma galera trabalha para criar uma versão FOSS do aplicativo, o Telegram-FOSS. (FOSS é a sigla em inglês para “software livre e de código aberto”.)

Há poucas diferenças no uso do Telegram-FOSS para o app oficial. No repositório do projeto, as alterações estão listadas. São, basicamente, remoções ou trocas de componentes não FOSS, ou seja, de código proprietário (coisas do Google, em resumo).

O único impacto perceptível é que, para receber notificações, é necessário deixar uma notificação persistente do Telegram-FOSS. Isso porque, desde o Android 8, o Google não permite que aplicativos rodem em segundo plano, o que obriga apps que queiram enviar notificações push que o façam pelo serviço do próprio Google.

Telegram-FOSS / Android / Gratuito

Download (F-Droid) »

Talvez seja melhor manter os apps de mensagens separados

Todos os dias, faço uma curta peregrinação digital: passo por cinco ou seis aplicativos de mensagens para saber das novidades e responder pessoas. Seria ótimo se fosse um só, não?

Eu achava que sim, e mais gente — que sabe programar e/ou tem recursos — também. Embora os principais aplicativos de mensagens do mercado não trabalhem com rivais, soluções como Beeper, Texts e Element One conseguem, ainda que na base da gambiarra, juntar as mensagens do WhatsApp, Signal, Telegram e outros, todos sob um único ícone na tela do celular.

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Sem alarde, a Meta desfez a integração entre Messenger e DMs do Instagram. Isso foi parte de uma jogada estratégica da empresa, entre 2019 e 2020, para embolar seus aplicativos a fim de dificultar uma ruptura em eventuais processos antitruste. O processo não veio (ainda), mas a Europa aprovou uma lei (Digital Markets Act) que obriga o WhatsApp a ser interoperável com outros apps de mensagens, o que provavelmente explica a mudança de curso da Meta. Via Central de Ajuda do Instagram.

Canais do WhatsApp: novo recurso, velhos hábitos

Print de um celular Android, segurado por uma mão, com a tela de canais do WhatsApp aberta e uma lista de canais oficiais. Foto tratada com efeito dithering, no tom de verde do WhatsApp.

Por muito tempo, o WhatsApp era posicionado como um aplicativo de mensagens entre pessoas, um a um, no máximo em pequenos grupos. Tentativas de distribuir conteúdo em massa usando gambiarras, como múltiplos grupos, eram coibidas.

Isso mudou. Em 2022, a Meta engrenou uma sequência de novidades no WhatsApp que segue com força total até agora, reposicionando o app para brigar por mercados que rivais como Discord e Telegram criaram ou conquistaram.

É para conversar com os amiguinhos, sim, mas também para se informar, comprar, organizar os grupos do condomínio, do trabalho, enfim, passar o maior tempo possível ali dentro. O WhatsApp é o mais próximo que o Ocidente tem de um “super app”.

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