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Google anuncia novos gadgets e recursos de inteligência artificial no Google I/O 2022

Nesta quarta (11), aconteceu a abertura do Google I/O 2022, a conferência anual para desenvolvedores do Google, que a empresa aproveita para anunciar novidades.

Novo Android 13, um monte de celulares e outros gadgets que não chegam ao Brasil e vende pouquíssimo lá fora, recursos de inteligência artificial cada vez mais complexos e, paradoxalmente, cada vez menos impressionantes (e com aplicação limitada e/ou duvidosa), uma ou outra coisa realmente legal, mas… né, acaba diluída em meio a tanta coisa.

Destaques para o relógio inteligente (bonitão, mas será que vende?), um tablet que parece saído de 2014 e uma versão menos esquisita e capaz do Google Glass.

Além do vídeo acima, que condensa +2 horas de evento em 12 minutos, o blog do Google tem um espaço dedicado a todas as novidades anunciadas. Via Blog do Google (em inglês).

O futuro da web é texto de marketing criado por algoritmos 

O futuro da web é texto de marketing criado por algoritmos (em inglês), por Tom Simonite na Wired:

A Jasper também pode gerar conteúdo ideal para anúncios no Facebook, e-mails de marketing e descrições de produtos. Ela faz parte de um grupo de startups que adaptaram uma tecnologia de geração de texto conhecida como GPT-3, da empresa de inteligência artificial OpenAI, para satisfazer uma das demandas mais antigas da internet — criar texto de marketing que gere cliques e apareça na primeira página do Google.

A criação de textos de marketing provou-se um dos primeiros casos de uso em larga escala da tecnologia de geração de textos, que deu um salto em 2020 quando a OpenAI anunciou a versão comercial do GPT-3. Só a Jasper afirma ter mais de 55 mil assinantes pagantes, e a OpenAI diz que um concorrente tem mais de 1 milhão de usuários. A Wired contou 14 empresas que oferecem abertamente ferramentas de marketing que podem gerar conteúdos como posts em blogs, manchetes e comunicados de imprensa usando a tecnologia da OpenAI. Seus usuários falam da escrita potencializada pelo algoritmo como se ela fosse se tornar tão ubíqua quanto a verificação ortográfica automática.

“Sou um péssimo escritor e isso facilita muito criar conteúdos relevantes para o Google”, diz Chris Chen, fundador da Instapainting, que usa uma rede de artistas para transformar fotografias em pinturas de baixo custo.

Sem falsidade: governo chinês vai pegar pesado com deep fakes

por Shūmiàn 书面

Como antecipado, o governo chinês vai pegar pesado com deep fakes e inteligência artificial de uso similar. Na sexta (28), a Administração para o Ciberespaço publicou um rascunho da legislação focado nisso. Por enquanto, está aberto para consulta pública até 28 de fevereiro. As regulações sobre o uso de algoritmos já previam alguns pontos, como conta essa matéria no Rest of World. Mas esta iniciativa, com foco no papel das plataformas, é praticamente inédita no mundo. Medidas incluem a indicação clara de imagens que passaram por alterações desse tipo e verificação de identidade do usuário que utilizar esses produtos, como explica a matéria do SCMP. Para ler o documento em inglês, tem uma tradução não oficial do China Law Translate.

Lá em 2020, havíamos contado aqui sobre como a gigante Tencent falou do potencial da tecnologia de síntese deep fake para diversos setores e de como já estava avaliando sua aplicação, enquanto também reconhecia os riscos associados. Com a expansão do uso de deep fakes nas redes sociais chinesas, em algum momento as autoridades iam dar as caras. Em março do ano passado, o governo chamou grandes empresas que trabalham com a tecnologia para uma conversa, como contou Zeyi Yang para o Protocol.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

É preciso banir todas as armas que localizam, selecionam e atacam alvos humanos sem supervisão de um ser vivo responsável, ou seja, as autônomas letais. E banir a pesquisa, a criação, o desenvolvimento e o uso.

— Stuart Russell, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), especialista em inteligência artificial e autor do livro Inteligência artificial a nosso favor: como manter o controle sobre a tecnologia (Companhia das Letras), em entrevista ao jornal O Globo.

TikTok paga menos de um salário para brasileiros transcreverem vídeos

Algumas estimativas dão conta de que até 75% dos usuários do TikTok acessam o aplicativo sem som, o que pode ser um problema para um de vídeos. A ByteDance, dona do TikTok, contornou esse obstáculo oferecendo legendas automáticas – ou assim se pensava.

Reportagem do The Intercept Brasil publicada neste domingo (3) revelou que as legendas dos vídeos em português brasileiro são feitas por um exército de trabalhadores precarizados, contratados por empresas subcontradas pela ByteDance. Recrutadores gerenciam os trabalhadores em grupos de WhatsApp, exercendo pressão para que eles aumentem a produção.

Havia a promessa de pagar até US$ 14 por hora trabalhada, mas apenas aos trabalhadores que alcançcassem uma meta diária que, realisticamente, exigiria que eles se dedicassem 20 horas por dia. Na prática, ganhavam menos de meio salário mínimo.

Não é a primeira, nem a segunda – e provavelmente não será a última vez – em que “inteligência artificial” é usado como eufemismo para trabalho precarizado. Via The Intercept Brasil.

Cientista de dados da IBM, negro, é preso por reconhecimento de foto

Raoni Lazaro Rocha Barbosa, 34 anos, cientista de dados da IBM, foi preso no último dia 17 acusado de ser integrante de uma milícia em Duque de Caxias (RJ). Segundo Ancelmo Góes, a prisão de Raoni foi decretada com base em reconhecimento facial, a partir de uma foto que, segundo seus advogados, não é dele. Outro detalhe que chama a atenção é que, também de acordo com os advogados, Raoni jamais morou em Duque de Caxias — ele reside em Campo Grande, a ~35 km. O caso está nas mãos da desembargadora Denise Vaccari, da 1ª Câmara Criminal do Rio. Via O Globo.

Estratégia de inteligência artificial brasileira é patética

Na sexta (9), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (PDF). Ronaldo Lemos, advogado e diretor do ITS-Rio, em sua coluna na Folha de S.Paulo classificou o documento como um “trabalho de graduação universitária malfeito” e “uma reunião de platitudes e citações de dados buscados na internet”. A mim, o documento lembrou o inacreditável “plano de governo” (PDF) do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (à época no PSL, hoje sem partido) nas eleições de 2018. O que, quase dispensável dizer, é bem preocupante. Via MCTI, Folha de S.Paulo.

Nos EUA, às vezes sai mais barato reembolsar e deixar o produto indesejado com o consumidor

Grandes lojas virtuais nos Estados Unidos, como Amazon, Walmart e Target, estão usando inteligência artificial para determinar quando vale a pena receber de volta um produto comprado online que o consumidor não quis ficar. Em muitos casos, sai mais barato reembolsar a compra e deixar o produto indesejado/errado com o consumidor do que fazer a logística reversa. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Inteligência artificial escreve o review de um iPhone

O Estadão conseguiu acesso ao GPT-3, um tipo de inteligência artificial (IA) desenvolvida pelo OpenAI e tida como o que há de melhor na redação autônoma de textos. O jornal colocou a IA para escrever o review do iPhone 11 Pro e… ok, é legível, mas parece ter sido escrito por alguém embriagado, além de conter erros factuais como dizer que o celular tem uma entrada USB-C (não tem) e que ele tem apenas uma câmera (tem quatro, três traseiras e uma frontal).

Review de celular é um tipo de texto que pode ser adaptado para modelos automáticos, porque os dados elementares, que guiam a redação, podem ser estruturados. A brincadeira de 1º de abril deste ano aqui no Manual é um rascunho rudimentar nesse sentido, embora não tenha nada de IA. O desafio do Estadão/GPT-3 é de outra natureza, e talvez a melhor saída esteja num meio termo entre as duas coisas — por exemplo, imagino que se incluirmos as tabelas de especificações do GSMArena na “receita”, os erros factuais básicos teriam sido evitados. Nas eleições municipais deste ano, o G1 adotou um modelo do tipo para produzir notícias de cada um dos 5.568 municípios brasileiros.

 

Google demite cientista de dados por artigo crítico à empresa

O Google demitiu Timnit Gebru, cientista de dados com um amplo trabalho na crítica a vieses discriminatórios em sistemas de inteligência artificial. A demissão ocorreu por um artigo, que ela assinou com outros cinco pesquisadores, a respeito das limitações e impactos dos modelos de linguagem de inteligência. O MIT Technology Review deu uma olhada no artigo; especialistas acreditam que o artigo traz verdades inconvenientes relacionadas à atuação do Google. Um abaixo-assinado em apoio a Timnit já conta com +1,6 mil assinaturas de funcionários do Google e +2,5 mil de acadêmicos e profissionais. Via Estadão, @timnitGebru/Twitter (em inglês).

Mais um exemplo de que o termo “algoritmo”, às vezes, também pode ser traduzido como “decisões baseadas nos vieses de quem tem poder decisório nas empresas.”

Inteligência artificial confunde careca de bandeirinha com bola e arruina transmissão de partida de futebol

https://www.youtube.com/watch?v=9zoJP2FkpgU

O Inverness Caley Thistle, time de futebol da segunda divisão da Escócia, protagonizou um episódio paradigmático das consequências acidentais do uso de inteligência artificial. Em meados de outubro, a equipe anunciou o sistema de câmera Pixellot, uma inteligência artificial “camera man”, que substituiria operadores humanos atrás das câmeras nas transmissões das partidas do time pelo Escocêszão. A lógica desse trabalho, afinal, é relativamente simples: basta que a câmera acompanhe a bola, certo?

Só não contavam com a careca do bandeirinha no jogo do Inverness contra o Ayr United, no dia 24 de outubro. Aos “olhos” da inteligência artificial, a cabeça do auxiliar de arbitragem era interpretada como uma bola de futebol e… bem, isso meio que arruinou a transmissão robótica. Via IFLScience (em inglês).

A estranheza da estética algorítmica de Flight Simulator

Avião de pequeno porte sobrevoando a cidade do Rio de Janeiro em um dia ensolarado, com algumas nuvens. Ao fundo, à esquerda, o Cristo Redentor. Cena renderizada no jogo Flight Simulator.

por Kyle Chayka

O colunista do New York Times Farhad Manjoo publicou uma curiosa coluna sobre o novo Flight Simulator da Microsoft, jogo que usa uma grande quantidade de dados do OpenStreetMap, filtrados através do Bing Maps, para criar uma renderização tridimensional do mundo inteiro. Os dados foram traduzidos algoritmicamente em um ambiente enorme; cada casa, arranha-céu ou montanha tornado interativo. Você pode pilotar um avião virtual passando por uma réplica virtual da sua casa.

(mais…)

Parabéns Amanda, seu chatbot para Daniel está pronto!

Homem branco com barba passa a mão no queixo enquanto mexe em um notebook.

por Paula Gomes

Boa tarde Daniel, eu sou o Fin, chatbot que a Amanda contratou para te ajudar a lidar com o término do namoro de vocês. Em que posso ajudar?
Eu não acredito que você fez isso, Amanda. Que desperdício de dinheiro
Oi, aqui é o Fin
A Amanda estava cansada de você tentando controlar o dinheiro dela, sabe, Daniel
Então, pra ela, é um prazer gastar dinheiro com um robô que possa mandar você se fuder
Nossa, mandou fazer um chatbot só pra ele ficar me xingando? Muito madura Amanda, como sempre
Daniel, eu fui programado para te passar informações também
Você sabia que Amanda transou 30 vezes com você pensando em diferentes colegas da firma? Alguns até bem nada a ver
E que no tempo que vocês namoraram ela se masturbou 200 vezes? Dessas 200, adivinha Daniel, nenhuma foi pensando em você
Meus números são maiores, tem certeza que quer ouvir, Amanda?
Amanda nunca vai ler essa conversa. Ela me criou justamente para nunca mais ter que interagir com você
Mentira, eu sei que você vai ler tudo
Daniel, percebo que estamos indo para um caminho que não é o “caminho feliz” para o qual fui programado
Posso sugerir alguns assunto para debate?
Quais?
a) Divisão das plantas
b) Divisão dos eletrodomésticos
c) O que fazer com suas roupas
d) O que fazer com a sua mãe
Daniel, você pode clicar nos itens na ordem que quiser. Eles só vão parar de aparecer quando você concluir todos
d) o que fazer com a sua mãe
Você escolheu d) o que fazer com a sua mãe
Daniel, a sua mãe liga de forma insistente para Amanda. Ela estava sendo cordial com a sua mãe até o momento, mas já falou duzentas vezes que não vai te pegar de volta. Então, da próxima vez que ela ligar, a Amanda vai mandar ela tomar no cu, você está avisado
Você concluiu o item d)

Foto do topo: Piqsels.
Código dos balões: Mark Swardstrom/Codepen.