Mobile, smartphones e retrospectiva

por Benedict Evans

Esta noite estou viajando para Barcelona para a MWC deste ano, a principal feira anual da indústria móvel. Tenho ido à MWC desde 2001, entra ano e sai ano, quando era na (fria e chuvosa) Cannes e tinha um décimo do tamanho — no ano passado havia 85 mil pessoas.

O ano de 2001 foi o seguinte ao leilão europeu do espectro de 3G, quando as operadoras móveis, bem no topo das bolhas de Internet e do mobile, gastaram € 110 bilhões em alguns meses. Elas passaram anos se recuperando da ressaca. Grande parte da justificativa para aqueles valores era a promessa de serviços de dados a serem entregues neste espectro. Mas demorou até 2005 para os primeiros celulares com 3G que não fossem tijolos chegarem ao mercado europeu e até 2007, é claro, para os serviços de dados entregues por esse espectro se tornarem interessantes. (mais…)

Listas são a nova busca

por Benedict Evans

Estou fascinado com todas as pessoas tentando desempacotar o Yelp para restaurantes. Quem tenta desempacotar a Craigslist o faz com uma experiência de usuário (UX) moderna, mas o Yelp é uma empresa moderna com uma UX moderna e as pessoas, tentando desempacotá-la, na maioria das vezes recorrem a limitações. Em vez de oferecer 500 ou mil restaurantes e uma caixa de busca, eles te dão uma lista — 50, dez ou mesmo um. Às vezes, isso é deliberado; em outras, apenas a execução do modelo de negócios. Mas o resultado é sempre o mesmo — elas removem a “tirania da escolha”. Eu não quero 500 opções de restaurantes, todos do meu gosto. Eu quero cinco. (mais…)

Um pequeno universo particular

por Fabio Montarroios

No dia 25 de janeiro de 2016, São Paulo comemorou 462 anos de uma sofrível existência. Desde seus primeiros registros fotográficos em 1860, quando a então província era habitada por apenas 30 mil almas, chegamos aos dias de hoje numa das maiores metrópoles do mundo em que tirar fotografia é algo banal para qualquer habitante. O que nos faz pensar o seguinte: o que vai sobrar disso tudo? (mais…)

Tinderização do sentimento

por Alicia Eler

Nota do editor: ano passado publicamos um texto em defesa do Tinder. Havia sinais, ou melhor, casais formados pelo app apontando para um uso melhor frente às incontáveis reclamações sobre a maneira negativa com que o app supostamente afeta os relacionamentos. Este outro, publicado na The New Inquiry e agora traduzido e republicado no Manual, serve de contraponto. Porque, apesar dos casos de sucesso, alguns destacados pelo próprio Tinder em seu site oficial, eles não são uma regra. Talvez sejam até exceções. Deixo a discussão em aberto.

Por Alicia Eler e Eve Peyser


Os mecanismos binários do Tinder podem ser um modelo para todo um modo de vida no qual tudo é uma opção e o processo se torna mais atraente que a escolha.

Viver com uma sensação de sobrecarga de escolhas significa fazer uma força emocional descomunal na tomada das decisões mais banais. O que assistir na Netflix essa noite? Posta no Facebook pedindo por recomendações. Pergunta aos seguidores do Twitter. Depois de refletir por uma hora, resolve confortavelmente assistir a Seinfeld, já visto e revisto um milhão de vezes. Enquanto isso, se pergunta se foi uma má escolha. Faz igual, de qualquer forma. Há algum conforto na mesmice. (mais…)

TV, mobile e a sala de estar

por Benedict Evans

“Também quero compartilhar alguns pensamentos adicionais sobre o Xbox e sua importância para a Microsoft. Como uma grande empresa, acredito que é essencial definir o seu núcleo, mas é importante fazer escolhas inteligentes em outros negócios em que podemos ter impacto e sucesso fundamentais.”

(Tradução — Xbox não é mais central para a Microsoft) – Satya Nadela (mais…)

Vendendo sentimentos

por Ben Thompson

Um dos frameworks de marketing mais famosos é o composto de marketing, também conhecido como “Os quatro Ps”. De acordo com o framework, existem quatro componentes de um plano de marketing:

  • Produto (o que está à venda);
  • Preço (por quanto está à venda);
  • Promoção (como os clientes descobrem o produto);
  • Praça (onde é possível encontrar o produto).

Destes quatro, o mais difícil e caro — e, assim, a maior barreira de entrada (o maior fosso) — era a praça. Colocar o produto diante dos consumidores exigia relações com o atacado e varejo, sem falar nos investimentos significativos em logística. As empresas que controlavam a distribuição eram, muitas vezes, as mais lucrativas de todas. (mais…)

Use esta planilha para escolher o melhor plano Pré ou Controle de celular para você

por Rodrigo Santiago

Com o lançamento dos novos planos da TIM e da Oi, fiquei tentado a trocar de operadora. Fui analisar os planos Pré e Controle atuais a fim de determinar qual o mais vantajoso para o meu perfil. Acabei montando uma planilha que pode ajudar mais gente que está na mesma situação, aberto a olhar com carinho as propostas de todas as concorrentes.

Os planos oferecem benefícios diferenciados, se sobressaindo em um ou outro aspecto em relação aos concorrentes. Resolvi fazer uma planilha para ter uma visão panorâmica deles nos quesitos valor, franquia de dados, voz e SMS, além dos valores avulsos de voz. Com a planilha pronta, resolvi compartilhar no grupo para assinantes do Manual do Usuário no Facebook (apenas para assinantes) e o Ghedin sugeriu publicar no blog. (mais…)

Guia de presentes pé no chão para o Natal

Comprar presente para quem amamos é legal e tudo mais, mas pode ser uma tarefa complicada. Algumas publicações tentam dar uma mão com guias de presentes. O que sempre me incomoda nesses guias é o fato da maioria ser meio descolada da realidade, recheada de produtos caríssimos — quem compra um smartphone de última geração para… sei lá, aquela tia que saiu no amigo secreto? Disso surgiu o guia de presentes pé no chão do Manual do Usuário, uma lista de presentes legais e relativamente baratos. (mais…)

Mobile, ecossistemas e a morte dos PCs

por Benedict Evans

Uma das formas pelas quais a tecnologia progride é por mudanças geracionais em escala. Tivemos mainframes, então minicomputadores, então workstations e PCs e, agora, o mobile; cada geração dá mais um passo de mudança em escala. Essa escala significa que ela se torna o novo ecossistema e o novo centro de inovação. Sozinhos, smartphones com iOS e Android já superam as vendas de PCs em 5:1 (sem nem mesmo contar os tablets) e isso chegará perto do 10:1 nos próximos anos. Então, este é o novo ecossistema em escala. (mais…)

O que é (e o que pode ser) o Tinder

por Beatriz Lobato

Em 2015, o Tinder comemorou o seu terceiro aniversário e, aparentemente, todo mundo resolveu pensar no modo como esse aplicativo baseado em “swipes” mudou o cenário de namoros e rolos entre os jovens. Por causa da sua rápida explosão e grande quantidade de adeptos, um clique ocorreu na cabeça de muita gente. Começamos a nos perguntar por que o Tinder é tão popular e, mais importante, como ele afeta os relacionamentos. (mais…)

Mini, micro ou nano? Como é o SIM card de corte triplo

Algumas áreas da tecnologia avançam em largas passadas. A dos chips de celular, os SIM cards, se encaixa aí. Em poucos anos fomos do grande mini SIM card ao minúsculo nano SIM. Um paliativo para essa multiplicidade de formatos é o chip de triplo corte, que serve nesses dois padrões, mais o micro SIM. Estou usando um e achei que seria interessante mostrá-lo aqui. (mais…)

O mobile não é uma plataforma neutra

por Benedict Evans

Por uma década ou duas, para a maioria das pessoas “a Internet” significava um navegador web, um mouse e um teclado. Havia algumas coisas complementares como mensageiros instantâneos, Spotify, Skype ou Steam (ou, para alguns, e-mail), mas para a maioria das pessoas e para quase todas as atividades, a web era a Internet. A web era a plataforma, não o sistema operacional — muito mais serviços foram criados para a web do que para o Windows ou o Mac OS. (mais…)

Quantas fotos?

por Benedict Evans

Em 1999, no auge da indústria de câmeras de filmes fotográficos, os consumidores tiraram cerca de 80 bilhões de fotos (segundo a Kodak). Hoje tiramos muito mais fotos. Mas quantas? (mais…)

Do que o Google precisa no mobile?

por Benedict Evans

Eu costumo ver o Google como um grande motor de aprendizado de máquina que vem acumulando dados há quinze anos. Tudo que o Google faz está relacionado ao alcance desse motor — alcance para coletar ainda mais dados e alcance para levá-los à superfície. A busca na web é só uma expressão disso, assim como os anúncios, o Gmail e o Maps — eles estão todos construídos sobre aquele motor fundamental. (mais…)

Microsoft, rendição e o fim do “Windows Everywhere”

por Benedict Evans

A cultura da tecnologia valoriza persistência, teimosia, perseverança e a ideia de que não se deve desistir. Estamos cercados de histórias de visionários que sempre ouviram que não conseguiriam atingir o sucesso e que, mesmo assim, seguiram em frente e mudaram o mundo. Mas, às vezes, devemos colocar o viés da seleção de lado e, bem, desistir. (mais…)