Quantas fotos?

Mulher tirando foto da árvore de Natal.

Em 1999, no auge da indústria de câmeras de filmes fotográficos, os consumidores tiraram cerca de 80 bilhões de fotos (segundo a Kodak). Hoje tiramos muito mais fotos. Mas quantas?

Ninguém sabe exatamente, mas há alguns pontos de triangulação:

  • O Facebook afirmou, em maio de 2015, que dois bilhões de fotos são compartilhadas em seus sistemas todos os dias, por 1,4 bilhões de usuários — neste ritmo, uma média de 730 bilhões por ano.
  • O número acima não inclui o WhatsApp, que em abril de 2014 revelou que lidava com 700 milhões de fotos por dia, de 500 milhões de usuários (255 bilhões por ano). E parece muito provável que esse número tenha aumentado desde então.
  • O Snapchat, em maio de 2014, deu um número de 700 milhões de fotos por dia. Novamente, esse número deve ter crescido (muito) desde então.

Apenas arredondando WhatsApp e Snapchat para 1 bilhão/dia a fim de contemplar o crescimento no último ano (o WhatsApp já passou de 900 milhões de usuários) e presumindo que o Facebook não cresceu esse ano, temos um número de 1,5 trilhão de fotos compartilhadas só nos últimos 12 meses. O crescimento anual do uso destes apps poderia facilmente fazer esse número saltar para dois trilhões. Isso presumindo que não haja duplicação entre essas três redes, o que não é garantido, mas talvez não seja algo muito grande.

Todavia, isso nos leva apenas até certo ponto: Facebook, Instagram, WhatsApp e Snapchat não são tudo. Existem outras dezenas de apps menores de mensagens instantâneas com dezenas de milhares de usuários, além do iMessage da Apple, que é a matéria escura das redes sociais. Também há o WeChat, que tem quase 600 milhões de usuários ativos e não deu nenhum dado de fotos compartilhadas (que eu tenha encontrado, é claro).

Os padrões de uso não são os mesmos em todas essas redes (o compartilhamento assimétrico de álbuns no Facebook ou as “fotos de mensagem” do Snapchat não são a mesma coisa no WeChat). Mas apenas olhando na escala, parece provável que todas essas outras redes poderiam adicionar outros 500 bilhões de imagens este ano; possivelmente, muito mais que isso.

Assim, pelo menos dois trilhões de fotos serão compartilhadas este ano; possivelmente, três trilhões ou mais. Divididas entre mais ou menos dois bilhões de usuários de smartphones, é apenas de duas a três fotos por dia por pessoa, o que não é tão extraordinário; e, como o uso na realidade não é assim,  uniformemente distribuído, há, naquele número, espaço para algumas pessoas que compartilham muitas fotos e para outras que não compartilham nenhuma.

Isso é apenas a quantidade de fotos compartilhadas. Quantas mais foram tiradas e não compartilhadas? Novamente, não há dados concretos para isso (embora a Apple e o Google provavelmente os tenham). Em alguns casos de compartilhamento de imagens, a razão de tiradas:compartilhadas é provavelmente 1:1 (Snapchat, talvez), mas outras pessoas em outros serviços vão tirar centenas e compartilhar apenas algumas. Então as fotos tiradas poderiam representar o dobro do número de fotos compartilhadas, ou poderia ser dez vezes maior. Enquanto isso, estimativas do número total de fotos tiradas em rolo de filme desde sempre variam de 2,5 a 3,5 trilhões. Isto pode sugerir que, este ano, mais fotos serão tiradas do que as que foram feitas em rolo de filme em toda a história do mercado de câmeras analógicas.

Nota de rodapé: apenas mencionando, esta é uma discussão sobre como podemos alcançar estimativas aproximadas na ausência de dados concretos. Sobre esse tema, escrevi outro longo post, argumentando de onde vêm as estatísticas mobile. Aqui (em inglês).


Publicado originalmente no blog do Benedict Evans.

Tradução por Leon Cavalcanti Rocha.
Revisão por Guilherme Teixeira.
Foto: Takashi Hososhima/Flickr.

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29 comentários

  1. Não sei se é relevante este levantamento (talvez “relevante” não seja o termo), mas acho que essa reflexão inicial compara duas coisas completamente diferentes. O objeto, que são as fotos, são os mesmos, mas os meios e propósitos/usos são completamente diferentes.

    Muitos dos primeiros fotógrafos eram artistas/pintores que usavam fotos para criar suas obras a partir delas. Depois em outro momento, com a popularização da fotografia graças a Kodak, as fotos serviam para eternizar momentos e lembranças pessoais.

    Mas hoje em dia uma pessoa tira inúmeras fotos, por exemplo, de uma paisagem, mas o ato não tem propósito algum. Acabamos condicionados a esta “cultura da foto”, na qual nos sentimos obrigados a simplesmente puxar o celular e fotografar uma cena, sem questionar o porque ou sua utlidade. O mesmo acontece na hora de compartilhar a foto.

    Hoje a foto tem diversos usos, como o que eu chamaria de “foto notas”. Quem aí não fotografou algo, um produto, um artigo, um telefone no jornal só para salvar aquela informação para depois?

    Por isso, essa questão dos números é muito relativa. Seria como compilarmos toda a quantidade de texto que trafega na internet (sites, blogs, e-mail, aplicativos de mensagens, etc.) e sairmos falando que hoje a humanidade produz mais texto do que todo o conteúdo publicado em livros até hoje.

    Enfim, dados sem um contexto ou reflexão não servem para nada.

    1. É um ponto de vista interessante, @borges87:disqus, porém acho válido (relevante?) o exercício mesmo com ele considerado. O suporte se transforma com a tecnologia disponível e isso afeta os nossos hábitos. Acontece com fotos, vídeos, texto, todas as formas de comunicação e, embora a intenção e até a forma de produzi-las mude, não deixam de ser fotos, vídeos e texto.

      E… bem, tanto validade que a Kodak, uma força gigantesca do mercado fotográfico na era das máquinas analógicas, meio que está nas últimas por não acompanhar a evolução digital e da Internet. Acho que essa relação diz muito sobre a nossa discussão.

      1. Sobre a Kodak, nas últimas? Ela decretou falência já tem um tempo, não? hehehe
        É verdade que a Kodak não soube aproveitar o mercado da fotografia digital, e o mais interessante (e que ninguém dá crédito ou sabe) é que foi ela que desenvolveu a primeira (ou uma das primeiras) câmeras digitais, além de ser dona de várias patentes relacionadas a isto. Mas por medo de criar um mercado incerto que poderia ameaçar o seu carro chefe (filmes e todo o processo de revelação e impressão), ela deixou isso de lado e perdeu o timing.

        Sobre o artigo em questão, a minha visão é que esses dados imprecisos não importam tanto, pelo menos pra mim. A análise de como todas essas fotos são utilizadas ou o motivo delas serem criadas, como você comenta ao falar que o suporte se transforma, ai sim eu acharia interessante. Foi este ponto que eu critiquei no texto.

        Na foto, a primeira câmera digital da Kodak.

        1. Ah sim, acho que o texto é mais um exercício de aferição de grandes números a partir de dados esparsos (como o Evans comenta na nota de rodapé) do que um chamado a discussões aprofundadas sobre os rumos da fotografia. Trouxe-o para cá porque, independentemente dos motivos, achei interessante ter a noção de quantas fotos são tiradas por ano :)

          E sobre a Kodak, lembro que ela tinha aberto processo de falência (ou o equivalente à nossa antiga concordata, atual recuperação judicial). A última notícia que tive dela é recente, porém não muito animadora:

          https://twitter.com/vladsavov/status/640096349506170880

      2. comprei muito papel e filme kodak, devo tê-los deixados um pouco mais ricos, então, o q diabos fizeram com toda essa gaita!? vai entender…

    2. cara, discordo de vc… pq qdo vc fala da fotografia no tempo eu logo me lembro do francês lartigue, q era, basicamente, um cara rico q nunca precisou trabalhar. ele tirou fotos desde os 4 anos de idade (!!!), a bagaça da fotografia mal tinha sido inventada e o cara já era louco por ela… tirou foto pacas e foi, já lá nos circuitos americanos e bem tardiamente, visto como artista. alguns registros eram toscos, mas hj, cara, eles têm um valor incalculável. presumo q muitas dessas imagens tiradas irrefletidamente e até compulsivamente terão um puta valor no futuro. a foto q vc manda, da vovó q não tira fotos, é ilusória. ela não está tirando fotos, pq não domina a tecnologia atual, apenas isso… pois há muitos vovôs e vovós entusiastas de tecnologia e tb aprontam das suas. essa foto, na verdade, é bem preconceituosa, pq antepõem uma pessoa (a correta) à multidão (equivocada). ora, tb acho questionável tirar foto de tudo e não aproveitar as coisas enqto elas se dão, mas, sei lá, não há informação sem registro e as pessoas, talvez, estejam construindo suas memórias e recordações q, se preservadas (e aí está o desafio da quantidade enorme q o autor chama a atenção) valerão muito. eu gostaria muito de ter mais registros da minha infância. certamente tenho mais fotos da minha gata do q minhas próprias qdo era criança. sem falar nos vídeos antigos q se salvam… esse têm um valor incrível. cara, vai por mim, é melhor termos essa oferta fenomenal de fotos e termos o q ver no futuro, do q não ter nada… mas eu desconfio q muito pouco disso não vá durar, justamente pq as pessoas não veem a importância desses momentos fugidios pegos quase sem querer por um celular.

      1. Pode ser que sim, essa fotos tenham algum valor no futuro. Mas duvido que teremos alguma situação na fotografia digital (como todo esse mar de fotos digitais, em backups na nuvem ou em serviços que irão deixar de existir) como a da Vivian Maier. https://goo.gl/ePMmZ0

        É uma história incrível, de uma babá que fotografava por hobby e mais de 50 anos depois foi descoberta uma caixa com seus negativos e ela teve reconhecimento póstumo.

        Ai esta reflexão da quantidade de fotos seria mais bem aprofundada, em como manter tudo isso, ou se as pessoas sabem o que fazer com todas essas fotos dos momentos que elas vivenciaram, como deixar isso para seus filhos e descendentes. Esse seria o X da questão, em vez de dizer que “temos Y bilhões de fotos”.

        Sobre a foto da velhinha, é só um contraste da nossa realidade.

        1. borges, conheço essa história da babá. ela é incrível e as fotos dela são realmente fabulosas. ela era uma verdadeira fotógrafa. tinha domínio mesmo… provavelmente ela tinha algum interesse e se informava sobre. enfim, esse é um bom exemplo de coisas precisas q podem aparecer. mas ao invés de caixas de papelão perdidas, serão as pastas nas nuvens, hds, cds, dvds, ssds, pendrives, disquetes… e toda sorte de mída q usamos e ainda vamos usar. sem falar q muita coisa estará protegida com senha e os familiares e amigos vão ter q quebrar a cabeça ou até lá todas essas senhas serão frágeis demais para os métodos da época.

          a foto da velhinha é uma visão conservadora do presente. ou seja, parece q só no passado ou como fazíamos antes (representado pela velha senhora) é q sabíamos aprecisar as coisas… ora, sendo assim, é um crime jogar FIFA e não uma pelada na rua… temos muitas relações mediadas pela tecnologia, mas elas não anulam as experiências, só as modificam a ponto de ficarem bem estranhas…

          1. Não acho válido comparar jogos que simulam atividades reais, pois jogos existem desde a antiguidade. Entretanto, temos a visão de que eles são recentes.

          2. O que ele compara é o fato de as pessoas hoje mais ficarem sedentárias na frente de uma tela simulando um jogo, ao invés de irem na rua e realmente jogarem. :)

          3. hum… nem tanto. me referia mesmo a mediação. não estamos cá, muitos de nós, falando/conversando por intermédio de computadores, servidores, nuvens etc? antigamente estaríamos confabulando na pracinha. imagine os inconfidentes e suas tramoias nas noites de minas gerais qdo só lhe restavam cartas, cavalos, cochichos e poesia bem da empolada…

          4. Ah sim. Não seja classudo também.
            Falo do tempo de ir na saída da escola e falar com amigos, ou por aí. Se bem que aqui não há a expressão facial (que ajuda e muito na comunicação) e a possibilidade do tete-a-tete, de falar pessoalmente, olho no olho, interpretando também o corpo e não só a fala. =p <- o máximo possível é usar emoticons =3

          5. a imagem, como a cultivamos hj, existe mesmo antes da antiguidade. basta ver a arte rupestre. já viu aquele filme “a caverna dos sonhos esquecidos”? veja! é realmente incrível o q os q viveram antes da gente nos deixaram como recadinho.

          6. recomendo fortemente a leitura – mesmo q só a primeira parte – do livro Homo Ludens: O Jogo Como Elemento da Cultura, do Huizinga. acho q vc nem precisa comprar… deve ter em qualquer biblioteca.

          1. Não, não seria. Acho muito útil comentários curtos que podem ser facilmente lidos e dar margem para pensamentos completamente divergentes. Bem resumidamente, concordo com o Borges sobre isso.

            ps: Estou muito cansado para ir além de curtos comentários.

          2. vou te dar respostas em formato de haicais enigmáticos estilo paulo leminski. prepare-se:

            uma imagem, mil…

            a foto é bela.
            mas, às vezes,
            resposta tagarela.

          1. eu concordo com meu direito de discordar, mas discordo do seu direito de discordar qdo eu discordo de algo q vc discordou – ou mesmo concordou.

    3. e olha q tb vejo com desconfiança essa caralhada de dados q o evans joga pra cima do leitor, pq são tantos dados, mas tantos… q é de tirar o fôlego e nos priva um pouco da reflexão, já q vem tudo mais ou menos estruturado.

    4. É =)

      Pensar “poxa, quantas vezes tiramos uma foto por dia, e para quê” é meio que pensar “para quê escrevemos” ou “para quê andamos”…

      Como a foto é uma forma de registrar o momento de forma prática e visual, hoje é a forma padrão até de comunicação / mensagem.

      Um ponto extra nos números é pensar o quanto destes números realmente são fotos, já que muito do que é enviado como “foto” pode ser na verdade algo que não é uma foto, mas sim um desenho, uma animação em gif. Ou se no final podemos tratar tudo isso como fotos, mas aí na verdade tratamos tudo como imagens.

      Outra é como você colocou – o contexto da foto.

      Comprei tempos atrás uma DSLR, pensando que eu ia me empolgar em começar a fazer um hobby que eu tinha deixado de lado – registrar prédios ferroviários históricos. Não me empolguei. Vi na internet que tem bastante fotos dos lugares onde eu ia bater uma fotos, e algumas fotos que eu tinha mandado uma vez, poucos deram valor (depois apaguei e não deixei online).

      Teve uma época que também eu “tirava foto de tudo”. Da placa engraçadinha em um muro até o cachorro em uma pose esquisita. Hoje não tenho mais “tesão” em fazer isso – a câmera do meu celular é bem simplória. Poucas vezes me empolgo em tirar uma foto.

      Na época do hobby, fazia também meio que com uma tentativa de reconhecimento – “olha, aquele cara ali tirou fotos de uma estação que poucos passaram por lá”. Mas qualquer discussãozinha besta eu ia lá e apagava a foto.

      1. Também já tive a fotografia como hobby e era bem empolgado com ela. Atualmente tenho uma DSLR que comprei para gravar vídeos, mas que está encostada. Pelo menos em viagens ou em uma ou outra situação ainda consigo usar o meu olhar fotográfico, mesmo que seja com o celular :)
        Usava o Flickr para compartilhar https://www.flickr.com/photos/borges_87

        Sobre os prédio ferroviários, outro dia encontrei esse projeto aqui http://www.estacoesbrasileiras.com.br/
        Já ouviu falar?

          1. Eu descartaria o Instagram, por não prezar pela qualidade do arquivo, no caso de enviar fotos antigas. Usaria ele para ajudar a divulgar o seu portfólio principal.
            O Flickr parou no tempo, mas talvez de para quebrar o galho. Tem que ver o quanto de espaço ele tem.

            Eu indicaria o 500px. Nunca usei, mas parece que tem a comunidade mais ativa e recursos mais novos.
            Eu lembro da época de ouro do Flickr (lá em 2005~) que o mais legal eram os grupos, os desafios e porque os fotógrafos estavam lá.

          2. Valeu. Usava o Photobucket desde o início dele, mas quando apaguei as fotos, apaguei a conta também.

            Como eu tenho uma conta no Yahoo, aproveitei e já criei uma conta no Flickr. Mas vou ver o 500px tb.

          3. Um PS: fui dar uma olhada rápida e o 500px é meio que também um repositório de fotos, como o DeviantArt é para criações artísticas. Como a ideia é mais recompartilhar um trabalho antigo, e não viso muito lucro, então vou jogar a priore no Flickr. :)

          4. eu gosto muito do flickr. e não acho q esteja paradão não, como diz o @borges87:disqus. eu sinto q ali ainda há o essencial do amadorismo e do profissional.

  2. Não a toa existem centenas de apps de fotografia, edição etc…

    E sobre a estimativa entre o número de fotos compartilhadas vs tiradas: na minha última viagem registrei 928 momentos (fotos e vídeos), tendo compartilhado aroximadamente 30 desse todo, em 2 diferentes redes.

    (Cabe aqui um elogio de leitor a tradução, qualidade que não se encontra nos grandes portais.)

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