Inteligência artificial, Apple e Google

por Benedict Evans

Nota: para uma boa introdução à história e ao estado atual da inteligência artificial (IA), veja esta apresentação (em inglês) do meu colega Frank Chen.

Nos últimos dois anos, começou a acontecer mágica em IA. Técnicas começaram a funcionar ou passaram a funcionar muito melhor e novas técnicas apareceram, especialmente em torno de aprendizado de máquina (ML, na sigla em inglês). Quando foram aplicadas em alguns casos de uso consagrados e importantes, começamos a ter resultados dramaticamente melhores. Por exemplo, as taxas de erros para o reconhecimento de imagens, de voz e processamento de linguagem natural caíram para próximas às dos humanos, ao menos em algumas medições.

Assim, você pode dizer ao seu smartphone: “mostre-me fotos do meu cachorro na praia” e um sistema de reconhecimento de fala transforma o áudio em texto, o processamento de linguagem natural pega o texto e interpreta que se trata de uma demanda por fotos e a entrega ao seu aplicativo de fotos; esse, que usa sistemas de aprendizado de máquina para classificar fotos com “cão” e “praia”, faz uma busca no banco de termos e retorna as imagens que batem. Mágica. (mais…)

Robôs já estão entre nós

É bem simples, quase rudimentar, mas é alguma coisa e é inédita por aqui — pelo menos entre os sites brasileiros que cobrem tecnologia: o Manual do Usuário agora tem um robô. Clique na imagem abaixo para conhecê-lo: (mais…)

As promessas e derrocada do Windows Phone

por Joel Nascimento Jr.

No último dia 25 de maio a Microsoft anunciou o que pode ser considerado um dos últimos atos de um longo réquiem que o Windows Phone vem passando. No comunicado a empresa anunciou o corte de 1850 empregados da divisão, sendo a maior parte da subsidiária finlandesa onde fica a base da divisão Lumia, fruto compra da Nokia em 2013.

A notícia chegou uma semana após informações de que a própria Nokia, numa jogada jurídica com a bênção da Microsoft, recuperou o direito de usar seu nome novamente em smartphones e assim o fará licenciando a marca para uma nova empresa formada por ex-executivos da Nokia, a HMD. Em paralelo, no mesmo dia soubemos que a linha de feature phones da Microsoft fora vendida, por US$ 350 milhões, a uma divisão da Foxconn e à HMD.

E assim, agonizando lentamente, uma longa novela que teve momentos de brilhantismo e parecia antecipar futuro caminha para o seu desfecho. (mais…)

É possível viver sem o Google?

Um dia parei e me percebi bastante dependente do Google. Com um serviço aqui e outro ali, algumas coisas realmente boas, outras usadas por mero comodismo, notei que muito do que faço online passava pelos servidores do Google. Tanta coisa que, a essa altura, chamá-lo apenas de “buscador” é um reducionismo perigoso. Incomodado, me fiz a pergunta: é possível viver sem o Google? (mais…)

O fim de uma onda móvel

por Benedict Evans

A indústria da telefonia móvel teve duas ondas — primeiro a da voz e SMS e depois a do smartphone. A onda da voz levou-a de zero a cinco bilhões de pessoas com um celular no planeta e, agora, quase dois bilhões de celulares são vendidos por ano. Em paralelo, começando nove anos atrás, a onda dos smartphones converte uma porcentagem cada vez maior das vendas dos celulares em smartphones. (mais…)

Pessoas que pedem informações do Uber pelo formulário de contato do Manual do Usuário

O Uber é a empresa de capital fechado com maior valor de mercado do planeta. Uns podem dizer que isso não significa muito já que, não tendo papéis sendo negociados, atribui-se qualquer valor que fundadores e investidores quiserem segundo quaisquer critérios1. Mas mesmo que ignoremos esse detalhe é inegável o impacto que a startup (ainda cabe esse rótulo?) vem causando no mundo, cidade após cidade, despertando a ira dos taxistas, o amor dos usuários, mudanças legislativas e na forma como nos locomovemos.

Tamanha dimensão só foi possível pelo alinhamento de alguns fatores: Internet móvel farta, smartphones onipresentes e transporte público, englobando na definição os táxis, deficitário. Esses, claro, de nada adiantariam se o Uber não fizesse a sua parte, ou seja, se a execução da sua visão fosse falha. Se não perfeita, ela é no mínimo agradável e funcional. Usar o app do Uber é fácil, bem como entender o seu funcionamento — eu, pelo menos, não tive dificuldade quando testei o serviço. Mas será que essa impressão é universal? (mais…)

É difícil nomear movimentos estéticos da web

por Paul Ford

Tem um site chamado Brutalist Websites que agrega sites que são meio crus — que mostram suas “emendas”. Os cidadãos do Hacker News, onde eu (Paul falando) encontrei o link esta manhã, imediatamente se envolveram em uma discussão sobre se os sites mostrados são realmente brutalistas ou não — mas é claro, como a Wikipedia indica (após algumas discussões à parte), não há apenas uma única e verdadeira definição de Brutalismo. O Brutalist Websites, por si um site brutalista, diz: (mais…)

Robôs de conversação e inteligência artificial como interface

por Benedict Evans

Robôs de conversação envolvem duas preocupações muito atuais. De um lado, a esperança de que eles de fato funcionem é um reflexo da contínua explosão da IA (inteligência artificial); do outro, eles oferecem um caminho para alcançar consumidores sem ter que fazê-los instalar um app. (mais…)

O Moto G do meu pai, salvo graças ao Cyanogenmod

Por acompanhar de perto os últimos lançamentos e estar atento à flutuação dos preços de coisas como smartphones e tablets, não é raro as pessoas me pedirem conselho sobre o que comprar. Mesmo estando a par do mercado, dar esse tipo de indicação é sempre um desafio — não existe produto que sirva a todos com o mesmo nível de satisfação e os orçamentos costumam variar bastante. Embora eu faça isso de bom grado sempre que possível, há uma pressão inerente devido ao risco de errar, ou seja, da pessoa comprar o que eu indiquei e acabar com um produto que não a atende.

Quando isso acontece, fico um pouco frustrado.

Quando aconteceu com meu pai, fiquei muito frustrado. (mais…)

A crise de obesidade dos sites

por Maciej Ceglowski

Nota do editor: Este texto é a adaptação de uma palestra de Maciej Cegłowski realizada em 29 de outubro de 2015. Maciej é um programador que vive em San Francisco, escreve o blog Idle Words, tem um perfil divertidíssimo no Twitter e é fundador e único funcionário do Pinboard, um serviço de favoritos na web.


Deixe-me começar dizendo que sites bonitos existem nos mais diversos formatos e tamanhos. Eu adoro grandes sites cheios de imagens. Eu adoro vídeos em alta resolução. Eu adoro experimentos de JavaScript dispersos ou webapps bem desenhados.

Este artigo não é sobre nenhum deles. Ele é sobre sites com predominância de texto que, por razões inexplicáveis, estão ficando mais pesados a cada ano que passa.

Embora eu use alguns exemplos para evitar que isso fique muito abstrato, não estou aqui para constranger ninguém, exceto algumas empresas (Medium) que deveriam ter uma noção melhor das coisas e estão intencionalmente quebrando a web. (mais…)

Qual a melhor interface para pedir gás de cozinha?

Hoje eu soube que existe um app de iPhone que só serve para pedir gás de cozinha. (mais…)

Quando os óculos de realidade virtual se tornam naturais

Ontem as primeiras unidades do Oculus Rift foram entregues aos clientes que fizeram a pré-compra. No futuro, a data poderá ser vista em retrospecto como o início da revolução da realidade virtual, evento que muitos aguardam há décadas, desde o “Ultimate Display” de Ivan Sutherland, e que, agora, 50 anos depois, tem as melhores chances de finalmente se concretizar.

Tecnicamente a solução parece estar madura, pronta para brilhar. O Rift, após anos em desenvolvimento, ganhou elogios entusiasmados da maioria dos sites que receberam unidades de testes. Um ou outro reclamou da falta dos controles especiais que só chegam no fim do ano, dos efeitos que podem causar à saúde — leves desconfortos na cabeça e a tradicional sensação de náusea — e, talvez o único ponto unânime, o alto custo para usufruir do equipamento. De qualquer forma, essas críticas foram mínimas se comparadas aos comentários positivos feitos aos jogos e aplicações já disponíveis e aos prognósticos de que isso será grande. Para uma primeira versão de produto em um segmento incipiente, a recepção tem sido muito boa. (mais…)

Como tornar a tecnologia cool em três passos

por David Pierce

Nos últimos meses tenho lido muito sobre fones de ouvido. Não é que eu tenha me tornado um fã deles (sou Jaybird X2 e Sony DMR-10 desde criancinha), mas porque fiquei obcecado com como eles entraram na moda. Há décadas que ninguém fica engraçado usando um grande par de headphones. Nós usamos essas alças enormes e coloridas com conchas gigantes que parecem, numa análise fria, ridículas; mas os fones de ouvido por si só não parecem ridículos. Na pior das hipóteses eles são invisíveis; na melhor, são cool o bastante para que justifiquem as centenas de dólares que as melhores marcas cobram. (mais…)

Smartphones no quarto trimestre de 2015: De cima, a Apple observa a ratoeira

por Charles Arthur

Já assistiu a Skyfall? Lembra-se da cena em que vemos pela primeira vez Javier Bardem representando quem quer que seja o vilão? Relembremos:

Olá, James, bem-vindo. Você gostou da ilha? Minha avó tinha uma ilha. Nada para se gabar. Você poderia dar a volta nela em uma hora. Mas ainda assim, era um paraíso para nós. Num verão nós fomos visitá-la e descobrimos que o lugar estava infestado por ratos! Eles vieram em um barco de pesca e se banqueteavam de coco. Então, como é que você se livra de ratos em uma ilha? Minha avó me mostrou. Nós enterramos um galão de óleo e colocamos uma dobradiça, então amarramos coco à tampa como isca e os ratos vinham pelo coco e caíam no galão. Depois de um mês você já capturou todos os ratos. Mas o que você faz em seguida? Joga o galão no oceano? Queima? Não. Você apenas o deixa. E eles começam a ficar famintos. E um por um eles começam a comer uns aos outros até que haja apenas dois restantes, os dois sobreviventes. E então o quê? Você os mata? Não. Você os liberta. Mas agora eles não comem mais coco. Agora eles só comem rato. Você mudou a natureza deles. Os dois sobreviventes, é isso que ela nos tornou.

Guardem isso na cabeça. Nós voltaremos aqui. (mais…)

Quantos gigabytes uma pessoa gasta, por mês, numa conexão de banda larga fixa

Puxadas pela Vivo, operadoras que vendem conexão fixa à Internet de banda larga começaram a se movimentar no sentido de instituir ou fazer valerem as franquias de dados previstas em contrato. A exemplo do que já acontece com a Internet móvel, se isso for para frente em breve será preciso ficar de olho no consumo da sua conexão residencial sob pena de, extrapolando o limite contratual, ser desconectado ou ter a velocidade severamente reduzida.

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