Mobile, ecossistemas e a morte dos PCs

iPad Pro com Smart Keyboard.

Uma das formas pelas quais a tecnologia progride é por mudanças geracionais em escala. Tivemos mainframes, então minicomputadores, então workstations e PCs e, agora, o mobile; cada geração dá mais um passo de mudança em escala. Essa escala significa que ela se torna o novo ecossistema e o novo centro de inovação. Sozinhos, smartphones com iOS e Android já superam as vendas de PCs em 5:1 (sem nem mesmo contar os tablets) e isso chegará perto do 10:1 nos próximos anos. Então, este é o novo ecossistema em escala.

Gráfico mostrando o avanço dos dispositivos móveis.
Mobile é a nova escala.

Cada geração anterior primeiro conquistou escala e capacidades ao criar todo um novo mercado para, algum tempo depois, alcançar o ponto em que seria capaz de tirar a participação de uma geração anterior. PCs foram vendidos como apenas PCs por uma década ou mais, antes de conseguirem matar as workstations e substituir Data Centers. O mobile faz o mesmo? O mobile matará os PCs? Se sim, como? Ou iremos precisar para sempre de PCs para fazer “trabalho de verdade”?

O futuro sempre se pareceu com um brinquedo que não dá para o trabalho de verdade. Em 1960, “trabalho de verdade” se parecia com isto — uma máquina de escrever, telefone e uma calculadora eletromecânica.

Escritório, ou um grande arquivo de Excel humano nos anos 1960.
Computação nos anos 1960.

Cada pessoa nesta imagem era uma célula em uma planilha — o prédio era um arquivo de Excel e, uma vez por semana, alguém no último andar apertava F9 e todo o prédio recalculava. Era isso que o trabalho de verdade demandava. Uma década mais tarde, é claro, a empresa havia comprado um mainframe e as calculadoras estavam no aterro sanitário. Na nossa própria época, a cada semana, milhares de vice-presidentes em centenas de empresas puxam dados de sistemas internos no Excel, fazem gráficos, colam eles no PowerPoint, escrevem alguns tópicos e enviam o PPT por e-mail para uma dúzia de acionistas. Mas, na verdade, o trabalho deles não é fazer PowerPoint — este é apenas a ferramenta. O trabalho deles é fazer algo, não slides. E o PPT deveria, na verdade, ser um painel de um SaaS atualizado em tempo real.

Assim, “trabalho de verdade” muda com novas ferramentas — no início, as ferramentas se adaptam ao trabalho e então o trabalho muda para se adaptar às ferramentas (veja este artigo que escrevi alguns meses atrás com uma discussão mais longa sobre esse ponto).

Enquanto isso, os “brinquedos” seguem melhorando. Em 2000, se você estivesse fazendo uma lista de tarefas improváveis de serem feitas na web, CAD e edição de vídeos provavelmente estariam no topo dela. Ainda assim, o Onshape entrega, hoje, CAD em um navegador — inclusive fazendo o gerenciamento de arquivos na nuvem e histórico de versões, tornando-o não apenas tão bom quanto no Windows, mas melhor. Os fundadores da Onshape estão no mercado há tempo suficiente para ouvirem não só que seria impossível fazer CAD na web, mas também que não seria possível fazê-lo no Windows, e, ainda antes, que seria impossível fazer em um PC — que também já foi inútil para “trabalho de verdade”. Em grande parte, da mesma forma, o frame.io permite edição de vídeos, colaborativa, na nuvem, no navegador. As coisas que só se pode fazer em um PC, com um programa nativo de PC, continuam diminuindo. De fato, já discuti em outro artigo que é hora de inverter nosso modelo mental e pensar no PC, e não no smartphone, como o dispositivo limitado.

Cada nova plataforma computacional nunca será usada para trabalho de verdade, mas a plataforma melhora e o trabalho muda para se adequar à nova plataforma. No mundo da tecnologia, o “nunca” parece ser 5-10 anos (assim como o “breve”).

Mas quando dizemos que as ferramentas mudam e, dessa forma, que o mobile vai mudar, o que isso significa? O que significa “mobile”? Afinal de contas, “PC” (“Computador Pessoal”, na sigla em inglês) abrange uma grande variedade de dispositivos. Colocando de lado coisas como caixas eletrônicos e ferramentas elétricas, quantos dos aproximados 1,5 bilhão de PCs no mundo são realmente pessoais, e não compartilhados numa família ou pertencentes a uma empresa? (Talvez uns 200, 300 milhões.) Da mesma forma, “mobile” é um termo problemático.

Em primeiro lugar, “mobile” não significa realmente móvel. Como todos sabemos, a maior parte do uso de dispositivos móveis na internet é feito via Wi-Fi. A maioria das pessoas usa o smartphone quando há um notebook ao alcance da mão. Relativamente pouco do uso de dispositivos móveis é feito quando se está andando na rua ou numa fila, esperando pelo café.

Onde e quando as pessoas usam seus dispositivos móveis.
Mobile nao significa móvel.

Se mobile não se refere a onde você está ou à forma de conexão, então o que significa?

Há um outro jeito óbvio de definir: “mobile” significa a ausência de um teclado físico completo, significa uma tela pequena e um sistema operacional incapaz de multitarefa… bem, exceto pelos dispositivos “móveis” com teclados, telas largas ou (hoje) multitarefa. Steve Jobs apresentou o iPad à sua equipe como um iPhone com tela grande. Daí surge o problema: qual é exatamente a diferença entre um iPad Pro e um Surface Pro? São ambos “PCs”? Sabemos de alguma forma que eles são diferentes, mas qual é a diferença que importa? Qual a diferença entre eles e um MacBook? E um Lumia rodando Windows 10 plugado em uma tela e um teclado? O Lumia é diferente de um Mac mini plugado em um teclado e uma tela? Por quê? Não dá para usar o tamanho da tela ou o teclado para definir “mobile” como diferente de “PC”.

Tela grande e teclado.
Quais desses dispositivos são mobile?

Certamente não é o desempenho — ao menos não por muito tempo. Um iPhone 6s vence o Macbook em alguns benchmarks, um iPad Air vence o Surface antigo e parece que o iPad Pro estará próximo o suficiente de um Surface, de modo que não há motivo para discutir sobre isso. As linhas no gráfico da Lei de Moore estão convergindo para qualquer coisa com uma bateria. O mesmo se aplica às diferenças visíveis em software. Dizer que um PC se distingue pela multitarefa e pelas múltiplas janelas é ter visão de curto alcance. É apenas software. Ele muda.

Enquanto isso, a maioria das diferenças de formato me parece ter pouco a ver com a essência do dispositivo. É mais uma questão de “colagem”. Se eu grudo um teclado em um iPad e instalo o Office, eu criei um notebook? Quantos dos 1,5 bilhão de PCs estão executando programas que eu não poderia usar nesse iPad — e, de acordo com meu argumento anterior, quantas pessoas precisarão usar esses programas específicos para sempre? Se eu colocar o Android dentro de um Surface e instalar o Office, o que eu perdi ou ganhei? A diferença entre um “smartphone” e um “tablet” é mais significativa do que a diferença entre um PC com um monitor maior ou menor?

Nesse sentido, em vez de pensarmos em “tablets e smartphones” como uma categoria e “PCs” como outra, deveríamos pensar em dispositivos com telas maiores ou menores. Em outras palavras, você terá algo para carregar consigo (um “telefone”) e pode, ou não, ter algo com uma tela maior que fica a maior, parte do tempo em casa ou no escritório. No passado, você poderia até mesmo ter escolhido entre um notebook ou um desktop — hoje você escolhe entre um notebook, um desktop ou um tablet, dependendo do que você deseja fazer com ele. Isto é, talvez devêssemos pensar em tablets como sendo tão PCs como desktops e notebooks.

Distinção entre tablets e PCs.
Tablets são mobile ou PC?

Se você pensar que todos esses dispositivos estão se movendo para ficar num mesmo espectro, sem grandes barreiras entre eles, apenas o tamanho da tela e se você encaixa um teclado ou não (o que não são reais diferenças de forma alguma), isso pode te levar ao Windows 10. Se o “computador” é mutável através de muitos formatos com as mesmas capacidades fundamentais — se “mobile” e “PC” convergiram –, então um único sistema operacional capaz de rodar em qualquer um deles pode parecer uma boa ideia: pegue a base acumulada do velho ecossistema e espalhe no novo formato, ajustando a interface de usuário para tirar vantagem das telas sensíveis a toques.

Bem… talvez.

Este é o IBM XT/370, de 1983. Ele era um IBM PC, então ele rodava o MicroSoft DOS, mas também usava instruções de mainframe S/370 (de 1970) através de um cartão adicional. Ele vendeu bem, aparentemente, e era uma ideia perfeitamente boa com consumidores animados. Mas ele não era o futuro.

IBM XT/370, antepassado dos Lumia.
IBM XT/370.

A comparação não é perfeita — um Lumia usa o mesmo código de um “PC” com Windows 10, em teoria, em vez de trazer duas configurações completamente diferentes. Mas o paralelo com um Lumia ou um Surface com Windows 10 está no ecossistema. É possível colocar o velho ecossistema no novo formato. Você provavelmente venderá alguns deles. Mas isso é o futuro, ou é um novo Chevrolet Camaro ou Mustang — um produto que os fãs atuais amam, mas que ignora o aparecimento da Tesla e dos carros autônomos?

Levando nossa analogia histórica um pouco mais além, este é o Republic Rainbow.

Republic Rainbow.
As coisas são melhores quando se tornam obsoletas.

Desenvolvido bem no fim da II Guerra Mundial, ele ainda é a aeronave movida a pistão mais rápida, de seu tamanho, já construída. Ele levou a propulsão a pistão o mais longe que ela poderia ir; era melhor que os jatos disponíveis na época. Mas os jatos eram o futuro e os pistões não poderiam entregar nada a mais.

Cada geração da tecnologia passa por uma curva de desenvolvimento em formato de “S” — melhoria lenta de um produto nada prático, depois o crescimento explosivo, uma vez que as barreiras fundamentais são derrubadas, e, então, lentas iterações e refinamentos, enquanto se resolve cada um dos últimos problemas até que a curva se achate. Os PCs estão naquela parte achatada da curva, assim como o Rainbow estava. Eles se aperfeiçoaram porque corrigimos as grandes coisas inventadas no passado, e agora a inovação está nas pequenas novidades (como o Rainbow usando exaustão para um impulso adicional); não há mais grandes inovações para corrigir. Mas enquanto isso, o novo ecossistema o está alcançando; a curva de desenvolvimento e inovação está se achatando para sair do caminho. A nova curva está cruzando a antiga. É por isso que elas se parecem — é por isso que o Surface Pro e o iPad Pro são tão parecidos. Ambos existem bem no momento em que as curvas de desenvolvimento se cruzam. O iPad pode ainda estar um pouco abaixo, mas sua curva aponta para cima.

Isto é, o ponto em que se pode fazer as coisas do velho ecossistema em dispositivos que se se parecem com os do novo ecossistema é também o ponto que o novo ecossistema consegue fazer aquelas coisas também — mas o novo ecossistema tem dez vezes a escala e está apenas começando a jornada da inovação, enquanto o outro já está no fim da sua.

Mas o que é esse ecossistema, se não é um teclado, uma tela grande ou multitarefa? O que é “mobile”? Acredito que há quatro componentes:

  1. iOS e Android são um salto qualitativo em facilidade de uso sobre o Windows e o OS X. A Microsoft indiscutivelmente já os alcançou em smartphones, mas nos “PCs” toda a complexidade para suportar o velho jeito de fazer as coisas tem que permanecer — incluindo coisas como suportar mudanças de hardware. Se você gosta de mexer nas entranhas e fazer upgrade de seu computador, a mudança desse passo é ruim (tal qual a mudança da linha de comando para a interface gráfica foi), mas ela permite que muito mais pessoas usem esses recursos.
  2. iOS, Chrome OS e (discutivelmente) Android têm um modelo de segurança fundamentalmente melhor. Isto vem a troco de uma abertura reduzida. Mas agora que a ameaça não é mais um disquete com uma cópia infectada de Leisure Suit Larry, mas sim 500 pessoas de outro país hackeando o asssitente de controle financeiro da escola de seu filho para enviar emails falsos, essa é uma troca muito mais vantajosa.
  3. O ecossistema ARM tem, sobre o x86, vantagens fundamentais no que diz respeito a consumo de energia e na escala de investimentos da indústria acerca dele.
  4. Por fim, a vantagem da escala maior — o ecossistema ARM/iOS/Android está caminhando para vender dez vezes mais dispositivos que o ecossistema Wintel a cada ano. Esta é uma disparidade similar àquela entre PowerPC/Mac e Wintel, 20 anos atrás. É aqui que está toda a inovação: em semicondutores, em componentes e em software. Ninguém fundará uma nova empresa para fazer programas Win32 (embora os programas corporativos de Windows ainda serão trabalhados por um longo tempo, assim como foram os programas de mainframes).

Assim, uma resposta simples para uma pergunta complexa — quando dizemos “mobile”, não nos referimos ao móvel tal qual quando dizíamos “PCs” não nos referíamos ao pessoal. Isto não é sobre o tamanho da tela, ou o teclado, ou a localização, ou o uso. Em vez disso, o ecossistema ARM, iOS e Android, com dez vezes a escala do Wintel, se tornará o novo centro de gravidade por toda a computação. Ele dominará coisas como a Internet das Coisas e dispositivos vestíveis e os levará numa direção, e, no caminho, levará o data center para outra direção, e vai avançar em direção ao desktop. O smartphone é o novo Sol.


Publicado originalmente no blog do Benedict Evans.

Tradução por Leon Cavalcanti Rocha.
Revisão por Guilherme Teixeira.

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57 comentários

  1. Eu salvo esse artigo no Pocket ou instapaper e volto aqui para perguntar:
    Vou programar onde?
    Desculpa desde já!

  2. E mais uma vez, estão tentando matar os pcs. É impressionante…queria saber qual a tara nesse bendito assassinato do pc.

    Essa historinha de morte do pc, eu ouço a pelo menos 10 anos ou mais…desde a época do palm.

    Chega a ser engraçado o desespero que a mídia especializada tem em matar o pc a qualquer custo.

    Coitados.

  3. Eu gosto do jeito que ele pensa: pc vende menos, portanto é menos necessário que “mobiles”, e isso é prova de que se tornará muito menos numerosos em relação a mobile com o passar dos anos.

    Se é piada dele, própria, não sei. Nem quero saber. Só que gosto do jeito que ele pensa porque me faz rir. E rir muito. Tipo raciocínio de Zé Simão ao definir uma “piada pronta”: a gente sabe que o raciocínio está evidentemente equivocado, sem sentido, mas ri porque é, JUSTAMENTE, piada.

    Obrigado, Ghedin, por compartilhar mais um texto dele, que considero super inteligente. Me sinto um ser humano normal, capaz e feliz a cada prego na areia que ele martela.

    Bom final de semana a todos!

    1. Não acho que o argumento seja equivocado, @cegmont:disqus. Talvez precoce, mas essa inversão no papel de protagonismo na tecnologia de consumo não é uma previsão, é um fato. Daí para que outras coisas ganhem importância em plataformas móveis, é um pulo.

      O próprio texto comenta, mas vale o reforço: no início, PCs eram tidos como brinquedos perto de workstations e mainframes. Hoje, muito do que antes era feito nessas máquinas enormes e caras se dá em… PCs. O “brinquedo” de hoje, com escala e apoio da indústria, é a ferramenta de produtividade DE FATO amanhã. O iPad Pro é o ponto de inflexão, quando a arquitetura ARM alcança a x86 em poder computacional. Imagine o que virá depois…

  4. Minha opinião é similar, apesar de não acreditar que o iPad Pro vá muito longe a não ser que a Apple invista em grandes melhorias de ergonomia e software futuramente porque atualmente está me lembrando muito os primeiros Surfaces. Aliás, apesar da declaração do Tim Cook, não acredito que ele tenha tanta certeza assim do futuro da computação do iPad, usando uma estratégia mais comum ao Google, a Apple está apostando em dois produtos substitutos para um mesmo segmento: o novo MacBook e o iPad Pro.

    Interessante que a Apple está tentando uma abordagem mais arriscada, se ela conseguir transformar o iOS em um SO suficientemente produtivo, conseguirá ganhar uma boa vantagem competitiva usando processadores ARM no lugar de x86…entretanto se der errado ficará sem uma opção para esse form-factor híbrido que acredito ser o mais interessante para o usuário médio em um futuro próximo.

    No meu caso específico, estou completamente fora dessa migração sendo programador: fazemos de tudo para não tirar a mão do teclado, imagina ficar tocando na tela todo o tempo? Além disso, por questões de “arquitetura” os SOs móveis são ruins para desenvolvimento, esconder o sistema de arquivos é um estorvo e não uma vantagem..inclusive por isso tenho gostado cada vez mais do OS X: nas última versões teve pequenas melhorias no Finder, o iCloud Drive ficou mais “file friendly” e até o Terminal tem alguns updates.

    Vamos esperar para ver quem sai vitorioso, a Microsoft com a abordagem mais conservadora ou a Apple. Para mim, infelizmente parece que ficarei preso no OS X já que a Microsoft está focando mais esforços em “hibridizar” do que tornar a experiência do SO plena com teclado e mouse.

    1. Legal você tocar nessa questão do desenvolvimento em ambientes mobile, Gabriel. Muita gente crítica ao avanço desses dispositivos usa esse argumento — enquanto for preciso um PC para criar apps móveis, os PCs não irão a lugar algum.

      O iPad Pro parece recheado de problemas, do hardware ao software, mas pelo poder computacional e o posicionamento que a Apple lhe deu, parece ser o primeiro dispositivo em que a ideia de uma IDE faz sentido. Tem uns argumentos bons aqui neste texto (e queria ler a opinião de alguém programador sobre eles!): https://medium.com/@stevestreza/why-the-ipad-pro-needs-xcode-8335ee787a09

      1. É que para um ambiente completo de desenvolvimento o buraco é bem mais embaixo que uma IDE. O Xcode no iPad serviria de ferramenta de aprendizado, mas acho que nem para quem mexe apenas com iOS seria uma ferramenta completa: o gerenciador de pacotes Cocoapods é feito em Ruby, algo que o iPad não tem.

        Para ser uma ferramenta de desenvolvimento, precisa ter livre acesso já que para cada projeto você instala ferramentas diferentes e não dá para colocar tudo na App Store…eles teriam que liberar a linha de comando para usuário final e terceiros. Não é complicado do ponto de vista técnico, mas é bem contra a premissa do iOS. Não manjo tanto da parte interna do Unix, mas acho que não seria possível deixar esse acesso sem aumentar enormemente os riscos de malware, pirataria e jailbreak.isso é muito maior do que a Microsoft simplesmente fazer um Office completo ou a Adobe fazer um Photoshop, fora que tenho sérias dúvidas se muitas ferramentas de desenvolvimento funcionariam com o sandbox rígido do iOS.

        Desenvolvimento é a tarefa que mais exige do SO no seu conceito original, tanto que nem o Windows é o famoso “computador de verdade” para esse tipo de tarefa por não ser Unix-like. A esperança é que, apesar da fama de ser fechada e tudo mais, o OS X é bem amigável para desenvolvedores: se você instalar o Xcode já vem com compiladores/interpretadores das linguagens populares e ferramentas como o Git: isso faz com que o ambiente seja bem mais “just works” do que o Windows que você precisa instalar cada ferramenta na mão e, até pouco tempo atrás, não tinha um repositório como Homebrew para emular o “apt-get” do Linux.

        Enfim, toda essa redação para explicar que o iPad está muito longe de ser uma boa ferramenta de desenvolvimento, bem mais do que ser uma boa ferramenta para designers ou pessoal do escritório.

        1. Eu acho que o Xcode pra iOS pode ser uma baita ferramenta pra prototipação. Um jeito rápido de fazer um app funcional que use algum serviço já existente.

          Até pode acabar servindo pra algo mais sério que isso, mas vai exigir que o desenvolvedor mude bastante o workflow.
          Consigo imaginar na Apple lançando alguma “Dev Store” pra suprir a falta do Cocoapods, por exemplo.

          Isso não é algo muito incomum: Quando a Apple lançou o Final Cut Pro X, choveram reclamações dos profissionais de vídeo porque ele não se encaixava no workflow de muita gente.

          Se a Apple permitir extensões que interajam bem com um Xcode pra iOS, imagino que poderia surgir um ecossistema interessante de apps pra desenvolvedores suprindo todas essas lacunas.

          (Claro que teria o típico problema de TUDO CARO do iOS/Mac. No Mac ainda rola instalar muita coisa open source de graça, já no iOS complica um tanto.)

          1. Pra compilar apps nativos de iOS (e daí pode rodar nativamente, sem o peso de um emulador), o iPad Pro me parece bem capaz.

            Até seria possível rodar um servidor a lá node.ja se só tivesse como testar pela IDE (O iOS suporta apps rodando em background, mas não confiaria nisso pra um servidor, mesmo de teste)

  5. pessoal, desapeguem de AutoCAD, Adobe e ferramentas de desenvolvimento. São aplicaçoes de nicho. para essas o ‘PC’ ainda será essencial (por um tempo)…
    o povão se contenta com App básico de edição de foto.

  6. Sabe uma coisa que até agora eu não entendi?
    Isso tudo parece briga Windows x Linux x OSX só que agora adicionamos o hardware.

    Se o cara pega um tablet e coloca um teclado o rapaz fica com um notebook? O que mudou? O sistema operacional, a arquitetura, a ergonomia, e agora meter o dedo na tela é cool…

    Não quero ser chato, mas parece que o pessoal esqueceu que quando inventaram o Windows 8 era uma péssima idéia meter o dedo na tela… Estou mudando um pouco o foco, estou mais preocupado com a ergonomia e conforto mesmo. Porque já concordo com as justificativas da melhora de hardware e acredito que num futuro próximo o Android e iOS poderão trabalhar com uma multitarefa real.

    Mas como fica a ergonomia? Utilizaremos mouse nesses sistemas? Agora é confortável meter o dedo na tela do “novo notebook” para clicar em botões ou fazer seleções? Como trabalhar com arquivos CAD com a precisão do dedo? Utilizarei uma caneta? Isso é melhor que o mouse? mas meu braço não ficará cansado?

    @ghedin:disqus você mesmo não levantou essas questões na época do Win8, como ficará isso quando sobrarem apenas esses sistemas?

    1. O Windows 8 foi uma ideia ruim, mal executada e precoce, que evidencia o grande problema da Microsoft: legado. É o que mantém muitos clientes corporativos e gente “da antiga” em sua plataforma e, ao mesmo tempo, é o que a impede de tentar soluções mais modernas e enxutas — há muita complexidade por baixo do capô e não é fácil lidar com ela enquanto se tenta fazer algo novo ou diferente.

      Essas questões sobre determinada aplicação ou casos de uso específicos são pontuais, Pedro. Com o tempo, alguém inventará uma forma melhor e/ou mais simples de se fazer no mobile o que hoje é território apenas de PCs. O próprio texto cita dois desses casos, de CAD e edição de vídeos na web, coisas que, antes, eram tidas como impossíveis. O grande ponto da discussão é que emprega-se recursos e esforços na plataforma que está em crescimento. Fora as de realidade virtual, existe alguma startup criando apps para Windows? Pois é, não.

      Enquanto não chegamos lá os PCs continuarão por aí — e talvez continuem por muito tempo ainda. Não é uma questão de substituição pura, simples e automática. É um processo gradual, que vai crescendo e, quando nos dermos conta, mudará o cenário da tecnologia. (Na real, para mim já mudou; há muito mais gente usando smartphones do que jamais houve de gente com PCs.)

      1. Utilizar soluções web não quer dizer que utilizará o touch. Estou focando a conversa nesse ponto.

        Ao migrarmos para soluções touch como ficamos com a ergonomia? Esse ponto que levantei ao trazer o Windows 8 para a conversa.
        Ao adotarmos tablets e smartphones e colocarmos um teclado abrimos mão apenas do mouse. Como fica o uso no dia a dia? Não era ruim ficar tocando na tela o tempo todo? Agora não será mais? O tablet não vira um notebook sem mouse com um sistema operacional novo?

        Para mim só muda o sistema, mas me parece que continuamos com um notebook (quando usamos o talbet) mas ele ficou muito mais leve…

        1. Corrija-me se eu estiver errado, Pedro, mas seu ponto parte do pressuposto de que o uso de tablets (iOS ou Windows 8) se dá numa mesa, com a pessoa sentada, usando um teclado anexado à tela.

          Isso é algo reminescente do desktop — e, claro, exigido em algumas tarefas, em especial digitação. Para outras, não precisa ser assim. O formato pode e fatalmente variará e as limitações físicas e de poder computacional estão diminuindo. Por que, por exemplo, não ter um tabletão tombado para desenhistas e arquitetos, como as mesas que esses mesmos arquitetos usavam quando as plantas eram desenhadas com lápis e régua? Ou, no caso de um consultor ou executivo, por que não um smartphone que condense as informações que ele precisa consumir?

          O mouse, assim com o touch, são interfaces humano-máquina. Até pouco tempo atrás estávamos restritos ao mouse por limitações de hardware e software. Hoje, não mais. O próprio Evans cita isso no texto — “no início, as ferramentas se adaptam ao trabalho e então o trabalho muda para se adaptar às ferramentas”. O mundo é cheio de aplicações específicas e a escala e flexibilidade dos dispositivos móveis pode atacar mais modelos de uso do que o PC convencional jamais foi capaz. É esse universo que se abre — e que, para não deixar a dúvida principal sem resposta, a Microsoft não soube e/ou não conseguiu explorar com o Windows 8.

          1. Sim, Ghedin, parto desse pressuposto, mas todo mundo precisa digitar e teclado sempre é o principal acessório vendido por que todo mundo usa.

            Para mim o tablet esta virando uma reivenção do notebook, claro que o touch cria novas opções, mas sempre estamos utilizando acessórios que já existiam. Canetas, teclados, e outras adaptações.

            E isso que me pergunto. Será que está mudando tanto assim?

          2. Sim, Ghedin, parto desse pressuposto, mas todo mundo precisa digitar e teclado sempre é o principal acessório vendido por que todo mundo usa.

            Para mim o tablet esta virando uma reivenção do notebook, claro que o touch cria novas opções, mas sempre estamos utilizando acessórios que já existiam. Canetas, teclados, e outras adaptações.

            E isso que me pergunto. Será que está mudando tanto assim?

  7. Deus, como o Evans é chato.

    Se ele precisa fazer um texto deste tamanho, com 419 exemplos desconectados (e alguns tendenciosos) pra provar um ponto, talvez seja por que o ponto dele não é tão real assim.

      1. Comparar benchmark de PC com Mobile é, no mínimo, inocente.

        Comparar mercados alheios, idem.

        É perceptível a olhos nus que o mercado de PCs encolhe e vai encolher bem mais. Mas é irritante a necessidade dele de especular que o mercado de PCs vai acabar só por causa de outro produto da Apple que ficou abaixo do prometido pela própria Apple.

        De novo: Macs cresceram em vendas, no ultimo ano, 20%. iPads encolheram.

        “ah, mas os Macs são provavelmente os únicos…”. Sim, por que eles possuem qualidades que o fazem ser mais atraentes em relação a PCs da mesma categoria. Microsoft olhou justamente estes números e tá aí, com um laptop premium, caro e poderoso com mais chances, em retrospecto de vender mais do que se tentasse copiar o iPad (pra quê concorrer com algo cujo mercado estacionou há dois anos?)

        Até 3 anos atrás, você precisava de um laptop, pagava ~300 dólares num HP e bola pra frente. Hoje não. Quem compra PC é por que quer um PC, então passa a ser mais seletivo. Quem apenas precisava de computação básica usa um tablet de ~350 dólares com tecnologia e acabamentos impecáveis (iPad Mini/Fire HD/Nexus 7).

        Mas o mercado de PC vai seguir existindo por bastante tempo, bastante. Primeiro por razões ergonômicas (que curiosamente o Evans passa meio batido. Evans sempre passa batido em situações onde iThings não são lá muito boas). Um laptop AINDA faz mais coisas que um celular e um tablet (Evans acha que é o contrário risos), é mais confortável, o SO permite uma real multitarefa sem precisar colocar apps pra hibernar e economizar bateria/memória RAM. Há uma miríade de vantagens para uma melhor produtividade/conectividade/compartilhamento que um PC ainda tem sobre um tablet/celular.

        O iPad Pro era SIM uma tentativa de “acabar” com a necessidade de um PC. Sim, Cook (cada dia mais binariamente eufórico) bradou pra todo canto que o iPad Pro seria a solução final (o próprio sufixo PRO saiu meio estranho, já que de Pro ele não tem muita coisa. Poderia ser apenas Plus). Bonito comparar specs e benchmarks, mas meu iPhone 6 Plus esquenta com 15 minutos de uso intenso. E nem tô falando de jogos.

        (cabe um aparte: as piadas e gozações com o iPadão são de origem no próprio Cook, que falou que “ninguém mais precisa de um PC”)

        No meu olhar, o erro ainda é de SO. Eu não acho o iOS capaz de lidar com instruções e gráficos de forma competente bastante para ser uma real ferramenta de produtividade. Multitasking continua sendo uma piada, interface continua confusa para uso produtivo. Teclado e trackpad é ergonomicamente mais simples.

        Mas isso tudo é muito natural, leva tempo. Especular que o futuro estará centrado em uma computação mais simples, leve, portável e onipresente é válido, eu acredito. Mas Ignorar que PCs podem virar dispositivos de nicho assim como as câmeras não desapareceram com o advento dos celulares é tendencioso, principalmente por que é o Evans.

        (Só você pra me fazer escrever tanto, Ghedin)

        1. Por que é inocente comparar benchmarks de PC e mobile? O iPad Pro se equipara a PCs em alguns “trabalhos de verdade”, como conversão de vídeo. A arquitetura ARM avançou demais e, hoje, é capaz de bater de frente com chips x86. Meio surreal pensar que levou menos de 10 anos (desde o iPhone original) para que as duas se equivalessem.

          “Um laptop AINDA faz mais coisas que um celular e um tablet.”

          Isso é questionável na medida em que expandimos o conceito de “coisas”. Veja, não é em poder computacional que um dispositivo pode superar o outro. O smartphone tem mais sensores, é mais versátil, viabiliza coisas que, em PCs convencionais, seriam difíceis ou com uma camada de complexidade muito espessa. Apps como Uber e iFood, por exemplo, poderiam existir no PC, mas deslancharam com smartphones (no mobile) devido às características inerentes desses.

          É esse tipo de oportunidade e possibilidades de aplicação a que o Benedict se refere. O poder computacional é só um gargalo que deixou de existir (mais um, aliás). O PC convencional continuará existindo por um bom tempo, mas deixou de ser a plataforma de inovação, o centro gravitacional da tecnologia de consumo. É no mobile que as “coisas” (e, aqui, num sentido bem amplo) estão acontecendo; essa tendência ainda está na ascendente.

          “No meu olhar, o erro ainda é de SO.”

          Isso é software, a parte da equação mais fácil de corrigir e melhorar. Muitas das limitações do iPad Pro, hoje, decorrem do iOS, mas é questão de tempo (e vontade, claro) para que a Apple apare essas arestas. O Windows levou uns 20 anos para ficar usável; vamos dar um desconto ao iOS e ao Android.

          “(Só você pra me fazer escrever tanto, Ghedin)”

          Haha, fico feliz! Sempre bom ler seus argumentos, Joel — mesmo, ou talvez especialmente, quando discordamos :)

        2. Por que é inocente comparar benchmarks de PC e mobile? O iPad Pro se equipara a PCs em alguns “trabalhos de verdade”, como conversão de vídeo. A arquitetura ARM avançou demais e, hoje, é capaz de bater de frente com chips x86. Meio surreal pensar que levou menos de 10 anos (desde o iPhone original) para que as duas se equivalessem.

          “Um laptop AINDA faz mais coisas que um celular e um tablet.”

          Isso é questionável na medida em que expandimos o conceito de “coisas”. Veja, não é em poder computacional que um dispositivo pode superar o outro. O smartphone tem mais sensores, é mais versátil, viabiliza coisas que, em PCs convencionais, seriam difíceis ou com uma camada de complexidade muito espessa. Apps como Uber e iFood, por exemplo, poderiam existir no PC, mas deslancharam com smartphones (no mobile) devido às características inerentes desses.

          É esse tipo de oportunidade e possibilidades de aplicação a que o Benedict se refere. O poder computacional é só um gargalo que deixou de existir (mais um, aliás). O PC convencional continuará existindo por um bom tempo, mas deixou de ser a plataforma de inovação, o centro gravitacional da tecnologia de consumo. É no mobile que as “coisas” (e, aqui, num sentido bem amplo) estão acontecendo; essa tendência ainda está na ascendente.

          “No meu olhar, o erro ainda é de SO.”

          Isso é software, a parte da equação mais fácil de corrigir e melhorar. Muitas das limitações do iPad Pro, hoje, decorrem do iOS, mas é questão de tempo (e vontade, claro) para que a Apple apare essas arestas. O Windows levou uns 20 anos para ficar usável; vamos dar um desconto ao iOS e ao Android.

          “(Só você pra me fazer escrever tanto, Ghedin)”

          Haha, fico feliz! Sempre bom ler seus argumentos, Joel — mesmo, ou talvez especialmente, quando discordamos :)

          1. muitos ainda trazem a experiencia pessoal na hora de formar argumentos, mas isso é normal.

            “Um laptop AINDA faz mais coisas que um celular e um tablet.”

            vários amigos meus já assinaram spotify, mas eu ainda sou apegado a minha coleção pessoal de músicas.
            assim foi com vídeos! faz 10 anos atras que guardavamos videos e clipes em nossos computadores. hoje usamos o youtube.
            baixar torrent? hoje temos netflix e similares…
            documentos? google docs e office 365 já são realidades!

            um notebook é mais confortável de digitar e ler? sim! mas as pessoas estão abrindo mão disso pela portabilidade e comodidade.

          2. Se a Apple quer que o iPad Pro substitua MacBooks, primeira coisa que ela precisa fazer, é o software. O iOS precisa se tornar mais PC like. Ou melhor, OS X Like. É o mais simples a se fazer, claro. Assim como era simples a MS, Nokia, Blackberry ter reagido a Apple na época. A questão não é se é simples, é se vão fazer. E é algo que Cook meio que negou já.
            Fala do poder de fogo do A9X, mas tipo, não há aplicativo que tira poder de fogo para isso ainda. Talvez daqui alguns anos tenha, mas atualmente não. E não tem, por vários motivos.

            1. Sistemas móveis precisam ter APIs suficientes e robustas aos de desktops (e isso inclui multitarefa real, ou ao menos mais inteligente, ou ao menos permitir um download em segundo plano!)
            2. As empresas como Adobe, Autodesk, precisam acreditar no iOS como substituto do OS X, e isso é difícil para eles com razão, pois as APIs ainda são limitadas comparadas a de desktop.
            Obviamente a Apple vai investir ao menos nas APIs, mas muitas delas, vai de cara contra o jeito que o iOS é. A “ideologia”. Para começar, precisa de algo simples, como acesso ao file system (de pastas selecionadas ao menos).
            3. Maquinas virtuais, muito importantes atualmente (principalmente no corporativo), necessitam de SLAT e virtualização e mais algumas dezenas de coisas, que – que eu saiba, ARM ainda não suporta.

            Só lembrando, a comparação é meio injusta do A9X vs Surface, por culpa da MS mesmo e não Intel em si. Intel lançou m3, m5 e m7, o Pro 4 roda o M3. Essa geração da Intel está sendo uma das melhores em muito tempo.
            Ah, também vale lembrar, as pessoas estão levando em conta apenas um benchmark, o geekbench. Se levarmos em conta o benchmark de browser, o iPad Pro perde até para um Core M de antiga geração.
            O benchmark ideal, seria: Edite um vídeo em 4k, em ambos os dispositivos com um projeto idêntico praticamente. Veja em quanto tempo cada um vai renderizar. Veja se você vai poder sair do aplicativo enquanto renderiza o vídeo, e assim vai.

          3. Não acho que aproximar o iOS do OS X seja o caminho — seria reinventar a roda. O iOS, apesar de ter quase 10 anos, ainda tem muita margem para crescer, muitas partes flexíveis que podem ser trabalhadas de uma maneira mais simples/inteligente. Esse é o caminho.

            Adobe, Autodesk, Microsoft e outras grandes apoiam a plataforma. Há apps delas, talvez limitados pelo software, mas elas estão comprometidas. Questão de amadurecimento do software e, claro, interesse da Apple.

            Sobre os benchmarks, em alguns testes o A9X se equivale não aos Core m, mas ao Core i5 — vide: http://arstechnica.com/apple/2015/11/ipad-pro-review-mac-like-speed-with-all-the-virtues-and-limitations-of-ios/4/

            Novamente: para algumas tarefas PCs tradicionais continuarão melhores, talvez sempre serão, da mesma forma que há coisas que até hoje servidores fazem melhor. O ponto não é transpor todas as atividades hoje desempenhadas em PC para tablets e outros dispositivos móveis, mas sim ver esses como as primeiras opções, o novo padrão.

          4. Continua sendo apenas no geekbench. Na hora de comparar no Sunspider, Octane, Kraken com o Core M3, não compararam, por que será? Talvez pois até Core M-5y10c (broadwell) de geração antiga ganhou? https://uploads.disquscdn.com/images/e19d6dca6ec3ef7d9b3bb1b256c03c4cb328bbd83c6003f774d37cf9f0e5c01a.png
            E o que faz computador ser um “computador”, na minha opinião, talvez se resume em apenas uma palavra “limitless”.
            A questão é, querendo ou não, o iOS é limitado em vários pontos. É a ideologia da Apple com ele. Se até o povo do Android zoa o iOS, você acha que os de PCs não irão zoar? =P

          5. Continua sendo apenas no geekbench. Na hora de comparar no Sunspider, Octane, Kraken com o Core M3, não compararam, por que será? Talvez pois até Core M-5y10c (broadwell) de geração antiga ganhou? https://uploads.disquscdn.com/images/e19d6dca6ec3ef7d9b3bb1b256c03c4cb328bbd83c6003f774d37cf9f0e5c01a.png
            E o que faz computador ser um “computador”, na minha opinião, talvez se resume em apenas uma palavra “limitless”.
            A questão é, querendo ou não, o iOS é limitado em vários pontos. É a ideologia da Apple com ele. Se até o povo do Android zoa o iOS, você acha que os de PCs não irão zoar? =P

          6. Essa concepção de computador é um tanto limitada, Vitor. Existem computadores com sistemas muito mais específicos (“limitados”) que o iOS e.. bem, ainda são computadores. Não é a ferramenta que determinar o público e o uso, é o contrário. E, se hoje, usar um iPad ou smartphone para certas atividades é tido como gambiarra, complicado ou pouco prático, devido à escala e investimentos da indústria, em pouco tempo, poderá deixar de sê-lo.

          7. Quais por exemplo? E eu consigo imaginar o iPad Pro para competir com um Chromebook apenas. Um usuário bem mais básico. Mas isso, apenas atualmente (na verdade, futuramente. Quando melhorarem o teclado, e quem sabe colocarem um trackpad).
            Acho que a Apple talvez crie um iPad Pro OS, já que estão adorando dar um novo nome para algo que em essência é a mesma coisa, apenas com modificações visuais.
            Mas como eu disse, ainda existe algumas coisas simples, como: downloads em segundo plano. Coisa que iOS ainda não suporta totalmente (que eu saiba, só para arquivos super pequenos, por um tempo – mas o Spotify não conseguiu fazer funcionar rs).
            Não estou falando que é impossível, pois eu realmente acredito em processadores ARM, mas apenas digo que será um longo passo, e a Apple teria que sacrificar algumas de suas ideologias (talvez com o Cook que se mostrou mais liberal, há mais chances)

  8. O Benedict Evans vai bem até expor um fanboyzismo da Apple que acaba detonando o todo da obra. A comparação que ele estabelece entre Surface Pro e iPad Pro, e o paralelo entre W10 e o Constellation são bem toscos.

    1. Tbm não sei como ele pode comparar. Um Surface pode ser transformar em uma verdadeira estação de trabalho, enquanto o iPAD Pro…

      1. Em poder computacional os dois são equiparáveis. Em alguns cenários, o iPad Pro é mais rápido que os Surface Pro já disponíveis, com Core m3 e Core i5. É esse o aspecto “game changer”, que indica que a maior vantagem da arquitetura x86, desempenho, acabou. Isso, somado às vantagens dos processadores ARM (mais eficientes, rodando sistemas mais seguros e fáceis, e com uma escala muito maior que a dos Wintel) posicionam o iPad Pro e as variações que virão dele, feitas pela Apple e concorrentes, num lugar muito melhor (com mais potencial) que o Surface.

        É um tipo de dispositivo incipiente e não sabemos, ainda, quais rumos ele irá tomar. Mas está aí e, embora blogueiros e editores de sites de tecnologia torçam o nariz para a ideia de largar notebooks clássicos, outras categorias profissionais fariam (farão) isso de bom grado.

        1. e pessoas mais jovens já estarão acostumadas a não depender (tanto) de notebooks e PCs. a transição entre nossos pais e nós tambem foi assim.

          1. Cara, você está se referindo a uma REDE SOCIAL. Por favor, faça uma distinção básica entre o que você está falando: socialização e entretenimento se faz muito bem em dispositivos portáteis, enquanto a maioria dos trabalhos são realizados anos luz melhor em dispositivos mais robustos. Não preciso de muito esforço para perceber isso, baseado nos meus dias e na vida profissional de colegas. Escrever códigos, planejar apresentações, trabalhar com análise de dados etc. Será que algum dia aplicações a nível profissional serão “mobile first”? Duvido muito.

          2. Do próprio texto:

            “O futuro sempre se pareceu com um brinquedo que não dá para o trabalho de verdade. (…)

            Assim, ‘trabalho de verdade’ muda com novas ferramentas — no início, as ferramentas se adaptam ao trabalho e então o trabalho muda para se adaptar às ferramentas. (…) Enquanto isso, os ‘brinquedos’ seguem melhorando.”

        2. Não tenho conhecimento suficiente para discutir sobre arquiteturas; o que sei por experiência prática, é que o Windows é uma plataforma mais robusta do que o iOS. Ninguém faz multitarefa real como o Windows faz, e os analistas de tecnologia “acham” que sabem o que é necessário para se trabalhar num escritório de 9 às 6. Para o contador, o analista, o financista, o assistente, etc., o Windows vai perdurar por muito tempo, mesmo que essa tal decadência fosse verdade.

          No fundo, Ghedin, o que vejo é uma torcida meio que generalizada para que enfim chegue o final do reinado do Windows. E eu não vejo como isso poderá ser possível, apenas porque um tablet grande da Apple, que custará 7 mil reais, é marginalmente mais rápido que algumas versões do Surface. Enquanto o iOS não tiver nada tão prático como um Alt+Tab e multitarefa real, sinto muito mas… not gonna happen.

          1. Se o problema é esse, desde o iOS 9 há suporte para app switch (Command+Tab) desde que você tenha um teclado físico conectado ao iPad http://www.guidingtech.com/46124/new-physical-keyboard-shortcuts-ipad-ios-9/ :)

            Victor, não é torcida, é constatação da realidade. Trabalho em escritório é uma atividade em meio a muitas que, até pouco tempo atrás, dependiam unicamente de PCs. Hoje, não mais, e o número dessas tende a aumentar. Não é como se os PCs fossem sumir de uma hora para outra; eles são muitos (mas menos que smartphones) e, para algumas tarefas, ainda são melhore (talvez sempre serão). Mas é um processo que já começou. Mais gente usa dispositivos mobile do que PCs e, só isso, já é um sinal de mudança.

            Acho, até, que analistas como o Benedict, que se concentram no macro em vez de em experiências pessoais ou próximas (Tom Warren, por exemplo: http://www.theverge.com/2015/11/10/9704020/apple-tim-cook-ipad-pro-replaces-a-pc ), conseguem chegar a conclusões mais condizentes com a média. E lembre-se: nós, que estamos aqui discutindo o tema num blog de tecnologia, somos exceções, não regra.

          2. Mas qual o comportamento do app switch? No Windows o multitarefa é total desde o W95, se não me falha a memória.

          3. Porque no mundo corporativo, principalmente, todos usamos algum tipo de ERP combinado com o MS Office e com o browser. Já existem ERPs que possuem acesso via web, mas com limitações. E mesmo assim o multitarefas é necessário.

  9. Ainda me pergunto o quanto esse tipo de análise é válida fora dos países centrais do capitalismo. Explico-me: ainda que seja justamente na periferia do capitalismo que as possibilidades de crescimento de smartphones/tablets/etc seja maior entre o público “não informatizado”, é também justamente neste cenário em que a pirataria e a possibilidade de produção de gambiarras em software e hardware se revelou adequada nos últimos 30 anos.

    Todos sabemos o quão importante foi a possibilidade de encontrar facilmente versões piratas dos softwares da Adobe, da Autodesk, etc, para o crescimento do uso de computadores nos anos 90 e 2000. Com o ecossistema travado dos universos iOS/Android, isso será possível?

    O PC permitiu o acesso amador a ferramentas profissionais consolidadas (e isto foi fundamental para seu crescimento). Não sei se o novo paradigma permitirá isto.

    1. o android ainda permite, né? iOS acho q não… mas é bem isso mesmo: noa q estamos às margens do capitalismo não cabemos nos gráficos de quem usufrui desses recursos com acesso mais fácil dado o preço estar mais dentro dos parâmetros das economias dos outros países (apesar q os produtos apple são caros no mundo todo, não?). aos q estão fora dessa ciranda, restará financiar tudo isso de algum modo, já q aqui (e em outros países ditos em desenvolvimento) se lucra mais. não no caso da apple, parece-me, pq aqui as vendas são insignificantes, mas se se levar isso às montadoras de carros, é bem por aí.

      acho tb q a pirataria acaba ficando de fora da maioria das análises, pq talvez ninguém queira se vincular a ela (assunto maldito). parece mesmo q se não fosse a pirataria, com o qual muitos lucram bilhões e isso não pode estar fora das perspectiva, muitos não teriam acesso aos formatos e linguagens consolidados hj e q figuram no exemplo do autor… por outro lado, a pirataria nos smartphones parece menos vigorosa, já q os apps custam bem pouco – bem menos q adobe e autodesk…

      acho q dá pra dizer q a pirataria e o autodidatismo são a base do conhecimento tecnológico das economias capengas…

      1. São pontos bem relevantes. No caso da pirataria, a natureza do software mudou muito. Basta ver que, hoje, a maioria dos apps é gratuita, financiada por anúncios e, portanto, acessível a todos. O mesmo para sistemas operacionais — até a Microsoft, bastião do software pago, abriu mão de cobrar pelo Windows.

        Não é como se o software fosse o único empecilho, porém. Nesse novo ecossistema, outros gargalos que evidenciam o nosso atraso surgem. No mobile, em especial as redes lentas das operadoras e o acesso a hardware de ponta. Mas até esse segundo ponto tem decrescido numa velocidade impressionante. Cinco anos atrás era preciso uma boa grana, digamos… mais de R$ 1.000 para comprar um smartphone porcaria (lembro-me do Backflip, da Motorola, por exemplo). Hoje, com R$ 500 leva-se para casa um negócio bem decente, um Moto G ou Zenfone 5 da vida.

        Há muito dinheiro para se ganhar fora dos EUA/Europa/Japão, só que não é com valor agregado, é com escala (o que se encaixa com a lógica do Benedict, exposta no texto).

        1. olha, eu não manjo da economia da trinca aí, mas eu presumo q eles não estejam nadando em dinheiro (especialmente europa e japão). e os novos mercados, q já não são tão novos, talvez estejam já um tanto saturados pra exploração dessas grandes empresas. a maior permeabilidade mesmo me parece a dos apps, disponíveis em qualquer lugar do mundo (especialmente se houver tradução e sentido em culturas diferentes). os aparelhos serão isso aí mesmo: baratos e acessíveis pra maioria. agora, a apple não dá sinais de q esgotou seus mercados e não creio q vá se interessar em vender itens baratos. é uma empresa bem sui generis… eu não a entendo muito bem (acho q há muito hype e pouco entendimento), na verdade. só sei q seus produtos estão a milhas de distância do consumidor comum: os comentários no G1 sobre o iPad pro, por exemplo, são bem sintomáticos dessa incompreensão.

          1. A Apple corre por fora (ou, pondo em perspectiva, muito na frente), mas o que ela faz respinga no restante da indústria e acaba beneficiando, ainda que indiretamente, quem não tem condições de arcar com um iPhone ou iPad.

            As margens são curtas e não dá para ganhar tanto quanto a Apple (“ganhar”, ou ficar no azul já é um bom negócio para todas menos ela e Samsung), mas a movimentação e o destaque que alguns lançamentos têm tido no Brasil, em especial Motorola e Asus, dão uma dimensão de que há alguns trocados a serem ganhos em mercados foram dos do primeiro mundo. China e Índia, com suas fabricantes locais, são outro indicativo disso.

        2. ah, o windows não ficou grátis, né? deram uma colher de chá pra quem já tinha comprado um apenas.

      2. iOS com jailbreak não tem como?
        Mas como o Ghedin disse, hoje, a maioria dos programas (principalmente no mobile), é um software ‘lite’, e se quiser usufruir tudo, terá que pagar via in-app, ou assinatura….

      3. iOS com jailbreak não tem como?
        Mas como o Ghedin disse, hoje, a maioria dos programas (principalmente no mobile), é um software ‘lite’, e se quiser usufruir tudo, terá que pagar via in-app, ou assinatura….

        1. vitor, não manjo de iOS, mas presumo q tenha sim meios e formas, mas me parecem bem menos acessíveis e populares q no android e windows. o q me parece interessante nos smartphones é o preço dos apps e jogos. são bem acessíveis qdo não totalmente gratuitos funcionando em plenitude. isso muda mesmo o jogo! cara, eu comprava uma revista na banca q custava a bagatela de 38 reais!!! um app bacana às vezes custa uns dois ou três reais.

          1. Yep. Bem mais simples no Android, realmente.
            E acredito pois aplicativos nos smartphones são bem mais simples… Se você pegar um app bem mais complaxo, “fodão”, normalmente é caro daí.

          2. Yep. Bem mais simples no Android, realmente.
            E acredito pois aplicativos nos smartphones são bem mais simples… Se você pegar um app bem mais complaxo, “fodão”, normalmente é caro daí.

  10. Espero que a Microsoft faça um ótimo trabalho com esse celular + dock = PC. Essa solução já atende 99% do meu uso do notebook em casa. Talvez no âmbito empresarial ainda demore um pouco para decolar, ou nunca decole.

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