por Natália Viana
Matéria publicada originalmente na Agência Pública.
A notícia de que a empresa Hacking Team teve seus e-mails hackeados em junho foi um choque para o mercado da vigilância digital. Normalmente acostumada a espionar e-mails alheios, a companhia viu suas comunicações internas vazarem a conta-gotas na internet. Em 8 de julho, o WikiLeaks publicou nada menos que 1 milhão de e-mails, organizados em um banco de dados que pode ser explorado através de buscas por palavras-chave.
Os documentos mostram como a empresa – que vende somente para governos e tem entre seus clientes desde o FBI e o exército americano até regimes que reprimem e perseguem oposicionistas como Marrocos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Azerbaijão – atua para fazer lobby e conquistar novos clientes. No Brasil, a Hacking Team tem atuado fortemente junto à Polícia Federal, o Exército e diversas polícias estaduais desde 2011. Por outro lado, diversas forças policiais brasileiras procuraram os italianos em busca dos seus produtos.
Em maio deste ano, através de um contrato com a representante nacional YasniTech, os polêmicos softwares de espionagem da Hacking Team foram usados para uma investigação da PF, em um projeto piloto de três meses, segundo os e-mails. (mais…)