Quem aprende a usar o WhatsApp lendo uma revista de papel?

Quem acompanha uma publicação pequena como o Manual do Usuário nutre algum interesse além da média por tecnologia de consumo e as derivações do tema. São pessoas que provavelmente leem outros sites da área, buscam entender o contexto das notícias, são ávidas por conteúdo aprofundado. E, imagino, há algum tempo não compram revistas de papel.

Não é de hoje que o papel perde espaço para publicações digitais. A vida nunca esteve tão difícil para quem depende primordialmente de tinta e celulose para chamar a atenção (e ganhar o dinheiro) do público. A informação mais recente que encontrei sobre o mercado editorial, de 2011, mostra uma estagnação de mais de uma década — e, com o crescimento vertiginoso do digital, acaba sobrando menos dinheiro para bancar aquele mercado. Uns tentam negar a tendência óbvia e subverter números para justificar um cenário inexistente — em resumo, deliram. Outros, mais sensatos, já aceitaram a derrocada do papel e buscam se adaptar à nova realidade digital.

O espaço para as revistas impressas e distribuídas fisicamente está minguando mesmo em áreas especializadas, como a tecnologia. Ficando só nas publicações brasileiras, encontramos exemplos que ratificam esse prognóstico pessimista: a INFO da Abril e a Macmais, da Escala, deixaram de ser impressas mais ou menos na mesma época, em fevereiro. São notas tristes na história da imprensa nacional, especialmente para quem cresceu com e/ou acompanhava essas publicações, mas numa visão mais ampla, são apenas mais alguns sinais de uma grande mudança em curso.

Esse estado de transição deixa brechas para publicações que subvertem a lógica e dão um nó na cabeça do cada vez mais raro transeunte que resolve se perder nas prateleiras de uma banca de jornal. Foi o que fiz numa manhã de sábado, na maior banca da pequena Paranavaí, no interior do Paraná, junto com uns velhinhos que, pela cumplicidade com que conversavam com os funcionários do estabelecimento, deviam ser clientes assíduos.

Fui até lá depois de ver este carrossel de fotos no Vírgula, repleto de capas de revistas surreais publicadas recentemente. Entre a promessa da prevenção do Mal de Parkinson e de Alzheimer, sopas e dietas milagrosas e o manual para ficar rico com seu próprio food truck, vários “guias” de tecnologia.

Os guias não prometem ensinar programação, nem tratam de temas muito complexos; não é nenhum segredo de ordem maior o que a maioria daquelas páginas promete revelar. Essas revistas têm como objetivo fazer o leitor dominar por completo apps e serviços triviais, como Facebook e WhatsApp. O tipo de coisa que, até então, julgava ser intuitiva o bastante para dispensar manuais.

Dominar o WhatsApp com a orientação de uma revista custa caro

Página sobre fotos e vídeos da revista sobre o Facebook.
Revista ensina como publicar fotos e vídeos no Facebook.

Na banca, deparei-me com alguns exemplares que tinha visto na matéria do Vírgula e uns outros tão curiosos quanto. Resolvi comprar uma revista sobre o WhatsApp e um pacote especial, provavelmente criado para desovar estoque, composto por quatro revistas: uma com dicas do Facebook, outra sobre o iPad, uma terceira a respeito de tablets e a última com “170 dicas do mundo digital.”

A primeira surpresa veio com o preço. A do WhatsApp, publicada pela Editora On Line (ah, a ironia), custa R$ 20. Ela faz parte de um selo/coleção, a “Guia Fácil Informática,” que contempla outras pérolas como os guias do iPhone 6, do Google e do Waze.

No site oficial da On Line, que está defasado e não mostra essas revistas mais recentes, encontrei também guias de video games, Office e, por R$ 40, a promessa de “ficar muito rico e famoso” usando o YouTube. No catálogo capturado pelo Google Livros aparecem as mais recentes do selo, como a Trabalhe em Casa (“ganhe até R$ 78 mil sem sair de casa;” acho que preciso dessa) e um guia do Apple Watch (!) completo, com 129 páginas, lançado antes mesmo do relógio chegar oficialmente ao Brasil.

Índice da revista do iPad.
Índice da revista do iPad, da Editora Alto Astral.

A maior concorrente da Editora On Line no segmento é a Alto Astral, responsável pelas outras quatro revistas que comprei. Os preços variam de R$ 10 a R$ 20, mas como elas vieram num pacote especial, levei todas por apenas R$ 20. O site também é datado (a própria URL denuncia que ele foi feito em 2011), mas a loja está atualizada e demonstra atenção às tendências: há de livros-revistas de colorir para adultos a um antenado “Guia da Netflix” à venda. E as edições do WhatsApp dela são bem mais baratas — são duas revistas, por R$ 4 e R$ 5.

Também é da Alto Astral a que eu mais estava ansioso para ler, o “Guia da Selfie.” Infelizmente não a encontrei em minha rápida incursão à banca. Entre outras coisas, a chamada da capa diz que “especialistas ensinam como tirar a selfie perfeita.”

Parece bobagem, mas tirar uma “selfie perfeita” não é fácil. A fotografia, de modo geral, está longe de ser uma atividade trivial. Ela pode ser — qualquer um consegue ligar um celular e fazer uma foto –, mas uma boa foto depende de estudo, de preparação e de conhecimento da tecnologia. É o tipo de coisa que é ao mesmo tempo acessível e complexa; o grau de dificuldade acompanha o do interesse do fotógrafo pelo ofício e o anseio por obter bons resultados premeditadamente, não ao acaso.

Por essa e outras não acho que revistas do tipo sejam um desperdício de papel. A abordagem soa forçada, mas é um mero chamariz que os editores usam para tentar destacá-las nas prateleiras. São muitas brigando por um consumidor cada vez mais raro, cada vez mais desacostumado a ler em papel e inundado diariamente por conteúdo digital. Não dá para culpá-los.

O mesmo talvez se aplique às revistas de apps. O grau de negligência e desconhecimento que vemos rotineiramente no Facebook, de gente postando fotos comprometedoras publicamente aos convites de joguinhos enviados aos montes sem que o remetente sequer note isso, provam um ponto. O WhatsApp, por mais simples que possa ser (e ele é ridiculamente simples), esconde alguns segredos. (Mea culpa do dia: só descobri recentemente que um grupo pode ter mais de um administrador.)

Todos esses sites e apps fáceis de usar têm uma documentação acessível, mas esse conteúdo não é algo tão óbvio ou fácil de achar para quem não tem sequer ideia de onde começar. Pior: não é o tipo de problema que tira o sono de muita gente. Veja o meu caso: eu vivia bem sem saber que posso compartilhar a função de administrador em um grupo com outras pessoas, mesmo sendo algo que me será útil — ainda que não goste da maioria dos grupos, por motivos diversos sou administrador de alguns.

Chamada na capa do Guia do WhatsApp.

Depois que comprei e li a revista do WhatsApp, pensando nisso tudo me veio a dúvida: a que tipo de público uma revista dessas se destina? Adolescentes? Provavelmente não. Se duvidar, nunca leram uma revista de papel, nem têm interesse por isso. Jovens adultos, nós os ~millennials, somos auto-suficientes, nunca damos o braço a torcer, sequer lemos manuais de instruções, quiçá uma revista explicando um app gratuito e fácil de celular.

Então me veio a teoria, sem qualquer comprovação ou pretensão de sê-la, de que talvez seja um pessoal mais velho, que só agora está aderindo aos smartphones e ainda tem dificuldade mesmo com as ações mais simples. É um público em potencial, logo a teoria faz sentido, porém mesmo ela é frágil.

Tenho casos próximos de pessoas nessa situação que, em vez de correrem às bancas para aprender a mexer nos seus celulares intimidadores, simplesmente… perguntam e pedem ajuda aos mais novos. No mínimo, sai mais barato.

Tinha a esperança de conseguir falar com alguém da On Line. Consegui o contato e o retorno da jornalista responsável pelo guia do WhatsApp, marcamos uma entrevista, mas do nada ela parou de retornar os meus e-mails e fiquei sem esclarecimentos importantes para entender a presença desses guias de apps no nosso mercado editorial…

WhatsApp: da instalação ao backup

Revista ensinando a mandar mensagens de áudio pelo WhatsApp.

Mas o que contém, afinal, uma revista com 66 páginas, sem publicidade, dedicada inteiramente a um app que todo mundo, do seu sobrinho de oito anos à avó de 80, usa? Como você deve imaginar, tudo, e da forma mais mastigada possível.

O sumário percorre todos os passos do app, do mais básico (baixar/instalar o app) até coisas avançadas como backup manual e proteção por senha do WhatsApp — via apps de terceiros; esse recurso não existe nativamente. As dicas mais simples como usar emojis, ou… ahn… mandar uma mensagem, são tão óbvias que fazem o leitor refletir sobre os motivos que levariam alguém a redigi-las (e você, a comprar a revista). Pelo menos o conteúdo é, na maior parte, preciso, completo e bem amarrado.

Na minha análise não muito aprofundada só encontrei um erro crasso. A revista confunde o “visto pela última vez” com a notificação de leitura (o tique duplo azul) e ensina um prometendo o resultado do outro, na página 28. Quando é um site, a correção é fácil; numa revista periódica, ela vem na edição seguinte. Mas e num especial, como este?

As informações contemplam iPhone e Android, mas esse último é declaradamente o da Samsung. A revista sempre indica o botão tátil de menu hoje quase que exclusivo da fabricante sul coreana e faz referências a outras coisas que você só encontra num Galaxy da vida, como o app Meus Arquivos, um gerenciador de arquivos que a Samsung inclui em seus smartphones, mas que não faz parte do Android padrão. Isso é ruim, pois confunde quem usa outros sabores do sistema — o smartphone mais vendido do Brasil, por exemplo, é da Motorola.

Se na web publicar dicas e tutoriais do tipo é arriscado pela celeridade com que tais apps sofrem mudanças, numa revista em papel esse é um problema ainda maior. Este guia do WhatsApp não traz a data do fechamento da edição, mas por abordar recursos recentes, como o WhatsApp Web, não é tão antigo. Mesmo assim, ele deixa de fora aspectos importantes do app, novidades como as ligações gratuitas liberadas em março.

WhatsApp atualizado vs. defasado da revista.

Com o tempo, o descompasso entre o que está no papel e o que as pessoas usam aumentará. Semana passada, em outro exemplo dessa frágil relação o WhatsApp para Android ganhou uma repaginada no visual. A maioria das dicas ainda funciona, mas as imagens que as ilustram agora são bem diferentes do que o leitor encontrará em seu celular. Embora seja uma diferença mínima, é uma que pesa para quem a publicação se destina, ou seja, alguém sem muito conhecimento no uso do celular.

Publicar em revista de papel pode estar com os dias contados, mas a sensação de ter seu nome impresso em uma é diferente — e digo por experiência própria. Funciona meio como uma validação do trabalho, ou o reconhecimento do meio porque… bem, não é como um blog que qualquer um faz a hora que der na telha; há um investimento grande antes, muitos profissionais no caminho da ideia à entrega nas bancas e um processo mais demorado e criterioso.

Ao leitor, porém, nada disso importa muito, então é de se imaginar que guias como este do WhatsApp vendam — é a única justificativa para existirem. Deve haver demanda para que as editoras On Line e Alto Astral invistam em edições tão específicas. Por quem? Até quando? São perguntas que me escapam mesmo após ter lido algumas e ao mesmo tempo, talvez por isso, tornam essas revistas tão fascinantes.

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23 comentários

  1. Desculpa, fui lá no link do site Virgula ver as fotos… 15 mil por dia em um Food Truck.. como assim?

    Como assim? Comooooooo????? Cada produto custa 200 reais? Se ele vender 5 por hora, trabalhando 10 horas por dia, ganha 10 mil. Então deve vender muito mais.

    Tenho que mudar meu ramo.

  2. Compartilho também da mea culpa: descobri há pouco mais de uma semana que grupos podem ter mais de um administrador. Participo de alguns por necessidade ou meio que obrigação, mas não sou fã deles.

    É curioso que, lendo o texto, fui me recordando da última vez em que comprei uma revista ligada à tecnologia. Isso deve ter sido em meados de 2000. Era gostoso passar as páginas, ver o projeto gráfico, babar nas novidades que gente não sabia por ainda não ter um acesso mais amplo à internet. Aí dia desses resolvi reviver essa experiência e parei em frente a uma banca próxima do trabalho e aí a ficha caiu: Caramba, as matérias da revista, datada de 15 dias atrás, eu já havia lido na internet há pelo menos uns 30 dias! Não faz sentido mais comprar a revista…

    Como alguém já disse aí nos comentários e eu concordo: essas publicações vão virar nicho igual a disco de vinil hoje em dia, relegadas a um público saudosista que quer reviver o gosto de passar as folhas e sentir o cheiro da tinta no papel.

  3. Compartilho também da mea culpa: descobri há pouco mais de uma semana que grupos podem ter mais de um administrador. Participo de alguns por necessidade ou meio que obrigação, mas não sou fã deles.

    É curioso que, lendo o texto, fui me recordando da última vez em que comprei uma revista ligada à tecnologia. Isso deve ter sido em meados de 2000. Era gostoso passar as páginas, ver o projeto gráfico, babar nas novidades que gente não sabia por ainda não ter um acesso mais amplo à internet. Aí dia desses resolvi reviver essa experiência e parei em frente a uma banca próxima do trabalho e aí a ficha caiu: Caramba, as matérias da revista, datada de 15 dias atrás, eu já havia lido na internet há pelo menos uns 30 dias! Não faz sentido mais comprar a revista…

    Como alguém já disse aí nos comentários e eu concordo: essas publicações vão virar nicho igual a disco de vinil hoje em dia, relegadas a um público saudosista que quer reviver o gosto de passar as folhas e sentir o cheiro da tinta no papel.

  4. Poxa, sabe o que é pior? Que eu compraria uma dessa pra minha vó. Moro muito longe e por isso não dá pra u ensinar tudo ao vivo, os outros netos tem menos de 15 anos e 0 de paciência pra ensinar, o que só afasta ela mais ainda da tecnologia. Agora se ela tivesse um manual tão detalhado, com fotos, em papel pra ela poder fazer anotações e, mais importante, sempre disponível quando ela é esquecer alguma coisa, seria bem mais fácil!
    Quanto ao preço, compensa mais pagar os 20 reais do que fazer o próprio tutorial no Word e imprimir, muito trabalho.

  5. “A revista confunde o ‘visto pela última vez’ com a notificação de leitura (o tique duplo azul)”

    Pera, qual a diferença? hahahaha (pra você ver de como uso horrores o whatsapp)

    1. O “Visto pela última vez” denuncia a última vez que você abriu o app. Ele aparece, nos seus contatos, no topo da tela, embaixo do nome. Desativando isso, as pessoas não ficam sabendo quando você abriu o app pela última vez — e, para ser justo, você também perde esse poder.

      Já a notificação de leitura é o tique duplo azul, que denuncia quando você abriu a conversa, ou seja, quando visualizou de fato a mensagem enviada.

  6. Para quem está fazendo um TCC (não é meu caso) sobre algo que envolva informática ou mídias sociais, ter uma revista com algo que precisa citar mas não acha uma fonte boa no meio digital, deve ser uma maravilha.

    EDIT: Lembrei que eu fiz um TCC num curso técnico de informática para web que eu falava sobre o Twitter, e fiquei muito feliz quando achei um livro sobre o mesmo e pude citar ele para falar de algumas funções como hastag, citações e retweet.

  7. O texto está ótimo e o comentário do Thiagones complementa com sucesso. Vou dar meu pitaco também.

    Em São Paulo, há uma onda de vending machines com livros, dvds e outros conteúdos, onde você pode colocar (a partir de) 2 reais e pegar qualquer conteúdo. Nesta mania, comprei uns guias (da Digerati também, além das marcas citadas) sobre Mac, Photoshop, Manutenção de PCs, etc.. etc… Meu único arrependimento é não ter pego uma edição do Universidade Hacker que teve por uns dias nestas máquinas…

    Não vou dizer que o conteúdo é ruim. Na verdade, o conteúdo é como dito muitas vezes: um guia. Alguns são avançados, outros bem básicos. Mas o bom é que é uma forma de aprender também. E como bem colocado, é para aqueles que ainda estão iniciando e aprendendo, ou querem complementar o conhecimento. Alguns destes guias também já vão “direto ao assunto”, sem dar detalhes de como funcionam ferramentas e opções.

    Acho que o papel não vai morrer. Vai virar um novo nicho, tal como o vinil. O papel, há séculos, é uma forma de manutenção de dados também. E ter guias em papel ajuda a se sentir também um pouco mais seguro. A leitura é feita em anexo com o equipamento, não precisa ficar dando alt+tab alternando entre a janela do programa em estudo e as dicas. Enfim.

  8. Bom… um amigo meu me disse, que o primo dele disse… que algumas pessoas ouviram falar que as vezes uns pagões pagam para uma editora publicar coisas assim mesmo sabendo que as vendas, mais do que certo, não pagaram os custos de produção. Tá, mas pra que? Em algumas seleções (concurso, emprego, acadêmicas…) pontua-se “obras” publicadas, mesmo que irrelevantes.

    Nem vou dizer o título que o amigo do meu primo ouviu que uma pessoa publicou e o que ele conseguiu com isso. Ainda bem que tem o Internet Explorer pra vcs acharem.

  9. Bom… um amigo meu me disse, que o primo dele disse… que algumas pessoas ouviram falar que as vezes uns pagões pagam para uma editora publicar coisas assim mesmo sabendo que as vendas, mais do que certo, não pagaram os custos de produção. Tá, mas pra que? Em algumas seleções (concurso, emprego, acadêmicas…) pontua-se “obras” publicadas, mesmo que irrelevantes.

    Nem vou dizer o título que o amigo do meu primo ouviu que uma pessoa publicou e o que ele conseguiu com isso. Ainda bem que tem o Internet Explorer pra vcs acharem.

  10. O que eu conheço de pessoas que não sabem nem usar o teclado direito em smartphones não está escrito. Muito menos WhatsApp.

  11. Realmente este tipo de publicação causa uma curiosidade, uma coçada na cabeça seguida do pensamento “é sério que isso vende?”.
    Mas acredito que tudo tem o o seu público, o seu nicho. Só às vezes é difícil entender como isto pode ser ou é rentável.

    Meu pai (quase chegando nos 60) é um cara que gosta de ler os manuais dos eletrônicos e fica intrigado quando eu, sem ter lido nada, vou lá e sei fazer algo que ele não achou no manual.
    Ele tem bem esse perfil de comprar publicações na banca sobre tecnologia e me entregar. Acho que ele tem a ideia de que o conhecimento só pode vir através do papel, livros e revistas. Talvez seja este paradigma que estas editoras vêem como público alvo.

  12. Fiquei com uma cara de “WTF, sério que existe isso?”.
    Provavelmente essas revistas são mesmo para o pessoal mais velho ou sem nenhuma intimidade com a tecnologia. E mesmo esses, normalmente recorrem ao “sobrinho que entende de computador” para tirar as dúvidas.
    Já cansei de auxiliar amigos e familiares com dúvidas simples, que não consigo imaginar que alguém vá à banca comprar uma revista…

  13. Foi triste o fim da Info, mas acho que as revistas nacionais tinham um certo problema de identidade, a Info falava mais com executivos do que realmente com o publico ligado a internet e tecnologia, muitas matérias falando bem de produtos apenas pq eles eram pagos pelo marketing da fabricante tiravam a credibilidade e o material gráfico era realmente muito pobre se comparado a Wired por exemplo, a qual as vezes eu compro por alguma coisa que eles fazem no gráfico que não fica tão legal no digital.

    Sobre essas revistas de dicas tecnológicas acho que seria legal entrar em contato com elas para saber como vão as vendas e qual é realmente o publico q elas querem e conseguem, quem sabe não foram essas revistas que ensinaram os caminhoneiros a usar o Flogão…

    1. Uma revista capaz de despertar meu mais profundo saudosismo é a revista Geek. Eles tinham conteúdo interessante e bem humorado que não se resumia só às análises, aprendi muita coisa com essa revista e olha que quando comecei a comprar ela já estava a beira da extinção, eu pegava edições que estavam encalhadas nas bancas e ainda assim valia a pena. Era bem mais divertida e informativa que as Info da mesma época.

      Outra que consumi bastante foi a Linux Magazine que ainda existe.

  14. Sobre a mea culpa: trabalhamos. Tbm fiquei sabendo dos multiplos adm´s a pouco tempo. Casa de espeto, ferreiro de pau (com o perdão da trocada proposital), também descubro coisas novas mesmo trabalhando com TI e isso é divertido de certa forma. Quase um devaneio prazeroso que as vezes posso sentir ao não saber algo e ser ensinado de coisas triviais por um amigo que seja dentista e tenha aversão a tecnologia. Talvez isso seja um belo exemplo de que essa mundo digital venceu.

    Sobre o questionamento, o papel é ainda um local seguro pra muita gente. O mesmo cara que *JAMAIS* seria enganado por um larápio na porta do banco, entrega todos os dados bancários em uma página de banco fake ou PC infectado. O bom senso da pessoa entra em modo de segurança e se desliga na frente de uma tela.

    Some isso ao hábito de ver revistas-guia, a mistura de gerações tendo contato com uma tecnologia onipresente, a falta de habito de usar o google (e tutoriais bem chinfrins na Web que deixa o mesmo cara inseguro acima, mais desconfiado) e temos esses guias. E vende. Se não vendesse não existiria mais.

  15. Muito interessante o artigo, Ghedin. Vejo esse tipo de publicação quase que diariamente quando passo em frente a uma banca perto do trabalho e sempre me perguntei a quem se destina. Não consigo enxergar nem uma pessoa que tem mais dificuldade com um smartphone como um público alvo, dado que são revistas extensas e nem todo mundo tem tempo/paciência para ler tudo. Acho mais fácil perguntar para o neto/sobrinho/filho, hahaha

    Ps: Compartilho da sua Mea Culpa, nunca soube que dava pra ter mais de um administrador em grupos :P

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